Niemeyer e a alienação juvenil

Frase do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer dita hoje, na comemoração dos 45 anos da Coordenadoria de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ):

“O jovem de hoje não lê nada. Só livros sobre suas carreiras. Eles crescem na profissão, na carreira, mas vivem alheios ao que acontece no mundo. A vida é mais importante que isso.”

Refleti sobre a frase e acho que o Niemeyer tem razão. Acabei minha graduação há dois anos atrás e, por ter feito dois cursos ao mesmo tempo, não consegui ler muitas outras coisas que não fossem das graduações que eu fazia. “Ah, você é um caso a parte…”. Sei disso, mas se não tivesse feito somente um curso, provavelmente teria iniciado um estágio no segundo ano (pô, o perrengue era muito!). E nessa divisão de tempo entre facu e trabalho, não sobraria tempo nenhum para ler mais nada.

Fiz um cálculo mental aqui na minha cabeça de quantos livros alheios aos cursos que eu fazia eu li durante os 5 anos que tive de faculdade: 1° ano, 2 livros; 2° ano, 4 livros; 3° ano, 1 livro; 4° ano, 2 livros; 5° ano, zero (estava estagiando e posteriormente trabalhando…). Fora a falta de tempo para ler jornal, acessar internet ou até o luxo de ter um blog famoso como o “A Volta…” (heheheh).

Ou seja, mulecada: leiam coisas que não sejam dos seus cursos e se atualizem. O Niemeyer tá mais do que certo: não podemos nos alienar das coisas que ocorrem com a nossa cidade, o nosso país e o nosso mundo!

P.S.: no curso de Economia, a frase do Niemeyer assume um contexto ainda mais cruel. Praticamente não lemos os autores clássicos do curso (Smith, Ricardo, Marx, Marshall, Keynes…), é só manual com gráfico e matematiqueira. Aí o nível de alienação se eleva estratosfericamente…

4 Respostas para “Niemeyer e a alienação juvenil”


  1. 1 napraticaateoriaeoutra Sábado, 26 / Abril / 2008 às 1:56 pm

    O pior é na pós-graduação: não é só que você só lê sobre sua área, você só lê sobre o tema da sua tese. Eu fiquei uns dois anos sem ler um romance durante o doutorado.

  2. 2 André Sábado, 26 / Abril / 2008 às 9:51 pm

    Putz, isso é pior ainda… ou seja, estão todos alienados! Até os doutores nas várias ciências por aí…

    O que me deixa mais puto é a falta de diálogo entre as ciências humanas (área que eu conheço mais): o pessoal da Economia não conversa com o da Sociologia, os quais têm nojo da galera da Administração, a qual por sua vez não quer saber da Contabilidade, e assim vai… ou seja, as leituras não servem nem pro cara ter mais formação na área que ele está estudando (e com ´área´ digo ciências humanas).

    Abraços,

  3. 3 napraticaateoriaeoutra Domingo, 27 / Abril / 2008 às 12:11 am

    Continuando na série “Você acha isso ruim? Precisa ver…” dentro das ciências sociais, mesmo. O cara neoclássico não conversa com o keynesiano. O neokeynesiano não conversa com o pós-keynesiano. O pós-keynesiano que acha que a taxa de juros devia ser 6% não conversa com o que acha que devia ser 6,1%, e não vamos nem começar a falar dos marxistas.

  4. 4 Marília Domingo, 27 / Abril / 2008 às 11:03 pm

    Apesar dos pesares, você até que leu bastante durante a graduação!


Deixe uma resposta




Categorias

Calendário

Abril 2008
S T Q Q S S D
« Mar   Mai »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  

Acessos

  • 78,281 hits

Licença