Arquivo para Maio, 2008

Soletrando e Bolsa Família

Hoje de tarde estava de bobeira aqui no frio de São Paulo e aí fui ver a final do tal quadro “Soletrando”, do “Caldeirão do Huck”. Acho que o quadro tem até seus méritos pois a competição é basicamente pra ver quem consegue soletrar melhor uma série de palavras, que vão aumentando de dificuldade na medida em que o programa vai avançando. O mérito vem disso, de mostrar a importância do saber envolvido na questão de ouvir uma palavra ser pronunciada e depois conseguir escrevê-la corretamente. Se bem que, no programa de hoje, teve cada palavrão que mandaram a molecada soletrar que, sei lá, fico imaginando a importância de se saber aquilo (por exemplo: a palavra decisiva que precisava ser soletrada era “psicroestesia”)…

Enfim, o vencedor desta edição da competição foi o rapaz da foto acima, Eder Coimbra. O muleque de 14 anos veio lá do Vale do Jequitinhonha (um dos lugares mais pobres do Brasil) e botou todo mundo no chinelo. Obviamente a família dele é pobre de lascar, ele tem vários irmãos, entrou na escola só aos 8 anos, etc, etc… Aí já começa um dos pontos negativos do Soletrando: como o prêmio de 100 mil reais dado ao vencedor geralmente é uma fortuna pra família da criança que está lá disputando, o apresentador fica o tempo todo se promovendo em cima deste fato. “Olha, se ele acertar esta palavra, vai ganhar um prêmio que pode mudar sua vida e da sua família!!!” (nem precisa dizer que qualquer um que ouvisse isso ficaria mais do que nervoso, né?)

Fora que os tais dos 100 mil reais são em forma de bolsa de estudo, para financiar a educação do vencedor até a faculdade. Se a grana chegará até lá, como será administrada, se o muleque vai se dar bem ou não, aí só Deus sabe, mas, enfim, pro circo televisivo ele já é um astro…

No entanto, sabemos que a TV é assim mesmo, seja no Brasil seja no mundo. Não vou ficar descendo o pau no Huck nem na Globo porque já não vale mais a pena. Explorar a miséria dos outros é uma bosta e os caras fazem isso na maior. Ponto final. Nem mereceriam a minha audiência mas acho que é importante ver o programa para saber criticá-lo. Então o recado já tá dado.

O que eu achei impressionante mesmo foi depois que o muleque venceu. O Huck foi perguntar pro pai como era a vida da família, não antes chamando o senhor de “herói”. Aí o pai falou que tinha vários filhos, que era difícil criá-los com tão pouco dinheiro… “Mas quanto o senhor ganha por mês?”, perguntou Huck. “200 reais, mais 112 reais do Bolsa Família“, respondeu o senhor. “Tão vendo como este homem é um herói? Com apenas 200 reais por mês, ele sustenta uma família numerosa como essa…”, retrucou Huck.

Peraí, e as 112 pilas do Bolsa Família? Pô, esta grana é de suma importância pra família, ela é mais da metade do que o cara ganhava antes por mês! E foi menosprezada na maior pelo Huck… Não sei se ele não falou da grana por motivos políticos ou para dramatizar mais ainda a história da família do muleque, mas era uma ocasião de ouro pra louvar o programa social! O qual, inclusive, não deve ser um programa de partido mas sim de GOVERNO. Que o próximo presidente fique esperto com isso e que não cancele o programa.

É triste, mas por lapso ou não, Huck fez o que a maioria da elite brasileira faz bastante: torcer o nariz pro Bolsa Família. Ir em programas de TV expor a vida de miséria, chorar e passar por vários constrangimentos para ganhar uma grana, ah, isso pode, né? Agora receber uma complementação de renda, SEM INTERMEDIÁRIOS, por parte do governo, ah, isso é “esmola”, obviamente. Simplesmente ridículo.

Mas não tem problema não. Se a “elite” brasileira ainda não descobriu a importância da BF, o povo brasileiro, na sua maioria, já o fez há muito tempo…

E, parabéns ao Eder, menino inteligente e batalhador que não tem nada a ver com os problemas que eu descrevi acima. Sucesso a ele!

Rádio “A Volta…” – Maio/08

Vamos lá. Pelo segundo mês seguido, vamos à nossa rádio. Apertado o shuffle, vamos ver as 10 músicas que, aleatoriamente, aparecem no meu player (os links pros vídeos da música aparecem nos respectivos títulos – não achei todos no Youtube). E aí, vamos ver se o negócio ficou meio feio?

  1. “DON´T CHA WANNA RIDE”, Joss Stone: bobinha ao extremo, acho que esta música só se salva pela boa voz da Joss e pelo ritmo, que é uma batida soul bem acabada.
  2. “OUÇA O QUE EU DIGO, NÃO OUÇA NINGUÉM” (ao vivo), Engenheiros do Hawaii: bem, pra esta música vale a máxima das músicas do Engenheiros: ou você gosta muito deles ou você os odeia (tal como suas músicas). Eu tô no meio do caminho, e acho a música bem mais ou menos.
  3. “CARA ESTRANHO”, Los Hermanos: hino da banda carioca, todos que já ouviram a canção já devem ter se sentido ”o” cara estranho. Muita boa, canto-a sempre do início ao fim.
  4. “O MEU AMOR” (ao vivo), Chico Buarque: grande canção dele, é feita como se uma mulher tivesse escrito a letra. Ao vivo então, tirado do especial “As Cidades”, é de matar a pau.
  5. “SILVER WINGS”, Bruce Dickinson: música da fase solo do vocalista do Maiden, não chega nem um pouco perto dos grandes sucessos da carreira de Bruce, como “Tears of the Dragon”, por exemplo.
  6. “CHAMPAGNE SUPERNOVA”, Oasis: praticamente um hino tirado do ótimo álbum “What´s the story (morning glory)?”. A melhor música do CD na minha opinião, superando inclusive “Wonderwall”. Desta vez, o meu player me presenteou com uma grande música.
  7. “FOR WHOM THE BELL TOLLS”, Apocalyptica: já viram o grande sucesso do Metallica tocado pelo quarteto de violocenlistas finlandeses (acho que eles são de lá) do Apocalyptica? Não? Então vejam, porque fica tão pesado quanto o original. Excelente mistura de música clássica com metal! Clica no link que coloquei acima e veja: não te arrependerás.
  8. “CORAÇÃO LEVIANO” (versão acústica), Paulinho da Viola: “trama em segredo teus planos, parte sem dizer adeus…”. Uma das melhores músicas do Paulinho, nem preciso dizer nada sobre ela, né? Em versão acústica, então…
  9. “PRA DIZER ADEUS” (versão acústica), Titãs: esta foi a música que marcou meus 15 anos! Pô, naquele ano, o acústico da banda paulista foi o CD mais vendido, mais tocado, mais cantado, mais tudo no Brasil! E esta música foi o carro chefe! Pô, musicaça! Este player tá sendo melhor do que eu pensava…
  10. “CAN´T STOP LOVIN’ YOU”, Van Halen: grande sucesso da banda dos anos 90! Aliás, já escutei tantas e tantas vezes esta músicas, que acho até que já enjoei… mas mesmo assim, grande música! Encerrou a playlist em grande estilo!

Pô, este mês o negócio até que foi bem eclético, hein? E, de verdade, acho músicas excelentes as de número 3, 4, 6, 7, 8, 9 e 10. Ou seja, 7 em 10! Ou seja, esta lista que coloquei acima reflete bem o meu gosto musical. E aí, qual é a sua playlist deste mês? Coloca aí na caixa de comentários, pô!

Recebemos o grau de investimento!, Parte II

No dia 30 de abril eu já tinha colocado aqui no blog um post sobre o grau de investimento que o Brasil recebera da agência de classificação de risco Standard & Poors. Como esperado pelo mercado, era questão de dias para que outra agência qualquer ratificasse a nota da Standard. Bem, demorou quase um mês mas o Brasil recebeu hoje a segunda classificação de grau de investimento.

Desta vez foi a Fitch que colocou o Brasil no grupo de países que representam um porto seguro para o investimento estrangeiro. A nota do país foi elevada de BB+ para BBB-, o primeiro patamar na escala dos países considerados adequados para investimento. Segundo a Fitch, “a elevação do rating reflete a melhora dramática das contas externas e do setor público do Brasil, que reduziu bastante a vulnerabilidade do país a choques externos e de câmbio e fortaleceram a estabilidade macroeconômica e melhoraram as perspectivas de crescimento para o médio prazo”.

Creio que seja questão de dias o recebimento do terceiro grau de investimento por parte do Brasil. Das três maiores agências de risco, só a Moody´s ainda não colocou o país neste patamar: a nota atual atribuída é Ba1 e, apesar da perspectiva estável para esta nota atribuída pela agência, creio que ela irá na mesma linha dos argumentos da Standard e da Fitch – ou seja, que o Brasil melhorou sua situação externa, que o setor público está menos endividado, que o nível de reservas é razoável, etc, etc… – e nos dará o grau de investimento também.

Como eu tinha dito no post anterior, o impacto imediato seria a pressão baixista sobre a cotação do dólar (se quer saber os efeitos positivos da classificação do país como grau de investimento, veja o post anterior, estou com preguiça de escrever tudo de novo…). Tiro e queda. Hoje a moeda norte-americana chegou na menor cotação dos últimos 9 anos: baixa de 1,09%, cotação a R$ 1,637. E podem esperar, porque vai vir mais queda pelo caminho.

Sei não, vai ter gente bem crítica que dirá que o governo atual só se beneficia dos ventos externos para produzir bons resultados na economia e que todas as políticas que tem feito foram criadas no governo anterior. Enfim, mesmo se aceitarmos tal argumento (eu não o acho válido), devemos louvar então que as coisas estão se estabilizando (para melhor) um pouco mais no país, principalmente no campo econômico. Acho que notícias como o recebimento do grau de investimento só refletem isto. Ou seja, pelo menos lá fora, o Brasil já não é a “Joana´s mother house” de anos atrás (ai, inglês ruim este, hein?).

Até que enfim!

Utilizando uma metáfora futebolística ao gosto do nosso presidente Lula, hoje a ciência ganhou de 0,5 a zero o jogo contra o conservadorismo sem base e arcaico. É que o Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 5, liberou hoje a pesquisa com células-tronco embrionárias conforme já previa a Lei de Biossegurança. Na verdade mesmo, o STF só disse que a ação direta de inconstitucionalidade (Adin) impetrada pela Procuradoria Geral da União não era válida – a alegação era a de que a Constituição garante o direito à vida e à dignidade da pessoa humana e, para o procurador-geral da época, Cláudio Fonteles, a vida começa com a fecundação.

Demorou um bom tempo para que esta Adin fosse julgada, mas hoje acabou a espera. Não importa que o placar tenho sido mínimo; de verdade mesmo, pra mim, o que vale é podermos pesquisar com células-tronco e matarmos dois coelhos com uma só cajadada: não ficarmos para trás na pesquisa científica de ponta que é produzida no mundo (atraso tecnológico gera dependência econômica, social e cultural) e, mais do que isso, darmos alguma esperança para as milhões de pessoas que têm algum problema ou deficiência e que botam a maior fé na ciência para curar suas enfermidades.

Vou apelar pro lado emocional agora (peço desculpas àqueles que não gostarem): imagina só se você tivesse uma doença degenerativa irreversível? Ou então que seu filho fosse cadeirante? Ou, sei lá, outra coisa bem grave e difícil de lidar? Você não se apegaria a qualquer fio de esperança que lhe dessem? Religião, cura espiritual, o que quer que fosse. Imagina então se você pudesse depositar esta esperança na mão de pessoas altamente qualificadas e que estão fazendo ciência de ponta no mundo… Pronto, conseguiu se colocar nesta situação? Bem, se mesmo depois disso você for contra as pesquisas com células-tronco, some desse blog pois eu definitivamente não falo a mesma língua que você.

E a lei de Biossegurança também não é a “festa do caqui”. Pô, ela só permite pesquisas com embriões que não possam dar origem a seres humanos ou embriões que estejam congelados há mais de três anos. Além disso, ela veta a comercialização de material biológico e exige a autorização do casal que deu origem aos embriões para que as pesquisas sejam feitas.

Uma das maiores pesquisadoras do mundo de células-tronco embrionárias, a geneticista Mayana Zatz (USP), disse que “Todos vamos nos beneficiar dessa vitória. Temos uma enorme responsabilidade pela frente. Quero deixar claro que não estamos prometendo cura imediata, mas dar o melhor de nós nas pesquisas”. Eu acredito nela e boto a maior fé que alguma coisa benéfica sairá da decisão favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias.

Pode até ser que, lá pra frente, alguns desvios ocorram no meio do caminho (tipo, sei lá, gerarmos aberrações ou seres que sigam somente determinados padrões estéticos) mas, por enquanto, a importância da pesquisa é importantíssima e, como eu disse, é a esperança de milhões de pessoas na atualidade. E também tem o seguinte: se a coisa degringolar, o Congresso tá aí pra legislar e mudar a lei. Simples assim.

P.S.: a gente critica bastante, mas quando tem que elogiar, fazemos com muito orgulho. Por isso, louvável o voto do ministro Marco Aurélio Mello, favorável à pesquisa com células-tronco embrionárias. Durante a leitura do seu voto, ele declarou o seguinte: “Desculpem-me a expressão, mas o destino de todos esses embriões seria o lixo sanitário. Dá-se-lhes, portanto, uma destinação nobre”, sustentou. “Não vejo qualquer ofensa à dignidade humana o uso de pré-embriões inviáveis ou congelados, que não teriam como destino senão um lamentável descarte“. Falou e disse!

P.S. II: vejam a matéria do G1 que linkei acima pois ela é bem bacana. Tem infográfico mostrando o que é a discussão sobre as células-tronco, tem o vídeo com a discussão do STF, tem opiniões das partes envolvidas… Enfim, bem bacana.

Pesquisa sobre leitores brasileiros

Saiu no G1 uma notícia bem legal e interessante sobre uma pesquisa do Ibope Inteligência encomendada pelo Instituto Pró-Livro. Esta pesquisa teve como objetivo conhecer um pouco mais sobre os leitores brasileiros e quais os hábitos de leitura dos mesmos. Alguns dados interessantes foram trazidos pela matéria. Copio alguns trechos abaixo:

  • 39% dos 95,6 milhões de leitores de livro no Brasil estão na faixa etária de 5 a 17 anos e outros 14% na faixa entre 18 e 24 anos;
  • enquanto 90% dos adultos leitores com mais de 40 anos de idade preferem ler em locais silenciosos, muitos jovens com idade entre 14 e 17 anos dizem que gostam de ler ouvindo música. Já 14% das crianças com menos de 10 anos curtem os livros ao mesmo tempo em que assistem à TV;
  • o tema é o fator mais importante na hora de escolher um livro para ler – 63% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que este é o fator que mais influencia a escolha de uma obra. Em seguida está o título do livro (opção de 46% dos entrevistados), seguido de dicas de outras pessoas, que engloba 42% do grupo ouvido;
  • A maioria dos leitores (86%) lêem livros em casa; 36% na sala de aula e 12% na biblioteca. No caso de leitura de jornais, 53% dos leitores lêem em casa e 15% no trabalho;
  • o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano. O estudo constatou que somente a leitura de livros indicados pela escola, o que inclui os didáticos, mas não só, chega a 3,4 livros per capita. A leitura feita por pessoas que não estão mais na escola ficou em 1,3 livro por ano. A pesquisa também confirma que as mulheres lêem mais que os homens – 5,3 contra 4,1 livros por ano;

Esta pesquisa, que tem o nome de “Retratos da Leitura do Brasil” também apresentou um ranking dos livros mais lidos pelos brasileiros – perguntou-se aos entrevistados qual o último livro lido ou então qual o livro que está sendo lido agora. O ranking dos “29 Mais” foi o seguinte:

Se pudermos classificar estes 29 livros em categorias, teríamos algo como: 2 espirituais (a Bíblia e “Bom dia Espírito Santo”), 5 de auto-ajuda/esotérico (“O segredo”, “Violetas na janela”, “O monge e o executivo”, “O Grande Conflito” e “Quem mexeu no meu queijo”), 3 romances internacionais (“Código da Vinci”, “O Caçador de pipas” e “Romeu e Julieta”), 6 romances nacionais (“Dom Casmurro”, “A Moreninha”, “Senhora”, “Iracema”, “O Cortiço” e “O Alquimista”), 10 livros infantis internacionais (“Harry Potter”, “Cinderela”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Branca de Neve”, “Os três porquinhos”, “A bela e a fera”, “Peter Pan”, “A pequena sereia”, “Pinóquio” e “Pequeno Príncipe”), 2 livros infantis nacionais (“O sítio do pica-pau amarelo” e “O menino maluquinho”) e uma biografia (a de Edir Macedo).

Ou seja, se levarmos em conta apenas os livros infantis (12) e somarmos os romances nacionais que sempre aparecem por aí nas listas de vestibulares (são 5, excluí “O Alquimista” da conta), temos 17 em 29 livros. Ou seja, 59% da lista é composta de livros cujo público-alvo são as crianças/adolescente/adultos novos. Isto só confirma o primeiro tópico que destaquei nos resultados apresentados pela pesquisa: o leitor brasileiro é jovem, grosso modo. Ou seja, o cara vai lendo basicamente para compor a sua formação: quando é criança/adolescente, lê os clássicos porque a escola pede ou por interesse próprio mesmo; na passagem da adolescência para a vida adulta, por obrigatoriedade do vestibular. Esta conclusão obviamente não é completa (nada impede que os livros infanto-juvenis sejam lidos por adultos ou que o livro do Edir Macedo seja lido por um adolescente), mas eu creio que o “ciclo de vida” do leitor brasileiro seja mais ou menos este. O hábito de ler vai diminuindo à medida em que vamos envelhecendo (conforme confirmado pelo último tópico que destaquei da pesquisa).

Coloco-me neste caso. Antes lia livros com a maior facilidade… agora, se passa de 100 páginas tenho que respirar fundo e juntar muita vontade para conseguir ler…

Mas muito interessante esta pesquisa. Gostei dos resultados. Vai ter gente que dirá que o brasileiro lê, na média, pouco. Pode até ser mas, aparentemente, as crianças estão ainda com ganas de ler bastante. E este é o primeiro passo para um otimista, como eu, acreditar que o futuro do país será cada vez melhor. Leitura é a pedra fundamental do conhecimento humano e eu creio que, independente do que seja lido, é melhor ler algo a não ler coisa alguma.

Outra coisa interessante: não sei qual a porcentagem de pessoas que disseram ler a Bíblia como livro atual, mas creio que seja altíssima. É um fato incrível o encanto que este livro desperta nas pessoas e fico realmente pensando no quão pouco li desta obra. Acho que seria uma boa para qualquer pessoa que deseja entender a cabeça do brasileiro ir a fundo no livro. Creio que ele seja a base de conduta e de ética de uma boa parte da população.

Ah, tem outra coisa: se você chegou ao fim deste post é porque você lê pra caramba, hein? Pô, nunca vi um texto tão grande aqui pelo blog… :)

CQC e Ciro Gomes

No post que fiz sobre o programa “15 Minutos”, exaltando-o como uma boa revelação da TV, o grande Fábio comentou dizendo que também achou o tal do “CQC” da Bandeirantes uma boa novidade na TV aberta nacional. O programa vai ao ar nas noites de segunda, a partir das 22h, com reprise aos sábados, a partir das 20h15. Aparentemente o programa tem feito um razoável sucesso, inclusive dobrando a audiência da Band no horário.

A estrutura do ”CQC” é mais ou menos a seguinte: ele é apresentado pelo Marcelo Tas mais dois caras, e os três ficam numa bancada. Fazem comentários gerais e chamam as matérias, as quais, basicamente, são tirações de sarro com personalidades. Algo bem próximo como o que o “Pânico na TV” faz, só que com um pouco mais de seriedade, sem tanto escracho, e com um componente político mais forte. Vi o programa apenas duas vezes, mas a proximidade que o mesmo tem com o “Pânico” fez com que eu não o achasse uma inovação tão grande assim da TV.

Mesmo assim, creio que valha a pena ver “CQC” – até porque, de segunda a noite, você não encontrará quase nada de qualidade, seja na TV aberta ou fechada. Prestem atenção no tal do “Repórter Inexperiente” (Danilo Gentili), o qual coloca alguns entrevistados em situações chatas justamente por sua “inexperiência” como repórter. Vi uma matéria dele há umas duas semanas que não tinha este foco, mas foi igualmente engraçada: ele foi até uma cidadezinha da Bolívia na qual a galera faz uma celebração trocando socos no meio da rua (vai todo mundo pra porrada, até as crianças), e ele, querendo dar uma de espertão, levou umas muquetas também… bem engraçado!

Aliás, Gentili proporcionou um dos melhores momentos políticos do CQC até agora. Ele pegou o deputado federal (e presidenciável) Ciro Gomes na saída de um evento aqui em São Paulo. Começou a perguntar algumas coisas complicadas para o deputado (tipo o que ele achava do irmão, o governador do Ceará Cid Gomes, que levou a sogra em viagem oficial para a Europa) e Ciro apenas respondia: “não sei do que você está falando…”. O negócio ficou tão hilário que até virou “hit” nos acessos do YouTube que eram feitos dentro da Câmara dos Deputados (o site inclusive teve o acesso proibido pelo pessoal de informática da Câmara, tamanho o número de pessoas que queriam ver o vídeo!).

Enfim, tenho que ver mais algumas vezes o programa para formar uma opinião. Mas taí a dica do nosso amigo Fábio pra vocês. E, abaixo, o tal do vídeo do Ciro Gomes dizendo que “não sabe” do que o “repórter inexperiente” está falando… Hilário!

Esse aí começou bem

A figura ao lado chama-se Roberto Mangabeira Unger (vulgo Mangaba) e é atualmente o ministro de Assuntos Estratégicos do governo Lula. A imprensa disse que a ex-ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, teria deixado o cargo porque o Plano Amazônia Sustentável (PAS) foi colocado sob coordenação do nosso querido Mangaba. Fato ou boato, esta figura não se entendeu muito bem com Marina e os atritos entre ambos ficaram nítidos, inclusive quando da demissão dela.

Enfim, um plano tão importante quanto o PAS merece uma figura realmente imponente como o Mangaba. No entanto, hoje ele deu uma entrevista na Folha de São Paulo que me deixou um pouco preocupado. Foram pouquíssimas questões, mas as respostas foram, por assim dizer, bem evasivas e estranhas. Vejam abaixo (destaques por minha conta):

FOLHA – Qual é o problema da Amazônia?
MANGABEIRA UNGER
- Acho que o debate está falsificando a situação real, que é mais interessante, mais grave, mais perturbadora e esperançosa do que o debate sugere. Um número pequeno de brasileiros acha que a Amazônia deve ser preservada como um parque. Um número igualmente pequeno de brasileiros aceita entregar a Amazônia às formas predatórias da atividade econômica. A grande maioria insiste no desenvolvimento sustentável, mas não sabe como conseguir. O problema não é a divisão entre ambientalistas e desenvolvimentistas, o problema é a confusão.

FOLHA – É possível conter o desmatamento sem frear o agronegócio?
MANGABEIRA
- Não tem nada a ver com agronegócio. Nosso problema é que não temos feito nem de longe o suficiente nem em matéria de preservação nem em matéria de desenvolvimento. Por isso, estou discutindo intensivamente com os governadores da Amazônia Legal as medidas necessárias para dar conteúdo prático ao desenvolvimento sustentável.

FOLHA – O sr. assumiu o PAS, plano discutido desde 2003. Mas parece que está partindo da estaca zero.
MANGABEIRA
- O PAS é um conjunto de diretrizes e compromissos, mas não é uma planilha tecnocrática. Não é um plano de medidas concretas. Há mais de 25 milhões de brasileiros lá. Se não tiverem oportunidades econômicas, serão levados a uma atividade econômica desordenada que provocará o desmatamento.

FOLHA – O sr. está em rota de colisão com Carlos Minc?
MANGABEIRA
- Eu nem tive ainda a oportunidade de estar com ele. Eu o vejo como um grande colaborador meu no futuro.

FOLHA – Entre Blairo Maggi e Marina, a quem dá razão?
MANGABEIRA
- É natural que haja tensões. Mas é um desserviço acalentar divisões no meio desta neblina. Não estou dizendo que há fórmula mágica. Não tem o menor sentido disputar uma espécie de império que não construímos. Nosso problema é avançar na construção, sem dogmas, sem preconceitos, sem prevenções, neste esforço de produzir reconciliação profunda e duradoura entre preservação e desenvolvimento. Minha tarefa é colocar a imaginação a serviço da eficácia. (comentário do “A Volta…”: ahn? como assim???)

FOLHA – O sr. se julga suficientemente informado?
MANGABEIRA
- Eu me julgo um ignorante. O que eu sei fazer é construir uma tarefa com pessoas de idéias contrastantes. A premissa da discussão com o mundo a respeito da Amazônia é a reafirmação da nossa soberania. Mas não devemos cultivar uma atitude paranóica.

Ah, ainda bem que o Plano Amazônia Sustentável está na mão de uma pessoa que se julga ignorante em relação ao tema. Não que eu esperasse que ele tivesse uma opinião totalmente definida, mas também julgar-se ignorante em relação ao tema é um absurdo. Nessas de colocar pessoas de idéias contrastantes para discutir, ambos os lados podem apresentar argumentos aparentemente bacanas e, levado pela sua ignorância, Mangaba pode ficar indefinidamente sem posição marcada. Será que é isso que o nosso intelectual quer?

Sei não, mas não confio nesse cara. Já desconfio dele só por ele falar com um sotaque americano forte mesmo tendo vivido no Brasil por um bom tempo. Digo a vocês só o seguinte: odeio posar de pessimista mas, pra mim, esse PAS vai ser uma figura de retórica absurda. Ainda mais com um ministro perdido e “ignorante” em relação ao tema Amazônia. É, esse aí começou bem…

Notas sobre um escândalo

Ontem vi mais um filme que esteve presente nas indicações do Oscar 2007: “Notas sobre um escândalo” (“Notes on a scandal”, 2006, Inglaterra). O filme, dirigido por Richard Eyre, teve 4 indicações mas perdeu em todas elas: melhor trilha sonora (Philip Glass), melhor Atriz (Judi Dench), melhor atriz coadjuvante (Cate Blanchett) e melhor roteiro adaptado (Patrick Marber).

O filme praticamente se baseia na atuação de Judi Dench e Cate Blanchett. A primeira é uma professora amarga de História de um colégio público da periferia, Bárbara. Solitária e ranzinza, ela escreve tudo o que pensa sobre as outras pessoas – geralmente com profundo desdém – em um diário e o mesmo nos é narrado durante o filme. Nisso, aparece na escola uma professora nova de Artes – Sheba, representada por Cate Blanchett.

Sheba não consegue colocar ordem na molecada no colégio e, após um favor de Bárbara (ela acalmou os ânimos de dois alunos que brigavam na aula de Artes), as duas começam a se tornar amigas e confidentes. Bárbara é extremamente crítica em relação à família de Sheba, a qual é composta de um marido velhaco, uma adolescente descontrolada e um filho com síndrome de Down. A partir daí, vamos percebendo que, dentro da sua solidão, Bárbara na verdade quer é arrancar Sheba daquilo que considera um “show de horrores” – ou seja, a família desta.

Pra adicionar ofensa à agressão, Sheba tem um caso com um pivete de 15 anos da escola. Este caso é logo descoberto por Bárbara que, posando de amiga, cobra um preço muito alto de Sheba para ficar quieta: a mesma terá que ser leal todo tempo, inclusive trocando o tempo que passa com a família para ficar com Bárbara. Como isto não será factível – você não troca sua família, principalmente se tiver um filho com síndrome de Down, por uma amiga qualquer -, a professora velha se sentirá traída e estará tentada a contar o fatal segredo de Sheba.

Neste clima de suspense, do início ao fim o filme consegue te cativar com apenas a atuação de duas grandes atrizes. Tá certo que lá pelo meio a coisa fica meio chata e repetitiva. Mas você vai sendo fisgado pela obra e querendo saber o que vai acontecer na relação entre a megera Bárbara e a encrencada Sheba. E tem a música de Philip Glass, que vai dando todo um toque dramático e de suspense.

Nisso, você chega à conclusão de que viu um ótimo filme, pois ele se utilizou de apenas dois expedientes para te prender: a atuação de duas atrizes “monstro” (Dench e Blanchett estão fantásticas) e uma história cativante. Pô, se só com isso ele te prendeu do início ao fim, é porque a obra é boa mesmo. Então, sem escândalos, nas entrelinhas, “Notas…” contrói uma teia bem bacana que expressa o quão complicadas são alguns tipos de relações humanas. Por isso, se você não o viu, assista-o. Tenho quase certeza que vocês gostarão bastante do que é mostrado ali.

A Conquista da Honra

Neste último fim-de-semana, assisti ao filme “A Conquista da Honra” (“Flags of our fathers”, 2006, EUA). Já disse por aqui que não curto tanto assim filmes de guerra, mas a promessa desta obra era a de que teríamos uma visão que enfocasse mais as pessoas e não a guerra em si. Neste caso, o foco recairia sobre os envolvidos nos dois lados da famosa batalha de Iwo Jima (ilha japonesa do Pacífico): os soldados norte-americanos apareceram no “A Conquista da Honra”; os japoneses, no “Cartas de Iwo Jima”.

Ambos os filmes foram dirigidos por Clint Eastwood, com lançamento simultâneo. Por causa do maior frissom que causou na época (disputou inclusive mais categorias do Oscar), assisti à “Cartas…” em 2007. Achei um filme muito bom, principalmente porque mostrou o lado dos perdedores, daqueles que estavam lascados, sem eira nem beira, lutando sabe-se lá pelo quê. Apesar disso, creio que vocês devam dar uma olhada na crítica do dr. vtYojr (cinéfilo mais do que conhecido aqui no “A Volta…”) – cliquem aqui e leiam o texto “Filmes sobre Iwo Jima”.

Quando vi “A Conquista da Honra” neste fim-de-semana, foi impossível não compará-lo com “Cartas…”. Bem, quando fiz isto, cheguei à conclusão que “Cartas…” é bem melhor – “A Conquista…” é um filme, forçando a barra, razoável. Não, não é anti-americanismo não. Eu só acho que o Eastwood acertou mais a mão no filme sobre o lado japonês. Seja pela história, seja pela fotografia, seja pelos personagens (em “A Conquista…” não temos um personagem que chegue perto da imponência do general Kuribayashi ou do atrapalhado “padeiro soldado” Saigo).

Senão, vejamos. Basicamente em “A Conquista…” temos a história de 6 muleques que apareceram numa foto histórica – a do hasteamento da bandeira norte-americana na montanha de Iwo Jima. A foto mostra ao povo dos EUA que a guerra está tendo resultados e o governo norte-americano resolve usar os soldados da tal foto para arrecadar mais dinheiro para a guerra, pedindo à população que compre mais bônus de guerra. Dos 6 soldados, apenas 3 estão vivos: “Doc” Bradley (um enfermeiro), Rene Gagnon e Ira Hayes (um descendente de indígenas).

Os três começam a excursionar pelos EUA e são usados politicamente para conseguir mais dinheiro da população para o esforço de guerra. Obviamente os fantasmas do conflito (principalmente os colegas mortos) assombram os três e os colocam frente a um conflito moral e ético: é correto posar de herói, conseguindo assim mais dinheiro para a guerra, se nada do que foi feito ali é motivo de orgulho? Em outras palavras, é aceitável ser chamado de herói após ter participado de um conflito de guerra?

E aí o filme vai passando neste ritmo. Os três pivetes na turnê, relembrando fantasmas do passado, e os políticos/figurões explorando-os politicamente para conseguir mais grana. Nisto, acho que um aprofundamento nos três personagens principais poderia ter ocorrido, mas infelizmente Clint fica na superfície. E como a história é baseada nestes três caras, sem um aprofundamento deles a história fica rasa, cansativa. E é por isso que “A Conquista…” não é um grande filme.

Talvez para os amantes de filmes de guerra, “A Conquista…” seja um bom filme – as cenas de batalha são impressionantes, bacanas mesmo. No entanto, como isto não me impressiona muito, saí com a impressão de que este filme não é muito legal. Seu ponto alto, o qual talvez devesse ter sido melhor explorado, foi mostrar o que ocorreu com os três soldados depois da guerra. Isto foi genial e aí você fica pensando o que ocorre com toda a molecada que vai pruma batalha como a de Iwo Jima e depois tem que voltar a uma vida “normal” (o Exército não dá conta de ter empregos para todos). Uma das únicas coisas que o cara sabe fazer é matar e, fora isso, a pessoa deve ser bastante perturbada depois de tudo que viu na guerra – ou seja, um “ótimo” candidato pra qualquer vaga de emprego…

Então, fica o recado: se tiver que ver algum dos dois filmes do Eastwood sobre a Segunda Guerra Mundial, veja “Cartas de Iwo Jima”. Este sim é um filmaço, muito bom mesmo. Se sobrar tempo, veja “A Conquista da Honra”, mais por motivo de curiosidade. Com certeza, creio que você chegará à mesma conclusão que eu: o primeiro é muito, mas muito mesmo, melhor que o outro.

Santos 1 x 0 América (o sonho acabou…)

É, não deu. Mais uma vez o Santos foi eliminado da Libertadores por ter jogado mal fora de casa. Ano passado, perdeu de 2 a 0 pro Grêmio no Olímpico; depois venceu por 3 a 1 na Vila, resultado insuficiente para ir para a final por causa do golzinho do tricolor gaúcho feito fora de casa. Neste ano, nova derrota por 2 a 0 no jogo fora de casa, esta contra o América do México. Na Vila, 1 a 0 pro Peixe, resultado insuficiente para levar, no mínimo, a decisão pros pênaltis (veja o gol aqui).

Como se esperava, o América veio pro jogo numa retranca absurda e numa cera mais absurda ainda. Normal, eles tinham 2 a 0 de vantagem. O problema é que, apesar da vontade do Santos, o primeiro tempo passou em branco por dois simples motivos: total falta de pontaria do time e ótimas defesas do goleiro Ochoa (que inclusive é da seleção mexicana). 0 a 0 no primeiro tempo, placar bastante preocupante.

No segundo tempo, pressão total do alvinegro praiano. Agora mais efetiva. Aos 16 minutos, na sua primeira jogada, “Michael Jackson” Quiñonez fez uma ótima jogada pela direita e cruzou para Kléber Pereira encubrir o goleiro. 1 a 0 e mais 30 minutos para marcar um golzinho salvador. 30 minutos de esperança que foram desperdiçados pelo Santos na maior.

Digo desperdiçados porque o time caiu naquelas de ficar brigando com jogador do time mexicano e, obviamente, os caras adoraram isto. Além deste fato, o Santos acabou sendo pouco efetivo. Chutes tortos, cruzamentos tirados facilmente pela zaga do América. Enfim, em 30 minutos, apenas um lance perigoso – um chute lindo de Molina que tirou casquinha da trave. Insuficiente para levar o jogo para os pênaltis.

É complicado explicar a eliminação do Santos do torneio que eu mais aprecio durante o ano – acho o Campeonato Brasileiro um porre e digo, com todas as letras, que a competição só me interessa se o Santos estiver disputando vaga para a Libertadores. Mas, enfim, alguns fatores foram essenciais para a eliminação do Peixe nestas quartas-de-final (e isso apesar do time ser melhor que o América): ter deixado o Cabañas livre, leve e solto lá no México pra fazer dois gols (hoje marcaram ele com dureza e o cara não jogou nada); ter sido muito ansioso no jogo da Vila, perdendo alguns gols e precipitando muitas jogadas que não dariam em nada; e, por último mas não menos importante, o golzinho anulado pelo senhor Héctor Baldassi lá no México. Se este gol tivesse valido, o placar teria sido 2 a 1 pro América e este 1 a 0 do Santos em casa o teria classificado.

Porém querer que juiz não erre na Libertadores quando você joga fora de casa é impossível. O gol lá foi aos 45 do segundo tempo e eu duvido que qualquer um destes árbitros sul-americanos da atualidade validaria o gol perante 100 mil mexicanos. Não adianta chorar por causa disso: Libertadores é assim e se você não gosta, dispute a Copa do Brasil.

Louvável a luta e dedicação do time hoje (ah se tivessem feito isso no México…), mas isto só não basta. Futebol é inteligência, calma, tática, técnica. Coisas que o Santos ficou devendo na partida de hoje.

Dada a saída do Santos, a cobertura da Libertadores não será mais feita com tanto afinco aqui no “A Volta…”. Mesmo assim, as partidas da semi-final do torneio foram definidas e são as seguintes:

  • FLUMINENSE x BOCA JUNIORS: verdadeira final do torneio na opinião de 10 em cada 10 pessoas que entendem de futebol. Serão dois jogaços porque as duas equipes são altamente técnicas e talentosas. Acredito que dará Boca porque o time é bem calejado na Libertadores, porém a garra que o Flu mostrou ontem pode ser um indício de que o clube está incorporando o espírito do torneio. Digo o seguinte recado pro tricolor carioca: pra ganhar do Boca, tem que jogar duas partidas de gala. Não adianta jogar bem fora de casa e achar que resolve a parada depois no Maraca. O Boca não tá nem aí pra estádio lotado e torcida contrária. Então a fórmula é jogar pelo empate na Argentina, não entrar de salto alto no jogo do Brasil e vencer a partida daqui. Difícil, mas esta é a magia da Libertadores.
  • AMÉRICA x LDU: pra mim, Flamengo e Santos vacilaram muito e deixaram o América chegar até onde chegou. Apesar da classificação sofrida da LDU (conseguida nos pênaltis, contra o San Lorenzo), boto fé neles contra o time mexicano. O time equatoriano é mais técnico e, se conseguir um resultado razoável no México, classifica-se em casa. No entanto, pra mim, esta semi-final só serve pra decidir quem será vice-campeão. A disputa de verdade tá na outra chave.

É isso. Agora é esperar pela Libertadores 2009. Se tudo der certo, que o Santos esteja lá. E de preferência com um time reforçado e competitivo. Mas até o fim do Brasileirão ainda tem muita água pra rolar…

“15 Minutos”, uma boa revelação da TV

Alguém aí já viu o programa “15 Minutos”, da MTV? Pô, é uma das boas novidades da TV agora em 2008. Tá certo, é uma das poucas novidades da TV em 2008. Tá, tá bom. Talvez seja a única novidade da TV em 2008. Ficou bom assim?

A TV brasileira (e aí incluo a MTV) está se valendo de clichês para formatar os programas novos que são lançados. Deste modo, na atualidade, todos os programas novos são, de forma geral, velhas fórmulas muitas vezes já gastas. Por isso que a TV a cabo vem crescendo absurdamente. Não que a criatividade aí seja algo excepcional, mas é que da TV aberta a galera já vem se cansando há algum tempo.

É por isso que um programa como “15 Minutos” desperta a nossa atenção. Como ele funciona? Bem, o programa realmente tem 15 minutos (vai ao ar de segunda à quinta, sempre às 21h45) e é apresentado por um stand-up comedy (aqueles caras que ficam sozinho no palco, pegando qualquer assunto que vem à cabeça para fazer piadas para uma platéia, tipo o Seinfeld) chamado Marcelo Adnet. Mas ao invés de um palco, o cenário é o que seria o quarto do rapaz – como todo bom quarto de homem, bagunçado pra caramba…

Aí tem o amigo dele, o famoso Quiabo, que aparece de máscara e faz algumas “intervenções” muito engraçadas. Adnet fica fazendo piadas sobre qualquer assunto, lê e-mails do público, conversa com Quiabo e, nesse ritmo, quando você menos percebe, 15 minutos passaram voando. Porém você riu e se divertiu pra caramba com as palhaçadas ali existentes.

Só pra vocês terem uma noção da versatilidade do Adnet e de quão legal é o programa, vou colocar um vídeo abaixo no qual o Adnet imita o Sílvio Santos (dã, qualquer imitador faz isso!), porém cantando “Sweet Child O’Mine”, do Guns n’Roses. Muito engraçado! Vejam também este bloco inteiro do programa onde o Adnet propõe que usemos mais a segunda pessoa na língua portuguesa, depois mostra a coletânea com os maiores sucessos do “15 minutos” (tem uma imitação do José Wilker cantando o “Créu” que é hilária), depois ele lê alguns e-mails… E assim o programa vai indo.

Criatividade é isso aí! Então assistam ao vídeo abaixo e ao que linkei acima e, se conseguirem, vejam o programa na MTV. Vocês darão algumas boas risadas, garanto!

Revolucionário nas telas

Este ano a cobertura do festival de Cannes pela imprensa tá uma beleza. Toda reportagem que eu vejo é pra falar que tal ou qual filme “causou” por lá. E as celebridades desfilando pelo “tapete vermelho” então? Aí tem de tudo. Mike Tyson, Maradona falando abobrinha, Angelina Jolie de barrigão, Madonna e Sharon Stone abraçadas, Monica Bellucci deixando os marmanjos babando…

É por isso que nem comentei muito das reportagens da imprensa sobre os filmes de Cannes. Acho que os repórteres/colunistas que vão pra lá se deslumbram bastante com o fato de fazerem parte de uma “elite” que vê os filmes antes que a galera comum… nisso, aspectos interessantes sobre tal ou qual filme perdem-se na cobertura que é feita.

Mas, enfim, ontem estreou por lá o filme “Che”, do Steven Sonderbegh (diretor de “Traffic” e “Onze homens e um segredo”). Li numa matéria do UOL que o diretor adotou uma fórmula fria para tratar do revolucionário argentino, porém o fez de uma maneira que mostra grande admiração pela figura de um dos líderes da revolução cubana. Até me animei para colocar o filme na minha lista – tenho grande interesse pela figura de Guevara -, mas aí li o seguinte na matéria:

São poucas as cenas realmente inspiradas, como a do soldado boliviano encarregado de vigiar Che quando ele vai preso, que se mostra muito curioso sobre a situação em Cuba – um potencial revolucionário que teve medo de “enfrentar o sistema”. Mas é pouca coisa para as longas quatro horas e meia.”

Como assim, quatro horas e meia? Pô, o Sonderbegh quis fazer um novo “Os dez Mandamentos”? Desanimei na hora… assistir a um filme com esta duração é impossível. Xinguei o Peter Jackson até dizer chega porque o “King Kong” tinha 3 horas de duração, imagina estão este filme do Sonderbegh! E o pior: botaram um puta ator para representar o Che – o Benício del Toro. Ou seja, estaria perdendo algo bacana…

Mas aí foi só eu ir pra uma matéria do Estadão sobre o mesmo filme para ler o seguinte:

No circuito de cinema, a primeira metade do longa será lançada em outubro. A segunda, chega às telas em novembro. Fruto de um trabalho de pesquisa que durou sete anos, a primeira parte conta desde toda a formação do exército revolucionário cubana até a tomada do poder por Fidel e Che, depondo o então líder cubano, e ditador, general Fulgencio Batista.

A segunda parte revela todos os passos de Che após a tomada de Cuba, quando embarcou para a Bolívia a fim de dar continuidade ao plano de transformar a América Latina em um território livre. Che encontra na Bolívia muito mais que a resistência do governo vigente. Encontra também um povo ignorante (no sentido estrito da palavra) que, como ele bem define, “acreditava em mentiras” e não apoiou sua presenças e a de suas tropas revolucionárias como o povo cubano havia aprovado anos antes. Sem apoio popular e encurralado pelos perseguidores, Che e seu exército de guerrilha perecem em um território hostil.”

Ah, bom… este é o tipo de informação que é relevante para uma pessoa comum, como eu e você, caro leitor. Não será um filme de 4h30, mas dois de 2 horas e alguma coisa… Praticamente um “Che 1″ e um “Che 2″, por assim dizer. Triste vai ser gastar DOIS ingressos de cinema para acompanhar a saga do revolucionário… Será que não dá pra colocar numa sessão “pague 1, leve 2″? Não? Ah, então é esperar chegar nas locadoras, né?

Tomara que “Che” não desande como ocorreu com “Diários da Motocicleta”, de Walter Salles Jr. O filme do diretor brasileiro foi bom até perto da parte final. Mas aí depois ocorreu um “endeusamento” do Che atravessando aquele rio de noite e o negócio degringolou… Sei lá, não gostei. Acho que se o filme tivesse tomado contornos mais suaves, teríamos saído dali com uma impressão um pouco mais realista da juventude do Che. E, conforme li no livro “Che - a vida em vermelho” (Jorge Castañeda), o perfil revolucionário do personagem estourou mesmo foi no México, quando conheceu os irmãos Raúl e Fidel Castro.

Aliás, tenho certeza que o filme trará muita discussão por causa do atual contexto político de Cuba. Isto apesar do fato de que a participação dos irmãos cubanos é mínima (pelo menos vi isto nas matérias linkadas acima). Se for verdade, é uma pena. A influência de ambos na formação política e revolucionária de Che é vital e transformadora. Talvez isto merecesse uma atenção bem grande por parte do filme.

Aguardemos então mais esta obra. Provavelmente ele será muito falado no Brasil não por causa da história mas sim pela participação de Rodrigo Santoro no papel de Raúl Castro. Até já imagino a capa da “Caras” estampando uma foto marota do rapaz com os seguintes dizeres: “Santoro: sucesso brasileiro em Hollywood”… Vai ser duro ver esta cobertura fofoqueira do filme do “Che”… 

Libertadores: Boca e Flu (que sufoco!) nas semi-finais

Plantão da Libertadores, o torneio mais difícil do mundo! Hoje dois semi-finalistas foram definidos na competição: Boca Juniors e Fluminense. Por causa da obrigatoriedade do confronto entre times do mesmo país nas semi-finais, os dois se enfrentarão caso Santos (bate na madeira três vezes!) e San Lorenzo não se classifiquem amanhã.

Sobre o Boca eu já tinha cantado a bola na semana passada. O Atlas (México) tinha conseguido um ótimo empate em 2 a 2 com o time argentino fora de casa. Aí se animou, esquecendo-se que estava enfrentando ninguém mais ninguém menos que o Boca. Resultado: tomou um pipoco em casa. 3 a 0, 3 gols de Palermo (um deles de cobertura), com grande atuação de Riquelme. Tão deixando, o Boca tá chegando…

Na outro jogo das quartas-de-final de hoje, emoção absoluta. Eu tinha dito que apostava no São Paulo, mas achava que o equilíbrio era muito grande entre o sistema defensivo do tricolor paulista e o sistema ofensivo do tricolor carioca. Bem, deu Fluminense. 3 a 1, num jogo emocionante! Vejam como foi a história desta disputa.

O São Paulo havia vencido o jogo de ida por 1 a 0. O Fluminense precisava vencer por dois gols de diferença para se classificar. Sabendo disso, o time carioca partiu pro ataque desde o início, e, aos 12 minutos, Washington, aproveitando sobra da zaga, abriu o placar. O Flu até foi melhor no primeiro tempo, mas o placar ficou nisso mesmo.

No segundo tempo, o São Paulo melhorou bastante com a entrada de Aloísio e começou a levar bastante perigo ao gol de Fernando Henrique, do Flu. Aos 25, veio o resultado. Jogada bonita de Aloísio pela esquerda, cruzamento perfeito para Adriano e gol do tricolor paulista. 1 a 1, resultado que classificava o São Paulo. O Flu precisaria de dois gols para avançar na competição.

No minuto seguinte, em linda troca de passes, Dodô finalizou por baixo das pernas de Rogério Ceni. 2 a 1 pro Fluminense! A partir daí, pressão total do time carioca. Joílson é expulso no time do São Paulo, o Flu tenta várias vezes em chutes fora da área mas não consegue fazer o gol, o tempo vai passando… até que, aos 47 do segundo tempo (isso mesmo!), Washington “Coração Valente” aproveita o escanteio e, de cabeça, faz 3 a 1 pro tricolor carioca! Flu nas semi-finais da Libertadores!

A partir daí, foi uma festança do time do Rio. Choradeira pra lá, choradeira pra cá, o treinador Renato Gaúcho sentado no meio do gramado olhando pro vazio… Comemoração merecida! Classificação assim é digna e típica de Libertadores – por isso é que este é torneio mais difícil do mundo!

Amanhã o sofrimento é com o meu querido Santos! 3 a 0 contra o América do México e não se fala mais nisso, ok?

Copa dos Campeões: Manchester campeão!

“1, 2, 3, o Chelsea é freguês!”. Este hino poderia ser cantado numa boa pela torcida do Manchester hoje. Depois de ter ganho o Campeonato Inglês por uma diferença pequena sobre o Chelsea, os Red Devils ganharam mais um confronto em cima dos Blues: desta vez foi a Liga dos Campeões 2008. Como ocorreu no Inglês, a disputa foi acirrada e o jogo, emocionante (veja os gols e os pênaltis da partida aqui).

No primeiro tempo, Cristiano Ronaldo aproveitou cruzamento bem feito e fez um 1 a 0 pro Manchester. O time do Chelsea parecia morto e todos davam como certo este placar para o segundo tempo, mas Lampard, aos 45 minutos, empatou a partida aproveitando uma sobra de bola com muito oportunismo.

Daí pra frente houve muito equilíbrio no duelo e o empate em 1 a 1 persistiu durante o tempo normal e a prorrogação. A decisão, então, foi feita nos pênaltis.

Este foi o momento mais emocionante do jogo. Na terceira cobrança do Manchester, o artilheiro Cristiano Ronaldo quis fazer paradinha na cobrança e acabou entregando o ouro pro goleiro Peter Cech, do Chelsea (aliás, o muleque português podia tomar umas lições com o Romário de como se faz paradinha para cobrar pênalti, que tal?).

O Chelsea chegou na última cobrança da série normal precisando fazer o gol para se sagrar campeão. Na cobrança, Terry – jogador experiente, capitão da seleção inglesa algumas vezes… E não é que o cara escorregou na hora de bater o pênalti? Tudo bem que tava chovendo, mas o negócio foi feio… o cara caiu de bunda no chão! Hilário!

Aí o Manchester voltou a respirar nas cobranças alternadas. Depois da segunda série, Anelka tinha que converter o pênalti para empatar a disputa para os Blues. Mas o experiente goleiro Van der Sar voou no canto certo e pegou a cobrança! MANCHESTER CAMPEÃO DA CHAMPIONS LEAGUE 2008, NO SUFOCO!

Alguns detalhes interessantes:

  • Carlitos Tevez bateu muito bem seu pênalti; os brasileiros Anderson (Manchester) e Belletti (Chelsea) entraram no fim da partida só para cobrar as penalidades e não decepcionaram: ambos fizeram os gols;
  • Cristiano Ronaldo está se revelando um Palermo de luxo (Palermo é o atacante do Boca que, não se sabe até hoje como, perdeu três pênaltis num só jogo): faz uma porrada de gol de cabeça, é raçudo, provoca os adversários, mas mande ele cobrar um pênalti e aí você terá uma decepção (Cristiano já havia perdido um pênalti decisivo, nas semi-finais da Liga, contra o Barcelona);
  • o Manchester foi campeão do torneio de forma invicta: nove vitórias e quatro empates;
  • esta é a década da decisão por pênaltis da Liga dos Campeões: o torneio foi decidido desta forma em 01 (Bayern de Munique, campeão, contra Valencia), 03 (Milan campeão em cima da Juventus), 05 (Liverpool campeão contra o Milan) e agora 2008.
  • não sei o que aconteceu com o meu palpite: tinha certeza que havia escrito que o Manchester ganharia, mas agora, lendo o post anterior sobre a final, vi que apostei na vitória do Chelsea… tsc, tsc, males da idade! Enfim, vale o que está escrito: apostei errado, admito aqui, ok? :)

30 Seconds to Mars, Paramore e Silverchair

Mais um post multiuso. Prometi a mim mesmo que quando eu dissesse a frase “música boa era a que existia na minha época“, definitivamente eu estaria velho. Como não quero ficar com este rótulo, fui procurar alguma coisa legal que estivesse rolando no mundo musical da atualidade – e que esteja fazendo sucesso entre a pivetada, obviamente. Ainda não consegui engular o tal do hip-hop (isso é o que está bombando na atualidade) e, tirando o rock, tudo o que sobra é coisa de velho. Então, vamos ao rock’n'roll mesmo e vejamos o que aparece (detalhe: tem que ser sucesso – não vale cd novo do Maiden, do Ozzy, do Deep Purple… esses aí a molecada nem sabe que foram lançados!).

(i) 30 SECONDS TO MARS, “A BEAUTIFUL LIE”

A bandinha emo do Jared Leto (ator coadjuvante de “O Senhor das Armas” e “Clube da Luta”, protagonista do ótimo “Réquiem para um sonho”) é barulhenta e chorona até dizer chega, mas faz uns videoclipes bonitos. Este “A Beautiful Lie” chama a atenção para o aquecimento global e, se não me engano, foi gravado na Groelândia. A fotografia é muito boa, a música gruda que nem chiclete depois que você a ouve e o sucesso deles é grande pra caramba. Perfeito então para que você se atualize sobre as músicas de agora, não? Então confira aí.

(ii) PARAMORE, “MISERY BUSINESS”

Banda com vocal feminino é outra coisa, hein? O Paramore tem aparecido bastante nas paradas, principalmente na MTV. E não é que a banda toca bem, rapaz? Sei lá, tem um estilo meio hard rock meio pop rock, com uma vocalista poderosa… fique aí então com o maior sucesso recente deles, “Misery Business”. Se tiver com tempo, confira “crushcrushcrush” (bacana também!).

(iii) SILVERCHAIR, “STRAIGHT LINES”

Eles nem são tão novos assim (têm mais de 12 anos de estrada), mas mudaram tanto, mas tanto, que eu nem digo que foi uma mudança, foi uma revolução mesmo! Pra você que tava acostumado com os adolescentes revoltados do meio dos anos 90, ver o vídeo abaixo vai ser uma surpresa e tanto… Os caras do Silverchair (agora adultos) resolveram ir pruma linha mais sossegada, com muita influência da época “piano” dos Beatles. E o engraçado é que resolveram chamar este disco que traz uma quebra absurda na carreira do grupo de “Young Modern”, vê se pode! Eles até trazem a agonia dos teenagers de hoje nas músicas, mas o ritmo tá indo noutra direção. Enfim, de cara não gostei muito, mas ouvindo um pouco mais com atenção, até que estou curtindo o álbum dos australianos. O maior hit do disco (que está fazendo um sucesso razoável lá fora, mas nem aparece aqui no Brasil) é “Straight Lines”, cujo clipe aparece abaixo.

E aí, gostou das dicas? Bem, se não gostou e falou a frase “música boa era a que existia na minha época“, caro amigo, você envelheceu. A diferença entre você e eu é que eu ainda não admiti isso (hehehe).

P.S.: é impressão minha ou podemos caracterizar a década de 80 como a da alegria brega e besta, a de 90 como a depressiva e os anos 2000 como os ultra-depressivos (pelo menos no mundo do rock)? Rapaz, só tem música triste rolando neste estilo…

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