Arquivo para Abril 7th, 2008

Lollapalooza 2008

O Lollapalooza, um dos principais festivais de rock alternativo do mundo, divulgou sua programação para a edição 2008, que ocorrerá em Chicago (EUA) entre os dias 01 a 03 de agosto. Entre as principais atrações, pode-se citar os shows de Radiohead, Nine Inch Nails, Rage Against the Machine, The Racounters (banda do Jack White, guitarrista do White Stripes), Gnarls Barkley, Kanye West e Flogging Molly. A banda brazuca Cansei de Ser Sexy (argh!) também estará por lá, mostrando que o grupo está aparecendo bastante no cenário internacional.

É importante que festivais como este continuem ocorrendo (já é a 12ª edição), até porque, ao que me parece, com a queda de receita oriunda de venda de discos, os artistas estão cobrando mais caro nos ingressos para ganharem grana com isso. Dentro desta lógica, shows individuais são a saída mais utilizada. Além do fato de que os festivais independentes são as oportunidades de ouro para bandas que estão começando e que têm qualidade aparecerem para um público maior.

Mas de toda a galera que citei acima e que aparecerá no Lolla, a banda que eu queria ver mesmo era o Rage Against. Pra quem não sabe da história recente do grupo, em 2000, o altamente politizado e revoltado vocalista Zack de la Rocha cai fora do conjunto (ou o resto da banda o demite, não sei) e some. O resto da patota (incluindo aí um dos melhores guitarristas que apareceram nos últimos anos, o Tom Morello) se une ao Chris Cornell (ex-Soundgarden) e cria a ótima banda “Audioslave”. Em 2006, este grupo acaba.

No ano passado, Zack voltou a conversar com os outros membros e houve a reunião do Rage Against novamente. Como a “Rolling Stone” noticiou sobre a volta do grupo no festival Coachella, a banda estava em ótima forma apesar de não aparentar ter a mesma química de antes. Porém o ativismo que caracterizou o grupo durante toda a sua trajetória permanecia o mesmo: Zack gritou palavras de ordem contra George W. Bush e mostrou em mais de uma vez a simpatia que tem pelo Exército Zapatista de Liberação Nacional, tudo isto durante o show.

O som dos caras era muito bom e as mensagens envolvidas, fortíssimas. Coisas que faltaram no mundo musical dos anos 90 e que faltam agora nos 2000. Uma banda que nem o RATM sempre é boa pra pentelhar e pra encher o saco dos poderosos. Se os caras voltaram tendo em mente este espírito combativo forte e mantiveram a qualidade musical, sem dúvida eles serão os mais aguardados do Lollapalooza, não só pela minha pessoa mas por todos que por lá estiverem.

Abaixo segue uma música do show deles do Coachella 2007: “Guerrilla Radio”. Os caras ainda dão no coro, não?

Meme Literário

O Hermenauta e o NaPrática passaram um meme (uma espécie de corrente mais sofisticada) pedindo para que a galera colocasse seus 5 autores favoritos, falando algo sobre eles, e depois dissesse um livro que mereceria apodrecer nas estantes.

Como eu prefiro primeiro fazer as coisas ruins, vou falar o livro que deveria apodrecer nas estantes. É “A Arte de Passear”, de Karl Gottlob Schelle. Uma obra que filosofa sobre como fazer os passeios se adaptarem ao nosso humor, tornando aqueles muito mais agradáveis e produtivos. Quase um “guia do carpe diem do passeio”. Pois bem, se eu puder resumir o livro numa expressão ela seria ‘blá-blá-blá’. O autor fala, fala, fala e não diz nada. Chatíssimo. Já apodreceu na minha estante. Aliás, nem sei porque o li. Aliás, sei sim: por causa de uma indicação de professora da faculdade. Se você professora estiver lendo este post, faça um favor aos seus estudantes: esqueça “A Arte de Passear”. Indique livros que prestem.

Agora, vamos ao top 5. Como não li muitos livros, direi os autores e as obras que já li deles. E o porquê deles estarem nos meus 5 favoritos. Começarei do quinto mais importante e vou até o primeiro, ok?

5) MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA: No dia em que descubrirem a obra-prima (e sei lá, talvez a única) “Memórias de um sargento de milícias” de verdade, este cara será leitura obrigatória para todos os estudantes de ensino médio. Tudo bem, muito já se discutiu sobre a influência de “Memórias…” sobre Machado e Mário de Andrade, mas o personagem principal da obra dele, o Leonardo Pataca, é o típico brasileiro, sem tirar nem pôr. Sabe aquela música do Zeca Pagodinho “…aos trancos e barrancos lá vou eu, sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu…”? Então, é o Leonardinho, filho de “uma pisadela e de um beliscão”. Manuel Antônio de Almeida fez um livro excelente para sabermos quem é o típico brasileiro, portanto, quinto lugar pra ele.

4) ERIC HOBSBAWM: Não tem nem o que dizer. Pra quem gosta de História (isso mesmo, com ‘h’ maiúsculo), ele é o cara. As suas ‘eras’ são sensacionais (li duas, a “Era do Capital” - muito boa para economistas - e a “Era dos Extremos” – que não sei como, mas fala de tudo do século XX). Além disso tem outro livro que eu li dele que é bárbaro, o “Nações e Nacionalismo”. E o bom dos livros dele é que várias vertentes são colocadas, mostrando um quadro bem completo de cada época. Tem a economia, a política, a cultura, a religião… enfim, o cara trata de tudo com muito saber. Quarto lugar merecidíssimo.

3) DOSTOIÉVSKI: Só li o “Crime e Castigo” dele, além de ter visto quase tudo que tratasse de ”Notas do Subterrâneo”. Mas só a teoria do homem ordinário vs. homem extraordinário presente em “Crime…” já basta pra saber que o cara é um puta autor. Fora que o livro é tão bom que ele me fez ler 600 páginas em 3 dias, algo nunca feito antes pela minha pessoa! Quando tiver fôlego, encaro “Os Irmãos Karamazovi” e “O Idiota”. Leiam “Crime e Castigo”. Pode parecer meio chato no início, mas depois engrena duma maneira fantástica e espetacular – você ficará doido pra saber o que acontecerá com o Raskonilkov, personagem principal.

2) EÇA DE QUEIRÓS: O maior escritor do Realismo português. “O Primo Basílio”, fora um teste de paciência, é uma obra fantástica; “A Relíquia”, um show de sarcasmo e crítica ácida. Agora espetacular pra mim é “A Ilustre casa de Ramires”, da fase mais desiludida do Eça. O cara fez um livro que vai te contando uma historinha de um verdadeiro merda (o Gonçalo Ramires), herdeiro daquelas famílias tradicionais decadentes; porém, na verdade, Gonçalo é Portugal. Eça, ao escrever o livro, criticou o seu país. Fez a parte pelo todo. Sem alarde, apenas utilizando sua enorme habilidade literária. Fantástico.

1) MACHADO DE ASSIS: Não tem o que dizer dele. Pegue a trilogia realista dele e você terá um livro bom (“Quincas Borba”), um fantástico (“Dom Casmurro”) e um EXTRAORDINÁRIO (“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, o qual já li três vezes). Só com isso, ele já mataria a pau. Mas ainda tem os contos. “O Alienista”, “O Espelho”, “Teoria do Medalhão”, “O Homem Célebre”, “Missa do Galo”… É impossível não gostar de Machado. O jeito dele de escrever é animal, a maneira como “adivinha” o que você está pensando e suas digressões. Tudo isto faz com que ele seja o maior. Primeiro lugar para ele. E fim de papo.

Como vocês devem ter notado, estou ainda com muita influência da época do vestibular (onde tinha que ler bastante literatura brasileira e portuguesa). Não li muita coisa de literatura mundial e talvez alguns outros autores estivessem na lista nos lugares de Hobsbawm (outra importante influência do vestiba) e do Manuel Antônio de Almeida. Vá lá, até o Dostoiévski poderia cair fora (o que acho bem difícil). Mas Eça e Machado não sairiam da lista por nada. Aprendi o que era livro bom de verdade com eles. Se hoje consigo dar algum pitaco em literatura, é por causa dos dois. Adoro o realismo e estes caras são os mestres desta corrente literária.

Quem quiser, pode continuar o meme no seu blog ou comentar por aqui mesmo o seu top 5. Aguardo também comentários sobre a minha lista, sejam eles positivos ou negativos.

Hello Kitty domina geral

O que eu vou dizer a seguir tem uma parte séria e outra bem engraçada. A parte séria é que a Justiça, em uma decisão inédita, irá fazer um bazar com os bens apreendidos do traficante colombiano Juan Carlos Abadía. Tal evento ocorrerá no Jockey Club Paulista e a grana arrecadada será depositada numa conta da Justiça, com parte sendo revertida para entidades filantrópicas.

Aí você se pergunta: mas que raios está fazendo a inocente da Hello Kitty num post sobre um megatraficante como o Abadía?

Reproduzindo um trecho da matéria do Estadão sobre o evento…

A curiosidade: o traficante tem adoração pelo personagem da Hello Kitty. Tanto que se montou uma sala [dentro do bazar] só com objetos da gatinha japonesa – secador de cabelo, torradeira, roupas, cadernos.”

Quando digo pros meus amigos que a Hello Kitty irá dominar o mundo, ninguém acredita…

Turma da Mônica e Star Wars

O gibi da “Turma da Mônica” é um dos maiores clássicos que temos nos quadrinhos nacionais. De tempos em tempos, a equipe do Maurício de Souza faz algumas brincadeiras com as aventuras da turma sendo “readaptadas” para outras histórias como, por exemplo, “Romeu e Julieta” e “O Exterminador do Futuro”.

Pois bem, agora eles resolveram brincar, pela segunda vez, com o universo de “Star Wars”. Está sendo lançado nesta semana o gibi “Turma da Mônica Extra: Tauó”, que traz cinco histórias que parodiam o filme. Na primeira delas, “Guerra das Prateleiras”, Cascão busca desesperadamente um boneco da sua coleção de “Berro nas Estrelas” e aí a aventura começa.

O mais engraçado que vi, pela capa que está ao lado, é o Horácio como mestre Yoda. Fantástico! E o Penadinho então como Darth Vader? Ainda deram um “update” na série, colocando o Cebolinha como o Darth Maul do “Star Wars I – A ameaça fantasma”. Por R$ 2,90, com certeza você conseguirá uma boa diversão para o seu filho ou quiçá até para você (pô, quem disse que marmanjo não pode gostar da turminha da Mônica?)

Com certeza esta historinha aproveita o gancho que existiu com a comemoração que houve no ano passado dos 30 anos do lançamento do primeiro filme da série Star Wars, o “Uma Nova Esperança”. A série iniciou o fenômeno dos blockbusters nos cinemas norte-americanos e afirmo para vocês que os três primeiros filmes são muito bons, principalmente “O Império contra-ataca” (1980). Sem dúvida, “Star Wars” virou um ícone para o mundo pop; não foi à toa que a “Turma da Mônica” o parodiou novamente.

Aliás, para quem é fã, está havendo uma exposição sobre a série no Porão de Artes do Pavilhão da Bienal aqui de São Paulo (Parque do Ibirapuera, portão 3, em frente ao Detran), de terça a domingo, das 9 às 22h. O ingresso custa R$ 30 (um pouco salgado, não?) e a exposição vai até o dia 29/06. O que você verá lá? Conforme esta matéria do MaxPress, “variadas peças originais-modelos, maquetes, miniaturas, figurinos-, dos seis filmes da série, acompanhadas de ilustrações, fotos e textos. Entre os destaques, estão os manequins de Darth Vader e Chewbacca (ambos com mais de 2 m de altura), além dos robôs C3-PO e R2-D2″.

Bem, se for pelo preço, é melhor comprar a historinha da Turma da Mônica e dar umas boas risadas em cima dela. :)

P.S.: ótima notícia para o Maurício de Souza. Seu filho, que estava sequestrado há cerca de 20 dias, foi libertado hoje. Sequestro já é um crime horripilante, com uma criança de 9 anos então nem se fala. Nossa solidariedade ao Maurício, que espero continuar com seu jeito alegre de produzir histórias engraçadas com as da Turma da Mônica.

Awake – a vida por um fio

Ontem fui ao cinema e vi mais um filme classificado como “polêmico” pela crítica: “Awake – a vida por um fio” (“Awake”, 2007, dirigido por Joby Harold). O mote do filme é interessante e o texto inicial que nos é narrado fala mais ou menos o seguinte: todo ano milhões de pessoas tomam anestesia geral e simplesmente apagam. Isso é o normal. Mas tem uma galerinha boa que não apaga totalmente: a pessoa fica acordada, consciente, ouvindo tudo que está acontecendo porém não pode se mexer, se expressar, enfim, não pode fazer nada. Em outros termos: a mente tá acordada mas o corpo não.

Fiquei apavorado quando vi este texto inicial. Isto porque em várias ocasiões isto já ocorreu comigo enquanto dormia. Não, não sou louco não. Basicamente o que acontecia é que minha mente acordava antes do meu corpo e aí eu ficava paralisado, ouvindo tudo ao redor, mas não podia mexer um dedinho sequer. E fazia um esforço desgramado para despertar completamente. Era coisa de segundos, mas de apavorar! E o medo de você não acordar mais?

Imagina então na mesa de cirurgia? Você de repente ouve o médico dizer “Ih, isso tá pior do que pensávamos” ou então “Rapaz, esse aqui já foi pro saco” ou, pior ainda, “Vamos fazer de qualquer jeito mesmo e que se foda…”. Existem coisas que é melhor você não saber e uma delas, com certeza, é o procedimento médico que os caras fazem quando te operam.

Enfim, o mote é legal mas o suspense criado pelo filme não é lá essas coisas. Tem um jovem executivo de sucesso chamado Clay Beresford (Hayden Christensen, o Anakin Skywalker) que precisa de um transplante de coração pra sobreviver. Pois bem, ele é apaixonado por uma moça linda, Sam (Jessica Alba), secretária da sua mãe. Aí já viu né: é o riquinho que quer casar com a remediada e a mãe não dá a bênção à união.

Pra ajudar, o cara precisa de um doador urgentemente mas seu tipo sanguíneo é raro (O negativo). Sua mãe quer que ele opere com um cirurgião conhecido e grã-fino mas ele prefere fazer a cirurgia com um riponga médico amigo, o Dr. Jack Harper (Terrence Howard). Pois bem, Beresford casa com Sam e na mesma noite, bingo!, aparece o coração de um doador. E o muleque vai pra mesa de cirurgia pra ser operado pelo amigão Harper. Dupla sacanagem com a mãe, hein?

Aí o cara toma a anestesia geral mas acontece o que? O que descrevi no começo. Ele fica consciente e ouve tudo que os caras fazem. Aí começa o suspense de verdade. Há toda uma trama envolvida na cirurgia dele. Mas o suspense é resolvido rapidamente e depois nós ficamos com um filme triste e enfadonho. Fora a mania hollywoodiana de explicar tudinho, tintim por tintim, detalhe por detalhe, pra não deixar ninguém sem entender o filme.

Enfim, tem uns 10 minutos bons do filme: quando começa a cirurgia do coração do muleque e ele tá acordado. Realmente apavorante. O resto é historinha de amor fraca e suspense idem. Se não tiver nada melhor na lista, veja-o. Porém se você não tiver nada melhor pra ver, a coisa tá feia, hein?

Pô, já é o segundo filme ruim que vejo este ano só na base do marketing e das críticas “polêmicas”: o primeiro foi “10.000 A.C.”. Vou parar de ler jornal e voltar a frequentar cineclubes e salas de cinema mais cults, hehehe.

P.S.: no filme, o Hayden Christensen é um adulto executivo. Porém não consigo parar de chamá-lo de muleque, mesmo com ele catando a Jessica Alba no filme. Na minha mente, ele ainda é o pivetinho de “Star Wars”…


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