Arquivo para Fevereiro, 2008

Suplicy em “A gente não quer só comida…”

Na próxima semana, Bob Dylan fará três shows no Brasil (quarta e quinta em São Paulo e domingo no Rio de Janeiro). Grande parte dos ingressos já foram vendidos apesar do preço abusivo cobrado – o ingresso mais caro custa R$ 900, o que significa mais de 2 salários mínimos reajustados (para quem não sabe o valor do mesmo será R$ 415 a partir deste sábado).

Seria apenas mais uma passagem de um grande artista internacional pelo Brasil, onde poucos afortunados teriam o prazer (e a grana obviamente) de ver um show de boa qualidade. Bem, não será mais, pelo menos no que depender do senador Eduardo Suplicy. Hoje ele fez uma proposta ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sugerindo que Dylan faça um show ao ar livre no Parque do Ibirapuera no próximo sábado.

Diz o ilustre senador em sua carta:

“Tenho a convicção de que os paulistanos veriam como muito positivo que Vossa Excelência verificasse a possibilidade de que Bob Dylan possa dar um terceiro show em São Paulo, possivelmente no sábado dia 7, já que vai cantar no Rio de Janeiro no dia 8, ao ar livre, no Parque Ibirapuera, para todos os que desejarem assistir, gratuitamente. Creio que ele próprio e seus produtores responsáveis verão essa iniciativa com bons olhos. Pois foram muitas as vezes que Bob Dylan cantou assim em Parques. Eu assisti um excelente show de Bob Dylan num dos mais belos parques de Londres em 2004. Ali estavam filhos, pais e avós, três gerações assistindo juntos um espetáculo de excelente qualidade.”

Quem já viu alguma palestra do senador sabe o quanto ele é fã de Bob Dylan pois costuma cantar “Blowin´ in the wind” após fazer uma espécie de lobby pela implantação da Renda Básica de Cidadania. Aliás o repertório pop de Suplicy é bem vasto e inclui até raps do Racionais (quem não se lembra do ‘pá pá pá’ no discurso que ele fez ano passado no Congresso?). 

Será que o senador conseguirá organizar o show juntamente com o prefeito Kassab e a empresa promotora do artista no Brasil? Se isso realmente ocorrer, como ficará a sua ex-esposa Marta, pré-candidata à prefeitura e concorrente de Kassab? Talvez furiosa com o pico de popularidade que o prefeito ganharia com a promoção do show?

Enfim, vamos torcer para que o espetáculo gratuito aconteça e que os menos abastados da cidade consigam essa diversão de qualidade. Até porque, parafraseando o Titãs, a “gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, balé…”.

Se o senador não conseguir vencer mais essa batalha, podemos ao menos nos contentar com o próprio Suplicy cantando Dylan (antes da canção propriamente dita, segue um “breve” e costumeiro discurso dele…)!

Iron Maiden está chegando…

Uma das mais famosas bandas de heavy metal do mundo começará neste domingo a sua sétima turnê pelo Brasil. Trata-se do Iron Maiden, o qual chegará ao nosso país num avião estilizado (o “Ed Force One”) e pilotado pelo seu vocalista Bruce Dickinson. Fará shows em São Paulo (dia 2), Curitiba (dia 4) e Porto Alegre (dia 5).

A atual formação do grupo surgiu em 1999, quando Bruce (que estava em carreira solo) regressa à banda juntamente com o guitarrista Adrian Smith. A partir daí o Maiden conta com três guitarristas em seus quadros, algo um tanto quanto raro no mundo do rock. Em 2000, com o lançamento do álbum “Brave New World” (aliás, um bom disco), eles voltam às paradas de sucesso e inclusive fazem uma apresentação histórica no “Rock in Rio III” – show que virou DVD. Essa foi a segunda vez que a banda esteve presente no evento: em 85, eles estiveram na versão I do Rock in Rio.

Pois bem, após todo o sucesso do “Brave New World” o Maiden praticamente vira aquela banda que copia a si própria lançando “novos discos velhos”. Explico-me: os discos são novos, as músicas igualmente novas, mas você tem a ligeira impressão de que já ouviu aquilo sendo tocado pela mesma banda anos antes! Basicamente é assim que podem ser resumidos os conteúdos dos álbuns “Dance of Death” (03) e “A Matter of Life and Death” (06).

Após o pouco sucesso destes últimos álbuns, o baixista, líder e manager da banda, Steve Harris, deve ter se perguntado: “se vamos nos copiar, por que não copiar algo de bom que fizemos tempos atrás?”

Aí é que surge a dita cuja turnê que eles apresentarão no Brasil a partir desse domingo, “Somewhere back in time”. Basicamente o repertório a ser mostrado é oriundo do grande álbum “Powerslave” (de 1984, que tem as músicas ‘Aces High’ e ‘Two Minutes to Midnight’) e do mediano “Somewhere in Time” (de 1986). Ou seja, promessa de um bom show e de uma volta saudosista aos tempos áureos.

Se é legal essa idéia de ficar copiando a si próprio, fazendo mais do mesmo eternamente, sem produzir algo novo que seja bom? Sinceramente, não sei. A coisa tá tão feia com relação às bandas novas, que o jeito às vezes é ficar fazendo eternos revival e mostrando aquilo que foi feito há mais de 20 atrás mas que tem uma qualidade inquestionável. Led Zeppelin, Iron Maiden, Black Sabbath, Deep Purple e outros estão enveredando por esse caminho. Resta apenas aguardar por uma renovação – de qualidade, diga-se de passagem – deste cenário.

Enfim, não tenho ingresso pro show mas nem por isso vou gorar a diversão alheia. Espero que o show seja excelente (será que os tiozões da banda ainda estão em forma?) e que eles possam fazer uma apresentação do nível da que fizeram em 85. Se eles próprios estão ‘voltando em algum lugar no passado’, nós por aqui faremos a mesma coisa: veja abaixo “The Trooper”, direto do Túnel do Tempo… ops, do Rock in Rio I!

A Volta dos que não foram

Vamos começar a trabalhar por aqui. 

Esse é o post inicial de um blog que (espero eu) dure bastante tempo. Um blog que não tem assunto ou tema definido. Basicamente falarei de tudo que der na telha. Isso envolve um grande conjunto de assuntos – música, literatura, futebol, economia… – e é esse mesmo o objetivo. Isso aqui vai funcionar que nem o Kinder Ovo, ou seja, cada vez que você visitar o site uma surpresa nova aparecerá.

Espero que, no geral, você goste do que eu tenho pra falar e apresentar. Recuso-me a escrever sobre um único tema ou idéia. Aqui o que vale é o ecletismo. Não se espante se um post sobre um vídeo do “Hermes e Renato” vier precedido de uma análise sobre a dívida pública do governo federal. Aqui as coisas serão desse jeito mesmo.

Alguns irão se perguntar o porquê do nome “A Volta dos que não foram”. Basicamente esse nome vem do fato de que eu faço parte daqueles que estão voltando sem, de fato, terem ido. Entendeu? Não? É simples: fiquei fora do mundo dos blogs por um tempo (a suposta “ida”) e agora voltei. Como não fui de verdade pra lugar nenhum mas agora voltei, o nome mostra-se completamente justificável.

(O parágrafo acima apenas ilustra a qualidade das vãs teorias que criarei ao longo da história deste blog…)

  • P.S.1: como o nome deste blog é assaz grande, quando eu me referir ao mesmo, chamarei-o apenas de “A Volta…”;
  • P.S.2: alguns blogs já estão linkados ao lado. Se você não os conhece, visite-os!

Abraços,

André.


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