Arquivo para Abril, 2008



Copom e o aumento de 0,5% na Selic

Saiu hoje a ata do Copom mostrando o porquê do aumento de 0,5% na taxa Selic, decisão tomada por unanimidade pelo conselho na semana passada. A ata explicita os dados que foram analisados e utilizados como base para a decisão.

Vou comentar alguns pontos elencados pela nota. Como o negócio será um pouco longo e eu não quero aborrecer os que não gostam muito de economia, quem quiser ver a análise só precisa clicar no link abaixo. Tentarei não ser chato no texto que escreverei, até porque não tenho lá essa competência pra ficar palpitando tanto por aí.

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Libertadores: definidas as oitavas!

Continuamos com o plantão da Libertadores, o torneio mais difícil do mundo! Depois da definição dos classificados dos grupos 4 e 7, os jogos das oitavas serão os seguintes (gravura pega do GloboEsporte; os times que aparecem primeiro farão os jogos da volta em casa):

Meus palpites para os confrontos são os seguintes:

  • FLUMINENSE x NACIONAL (Colômbia): passa o time carioca, até porque o time colombiano é bem atrapalhado quando chega na cara do gol;
  • FLAMENGO x AMÉRICA (México): aposto no Flamengo. É só saber jogar pelo empate no México que a massa rubro-negra faz a sua parte no Maracanã;
  • RIVER PLATE x SAN LORENZO: neste duelo argentino, dá River. É um time mais jovem e mais arrumado. Aliás, acho que o River ainda dará muito trabalho nessa Libertadores 08;
  • ATLAS x LANÚS: duelo equilibrado, pois o mexicano Atlas, apesar de primeiro no grupo do Boca, não é lá essas coisas. Apesar disso, o time mexicano se classifica;
  • CRUZEIRO x BOCA JUNIORS: o Cruzeiro deu muito, mas muito azar mesmo, no cruzamento. Com o Riquelme voltando à boa forma e o caldeirão da Bombonera, dá Boca (até porque o Cruzeiro perdeu de 5 a 1 pro horrível Real Potosí… tá certo que foi na altitude, mas precisava ser de tanto assim?);
  • ESTUDIANTES x LDU: o time equatoriano da LDU é bem perigoso e bem armado, enquanto o Estudiantes é um time que não me encantou tanto na primeira fase. Pelo pouco que vi, acho que dá LDU;
  • CÚCUTA x SANTOS: obrigação total do alvinegro praiano de se classificar! Já pegamos o Cúcuta na primeira fase e empatamos fora de casa para depois vencermos na Vila. Conhecemos o adversário, sabemos quem vamos enfrentar, só estamos disputando um torneio, não temos que viajar muito, o Cúcuta não é lá essas coisas… Santos na cabeça! (isso não é palpite, é torcida mesmo!)
  • SÃO PAULO x NACIONAL (Uruguai): dá São Paulo se não vacilar tanto no jogo fora de casa. O Nacional é um time caseiro e inclusive goleou o Flamengo por 3 a 0 na fase de grupos. Empate por lá e o tricolor se classifica para as quartas.

Detalhe: entre os classificados temos 5 brasileiros (Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Santos e São Paulo), 5 argentinos (River Plate, San Lorenzo, Lanús, Boca Juniors e Estudiantes), dois colombianos (Cúcuta e Nacional de Medellín), dois mexicanos (América e Atlas), 1 equatoriano (LDU) e 1 uruguaio (Nacional). Supremacia total dos países mais fortes do futebol latino-americano!

É isso aí: a sorte está lançada nas oitavas da Libertadores. E que o Santos continue avançando bastante no torneio, o mais difícil do mundo! 

Semi-final Liga dos Campeões: tudo igual

Os jogos de ida da semi-final da Liga dos Campeões ocorreram ontem e hoje. Na primeira partida, o Liverpool empatou em casa, 1 a 1, com o Chelsea. Kuyt marcou para os Reds no primeiro tempo e o time do Liverpool só não fez mais porque perdeu gols a torto e orto. A partir dos 30 do segundo tempo o Chelsea melhorou, chegando com muito perigo ao gol dos Reds. De tanto insistir, o Chelsea marcou o seu aos 49 da etapa final: gol contra de Riise, em falha feia quando foi cortar um cruzamento despretencioso do Chelsea.

Hoje jogaram Barcelona e Manchester na Espanha. Empate em 0 a 0 num jogo que merecia um placar diferente, pois foi emocionante. O time inglês começou o jogo como um foguete e logo no primeiro minuto de partida teve um pênalti a favor. Porém Cristiano Ronaldo bateu longe e assim o placar não foi aberto. Durante o resto da partida, o Barça tentou bastante fazer o seu gol e o Manchester, em contraposição, explorava muito bem os contra-ataques. Equilíbrio total que me surpreendeu.

A história agora é a seguinte: entre Liverpool e Chelsea, o empate sem gols classifica o Chelsea. Se acabar 1 a 1, teremos pênaltis. A partir de 2 a 2, classificação do Liverpool. Entre Barcelona e Manchester, algo similar: 0 a 0, pênaltis; a partir de 1 a 1, a classificação é do Barça. Ou seja, o Manchester deverá buscar a vitória a qualquer custo. Emoção à vista!

Minha aposta ainda continua numa final vermelha inglesa: dá Liverpool e dá Manchester. Vamos aguardar os jogos da semana que vem!

Prêmio Multishow

Saíram os indicados ao Prêmio Multishow de Música Brasileira 2008. A premiação será feita no dia 1° de julho no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Olhando a lista, notei duas coisas: (i) muitos dos indicados estavam nas paradas de sucesso há 20 anos atrás, o que indica que a MPB e o pop-rock brasileiro estão carentes de renovação; (ii) os poucos elementos que temos de renovação não me agradam e creio que não sejam muito talentosos.

Não é que eu esteja ficando velho não. Bem, talvez seja isso. Mas é que vendo tudo de novo que aparece por aí, duas vertentes ficam bem claras para mim: na MPB, a galera somente está trilhando o caminho que já foi deixado pelos mais antigos; no pop temos muito barulho e pouca criatividade. Sei lá, não vejo ninguém com a força de um Legião Urbana, de um Paralamas… Apenas uma ou outra coisa que eu acho “legalzinha”. Mas nada que entre na minha galeria de coisas espetaculares. Pelo menos este é o sentimento que tenho faz uns 5 anos (não é que NADA de bom não tenha aparecido, pelo contrário; mas é que a quantidade de coisas boas aparecendo é baixíssima).

Enfim, é bom acompanharmos a premiação pois ela reflete o que é a música nacional hoje e o que faz sucesso por aí (nos campos da MPB e do pop-rock; o resto – forró, Calypso, sertanejo, etc – é sumariamente ignorado pelo Multishow). Clicando no link abaixo você verá os indicados ao prêmio; destacarei em vermelho quem eu acho que vai ganhar; em azul, coloco aquele que eu acho que devia ganhar o prêmio.

Se você ler os palpites, comente por aqui e palpite também, pô! Não custa nada (além do seu precioso tempo…).

Veja os indicados ao Prêmio Multishow 2008

Homem Chocolate

Fazia tempo que eu não ria tanto com um comercial como este do desodorante Axe. Parece que ele foi feito pelos argentinos ano passado e agora está passando na TV brasileira. Divirtam-se um pouco com o Homem Chocolate e o efeito arrasador que tem sobre as mulheres! Muito bem bolado!

E olha que o cara faz sucesso de verdade! Vejam o porquê aqui.

Google, a marca mais valiosa do mundo

A consultoria Millward Brown, através do grupo de estudos BrandZ, acabou de divulgar um estudo com o ranking das 100 marcas mais valiosas do mundo (“Top 100 Most Powerful Brands 2008″). O método de cálculo está descrito na página 5 deste estudo e é mais ou menos o seguinte: eles analisam os ganhos com atributos intangíveis da empresa; calculam quanto representa somente a marca dentro dos atributos intangíveis calculados anteriormente; por fim, verificam como os ganhos de uma empresa podem ser multiplicados com a força da sua marca.

Creio que seja muito difícil avaliar o preço de uma marca e a influência que ela tem para o bom rendimento de uma determinada empresa. Por ser um ativo intangível, muito provavelmente a avaliação terá um nível de subjetividade implícito, até porque as opiniões pessoais dos consumidores são levadas em conta nas pesquisas que alimentam os bancos de dados de análise da BrandZ.

Mesmo com estas limitações, acredito na seriedade do estudo e, mais do que isso, acho que deve ser bem levado a sério por todos, até porque a marca é um ativo que determina (e muito) o desempenho de uma empresa. Longe de ser racional e maximizador (como propõe a teoria econômica mainstream), o consumidor é um ser que avalia muitos aspectos intangíveis, compra por percepção, estabelece conexões com uma marca, vê-se representado por ela, etc, etc. Trocando em miúdos: saber quais são as marcas mais valiosas do mundo significa saber quais marcas são mais representativas para os consumidores (e, por conseguinte, aquelas que terão mais força quando do processo de decisão de compra).

As dez marcas mais poderosas do mundo, segundo o estudo, são as seguintes:

O Google continua a liderar a lista e sua marca vale US$ 86 bilhões, segundo a BrandZ. Na lista dos dez mais, chama a atenção a presença da China Mobile em 5° lugar, com valor de US$ 57,3 bi para a sua marca. O maior aumento é o da Apple, 123%, e a única queda é da Marlboro, com 5%.

Alguns highlights destacados pelo próprio estudo:

  • a força das marcas chinesas. Já são 4 empresas entre as 100 com maior valor de marca (China Mobile [#5], Bank of China [#32], China Construction Bank [#31] e ICBC [#18]) e o valor de suas marcas, em conjunto, aumentou 51% entre 07 e 08;
  • conforme o próprio estudo destaca, a importância do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) para o crescimento do valor de marcas internacionais é vital. Além disso, as empresas dos países do BRIC caminham para ter cada vez mais representantes no top 100: além das 4 chinesas citadas antes, já está entre as 100 a russa MTS. Possíveis candidatas a ingressar no ranking nos próximos anos são Lukoil, Beeline e Baltika, da Rússia; ICICI, da Índia; e Brahma, Petrobras e Bradesco, ambas do Brasil;
  • O setor de tecnologia (incluindo as operadoras de telefonia móvel) respondem por 28 das 100 marcas com maior valor que foram apresentadas no ranking.

O estudo é bem interessante pois mostra qual é a dinâmica que toma o capitalismo global no mundo de hoje. E dentro desta dinâmica, segundo o que já sabemos e pelo que vemos no ranking, as bolas da vez são o setor de tecnologia e os países emergentes.

A lista completa das 100 empresas você pode ver aqui, sem precisar ler o estudo por completo.

O Iluminado

Até o ano passado, só tinha visto um filme do tão aclamado diretor Stanley Kubrick: “De olhos bem fechados” (1999). No entanto, comecei a seguir as dicas do dr. vtYojr e fui assistindo, aos poucos, alguns dos verdadeiros clássicos do diretor norte-americano. Comecei com “Laranja Mecânica” (filme animal, gostei muito da doideira ali existente), depois vi “2001 – Uma odisséia no espaço” (do jeito que sou lerdo, acho que tenho que ver mais umas 10 vezes pra entender a história) e ontem assisti a “O Iluminado” (The Shining, 1980).

Adianto a todos que este filme tem um problema grave: depois de vê-lo, será impossível não menosprezar os outros filmes de suspense e horror. Talvez alguns se salvem, como os do Hitchcock. Mas a verdade é que “O Iluminado” é um primor do gênero; logo, se você o assiste, com certeza o seu nível de exigência aumentará de uma maneira tal que os outros filmes de suspense ordinários parecerão brincadeira de criança.

Vamos à história: tem um cara chamado Jack (Jack Nicholson) que arranja um emprego como zelador de um hotel que fica às moscas durante o inverno. Ou seja, Jack morará lá somente com sua esposa Wendy e seu filho Danny por todo este período. O hotel é gigantesco, o que só faz aumentar a sensação de isolamento e de solidão deles. O filme vai passando e cada vez mais Jack vai ficando maluco (mas daqueles bem perigosos…).

Aparentemente, uma tragédia que ocorreu no passado neste hotel (um ex-zelador que matou a mulher e as filhas quando estava cuidando do hotel durante o inverno, como Jack faz atualmente) poderá ocorrer novamente. A questão é que o filho de Jack, Danny, é o que se chama de “iluminado”: ele vê o que ocorreu no passado e pode prever o que ocorrerá. Conseguirá o pivetinho evitar uma tragédia se ela vier mesmo a ocorrer? Isso você só saberá assistindo à obra.

Além da trama ser muito boa, o filme conta com a direção kubrickiana, a qual dispensa comentários. Cenários gigantescos, cortes bruscos, trilha sonora impecável e assustadora, imagens fantásticas… Tudo isto contribui para que “O Iluminado” seja um filmaço. Fora as atuações de Jack Nicholson (assustador e perfeito, é o que eu tenho a dizer) e do pivetinho Danny Lloyd (principalmente na hora em que conversa com seu amigo imaginário Tony).

Recomendo bastante o filme, principalmente para quem gosta de um bom suspense e de um bom filme de terror. Eu continuarei minha saga kubrickiana e pretendo ver boa parte da obra deste aclamado diretor. O próximo na minha lista é “Nascido para matar”!

Kamchatka

Ontem vi um filme argentino pouco falado mas muito bom: trata-se de “Kamchatka” (2002, dirigido por Marcelo Piñeyro). Tal como nós, os hermanos ainda têm muitas feridas e cicatrizes da recente ditadura militar pela qual passaram. E o filme mostra isso, porém com um enfoque diferenciado: o que predomina é a visão de uma criança sobre as mudanças que ocorrem com seus pais e com a quebra de rotina que vivem.

A história é assim: em 76, logo após o golpe militar argentino, um casal (interpretado pela ótima Cecília Roth e por Ricardo Darín) tem que fugir de Buenos Aires pois está sendo perseguido pela ditadura. O porquê não fica implícito mas se depreende muito bem que eles fogem por causa disso. Aí eles vão morar num sítio e quem mais sente a mudança (viver escondido, não frequentar mais a escola, não poder mais ver os amigos) são os dois filhos do casal, duas crianças. É através da visão do filho mais velho, Harry (nome fictício que ele adota para homenagear o “escapista” Houdini), que a história é contada.

Ou seja, temos uma visão infantil das coisas que acontecem. Deste modo, é impossível não comparar “Kamchatka” com “O Ano em que meus pais saíram de férias”, pois ambos têm temática semelhante e são feitos através dos olhos de crianças. Porém achei o filme argentino superior ao brasileiro e esta opinião baseia-se principalmente num ponto: a espontaneidade das crianças que atuam nos filmes. Em “O Ano…”, fiquei com a impressão de que as crianças estavam com atuações forçadas, falando frases muito certinhas… Já em “Kamchatka” as crianças não “forçam” situações, são crianças mesmo, que fazem presepadas e estão alheias aos problemas do mundo adulto que as cercam. O filho mais novo do casal em fuga (o irmãozinho de Harry) é uma figuraça: além de encantar-nos com sua atuação, ele realmente encarna um pivete travesso e que só apronta. 

E isso é que é muito legal no filme argentino. A gente vai vendo a convivência de um casal em perigo e em fuga com crianças que estão em outro mundo, que apenas querem brincar e ver os amigos. O que nos vai entristecendo durante o filme é que a impressão que temos é que aquela alegria que eles têm na convivência em família será passageira, que haverá uma quebra, um momento muito triste. Se esta impressão vira verdade ou não, cabe a você assistir ao filme e comprovar isto.

Recomendo bastante “Kamchatka” e os motivos seriam inúmeros. Os três principais que eu elencaria são: o filme é um drama não apelativo; a atuação das crianças é muito boa; ele é bom para conhecermos um pouco mais do passado recente da nossa vizinha Argentina. Procure na locadora e veja esta obra que, apesar de pouco falada, está sendo bastante divulgada neste blog, o qual é um primor de audiência na web!

P.S.: se você leu até aqui o post, com certeza deve estar se perguntando: por que raios o nome do filme é “Kamchatka”? Em primeiro lugar, Kamchatka é uma península localizada na região oriental da Rússia. “Tá, e daí?”, você deve estar se perguntando. SPOILER ADIANTE! Bem, é o seguinte: Harry costumava jogar “War” com seu pai e toda vez perdia feio. Porém, um dia, era Harry quem estava quase ganhando o jogo; seu pai só tinha um território na partida – Kamchatka – e, mesmo com toda esta inferioridade, conseguiu virar o jogo. Logo, Kamchatka virou, para o menino, o sinônimo de resistência e de sobrevivência para tempos difíceis. Uma metáfora muito boa, não?

Rádio “A Volta…” – Abr/08

Vocês devem ter percebido o tanto que eu gosto de música, né? Pois bem, resolvi fazer algo bem legal: peguei todas as músicas que tenho no computador e coloquei pra tocar em ordem aleatória, praticamente fazendo uma rádio pessoal – a rádio “A Volta…”.

Colocarei as dez primeiras músicas que tocaram pra ver o que sai. Se vocês quiserem, façam isso no computador, no mp3 player, na sua rádio preferida, enfim, aonde quiserem, e coloquem aqui a lista que sair. Vamos ver a maluquice que sairá e o quão eclético somos.

O botão play foi apertado! Vamos à lista:

  • 1. ”NÃO SONHO MAIS”, Chico Buarque;
  • 2. ”PRELUDE TO APRIL”, Yngwie Malmsteen;
  • 3. ”MASTER OF PUPPETS”, Metallica;
  • 4. ”WOULD” (versão acústica), Alice in Chains;
  • 5. ”O EXÉRCITO DE UM HOMEM SÓ” (versão acústica), Engenheiros do Hawaii;
  • 6. ”PAINTED ON MY HEART”, The Cult;
  • 7. ”TEARS IN HEAVEN”, Eric Clapton;
  • 8. ”YOU COULD BE MINE”, Guns n’ Roses;
  • 9. ”ONE STEP CLOSER”, Linkin Park;
  • 10. ”DE NOITE NA CAMA” (versão ao vivo), Marisa Monte.

Acho que uma rádio assim nunca existiria, hein? Tem duas músicas de MPB (1 e 10), uma de rock nacional (5), e as outras de variantes de rock internacional (indo da balada 7 ao thrash metal da faixa 3). Aliás, pergunto-me como alguém pode ter numa mesma playlist coisas tão díspares como Marisa Monte e Metallica? A única semelhança entre os dois é que o nome de ambos começam com a letra ‘m’…

Mês que vem tem mais! Enquanto isso, vai pondo na caixa de comentário sua lista das 10 primeiras que aparecem, de modo aleatório. Não vale ficar escolhendo, viu?

A arte do Videoclipe – Velozes e Furiosos

Como prometido na semana passada, eu disse que a série a “A arte do Videoclipe” teria um representante nacional esta semana pois no Brasil também são feitos clipes bons. Pois bem, trago um vídeo veloz e furioso simplesmente. É o “Você Sabe”, do Autoramas.

Você provavelmente já ouviu falar da banda. Dentro do cenário independente nacional, eles têm já uma puta fama e é quase certo que só perdem (e de lavada, diria eu) em reconhecimento neste cenário para o Calypso (isso, aquele grupo brega lá do Pará… pois é, eles também ralam pra caramba, funciona tudo sem gravadora…). Enfim, o Autoramas teve ao longo de sua história um contrato com gravadora mas depois mergulhou no mundo alternativo, por assim dizer. E foi daí que saíram as melhores obras do grupo.

O trio carioca (composto pelo vocalista e guitarrista Gabriel Thomaz, pelo baterista Bacalhau [ex-Planet Hemp] e pela baixista Selma Vieira) fez seu terceiro álbum em 2003, “Nada pode parar os Autoramas”, pela Monstro Discos. Acho que podemos dizer que grande parte do prestígio atual da banda ocorre em função do sucesso que tiveram com esse disco, principalmente com o hit “Você Sabe”, cujo clipe venceu três categorias do Video Music Brasil 2005 (da MTV), a saber: direção de videoclipe (para Luís Carone), melhor videoclipe independente e melhor edição.

E realmente o clipe mereceu todo este sucesso. A música é rápida e forte, com influências nítidas da Jovem Guarda (o mentor e vocalista do grupo Gabriel Thomaz sempre admitiu que é forte admirador dela). Logo, o diretor não podia dormir muito no ponto. Resolveu ser veloz e furioso. Fez um clipe com uma idéia muito legal: pegou um autorama (boa referência à banda!) que, aos poucos, deixa de ser um brinquedo inofensivo e vira uma caranga venenosa na estrada. Ao final, imediatamente após saírem do carro, os elementos do grupo já continuam tocando a música, botando pra quebrar.

Simples, porém criativo e bem original, com uma idéia executada em apenas 2min e 40. Por isso é que esse videoclipe é muito bom.

Curtam então “Você Sabe” e dêem suas impressões sobre este bom clipe made in Brasil!

“O Brasil é o país do futuro…

… e assim sempre será”. O título deste post vem da famosa frase do escritor austríaco Stefan Zweig, quando chegou ao Brasil em 1941. A segunda parte, colocada como a primeira frase do post, seria a parte adicionada pelo humor popular nacional. É com estas duas frases que a ótima revista The Economist abre um artigo do editorial cujo título é “An economic superpower, and now oil too”. O subtítulo do artigo dá uma idéia do que será tratado durante o texto: “Oil could transform Brazil’s economy. But not necessarily for the better”.

O texto é muito bom e começa pontuando a atual situação do Brasil perante o mundo, inclusive expondo que o país não pode ser comparado com a China:

“Yet there are reasons to believe that South America’s economic powerhouse of 190m people is starting to count in the world. Economic growth has risen steadily, to 5.4% last year. That is modest by Chinese standards—but the comparison is misleading. Brazil enjoyed Chinese rates of growth in the third quarter of the 20th century. That was when it was almost as poor as China. It is much harder for a middle-income country, as Brazil now is, to grow at such rates. And now it looks as if Brazil will become an oil power, too (see article).”

Disseram tudo. Ambos estão em diferentes patamares e comparar um com o outro é algo que não deve ser feito. Até porque a China é um caso ímpar no mundo, com centenas de milhões de pessoas que formam um mega-exército de mão-de-obra barata. Eles vivem numa ditadura, onde tudo é resolvido na base da porrada; não gostou, tá ferrado. Não que o Brasil seja uma democracia perfeita, mas tudo que é feito por aqui tem que passar por vários mecanismos de controle. As coisas aí ocorrem mais devagar, mas a probabilidade de algo catastrófico (como, por exemplo, uma hidrelétrica que acaba com o ecossistema de uma determinada região) ocorrer diminui drasticamente.

Depois o editorial expõe um perigo que pode ocorrer para o Brasil: com a descoberta de novas e abundantes fontes de petróleo, o país poderia virar um oil addicted, minando assim um ciclo de desenvolvimento sustentável. Mais do que isso: uma bonança poderia levar a uma falsa impressão de que está tudo muito bem e as reformas necessárias para o país (não só as econômicas) parariam no meio do caminho. Ou seja, um danoso populismo petrolífero a la Chavez (o trecho completo segue no link ao final do post – destaquei as partes que considerei serem as principais).

É incrível como a Economist consegue analisar, na maioria das vezes, o nosso país melhor que os jornalistas e economistas que aqui vivem. E tudo é feito de modo ponderado, sem preconceitos ideológicos e mostrando realmente o que aqui ocorre. Trocando em miúdos: não é tão extremado como as análises da direita raivosa (a revista expressa muitas vezes algo que a direita não quer admitir nem sob tortura: Lula está longe de ser um mau presidente) ou como as análises da esquerda burra (olha, o Brasil não cresceu 11% ao ano como a China ou a Argentina, mas comparar o nosso país com os dois é brincadeira…).

Fica então implícito algo no artigo da revista: até quando o Brasil será o país do futuro?

Veja o trecho da revista “The Economist”

“A música, agora, é simplesmente um som”

Estava querendo comentar sobre um texto que saiu há quase um mês no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo mas acabei me esquecendo. Depois custei a achá-lo pois não sabia quem o tinha escrito. Hoje a busca acabou.

O texto é de Nick Coleman, colunista do The Guardian, e fala sobre o seu sofrimento após perder parte da audição de maneira súbita. Coleman é crítico musical e a tragicidade da sua experiência pode ser notada pelo título do post (retirado de um excerto do texto) e pela seguinte frase: “a música é a grande paixão da minha vida. Escrevo sobre ela, e também toco um pouco. Preferiria perder um pé, um olho…”.

O que ocorreu com o crítico? Ele mesmo descreve:

Eu estava me sentindo estranho. Mais lânguido do que costumo, nas manhãs. Minha cabeça parecia mais densa, como se a tivessem enchido de areia, durante a noite. Mas era minha vez de preparar o chá e, por isso, rolei na cama e… pfff. Um ouvido parou de funcionar. Depois, quando tentei me sentar, eu não conseguia parar direito em posição perpendicular. O quarto parecia flutuar. Os “pês” e os “efes” nos meus ouvidos se tornaram mais barulhentos. Senti enjôo.

A perda auditiva neurossensorial súbita (SNHL, em inglês) tem esse nome porque ninguém pensou em designação melhor, basicamente porque ninguém sabe direito o que seja. O que se conhece sobre o problema são seus efeitos: a audição desaparece subitamente, e a vítima perde todo senso de equilíbrio. Qualquer movimento resulta em vertigem aguda, e vômito. O paciente pode perder a visão, igualmente. As causas mais prováveis são virais ou vasculares e resultam em que partes importantes do aparelho neural fiquem privadas de sangue. Danos permanentes são infligidos às células capilares do ouvido interno, que servem como condutores vitais de informação ao cérebro. Quando elas são destruídas, não retornam mais. A SNHL é realmente uma doença calamitosa.”

Coleman vai descrevendo os problemas oriundos da sua doença. Seleciono alguns trechos nos quais ele fala como ficou sua relação com a música depois da perda súbita de audição:

E o que acontece com a música, nesse caso? Ela praticamente desaparece. Uma boa comparação é que posso escutar música, mas não ouvi-la, pelo menos não por prazer. O que ouço é monofônico, e vem no extremo mais distante de qualquer que seja o rugido que parece estar ocupando minha cabeça. Música é simplesmente um som, agora. Deixou de ser, para mim, aquilo que representou por uns bons 40 dos meus 47 anos, até o final de agosto.

(…) cambaleei até uma pré-estréia de “The Song Remains the Same”, o filme que mostra uma turnê do Led Zeppelin e está sendo lançado em DVD, com som remasterizado. É um filme idiota, mas gosto dele, e me parecia uma oportunidade ideal de testar uma ou duas coisas: primeiro, o significado da familiaridade na resposta emocional à música, e, segundo, se procedia a vaga sensação que senti ao assistir à cerimônia no Cenotáfio, a de que a imagem podia ajudar no processo de ouvir música. (Sei que vocês estão aí pensando: Led Zeppelin? Emoção? Você deve ser o maior esquisito. Mas a verdade é que o Led Zeppelin sempre me propiciou grande prazer emocional, e suspeito de que esse prazer não difira muito daquele que Sacks sentia ao observar o movimento das folhas.)  (…) Estrondo tombo pancada. Consegui agüentar três canções e saí do cinema segurando a cabeça com as mãos, completamente desorientado. O zumbido nos ouvidos me conduziu ao limiar da dor física. Grande proporção da música era simplesmente indistinguível. A guitarra de Jimmy Page, em especial, parecia uma tempestade de som desafinado.”

Depois de uma série de explicações neurológicas para o seu problema, Coleman descreve que:

sei que o único jeito de avançar, em minha situação, é continuar ouvindo música, ainda que doa. Quanto mais ouvir, maior a chance de adaptação do córtex, mas também maior a chance que minha memória terá de me ajudar a redescobrir a sensação do que a música costumava trazer.

Mas continuo a perceber a música como uma superfície chata, presa a uma faixa de espaço do lado de minha cabeça que fica oposto ao ruído. Sinto como que uma dor. Mas estou descobrindo minha capacidade de “ler” música de uma maneira diferente. Ainda que isso requeira grande esforço.

A música sempre me penetrou sem esforço isso foi sempre uma parte do prazer que ela me propiciava. Seu poder de invadir, saturar, era sua maior força. E, em resposta, sempre me senti deliciado por ser o recipiente passivo. Mas isso já não funciona. Agora, preciso brigar para ouvir música, resistir ao desconforto que o processo de audição causa e abrir espaço para que a música possa se mover mais em minha cabeça e também, evidentemente ou pelo menos assim espero com grande fervor para que a música um dia reconquiste seu esplendor tridimensional e devolva meus edifícios.

Como vocês já devem ter percebido, a categoria do “A Volta…” que tem mais posts escritos é a que versa sobre música. Adoro este assunto (mesmo que não toque nenhum instrumento), considero-me um cara eclético e dou uma grande importância aos sons e sensações que cada canção produz em mim. Aliás, consigo lembrar de fases da minha vida, de momentos, de pessoas, de lugares, enfim, de tudo, através da música. Ouço alguma canção, por pior que seja, e meu cérebro já a associa a algo. Algumas destas associações são tão fortes que entro numa espécie de déjà vu quando menos espero, somente de ouvir uma música.

É por isso que compartilhei o texto do Coleman com vocês todos (aliás, leiam-no na íntegra se puderem, é bem legal). Me coloquei no lugar dele e, naquela situação, tenho certeza que perderia grande parte de uma coisa que me dá um prazer enorme. E o caso dele é tão complicado que, mais que perder um sentido completo (a audição), por meio da perda parcial ele teve aquilo que mais amava – a música – totalmente deturpado. Ou seja, algo que lhe dava prazer começou a lhe causar uma sensação completamente oposta.

Meio depressivo o assunto, mas às vezes é bom a gente saber o que podemos perder para valorizar aquilo que temos e que muitas vezes não ligamos. Fica a lição: a música tá aí para que tenhamos mais prazer através dela, capice?

Libertadores é isso aí

“- Quando a torcida começou a cantar que o Santos é amor e paixão, eu quis deixar o coração dentro de campo. O nariz estava sangrando muito, mas eu briguei para ficar. Queria ir até o último esforço”

Do colombiano Molina, meio-campo do Santos, quando se recusou a ser substituído depois de ter rachado o nariz.

Este é o espírito, rapaz. Se todos na equipe entrarem nessa, podem até eliminar o Santos mais pra frente mas o páreo será duríssimo. E como o futebol é feito de vitórias e derrotas, que estas venham com garra e luta, pois assim serão orgulhosamente lembradas pela sua torcida.

Fiquemos no aguardo das oitavas-de-final do torneio mais difícil do mundo!

Santos 2 x 1 Cúcuta (haja sofrimento…)

Continuamos por aqui com o plantão da Libertadores, o torneio mais difícil do mundo! E haja sofrimento, torcedor santista: conseguimos a classificação no sufoco – e bota sufoco nisso (veja os gols e os melhores momentos do jogo aqui). O negócio foi tão feio que até agora a adrenalina não baixou. Bem, vejamos o que ocorreu.

O Santos precisava da vitória para se garantir nas oitavas da Libertadores. Começou atacando de forma desordenada e insistindo nas jogadas pelo meio (quanta teimosia! com duas linhas de 4 jogadores bem armados do time colombiano, nunca iríamos fazer gols). Aos 22 minutos, falta para o Cúcuta. 1 chute, 1 gol: cobrança perfeita de Henry.

Aí o Santos desesperou de vez. Foi pro intervalo sabendo que o Chivas (não é o uísque…) ganhava do San José (+altitude) por 2 a 0. Ou seja, só a vitória classificaria o Santos.

O time voltou determinado pro segundo tempo mas insistindo nas jogadas pelo meio. A técnica já tinha ido pro beleleu há muito tempo, era só raça mesmo. E de tanto martelar, saiu o empate: aos 23, Kléber Pereira, em linda jogada de Wesley, fuzilou o goleiro colombiano. Tínhamos mais meia hora pra empatar.

Mas aí, dois manés do Peixe provaram que são manés mesmo. O Cúcuta fazendo uma cera tremenda e aí o zagueiro Domingos junto com o glorioso (e horrível) técnico Emerson Leão agridem um jogador colombiano e o bandeirinha, respectivamente. Resultado: os dois expulsos (com Leão fazendo ceninha dizendo que não sairia) e 5 minutos de jogo parado. Aliás, vejam o nível a que chegou o Santos: os jogadores é que estavam segurando o Leão para que este não agredisse o bandeirinha, tsc, tsc…

Volta pro jogo e o Cúcuta quase faz um gol aos 34 (defesa milagrosa de Fábio Costa e dividida precisa de Betão). O time aí já era desespero total. Molina chocou-se com o goleiro deles e se recusou a ser substituído, mesmo sangrando muito. O goleiro deles aproveitou e ficou 7 minutos no chão. Chegavámos aos perigosos 45 minutos de partida.

Mas aí, naquele lance que você não dá nada, acontece algo incrível: Kléber Pereira tenta encobrir o goleiro, a bola parece que vai pra fora mas bate na trave e o argentino Mariano Tripodí (foto acima) pega um lindo voleio, fazendo o redentor gol! O GOL DA CLASSIFICAÇÃO AOS 45 DO SEGUNDO TEMPO! MEU DEUS, QUEREM ME MATAR DO CORAÇÃO!

Enfim, o importante da primeira fase é classificar, pronto, nos classificamos. No sufoco, aos trancos e barrancos, com duas derrotas, mas classificamos. Agora é juntar os cacos, botar a cabeça no lugar e aguardar o adversário das oitavas. Há uma chance grande de pegarmos um time brasileiro. Mas não tem nada não: no sofrimento, vamos indo. Ganhar o torneio é quase impossível com os problemas que temos mas o legal é ir sobrevivendo na competição… Quem sabe, numa dessas, não chegamos até o topo?

Romário: o retrato de um goleador

O baixinho anunciou nesta semana sua aposentadoria definitiva do futebol. De fato ele já estava aposentado há algum tempo, processo só acelerado pela sua suspensão do futebol nacional. Como este foi um dos melhores jogadores que eu vi atuar (acompanho o futebol desde 92), vou aproveitar um dossiê que o GloboEsporte fez e destacar os pontos mais importantes e curiosos da carreira do “peixe” (acessem o sítio do GE e vejam o especial sobre o Romário, tá muito bem feito).

Como sempre atuou com a camisa 11, o GE colocou um “top 11″ de várias coisas sobre o Romário. Vejamos os principais:

  • Jogos Inesquecíveis: não há como esquecer o 2 a 0 contra o Uruguai nas Eliminatórias para a copa de 94. Mas tem outros jogos também animais dele: quando fez 3 gols na maior goleada dos últimos 30 anos do Barcelona em cima do Real Madrid (o jogo acabou 5 a 0 pro time catalão); Palmeiras 3 x Vasco 4 (o jogo tava 3 a 0 pro Palmeiras e o Vasco virou a partida, com 3 gols do baixinho).
  • Maiores vítimas: o Botafogo está no topo, levou 31 gols dele. Depois vêm Olaria, com 24 gols sofridos e Palmeiras, com 22.
  • Maiores parceiros: Euller foi o maior pois ficou três anos em parceria com o baixinho e este foi o período no qual Romário marcou mais gols na carreira. Mas o mais famoso parceiro realmente foi Bebeto (quem não se lembra da copa de 94), além de eu citar a parceira com Hristo Stoichkov, craque do Barcelona e parceiro do baixinho quando este ganhou o título de melhor do mundo.
  • Maiores brigas: aí é o lado lamentável do Romário. Neste quesito, tem todo tipo de baixaria: briga com torcedor, com torcida organizada, voadora em argentino, soco em companheiro do próprio clube, porrada em outro argentino, xingamento contra o Sávio…
  • Frases memoráveis: “O Pelé calado é um poeta”, “Quando eu nasci, papai do céu apontou o dedo pra mim e falou: esse é o cara”, “Deus abençoou os pés desse cidadão, mas se esqueceu do resto e principalmente da boca, porque quando ele fala só sai besteira, ou melhor: só sai m…” (outra contra o Pelé), “É bom ele se preocupar com a casa dele. Está dando ladrão lá…” (provocação ao Túlio), “Quem tem filho grande é elefante” (quando expulsou familiares que moravam de graça num apartamento seu), entre outras…

Romário foi um jogador incrível, cara que dificilmente perdia gol na pequena área. E enquanto estava em boa forma, com espírito de atleta, era um jogador excelente (vide sua passagem no Barcelona e na copa de 94). O problema foi que depois ele foi arranjando uma briga após a outra… mesmo assim, continuou a fazer gols de maneira absurda.

Não vejo ninguém no futebol brasileiro que chegue perto dele como centroavante goleador. Aliás, esta categoria está em extinção. Você vê atacante defendendo, armando jogada, dando carrinho, correndo mas gol que é bom, nada…

Pra você que gosta de futebol ficar ainda mais saudosista, veja este vídeo com os 11 gols mais bonitos da carreira de Romário. Ele era o cara ou não?

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