Não escuta que eu grampo

Comecei a ler a revista Piauí há poucos meses. Gostei muito da publicação, mas o que acho realmente hour concours por ali é a sessão “Esquina”: são pequenos “causos”, todos aparentemente verdadeiros e tão cômicos que não seria exagero colocá-los na esteira do realismo fantástico latino-americano.

No mês passado, um dos “causos” apresentados era o “Não escuta que eu grampo”. Por favor, leiam ele. Só como degustação, coloco o início aqui pra atiçar a curiosidade de vocês:

Na sexta-feira, 1º de maio, o ouvinte do Distrito Federal que sintonizou o rádio na frequência 104,7 MHz se viu diante de um espesso enredo: “O detetive Virgulino Teixeira foi contratado pela dondoca Marilda para seguir os passos do marido dela, o empresário Aderbal. Ao instalar escutas telefônicas na casa e no escritório do empresário, o detetive descobriu um esquema de superfaturamento.” Sob os acordes dramáticos de um tango de Piazzolla, a trama se adensava: “Agora, Virgulino quer dinheiro do empresário para não abrir o bico sobre a falcatrua.” O próprio Virgulino tratou de se explicar: “Isso não é chantagem. Isso é toma-lá-dá-cá.”

O caso já vinha se estendendo havia cinco dias. Na segunda-feira anterior, Virgulino anunciara à dondoca Marilda: “Vou colocar uma escuta telefônica na sua casa. Sou conhecido em todo o universo investigativo como Araponga Grampeado.” Na terça, dondoca Marilda começou a hesitar: “Detetive Virgulino, não me leve a mal. Mas ouvi dizer que ficar instalando essas escutas por aí pode dar… pode dar…” Dondoca Marilda parecia ter medo da palavra. Com um suspiro, soltou alarmada: “Pode dar cadeia!” 

Na quinta, diante da descoberta de que o marido era corrupto, dondoca Marilda sugeriu que as gravações fossem encaminhadas à polícia. “A senhora enlouqueceu?”, perguntou o detetive, ríspido. “Se a polícia receber as fitas com as minhas interceptações telefônicas, quem vai preso sou eu.” Didático, Virgulino explicou: “Grampo só é legal com a autorização da Justiça, dondoca Marilda.” 

O caso não saiu nos jornais. Só existiu para quem é adepto dos folhetins produzidos pela Rádio Justiça de Brasília. Intitulada Não Escuta Que Eu Grampo, a história de Virgulino e dondoca Marilda foi transmitida ao longo de uma semana, em cinco capítulos de cinco minutos cada. Calcada na farra dos grampos, tornou-se a atração mais comentada desde o início da emissora, em maio de 2004.

Ok, imagino que você não esperava encontrar na mesma sentença as palavras “folhetins” e “dondoca”, sem falar na “Rádio Justiça”. Longe de mim querer ridicularizar a Rádio Justiça (hehehe).

Contudo, não resisto a colocar outro trecho do “causo” aqui:

Os personagens são interpretados por funcionários do Supremo, nas brechas do expediente. Virgulino Teixeira recebeu a voz de William Galvão, apresentador do noticiário da própria Rádio Justiça. Dondoca Marilda foi vivida por Odette Rocha, funcionária concursada do stf. Os dois são o Humphrey Bogart e a Lauren Bacall da Rádio Justiça, o par mais constante das peças de Macedo. O elenco de apoio varia. Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da oab de São Paulo, já fez uma ponta, interpretando por telefone o Doutor Palhares, um advogado trabalhista da trama “Alice no País do Trabalho”.

Hahahahahahaha… “Dr. Palhares” parece até nome de…, ah, deixa pra lá.

P.S.: Uma pequena busca no sítio da rádio e você conseguirá achar os folhetins. Eu comecei a ouvir “Alice no país do trabalho” e parei quando a protagonista conversou com um cão falante. Ah, se você estiver a fim de ouvir todos os folhetins, tem um chamado “As Aventuras do Defensor Público” (esse deve ser bom!)

China dá um pito no Tio Sam (bônus: análise da Míriam)

Notinha de hoje da Folha de São Paulo [grifos meus]:

China diz estar preocupada com excesso de dólares no mercado

Maior credor externo dos EUA, o governo chinês afirmou estar preocupado com a quantidade de dólares que é injetada tanta na economia americana como na mundial. “Os EUA devem equilibrar e lidar adequadamente com o impacto da oferta de dólar na economia doméstica e na economia global como um todo”, afirmou o vice-premiê chinês, Wang Qishan.
Foi a segunda crítica mais aguda das autoridades chinesas contra os EUA nos dois dias de reunião em Washington. Anteontem, elas disseram estar preocupadas com a segurança dos seus investimentos na maior economia mundial, à medida que a dívida americana cresce para tentar conter a crise.
O governo chinês tinha, no fim de maio, US$ 801,5 bilhões em títulos da dívida americana (ou mais que o dobro do PIB brasileiro em 2008). O Brasil é o sexto maior credor dos EUA, com US$ 127 bilhões em títulos do Tesouro, que é como o governo norte-americano financia a sua dívida.
Em resposta às preocupações de Pequim, o governo de Barack Obama afirmou que gastos como os US$ 787 bilhões do plano de estímulo econômico são necessários para que país saia da recessão -iniciada há 20 meses.
David Loevinger, dirigente do Tesouro americano que trata das relações com a China, disse que o déficit no Orçamento, que deve chegar a US$ 1,8 trilhão no fim do atual ano fiscal (período de 12 meses que se encerra em 30 de setembro), se tornará sustentável por meio de futuros cortes nos gastos e pela reforma do sistema de saúde proposta por Obama.

Em outras palavras: os chineses estão sugerindo aos EUA que levem à sério o “Consenso de Beijing”.

Interessante mesmo foi a explicação do tal do David Loevinger: a dívida norte-americana se tornará sustentável por meio de futuros cortes nos gastos. Não, não tô dizendo que os EUA estejam errados neste ponto: em época de crise como essa, a política fiscal tem que ser agressiva mesmo, do contrário os caras vão mergulhar numa depressão violenta. Nisso, até a Míriam Leitão concorda comigo.

É verdade, leiam aqui neste post do blog dela. Mas velhos hábitos não são assim tão facilmente abandonados. Ela tinha que descer o pau no governo Lula e o fez no último parágrafo. À pérola, então:

Os gastos aqui no Brasil não estão sendo os melhores para esse fim [sair da crise]. Os movimentos anticiclicos dos países passam pela injeção de recursos em investimentos, o que gera encomendas ao setor privado. Por aqui, os gastos crescem mais com gastos do governo com o próprio governo, com o funcionalismo público. E não é assim que se faz uma reversão da crise.

Ah, tá. Ainda bem que os EUA / Europa / Japão estão injetando recursos em investimentos e não pra salvarem bancos mal administrados. China boys, don´t worry!

P.S.: será que a Míriam já leu o Sergio Leo hoje?

“Bolsas Família” nos Estados

Quem acompanha este blog, sabe que eu apóio o Bolsa Família. Acho um baita dum programa de distribuição de renda, o “gol” mais bonito marcado por Lula neste seu governo.

Pois bem, matéria da FolhaOnline de hoje trata dos “Bolsas Família” estaduais. Trecho da reportagem:

Catorze Estados e o Distrito Federal estão desembolsando ao menos R$ 828 milhões ao ano com programas de transferência de renda, nos moldes do Bolsa Família do governo federal. As iniciativas são tanto de governadores que apoiam o presidente Lula quanto de governadores da oposição.

Os projetos vão desde pagamento a famílias pobres para que os filhos permaneçam por um segundo turno nas escolas, como no Tocantins, até uma poupança de R$ 1.000 ao ano para jovens com bom rendimento escolar, em Minas.

O número de benefícios estaduais pagos em todo o país é de pelo menos 805 mil.

Os programas desse tipo são mais comuns em Estados onde já há grande penetração do Bolsa Família. Na Bahia, onde 1,4 milhão de famílias recebem a bolsa federal, o governo estadual destina R$ 171 milhões do Orçamento para pagamento de ajuda a jovens pobres.

Primeira coisa a me chamar a atenção: as iniciativas vindas de diferentes partidos, sejam eles da situação ou da oposição. Isto mostra que o BF é um programa que conta com o apoio de todos e que caminha para virar uma verdadeira política de Estado no país.

Segundo: os tipos de projetos de complementação de renda. O Bolsa Família federal já exige contrapartidas ao recebimento do benefício (Portaria 551/05 do MDS), mas a ideia de que, em nível estadual, a complementação de renda seja feita com outros tipos de contrapartida é algo bastante interessante. Mais do que isso: como a gestão da educação e da saúde é feita em grande parte a nível estadual / municipal, cada um destes entes poderia moldar a contrapartida às necessidades locais.

Achei bastante interessante a complementação de renda de Tocantins, com a permanência da criança na escola por mais um período (tomara que o tempo a mais seja aproveitado de maneira adequada e produtiva). O de Minas Gerais também é bastante interessante e, se não me engano, segue uma ideia de Renda Cidadã existente no Reino Unido (a de fazer uma poupança para todas as crianças, com o depósito de um determinado valor anual, sacável apenas aos 18 anos, desde que a criança tenha tido bom desempenho escolar – o Suplicy falou de algo deste tipo numa palestra que eu vi).

Algum dos dois ou três leitores deste blog conhece tais programas mais de perto? São exemplos a serem seguidos?

P.S.: queria ter a habilidade do Hermenauta de “caçar” documentos e links pra responder às duas perguntas acima. Como não tenho, conto com a boa vontade dos leitores.

P.S.II: vaia pro governo de Ivo Cassol (Rondônia). Na matéria citada acima, a administração dele informa que não mantém projetos como o BF por ser contra o “assistencialismo” por parte do Estado. Realmente lamentável que um governante de estado no Brasil ainda pense algo neste sentido.

O fim da recessão no país, segundo Itaú e Bradesco

Matéria de hoje da Folha de São Paulo [grifos meus]:

A recessão brasileira terminou em maio. Após dois trimestres seguidos de retração, que caracterizaram recessão técnica no país, a economia brasileira voltou a se expandir exatamente no centro do segundo trimestre, de acordo com diferentes estudos dos bancos Bradesco e Itaú Unibanco.

Segundo o Bradesco, com os dados até maio, o PIB do segundo trimestre já apontava um crescimento de 1,7% em relação aos primeiros três meses deste ano. Até abril, os resultados eram negativos.

Já os economistas do Itaú Unibanco detectaram em maio uma alta de 2,3% do PIB em relação a abril, o que também sugere a primeira expansão trimestral da economia após a crise. Os dados fazem parte de uma nova pesquisa, que segue a metodologia do IBGE, para estimar o PIB mensal, já livre de efeitos sazonais. Em abril, a pesquisa apurara retração de 0,7% em relação a março.

Para Octavio de Barros, diretor de pesquisas do Bradesco, os números mostram que o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a sair da crise. A recessão é caracterizada tecnicamente por economistas com dois trimestres seguidos de retração. De acordo com o IBGE, a economia encolheu 0,8% no primeiro trimestre e 3,6% no último trimestre de 2008.

Segundo Barros, a saída do Brasil da recessão é algo para ser comemorado, mas que era previsível dados os sinais de que o país e alguns emergentes sairiam antes da crise por conta de seus grandes mercados domésticos. “A ação do governo foi importante para a recuperação, principalmente a atuação dos bancos públicos”, disse ele.

Desde janeiro, o levantamento do PIB mensal do Itaú Unibanco mostra uma recuperação lenta da economia. A novidade em maio foi que o indicador do Itaú se expandiu de forma mais vigorosa. “Do jeito que as coisas estão caminhando, não só teremos crescimento, como um crescimento bem positivo [no segundo trimestre]. A gente captou uma coisa que não se via antes. Tínhamos vários indicadores mensais, como produção industrial e dados do varejo, mas que não davam o quadro completo”, afirmou Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco (…)

Pra quem não sabe, as equipes de economistas destes dois bancos são muito boas. A estimativa do fim da recessão no país no segundo trimestre feita pelos dois bancos pode, por assim dizer, ser considerada uma realidade. E esta realidade, como disse o Octávio de Barros, coloca o Brasil como um dos primeiros a sair da crise mundial.

Como economista, o que me chamou realmente a atenção foi o cálculo do PIB mensal desenvolvido pelo Itaú (e melhor de tudo, livre dos efeitos sazonais). Se estes dados de PIB mensal mostrarem-se próximos aos dados de PIB trimestral do IBGE, o indicador do Itaú vai ser algo fantástico pra entendermos num menor espaço de tempo como anda a nossa economia.

O dr. vtYojr (frequentador deste blog) já tinha discutido uma vez comigo tal assunto: estavámos em maio, falando da queda do PIB de dois meses antes (ou seja, do primeiro trimestre). Dizíamos que o país estava em recessão, mas tínhamos sinais do crescimento da economia do país no mês em questão. O PIB do segundo trimestre só seria (quer dizer, será) divulgado em agosto, ou seja, esperaríamos quase quatro meses para afirmar “puxa, o país não está mais em recessão”. Deste modo, precisamos de um indicador mais tempestivo, e este PIB mensal calculado pelo Itaú – mesmo que com 1,5 mês de atraso -, se for uma boa estimativa, nos dará algo neste sentido.

Estamos no aguardo.

P.S.: quando Guido Mantega disse que o Brasil estava em recessão técnica, o que ele quis descrever foi mais ou menos a situação acima. O país tinha tido dois trimestres seguidos de queda do PIB (o que caracteriza uma recessão), mas já mostrava sinais de que iria crescer no mês em questão (maio). Trocando em miúdos, os dados disponíveis mostravam um quadro de “recessão” (pela definição técnica do termo), mas na prática as coisas já tinham melhorado no país.

A Era do Gelo 3

iceage3Os 2 ou 3 leitores que acompanham este blog já devem ter percebido que quando eu falo de cinema, o gênero envolvido geralmente é o drama. Fazer o que, é o tipo de filme que eu mais gosto. Mas ontem foi dia de relaxar, de esquecer um pouco os problemas: por isso eu fui ver “A Era do Gelo 3″ (“Ice Age: Dawn of the Dinosaurs”). Ah, e melhor de tudo, vi em 3D, o que deu um charme adicional ao filme.

O mais engraçado destes filmes supostamente infantis é que cada vez mais adultos os vêem. Esperava ver muitos casais com filhos na sessão, mas não foi isso que aconteceu (ehr, eu mesmo fui com a minha respectiva e nós ainda não temos filhos). Adultos não crescidos? Eu prefiro não encarar assim. Acho que é mais um momento mesmo pra desestressar um pouco.

Quanto ao filme em si, dei boas risadas. Já tinha visto os dois primeiros “Era do Gelo” e não os tinha achado tão engraçado assim. Bem, eu dava muita risada com o Scratte e a sua eterna luta pra ficar com uma mísera noz, mas não achava tão divertido o tal do Sid (que era o personagem que deveria trazer as principais piadas e tiradas).

Contudo, achei o terceiro filme divertido justamente por conta de um novo personagem que foi apresentado: o Buck. Meu, genial! Como é que foram arrumar um bicho tão engraçado assim? Só pra vocês entederem, o Buck é uma doninha que ficou presa embaixo do gelo, junto com os dinossauros. No meio de bichos tão grandes e ameaçadores, Buck sobreviveu quase que como um guerrilheiro das selvas. E o tapa-olho dele então? Funny, funny guy

Vejam aqui como é que ele foi apresentado aos demais personagens. Diz aí se não é engraçado?

Aliás, o Scratte também continua bem engraçado. Desta vez, ele acha uma parceira e aí vem a dúvida: a mulher ou a noz? Oh, dúvida cruel! (hehehe).

Bem, filme mais do que recomendado pra relaxar um pouco e dar boas risadas. Eu pelo menos comecei a semana bem mais sossegado por conta do filme :) .

P.S.: parabéns ao brazuca Carlos Saldanha, diretor do filme. Emplacar uma trilogia de animação é algo raro, e ele conseguiu fazer isto com muito sucesso.

Gran Torino

grantorinoAcabei de assistir ao filme “Gran Torino”, dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Na época em que este filme estreou nos cinemas, nem dei muito bola: achava que o melhor filme de Clint no ano já tinha sido lançado (“A Troca”, o qual comentei aqui). Bem, eu tinha me enganado redondamente.

Comecemos pela história. Walt Kowalski (Clint) é um idoso veterano da Guerra da Coréia que trabalhou por 50 anos na linha de montagem da Ford. A primeira cena do filme é o funeral de sua esposa. Ranzinza e chato ao extremo, nem os filhos conseguem fazer companhia à figura. Deste modo, ele passa a viver sozinho na sua casa, localizada num subúrbio da cidade de Michigan.

Neste subúrbio vivem somente os descendentes do povo hmong (pessoas que lutaram ao lado dos norte-americanos na Guerra do Vietnã). Walt rejeita totalmente qualquer contato com os “chinas” da vizinhança, até que um muleque vizinho seu, Thao, tenta roubar seu Gran Torino (pra quem não sabe que carro é esse, clique aqui). O velhote quase mata o muleque – basicamente o roubo do carro era o ritual de iniciação de uma gangue – e seu ódio pelos “chinas” cresce mais ainda.

Entretanto, por uma dessas grandes coincidências, Walt acaba salvando a irmã de Thao, Sue, de um estupro numa outra vizinhança. A moça é bastante inteligente e consegue fazer com que o veterano, enfim, entre em contato com a vizinhança hmong. Numa dessas, a mãe de Sue e Thao, sabendo dos dois episódios que envolveram seus filhos e Walt, apresenta uma proposta inusitada a este: Thao trabalhará de graça para Walt durante um tempo, como forma de se redimir da tentativa de roubo e como agradecimento pelo salvamento de Sue.

E é neste contato que o chato Walt vai se aproximando mais e mais dos seus vizinhos Hmong, criando um sentimento de solidariedade e fraternidade bem ao seu jeito turrão. Na prática, acaba virando um pai para o muleque Thao.

Dizendo assim, parece que o filme acabou. Mas que nada. A gente sabe que filme do Eastwood sempre tem um momento de indefinição para os personagens, geralmente envolvendo uma grande decisão a ser tomada que os afetará bastante. “Gran Torino” não foge à regra.

À primeira vista, o filme pode parecer “politicamente incorreto” por aparentemente defender o uso de armas para resolver os conflitos do dia-a-dia e por demonstrar de modo simpático o preconceito dos yankees para com os “chinas”. Bem, assista o filme até o filme para tirar esta impressão. O ponto-de-vista do turrão Walt se modifica à medida em que seu contato com os hmong aumenta e, deste modo, seus preconceitos também vão pro espaço.

Outro ponto positivo para “Gran Torino” é a capacidade de Eastwood de pegar histórias aparentemente comuns e transformá-las em grandes contos individuais. Sempre existe um conflito, uma sina, uma dificuldade, mas elas sempre aparecem do ponto-de-vista micro, do indivíduo mesmo. E o interessante em “Gran Torino” é que este conflito se potencializa num personagem bem interessante, o ranzinza Walt.

Walt foi o último personagem de Eastwood no cinema – agora, ele só será diretor. Bem, acho que ele encerrou com chave de ouro. O personagem é incrível e Clint consegue levá-lo do início ao fim com o mesmo espírito turrão e perturbado. Tá certo que isso pode até ser considerado “mais do mesmo” do Eastwood ator, mas o cara faz com uma maestria incrível. No final, é impossível não simpatizar com o senhor “casca-grossa”.

“Gran Torino” é, enfim, mais um grande filme de Clint, com todos os pontos positivos existentes na obra do diretor. Sei lá porque “A Troca” entrou na lista do Oscar e “Gran Torino” não: este último me impressionou bem mais que aquele. Se você gosta de Eastwood, seja como ator e/ou como diretor, “Gran Torino” com certeza o agradará. Palavra de alguém que cada vez mais se torna fã das obras do velho e mal-humorado Clint Eastwood. :)

P.S.: é incrível como o filme tem algumas cenas sérias envolvendo Walt que se tornam hilárias pelo jeito do personagem. É mais ou menos como aquele velho ranzinza da vizinhança que no início te irrita, mas depois você até começa a rir do jeito esquentado dele. Destaco aqui a interessante sequência da tentativa do filho e nora de Walt de mandá-lo para um asilo. O discurso é tão empolado e bonitinho (a palavra asilo não é dita uma única vez) que o velhote se enfurece cada vez mais e mais. Não sabemos os palavrões que ele disse a seu filho, mas pela maneira que este sai de casa, “filho da puta” deve ter sido apenas o mais leve deles.

É tetra! É tetra! É tetra!

Você que gosta um pouquinho que seja de futebol, veja o vídeo abaixo. Meus comentários seguem depois.

Esta Copa de 94 sempre estará marcada na minha memória. O time do Brasil jogava feio, mas tinha bastante raça. E também tinha Romário, o homem que todos nós, naqueles idos, chamávamos verdadeiramente de “o cara”.

Hoje comemoram-se os 15 anos do tetra. O dia no qual saíamos de uma espera de 24 anos sem ganhar Copas do Mundo. Algo totalmente inadmissível para quem é considerado o “país do futebol”.

Revendo o memorável vídeo acima, lembrei-me das emoções que senti na final contra a Itália. Os seguidos gols perdidos, o cansaço do time italiano e principalmente a forte sensação que o Brasil perderia o título nos pênaltis (na prorrogação, os italianos praticamente abdicaram do jogo e não viam a hora de cobrarem as penalidades máximas).

No final, ganhamos. E numa Copa que, se não foi brilhante, ao menos foi bastante emocionante (esqueceram do sufoco pra ganhar dos EUA nas oitavas-de-final e da “bomba” de Branco na salvadora falta contra a Holanda nas quartas-de-final?)

Bem, só me lembro de eu sair pra rua pra comemorar o título, junto com a pivetada. “É tetra! É tetra! É tetra!”, e de repente parecia que éramos donos do mundo…

P.S.: não consegui deixar de dar risada com a narração do “torcedor” Galvão Bueno. Lá pelos 5 minutos de vídeo, num contra-ataque da Itália, ele me manda um “se não der [pra roubar a bola], faz a falta!”. Depois, nas cobranças de pênalti, critica Taffarel num “pra que se mexer?” quando o jogador da Itália bate o pênalti no meio do gol; depois, quando o goleiro defende o pênalti seguinte, se exalta num “Sai que é sua, Taffarel!!!”.

Luxemburgo no PT ou no Santos?

Capa de hoje do glorioso jornal Placar, distribuído gratuitamente nas ruas de São Paulo:

placar_luxasenador

Calma, calma, você que é simpatizante do PT. Pode ser que o treinador desembarque a qualquer momento na Vila Belmiro e seja anunciado como o mais novo treinador do Santos.

Agora vejam só a minha particular situação: ainda tenho uma pequena simpatia pelo PT (diminuindo cada vez mais, é óbvio) e sou santista. Se eu torcer para Luxa não virar treinador do Santos, ele deve se filiar ao PT e pode ser senador pelo partido. Se eu torcer para que tal desastre não ocorra, provavelmente ele virará treinador do Santos e o time afundará de vez financeiramente, com pequenas chances de ganhar algum título que seja.

Mas, vamos lá, existem situações bem piores que as duas possibilidades que expus antes. Vai que por exemplo o Luxemburgo vire, ao mesmo tempo, senador pelo PT e treinador do Santos?

Ainda bem que, até agora pelo menos, nenhuma das duas coisas aconteceu. Ufa!

Contudo, não sei porque, mas eu estou com uma pequena história na cabeça. Basicamente, é a história de um homem que cai de um prédio. Enquanto cai, ele repete para se acalmar: “até aqui tá tudo bem, até aqui tá tudo bem, até aqui…” (*)

(*) retirada do blog “Até aqui tudo bem”.

P.S.: pessoal do Futepoca, como é que vocês ainda não comentaram nada sobre esta história do Luxa no PT? Pô, um blog que trata de “Futebol, política e cachaça” tem que falar desta possibilidade porque obviamente alguém só votaria no Luxa pra senador se estivesse beeeeem “mamado”.

Estudiantes campeão da Libertadores-09

estudiantesAcabou a Libertadores 2009 e o campeão do torneio foi o Estudiantes (2 a 1 contra o Cruzeiro em pleno Mineirão). Pelo terceiro ano seguido, um time brasileiro é vice-campeão em decisão contra estrangeiros.

Mas o que me deixa mais nervoso é a afinada que os times brasileiros dão quando enfrentam times argentinos na Libertadores. É absurdamente incrível. Meu próprio Santos fez isto contra o Boca Juniors na final de 2003. Hoje foi o Cruzeiro. Vejam só.

O time mineiro tinha conseguido um ótimo resultado na Argentina (empate por 0 a 0). Uma vitória e viria o campeonato. Pois bem, o primeiro tempo foi sofrível, mas logo aos 6 minutos do segundo tempo o Cruzeiro abriu o placar num chute de fora da área. Finalmente o time mineiro conseguia furar a zaga argentina e tava com tudo na mão pra ser campeão.

E não é que o time argentino, como quem não quer nada, na maior calma, empata o jogo 6 minutos depois e vira a partida antes dos 30 do segundo tempo? Ou seja, até para virarem o placar os caras fazem no momento certo. Precisando de um golzinho e só com 15 minutos de partida, o desespero obviamente bateu no Cruzeiro. Os jogadores do Estudiantes aproveitaram e dos 20 minutos de jogo após o segundo gol, a partida deve ter tido, no máximo, uns 8 minutos de bola rolando.

Aliás, tá mais do que na hora da CBF atuar junto à Conmebol pra melhorar a qualidade dos juízes que apitam decisões de times brasileiros na Libertadores. Pô, todo ano tem um time brazuca sendo sacaneado! Hoje até que não houve roubo escancarado, mas os argentinos bateram até dizer chega no primeiro tempo e o juiz não deu um amarelo. Fizeram “cera” no segundo tempo e o juiz deu meros 2 minutos e 50 segundos de acréscimo! Não chegou nem a três minutos, não é possível…

Só pra tornar as coisas um pouco mais dramáticas, o Cruzeiro ainda meteu uma bola na trave aos 42. Ou seja, hoje não era realmente dia do time mineiro.

É ruim dar parabéns para time vice-campeão, mas é isto que o time da Toca da Raposa merece. Ninguém acreditava que eles iriam tão longe no início do torneio. Falava-se muito do tricampeão brasileiro (São Paulo), do elenco estelar do Palmeiras, da força do Grêmio nos “mata-matas”… No fim, quem chegou foi o Cruzeiro. Pena que não ganhou o título. Pior que isso: deixou-o escapar em casa, depois de estar na frente. Aí é bravo.

Parabéns também ao Estudiantes, tetracampeão do torneio mais difícil do mundo. No fim do ano, pegarão o Barcelona pela decisão do Mundial Interclubes lá no Japão. Provavelmente serão triturados. É a minha praga contra este time que gosta de bater mais do que açougueiro em dia de fúria.

Vale valor?

oscarfreireDa série “eu não acredito, mas isto acontece na minha cidade” (direto do G1):

Vale que substitui esmola na Oscar Freire vira motivo de polêmica

Lojistas da Rua Oscar Freire, nos Jardins, criaram um vale para substituir a esmola na região. Batizado de “vale valor”, a iniciativa se tornou uma proposta polêmica para retirar da Oscar Freire moradores de rua e pedintes.

“Não que eles nos incomodem, mas o fato de existir uma situação dessas incomoda as pessoas, e dar esmola não resolve nenhuma situação”, diz Rosângela Lyra, presidente da Associação de Lojistas da Oscar Freire.

No lugar da esmola, os clientes distribuem um cupom que ganham das lojas. O “vale valor” da Associação de Lojistas da Oscar Freire é para ser usado muito longe dos Jardins, a mais ou menos 15 quilômetros de distância. O endereço é rua Monsenhor Hora, 356 RUA MONSENHOR ANDRADE, 746, no Brás, na região central de São Paulo.

No local, funciona a Casa Restaura-me, uma organização não-governamental de apoio a moradores de rua que recebe até 400 pessoas por dia. Mas só 50 podem dormir na casa.

Desde que foi feito o acordo com os lojistas da Oscar Freire, ainda não apareceu ninguém no local com o “vale valor”. “Para esse morador de rua deixar a região dos Jardins, onde circulam pessoas de alto poder aquisitivo, para vir para o Brás, isso é um trabalho que pode demandar tempo”, diz Cássio Giorgetti, diretor da instituição.

A socióloga Mônica Carvalho reforça que os pedintes sempre vão estar onde circula mais dinheiro e acha que a ajuda dos lojistas é, na verdade, uma forma de expulsão.

“A expulsão dessas pessoas em situação de pobreza para o Brás é o que explicita o imaginário: o Brás é o lugar de pessoas em situação de pobreza, a Oscar Freire é o lugar das pessoas que têm uma condição de vida diferente, uma classe social diferente”.

A Associação dos Lojistas da Oscar Freire informou que o atendimento aos pedintes é feito em outro bairro porque nos Jardins não haveria nenhuma instituição voltada aos moradores de rua. [grifos meus]

Correndo o risco de não acrescentar muito ao que disse a socióloga Mônica Carvalho, lá vou eu dar minha modesta opinião.

A questão dos moradores de rua em São Paulo é altamente complexa. Já digo de antemão que aprecio (e muito) o trabalho de inúmeras assistentes sociais e ONGs que lidam diariamente com tal público. Falar em teoria é fácil, mas na prática a coisa é bem feia. Sei disso porque vivo num local em que o número de mendigos é alto. Já vi várias abordagens a eles e a coisa é, na maioria das vezes, tensa: muitos estão loucos, outros tantos drogados e a maioria ingere bebida alcóolica com frequência.

Eu mesmo quase levei um safanão duma moradora de rua um dia porque não “quis discar pro filho dela”; detalhe: o papel que ela me mostrou não tinha um número sequer de telefone. O safanão quase foi dado depois da minha singela pergunta “que número a senhora quer que eu disque?”

Ou seja, o assunto é espinhoso. Contudo, sem a menor sombra de dúvida, o pessoal da Oscar Freire (OF) quer é se livrar do problema, seja do jeito que for. Dar um “vale valor” que manda a pessoa pro Brás, além de ter sido ridículo, foi algo absurdamente ingênuo. Tanto é que nenhum morador de rua foi pra tal ONG. Mas o ponto não é esse e sim o fato de que a galera da OF não se sente parte da cidade, com tudo que faz parte dela.

Tudo bem que os moradores de rua podem ser por vezes incômodos, mas você resolve o problema social existente mandando-os pra outro lugar? Isso é que me incomodou, um pensamento meio “contanto que não haja problemas no meu quintal, eu quero é que se foda o resto da cidade”. Pelo amor de Deus, galera, raciocinem, achem soluções inteligentes, façam o poder econômico de vocês se transformar em poder intelectual pra tornar esta cidade melhor. Em outras palavras, não sejam ridículos.

Tá bom, sei que isso é pedir demais. Então eu bolei uma solução pra vocês: os lojistas da OF não gastaram uma fortuna pra reformar as calçadas e a fiação elétrica? Porra, peguem uma graninha (nem precisa ser muito não), façam uma parceria com a prefeitura e com quem mais for de direito e construam um albergue na região. Junto com o albergue, iniciem um programa de reabilitação social de tais moradores de rua – achem seus parentes, paguem programas de reabilitação para drogas e alcóolatras, etc, etc.

Isso sim seria um verdadeiro “vale valor”. Mas eu aposto com vocês que a galera lá da OF vai argumentar que já paga muitos impostos, portanto, o Estado que construa albergues e faça o que eu disse no parágrafo anterior…

Rádio “A Volta” – Dia Mundial do Rock

Hoje é o dia mundial do rock. Como este é o estilo musical que mais ouço, resolvi fazer uma rádio especial com 10 performances ao vivo de músicas que eu gosto bastante e que fazem parte deste glorioso gênero musical. Pra não ocupar muito espaço na página inicial do blog (vou colocar os vídeos do Youtube), cliquem abaixo para ouvir as músicas que eu escolhi.

E vida longa ao rock!

P.S.: ô bando de bandinhas emo, dêem uma olhada na minha seleção e aprendam a fazer rock de verdade, porra!

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Os Irmãos Karamazov

irmãos_karamazovApós quase 1 mês de leitura, finalmente terminei “Os Irmãos Karamazov” (1879) na última quinta-feira. Como tinha prometido no meu post de volta das férias, farei alguns pequenos comentários sobre o livro, de modo a atiçar a curiosidade daqueles que ainda não o leram (na medida do possível, procurarei não estragar também as surpresas reservadas pelo livro).

Li esta edição da Martin Claret que está aí ao lado. Creio que possam existir alguns problemas de tradução nela, mas o principal do livro está lá e isso é o que importa pra mim. Então, sem mais delongas, minhas impressões sobre “Os Irmãos Karamazov” – clique abaixo para continuar.

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Receita divulga carga tributária de 2008

Semana passada, eu havia publicado um post sobre um estudo do IPEA acerca da carga tributária do Brasil. Quando escrevi o texto, enfoquei bastante sobre dois pontos do estudo: a carga tributária por distribuição pessoal de renda e a destinação dos impostos que pagamos.

Pois bem, com relação ao primeiro ponto, hoje tivemos a divulgação da carga tributária de 2008. A mesma subiu de 34,72% do PIB em 2007 para 35,8% em 2008. Contudo, a distribuição de tal montante de impostos é que é interessante. Vejam trecho da matéria da Folha Online:

Os tributos sobre bens e serviços responderam por quase metade (48,4%) da arrecadação do ano passado. Em 2007, respondiam por 47%. Também houve alta na tributação da renda, que passou de 19,35% para 20,50% do total na mesma comparação.

Na comparação internacional, com os países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil é uma das economias com maior nível de tributação do consumo e menor percentual de tributação da renda.

A tributação do consumo responde por 31,5% da carga tributária, na média dos países da OCDE. A menor é verificada nos EUA (17%). Em relação à renda, a média é de 36%.

Este foi um dos pontos que apresentei no post anterior para explicar a regressividade tributária existente no Brasil: como aqui se tributa muito o consumo e este representa uma parcela considerável da renda dos mais pobres, estes são os que pagam mais impostos, proporcionalmente falando. Nos comentários de debate do post, o vilarnovo até fez um estudo com dados do IBPT sobre uma redução de 5% na carga tributária de uma cesta de produtos básicos.

(Não consegui publicar a planilha que ele me mandou pois ela estava em Excel. Se ele conseguir publicar em algum lugar, eu ponho o link aqui.)

Porém, como o “Brasil não é para amadores”, como diria Paulo Francis, há sempre um porquê da nossa carga tributária ser assim. Com a palavra, o coordenador-geral de Estudos da Receita Federal, Marcelo Lettieri:

o aumento na tributação do consumo é uma tendência que começou a ser verificada mesmo nos países desenvolvidos, que sempre privilegiaram a desoneração do consumo. Esse fato se deve, segundo Lettieri, à dificuldade de se tributar as pessoas físicas e jurídicas com renda mais alta, que acabam migrando para outros países.

No caso do Brasil, pesa também a distribuição de renda desigual, que deixa um grande número de contribuintes abaixo da faixa de isenção do Imposto de Renda.

“Em um país com grande desigualdade, apenas uma pequena parte da renda é atingida, a da classe média mais alta. Então a tributação do consumo é uma alternativa [para garantir receitas]“, afirmou o coordenador-geral da Receita.”

Daí que a questão de desonerar o consumo é bem complicada. Talvez a solução seja diminuir  a linha de corte de isenção do IR, aumentando contudo o número de faixas existentes – no limite, instituindo quase um imposto sobre grandes fortunas àqueles que as tem. O problema é que estes podem migrar para outros países, como já disse o próprio coordenador.

Outra questão sobre a desoneração do consumo: os impostos por tal base de incidência são majoritariamente estaduais. Se não conseguimos sequer fazer uma reforma tributária que leve ao recolhimento do imposto no destino e não na origem, como é que conseguiremos convencer todos os governadores a diminuirem ICMS’s Brasil afora? Acho tal arranjo quase impossível do ponto-de-vista institucional.

É por isso que acredito que muita gente boa da Receita Federal já deve ter feito estudos apuradíssimos sobre como tornar a carga tributária nacional mais igualitária e racional. O problema é que, politicamente, o imbróglio é gigantesco. Por isso é que passar dos diagnósticos às soluções no tema dos impostos é uma tarefa que, para mim, não será realizada sequer a médio prazo.

Só para complementar: vimos acima que 48,4% dos impostos eram sobre bens e serviços e 20,5% a renda. O resto da conta fecha com os impostos sobre folha de salários (22,53%), sobre propriedades (3,45%), sobre transações financeiras (2,04%)  e outros (3,08%).

P.S.: quem tiver saco (e tempo) de ler a publicação da Receita com a carga tributária do ano passado, o arquivo está aqui. O negócio é bem completo e a gente consegue ver a distribuição da arrecadação sob várias óticas (por ente federativo, por imposto, por base de incidência, etc).

Histórico Federer, eu vi

Antes de prosseguir com a minha narrativa, devo dizer algumas coisas a vocês: sou um completo analfabeto quando o assunto é tênis. Não tenho a mínima idéia do que seja um forehand, um backhand, etc, etc. Perco-me quase que completamente com aquele sistema de pontuação estranho. Confesso que na época do Guga tive saco de ver umas duas decisões de Roland Garros e talvez estes tenham sido os dois únicos jogos de tênis completos que vi na vida.

Portanto, se quiserem ver comentários mais profissionais sobre tênis, dirijam-se ao Miúdo Recruzado (blog do Bruno) ou esperam o Pera comentar algo por aqui (aliás, aparece aí pra comentar algo, pô!).

Feitos tais esclarecimentos, sigamos.

Os “deuses do esporte” (desculpem-me o uso desta expressão de Galvão Bueno) devem ter feito um acordo hoje pra fazer com que eu visse um momento histórico do tênis. Estava zapeando na TV hoje à tarde, quando, sem mais nem menos, parei no Sportv. “Pô, que legal, final de Winbledon. Ah, quer saber, próximo canal…”, pensei. Quando ia mudar, o narrador mandou um “Histórico ponto. É o ponto do título para Roger Federer!” ou algo do tipo.

Parei imediatamente. Apesar de conhecer pouco de tênis, algumas informações básicas eu tinha em mãos para saber que aquele seria um momento histórico. Federer tinha 14 títulos de Grand Slam (por que 4 torneios do mundo são os mais importantes do tênis é outra informação que desconheço e que estou com preguiça de pesquisar) e estava empatado com o norte-americano Pete Sampras.

Já tinha ouvido muita gente dizendo que, mesmo sem mais títulos, Federer já podia ser considerado o melhor de todos os tempos no esporte. Contudo, Sampras poderia alegar em qualquer conversa de bar o seguinte: “É, cês podem até achar ele o melhor, mas ele tem o mesmo tanto de Grand Slams que eu! hehehe”.

E eis que na hora que eu parei para ver o ponto final histórico, quem a TV mostra? Pete Sampras. O vídeo está aí embaixo. Vejam a cara dele. Um sorrisinho meio sem graça, talvez um pensamento do tipo “Que é que eu vou dizer no boteco lá da esquina? Que agora eu não sou o melhor?” e, posteriormente, o ponto que consagraria Federer como o melhor de todos os tempos, em definitivo.

Falando sério, foi a primeira vez que eu vi a cara de um ”melhor de todos os tempos” num esporte a ponto de ver outro lhe roubar este posto. Pode até ser que Federer já fosse mesmo o melhor, mas Sampras sempre poderia alegar a igualdade no número de Grand Slams. Ao sorrir no segundo anterior ao ponto histórico de Federer, ele sabia que a sua majestade, em definitivo, havia chegado ao fim.

Como grande campeão que foi, Sampras rendeu-se ao talento do suíco Federer. “Para mim, Federer é o maior. O cara é uma lenda. Um ícone. Ele dá crédito ao tênis”, disse o norte-americano após a partida.

Se daqui a 50 anos o recorde de Federer ainda permanecer, eu, mesmo sem ter visto uma mísera partida do suíço em sei lá quantos anos de carreira, afirmarei: “Garanto-lhes que vi o tal de Federer fazer história” e descreverei o seu último ponto em Winbledon com detalhes, além de falar da cara do Sampras. Talvez até me achem um especialista em história do tênis.

Hehehe.

P.S.: semana passada, eu vi no caderno de Esportes da Folha a história de um brasileiro, Tiago Ruffoni, que aplicou o primeiro ”pneu” (se não me engano, vencer um set por 6 a 0) em Federer quando ambos eram juvenis. Na reportagem, havia a informação de que o suíço tinha tomado, na vida inteira, apenas 6 “pneus”. Dizia-se também que Tiago escreveu em seu diário após a partida que Federer era “irregular” e tinha dificuldade em manter a bola em quadra. Se eu fosse o suíço, marcava dia, data e hora pra vingança! :)

P.S.II: só pra vocês saberem, Tiago não seguiu na carreira de tenista por conta de lesões. Diacho, não consigo achar a matéria da Folha pra linkar por aqui…

Acima das nuvens

Caro leitor,

antes de clicar no link abaixo, saiba de duas coisas: (i) ele traz fotos de um episódio bem legal da viagem de férias que fiz, mas as fotos são amadoras; (ii) se você quiser algo profissional neste sentido, vá ao blog da Lúcia Malla – ele está aí à direita. Aliás, toda semana a gente vê cada foto mais bonita que a outra (essas aqui do Alpes são simplesmente espetaculares).

Bem, os avisos foram feitos…

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