No fim do ano passado, o Radiohead lançou o álbum “In Rainbows” e uma grande discussão foi trazida para o mundo musical. Não por uma ou outra inovação que existisse no disco ou talvez pelo fato do mesmo ser avaliado de maneira fantástica. A discussão inclusive começou antes do lançamento, ou seja, quando ninguém sequer o tinha ouvido.
Como todos sabemos, o motivo de tanto estardalhaço foi o fato do Radiohead ter lançado seu álbum somente pela internet, com o usuário definindo o preço a ser pago pelo disco. Ou seja, muito mais do que não usar uma gravadora para lançar o álbum, a banda ainda deixava o público escolher um “preço justo” pelo trabalho que estava disponível ali, online. Um novo caminho, talvez, para a combalida indústria fonográfica?
Ainda não, pelo menos pelo que apurei. A atitude do Radiohead foi louvável e trouxe uma saudável discussão pro mundo musical – a realidade do mp3 tá aí, não adianta negar, espenear, chiar… hoje quem quiser pega a música na net e fim de papo. Mas as poucas notícias que deram conta dos resultados não foram lá tão animadoras: um mês após o lançamento do álbum, uma pesquisa mostrou que apenas 38% dos internautas que acessavam o sítio da banda estavam dispostos a pagar pelos downloads das músicas (até pra diferenciar o seu serviço de um iTunes qualquer da vida, o Radiohead deu a opção da pessoa ter o álbum sem pagar nada).
Outro fator que não pode ser escanteado é que o Radiohead de fato caiu fora do mundo das gravadoras, mas antes cresceu nesse mundo. Ou seja, agora a banda já é grande e tudo o que fizer será alvo de atenção; mas, e quando a banda era pequenininha? Quando ninguém sabia o que ela era? Haveria condições de lançar um álbum online? De ficar conhecida mundo afora? Infelizmente, não. O império das grandes gravadoras ainda é muito forte e se elas ganharam anos e anos com o Radiohead, a banda também ganhou com elas. Através de visibilidade, divulgação, distribuição, “jabá”, etc, etc.
Depois de algum tempo de disponibilidade do álbum online (a priori, seria a única maneira de distribuição), a banda resolveu lançá-lo em formato tradicional, num CDzinho mesmo. E, com isso, finalmente chegou ao topo das paradas britânicas. Resumindo: lançaram um álbum online que poucos pagavam para ter; faziam isso porque obviamente eram grandes e tinham bala na agulha para tal; no entanto, ao final, resolveram colocar na praça as músicas em CD.
Até que ponto a atitude do Radiohead alterou o mundo da música, depois de quase 6 meses do lançamento de “In Rainbows” e tendo em vista a reflexão e os resultados expostos acima? Na minha opinião, quase nada. Foi importante porque trouxe a discussão sobre como uma banda pode sobreviver estando fora de uma grande gravadora e da utilização da internet como meio legal para a distribuição de músicas. Mas a própria banda voltou de certo modo para o caminho tradicional das coisas. Apesar do mundo independente ser excelente para a divulgação de uma banda nova (e a internet é um caminho muito legal para isso), questiono-me até que ponto um grupo pode alcançar o grande público por este caminho. Eu, por exemplo, não ouvi uma música nas rádios deste novo álbum do Radiohead. Seria o disco ruim mesmo? Ou talvez a falta de uma grande gravadora pra colocar essa música nas rádios?
É, isso aí é papo para posts a perder de vista. Mas fiquemos de olho no grupo. Os caras gostam de novidades. A última delas: acessando o site Aniboom, você pode se inscrever para fazer um videoclipe para a banda, com qualquer música do “In Rainbows”. Obrigatoriamente nenhum dos músicos aparecerá, pois o filme feito terá de ser animado. Após várias etapas de escolha, o vencedor será premiado com US$ 10 mil para produzir a versão final do clipe. Se você for bom de animação gráfica e de computador, entre lá. Quem sabe futuramente você não esteja na nossa lista aqui da “A Arte do Videoclipe”, hein?

É isso aí, mesmo, a estratégia do Radiohead só foi mais ou menos bem-sucedida porque os caras já eram um puta fenômeno cult. E também por causa da novidade, só a publicidade gratuita que os caras tiveram por conta das várias matérias do tipo “Radiohead reinventa a indústria fonográfica” já valeu.
Agora, o interessante no caso do Radiohead é que os caras façam ALGUM sucesso. Esse disco é menos malucão que os últimos, mas está longe de ser pop, é experimental pra caramba. Eu gostei, mas ainda não está no nível de OK Computer, não. Esse sim, é um dos melhores discos que eu tenho em casa.
Será que eles fazem sucesso, mesmo sendo experimentais, como a Björk, por exemplo? Porque do Radiohead eu não ouvi quase nada, mas a Björk eu tive que fazer um puta esforço pra ouvir um álbum inteiro dela e digo pra você, o negócio é muito doido. Me pergunto como é que ela faz sucesso… seria o mesmo com o Radiohead? Responda o senhor, que aparentemente conhece mais o trabalho dos caras.
Com a cantora islandesa, por exemplo, você sabe que ela lançou um álbum pelo frissom que é causado. Agora música mesmo tocando nos rádios, nadica de nada.
Abraços,