Arquivo para Abril 1st, 2008

Santos 7 x 0 San Jose (-altitude)

molina.jpgContinuamos com o plantão da Libertadores, o torneio mais difícil do mundo! O glorioso alvinegro praiano estava injuriado com o San Jose (time boliviano do querido Evito), pois tinha perdido por 2 a 1 quando jogou na altitude de 3.700m da cidade de Oruro. Por aqui já tinha escrito que o duelo tinha virado incidente diplomático, após a risada sarcástica de Evo Morales ao fim da partida. “Hehe, com altitude ninguém nos segura!”.

Mesmo com altitude e o diabo a quatro, o Santos deveria ter vencido numa boa. Não deu. Pois bem, o bom da primeira fase da Libertadores é que temos jogos de ida e de volta. O San Jose jogou em casa, hoje chegou a vez do Santos jogar ao nível do mar. E o que deu? Bem, a maior goleada da Libertadores até o momento! 7 a 0 (veja os gols aqui)! Isso mesmo. Botamos os indiozinhos bolivianos nos eixos. Se ainda conseguem algum resultado no futebol, isto deve-se única e exclusivamente à altitude.

O glorioso alvinegro praiano dominou toda a partida e fez o que quis. Diria que foi como bater em bêbado. Molina (na foto acima) marcou 4 gols e vai ganhando moral com a torcida. Os outros gols foram de Domingos, Kléber Pereira e… ele mesmo, “Michael Jackson” Quiñonez! É, a coisa tava fácil mesmo…

O próximo jogo do Santos será contra o Chivas (não é o uísque…), semana que vem, em Guadajalara (México). Um empate praticamente classifica o Peixe pras oitavas. A vitória garante a vaga. Pra cima deles, Santos!

(Ao final da partida, mostrando ter um grande senso de companheirismo para com o Curíntia, a torcida praiana gritou em uníssono: “Ê, ê, ê, ê, entrega para a Ponte!”. Como todos sabemos, o time da capital precisa de uma vitória do Peixe em cima da macaca para continuar sonhando com a classificação à semifinal do Paulistão).

Notas futebolísticas da terça:

  • pela Liga dos Campeões, o Manchester United venceu a Roma por 2 a 0, fora de casa. Gols de Cristiano Ronaldo e Rooney (após falha do goleiro brasileiro Doni). Com isso, o time inglês praticamente liquida a fatura.
  • também pelo torneio europeu, o Barcelona ganhou por 1 a 0 do Schalke 04 (Alemanha), também fora de casa. Gol do jovem Bojan (o rapaz tem apenas 17 anos). O Barça terá que se esforçar muito para não se classificar depois dessa vitória…
  • amanhã teremos os seguintes jogos pela Liga dos Campeões: Fenerbahçe (time turco do Zico) e Chelsea, na Turquia; Arsenal e Liverpool, grande clássico inglês e duelo mais equilibrado destas quartas na minha opinião.
  • quero ver o Chávez defender futebol na altitude depois dessa: hoje, pela Libertadores, o Caracas perdeu por 3 a 1 pro horrível Real Potosí, time boliviano que joga a 3.960m de altitude. Evito estava lá para aplaudir. Desse modo, o Potosí, já eliminado, complica a vida do Caracas, que pode perder a vaga por causa desta derrota. Foi “triste” ver os jogadores do time venezuelano mortinhos no fim da partida…

Amanhã continua a cobertura futebolística do torneio mais difícil do mundo (a Libertadores) e também sobre o segundo torneio mais difícil do mundo (a Liga dos Campeões). Até lá!

Ainda sobre Paulo Henrique Amorim

Notícia requentada é uma coisa chata pra caramba. Mas mesmo assim tenho que falar sobre a demissão do jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) do portal iG. O caso ocorreu de forma rápida, pá-pum, quem demorou 5 segundos pra acessar o sítio perdeu o que lá estava escrito. Diz PHA que foi pego de surpresa e que a ação foi totalmente unilateral, havendo inclusive a proibição da equipe que trabalhava na sua página de acessar os arquivos que existiam na homepage.

Fato é que o negócio foi estranho, para dizer o mínimo. PHA denunciou em sua nova página (www.paulohenriqueamorim.com.br) que Daniel Dantas (DD) o havia tirado do “ar” já duas vezes, no UOL e na TV Cultura. Deu a entender que, por causa das notícias que publicava (nem digo denúncias porque PHA escrevia de forma tão cifrada que quase ninguém entendia aquilo) sobre DD, Brasil Telecom, Citigroup, Oi, etc, etc, havia sido desplugado. Já o iG disse que o rompimento estava previsto em cláusula contratual e que o custo de manter PHA no ar era muito alto vis-a-vis o retorno gerado.

(Aliás, que obsessão têm PHA e Mino Carta com o tal do Daniel Dantas, hein?)

Enfim, a blogosfera debateu bastante o assunto. Só para ficar em dois exemplos: o NaPrática achou uma pena uma voz dissonante como a do PHA ter sido demitida de um portal de peso da internet brasileira como o iG; já o A Torre de Marfim ressaltou que se PHA foi realmente demitido por causa da encheção de saco que fazia em cima de DD (o que revelaria o “enorme” poder de tal figura), teríamos ‘n’ coisas mais importantes para discutir no país que não fossem o poder de fogo dele (o post que contém tal comentário no “A Torre…” é o “Dantocentrismo e sincera perplexidade”).

Lia a página do PHA mais ou menos a cada 15 dias. E digo que as coisas ali eram bem genéricas, quase que em código. Reclamações contra a PIG (sei lá o que é isso, mas a idéia é mais ou menos a de uma “porca imprensa golpista”), contra os atuais partidos de oposição, DD, empresas privatizadas, mas tudo sem apresentar provas contundentes. Ou seja, o cara enchia o saco falando de coisas que a grande imprensa em geral não discutia muito. Eu gostava deste aspecto do sítio dele e por isso acredito que a imprensa deveria ter dado mais notoriedade sobre a suposta tentativa de “cala-boca” que o iG tenha dado nele. Por que isso ocorreu? Pode realmente ser uma questão de custo-benefício, como o manager do iG, Caio Túlio Costa, falou. Mas e se for outra coisa? Complicado, não?

Não gosto muito dos editoriais que o Mino Carta publica semanalmente na sua revista, a Carta Capital (aliás, só para citar, Mino tirou o seu fraco blog do ar no iG em solidariedade a PHA). Mas esta semana ele escreveu um texto muito bom chamado “O Silêncio e a Calúnia”. Reproduzo abaixo um excerto significativo, na minha opinião:

Ocorre-me comparar o mutismo atual diante de um fato tão chocante com a indignação midiática que, recentemente, submergiu a campanha de ações movidas em juízo por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra a jornalista Elvira Lobato, da Folha de S.Paulo, autora de reportagem sobre o êxito empresarial da Iurd. Não está claro até o momento se o Altíssimo acudiu o bispo Macedo e seus prosélitos, mas é certo que, se o fez, ou o fizer, terá de enfrentar a ira da mídia nativa.

Foi um coro de manifestações a favor da liberdade de expressão ameaçada, um rosário de editoriais candentes, de colunas vitriólicas, de comunicados de entidades representativas da categoria. A saber, Fenaj, ABI, ANJ, Abraji, sem contar a associação dos correspondentes estrangeiros (OPC). Ah, sim, a famosa liberdade de imprensa. A mídia verde-amarela não hesita em defendê-la, quando lhe convém. Permito-me concluir que, no caso de Paulo Henrique Amorim, não lhe convém.”

O ponto é esse. Se interessou (com razão) à imprensa discutir a sacanagem da Universal pra cima da jornalista Elvira Lobato, tem de existir interesse em discutir uma suposta sacanagem do iG pra cima do PHA. Concordo com Mino, no ponto acima, em número, gênero e grau. Temos coisas muito mais importantes para discutir, obviamente. Mas se deixarmos o caso PHA de lado para onde vão a liberdade de imprensa e a imparcialidade da mesma?

Repito: não acho o PHA genial. Até acho chato o cara babar um ovo desgramado para a Record (quem assiste ao “Domingo Espetacular”, programa da emissora que tenta copiar o Fantástico, sabe do que estou falando – teve um dia que ele fez uma reportagem na qual o bispo Macedo quase foi beatificado). Mas que há cheiro de sacanagem na sua demissão do iG, ah, isso há.


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