Alguns anos realmente são enigmáticos para a história do mundo. Diria que 1968 vai além desta definição pois ele é polêmico. Creio que ninguém discuta a importância de 68 para a atual conjuntura mundial que vivemos e, neste ponto, ele é um ano chave para entendermos o mundo de hoje. Porém, para alguns, esta importância é maléfica e responsável por toda a degradação existente nos dias atuais.
É por isso que, torcendo o nariz para ou louvando este ano, você tem que admitir que ele (ainda) não acabou.
Durante os próximos meses, pretendo publicar uma série de posts sobre 1968, ressaltando vários aspectos dele. Por que simplesmente não faço um dossiê único e fim de papo? Bem, porque eu mesmo não sei de tudo que ocorreu naquele ano. Pretendo aprender aos poucos e chamo os leitores interessados a aprendermos juntos; quem souber das coisas sobre as quais falarei, pode contribuir mais ainda, através de comentários, textos, etc.
De cara, trago pra vocês duas dicas:
(i) O Idelber, do Biscoito Fino e a Massa, fez um post sobre maio de 68 com dois links: um do texto de Alan Pauls sobre este mês “chave” e outro com o caderno especial da Folha de São Paulo que saiu ontem. O texto de Pauls é pequeno porém bem interessante. Logo no início, ele já resume tudo sobre o que falará posteriormente:
Grosso modo, los 40 años de Mayo del ’68 han producido tres reacciones:
1) “Mayo del ’68 es responsable de todos los males que vivimos hoy: falta de autoridad, relativismo absoluto, crisis de valores”;
2) “Mayo del ’68 es responsable de todas las conquistas de las que puede jactarse el presente: pluralismo, derechos de las minorías, laicismo, antiautoritarismo”;
3) “Mayo del ’68 tuvo cosas geniales y cosas estúpidas”.
La peor, la más mediocre, conformista, ignorante y reaccionaria, es por supuesto la tercera”.
Mais do que falar sobre maio de 68, o texto comenta sobre as análises que fazemos deste mês. Vão lá e leiam pois o texto é bem escrito e, mais do que tudo, curtíssimo (pra quem não tem tanto tempo…).
(ii) O GloboNews, apesar de ser da rede Globo, é um canal que tem um acervo fantástico de imagens e programas espetaculares – a saber, “Milênio”, “Sarau” e “Arquivo N”. Este último programa está fazendo uma série de especiais sobre 1968, inclusive com um blog na internet com textos sobre este ano. Bem bacana. Dentro do blog tem os links pros programas que já foram ao ar: o primeiro, “Somos jovens e queremos mudar o mundo”; o segundo, cujo título é “Quando a rua faz história”; e o terceiro, o qual eu vi ontem e achei muito bom, “Quando as diferenças fazem a história”. Este último programa fala sobre o movimento pelos direitos civis nos EUA e sobre o feminismo, trazendo entrevistas com mulheres que participaram desta luta. Se eu pudesse lhe recomendar algo, seria o seguinte: mantenha este blog do Arquivo N nos favoritos por um tempo e vá acessando de pouco em pouco tudo que tem por lá. Assista aos programas pela internet (eu, por exemplo, dificilmente consigo me programar para ver pela TV) pois eles são, por assim dizer, a “jóia da coroa” do dossiê GloboNews. Beleza?
Pronto. Já dá para começar a entender um pouco mais sobre este ano que (ainda) não acabou.

Pô, excelente post, mestre! Valeu pelas dicas, vou ver os programas e ler os textos. Vou colocar algumas coisas no NPTO também, pode deixar que eu aviso.
Fiquei curioso com o cara dizendo que o cara que acha que teve coisas geniais e coisas estúpidas é um bosta. Pô, eu achava isso
)
NaPrática, o Pauls explicita um pouco mais a idéia no texto. Acho que a briga dele é com as pessoas que têm uma atitude desdenhosa com relação a 68, meio que jogando este ano na vala comum da humanidade. Algo como perguntar a alguém: ‘o que você acha de 68?’, ‘ahn, normal, teve coisas boas, teve coisas ruins, mais um ano passou…”.
Entonces não se sinta um bosta!