2001, Uma Odisséia no Espaço

Semana passada, falei por aqui sobre “O Iluminado” do Stanley Kubrick e exaltei-o como um grande filme. No post, comentei também sobre a grande obra “2001 – Uma odisséia no espaço” e o quão perdido fiquei quando a assisti. Aliás, dizer se gostei ou não do filme é algo complicado: achei as imagens lindas, a trilha sonora FANTÁSTICA, o silêncio existente pertubador. Porém viajei na história e fiquei chateado com o fato de sempre esperar por algo “revelador” que não apareceu ao final. Ou seja, como a maioria das pessoas, eu não me conformei com o fato do filme simplesmente ter acabado e pronto. O que aconteceu com o HAL? O que é aquilo quando o astronauta chega em Júpiter? Questões assim apareceram de monte na minha cabeça.

Não vou falar muito do filme pois não é possível que ele seja considerado tão genial e eu ao menos não o tenha achado legal. O fato é que “2001…” completa 40 anos (mais um exemplo de que 68 foi um ano que não acabou) e o G1 faz uma matéria bem bacana sobre a obra. Lá está explicitado a discussão e o quão controvertidas foram as opiniões sobre o filme quando do seu lançamento.

O que achei bem interessante foi a opinião de Arthur C. Clarke, co-roteirista e autor da obra que deu origem ao filme: “Se alguém entender o filme da primeira vez, nossas intenções terão falhado”. Opa, pelo visto não fiquei tão mal assim na fita. Outra frase interessante é a do diretor Kubrick. Quando perguntado sobre o significado do filme em entrevista à Playboy na época do lançamento de “2001…”, ele respondeu: “Você gostaria que Leonardo Da Vinci tivesse escrito abaixo na ‘Monalisa’ ‘esta moça está sorrindo porque ela tem um dente podre’? Eu não quero que isso aconteça com ‘2001’”. Completando seu raciocínio ele diz que 2001 é “uma experiência intensamente subjetiva”.

Mais pra frente, na própria matéria, outra frase lapidar de Kubrick é mostrada: “se o filme conseguir atingir pessoas que nunca pararam para pensar no destino do Homem, terá tido sucesso”.

Estas frases acima são bem reveladoras do espírito da obra e de como as mentes por trás daquilo gostariam de atingir os espectadores. Tendo isto em mente, talvez veja “2001…” mais uma vez qualquer dia desses e aí talvez entenda um pouco mais o que acontece. Porém, se a experiência é “subjetiva”, como disse Kubrick, nunca chegaremos a um entendimento sobre o significado do filme. Ou alguém por aí acha que não?

Pra você que ainda não viu o filme, recomendo uma coisa: veja-o. E digo isto apesar de não ter gostado tanto de “2001…” e de ter tido que fazer um esforço muito grande para conseguir assistir a toda a obra (não a veja se você estiver com sono, ok?). Mas quando você o vir, leve em conta as frases acima, a matéria que linkei do G1, o fato de que o filme foi feito há 40 anos atrás (e portanto é um primor cinematográfico pois suas cenas, cenários, etc. são bem melhores do que as de muitos filmes atuais), a grandiosidade e imponência envolvidas na obra… Quem sabe você não sai aplaudindo “2001…” logo de cara, hein?

Enfim, tá homenageada esta obra aqui no “A Volta…”. E aguardem: ao longo de 2008 teremos muitos outros posts sobre 1968 (ou, se preferirem, o ano que não acabou!).

2 Respostas para “2001, Uma Odisséia no Espaço”


  1. 1 Alessandra Rodrigues Domingo, 26 / Outubro / 2008 às 2:21 pm

    Olá!!
    Eu assisti o filme “2001, uma Odisséia no Espaço” ontem…e, achei incrível.
    Justamente por esse “gostinho de quero mais” que ele apresenta por toda a obra.
    O espectador não engole o filme, o enredo nao o permite, é degustado pouco a pouco, tal que ao final, não há final; há o velho encanto de saborear bons livros e bons filmes, que como o autor do artigo acima comenta, esses grandes diretores como Kubrick, que são “das antigas” e não dispunham da tecnologia atual , expõem muitas vezes uma perfeição em efeitos especiais, não sendo eles tão extravagantes aponto de decepcionar nem por falta, nem por excesso.

    O enredo, a fotografia e a trilha sonora (inclusive a do silêncio) estão conectados, há sinestesia por todo o filme.

    E nos faz pensar…quizá, agir.

    Deixo a dica de um filme que acho muito bom, abrindo o tema “Visionários”, é uma ótima trama que trata de um futuro que hoje já se sente, figuradamente, claro.

    “Fahrenheit 451″
    Direção: Ray Bradbury
    Lançado em 1966 e há previsão de uma segunda versão do filme para 2008.

    Uma curiosidade:
    O nome do filme faz referência ao número 451(em fahrenheit) que é a temperatura em que o papel pega fogo.
    A obra fo escrita no início da Guerra Fria.

    Bom proveito!

  2. 2 André Quinta-feira, 6 / Novembro / 2008 às 9:01 pm

    Alessandra, muito obrigado pela dica. Assim que possível verei esse filme.

    Valeu pela visita!


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