Arquivo para Maio 9th, 2008

Nascido para matar

Continuando com a série de filmes do Kubrick (os quais venho assistindo aos poucos), ontem vi “Nascido para matar” (“Full Metal Jacket”, 1987, EUA). Apesar de dizer que minha série de violência estava encerrada esta semana depois que vi “Mr. Vingança”, resolvi ver o filme do Kubrick para adicionar mais um dele na minha galeria.

Pô, ainda bem que fiz isso pois apesar de eu considerar que “Nascido para matar” não é brilhante nem prendeu tanto a minha atenção quanto “O Iluminado” ou “Laranja Mecânica”, o filme é bom. Não é o “melhor filme de guerra já feito” como anuncia o cartaz que coloquei ao lado – aliás, sei lá qual foi o melhor filme de guerra já feito, mas não apostaria em “Nascido…” -, mas é um filme acima da média. E bem dirigido (pô, “it´s Kubrick, stupid!”).

A história é mais ou menos a seguinte. O filme é sobre a guerra, mas metade dele (aproximadamente) se passa num campo de treinamento dos fuzileiros navais dos EUA. Esta parte do filme acompanha a chegada de um bando de pivetes imberbes que realmente se transformam no treinamento pesado que sofrem para posteriormente combaterem no Vietnã. Aliás, esta parte tem algo bem interessante: todos os diálogos não são conversas, mas sim berreiros. É, é verdade. A gente acompanha o sargento Hartman gritando a todo momento com os moleques e ouvindo de respostas mais gritos: “VOCÊ É UM MARICAS, SOLDADO?”, “SIM, EU SOU, SENHOR”… E assim os “diálogos” vão ocorrendo em “alto nível”…

Todos os muleques recebem apelidos – dados por Hartman – conforme suas personalidades. Um deles, chamado Hilário (no original, Joker), nos narra algumas coisas que acontecem e parece ser o cara mais sereno no meio daquela bagunça (ele até dá umas tiradas no sargento, taí a explicação para a origem do seu apelido). Outro deles a gente já percebe que vai fazer uma merda enorme em algum momento: trata-se de um gordinho apelidado “Gomer Pyle” que é toda vez achincalhado pelo sargento pois não consegue fazer nenhuma atividade. É tratado como um “bosta”, resumindo a história. Porém esse cara vai ficar bem pirado com esse papo e entrará numa neura de virar “máquina de guerra”, aí já viu né…

A segunda parte já mostra a pivetada no Vietnã. Hilário vira correspondente de guerra no front (correspondente oficial dos fuzileiros navais, diga-se de passagem) e continua achando aquilo tudo uma verdadeira piada – o cara tem no capacete a mensagem “Nascido para matar” e na jaqueta um broche com o símbolo da paz… dicotômico, não? Até que, de tanto encher o saco, ele é escalado pra cobrir a batalha de Hue, onde reencontra um amigo de treinamento – Cowboy – e uma trupe de soldados totalmente distintos (do psicótico “Animal” ao sossegado “Bola Oito”). Aí ocorre a única “batalha” pormenorizada do filme.

Ou seja, apesar de falar sobre a guerra, “Nascido para matar” não é um filme inteiro de guerra. Ele trata mais da mudança que ela ocasiona nos indíviduos treinados e que vão ao front para lutar. São caras normais na sua maioria mas que viram elementos “nascidos para matar” ao longo da caminhada que percorrem antes e durante a guerra. Isto é fantástico pois você fica esperando explosões, tiros, táticas, drama, etc, e tudo isto só ocorre num momento propriamente dito do filme.

Só creio que não achei o filme ótimo ou excelente por causa do meu gosto pessoal por filmes de guerra. Não gosto muito deste gênero; a guerra já é uma estupidez atroz, ficar revivendo-a no cinema não me soa tão bem. Mas mesmo assim reconheço quando um filme do gênero é bem feito. E “Nascido para matar” o é. Então, mais um filme recomendado aqui para vocês.

Tem mais: o Kubrick ainda botou “Paint it black” do Rolling Stones pra tocar no final… pô, excelente escolha, muito bem mandada (aliás, a parte musical dos filmes do Kubrick são espetaculares…).

Continuarei vendo a série de filmes deste diretor, mas agora darei um tempo bom até ver o próximo. Num intervalo de um ano, já vi 4 filmes do cara (incluindo os mais apreciados)… tá bom por enquanto, né? :)

Libertadores: definidas as quartas!

Depois da fácil vitória do Santos sobre o Cúcuta da Colômbia fora de casa, todos os 8 times que disputarão as quartas-de-final da Libertadores foram definidos. Eu acertei quase todos os classificados (o que é uma pena, pois torci para o Cruzeiro contra o Boca Jrs. mesmo acreditando que este se classificaria numa boa), porém duas zebras aconteceram e meio que turvaram os caminhos desta Libertadores: o Flamengo, que já tinha vaga praticamente garantida, conseguiu perder por 3 a 0 pro América do México em casa. Até agora não sei como isto ocorreu e a única explicação que me vem à cabeça é “salto alto”. COMO É QUE UMA EQUIPE CONSEGUE GANHAR POR 2 GOLS DE DIFERENÇA FORA DE CASA NA LIBERTADORES E PERDE POR 3 DE DIFERENÇA EM CASA? É falta de vergonha na cara.

A outra zebra, não tão dramática mas também absurda, foi o River Plate ter sido eliminado pelo San Lorenzo. Olhem só o que aconteceu: no primeiro jogo, o San Lorenzo ganhou por 2 a 1 em casa do River (o que já é uma surpresa pois o San Lorenzo é um timinho ruim de bola). No segundo jogo, o River ganhava por 2 a 0, COM UM JOGADOR A MAIS, e, em 45 minutos, o San Lorenzo conseguiu empatar o jogo, em pleno Monumental de Nuñez! Faltou raça ao River, obviamente…

Antes de eu dizer quais são os confrontos das quartas, já exponho à vocês que, dada a eliminação do Cruzeiro, não há mais chance de haver uma final brasileira do torneio. Isto porque apesar de Fluminense/São Paulo e Santos estarem em chaves diferentes, o confronto será forçado entre times brasileiros (se o Santos se classificar) nas semi-finais. Triste isso… Bem, vamos aos confrontos (e aos meus costumeiros palpites):

  • BOCA JRS x ATLAS: deixaram o Boca se classificar na primeira fase no sufoco, agora aguentem. Contra o Atlas, não tenho dúvida. A diferença é só saber se o Boca ganhará os dois jogos… (o time mexicano é horrível, não consegui ver um momento de brilhantismo deles até agora).
  • SÃO PAULO x FLUMINENSE: equilibradíssimo este duelo! Vai ser o confronto entre o sistema defensivo acertado do tricolor paulista (Rogério Ceni, Miranda, Alex Dias, Hernanes, Richarlyson… os caras atuam muito bem e fizeram com que o São Paulo só levasse 4 gols em 8 jogos) + a jogada aérea forte deles (quase todos os gols do São Paulo saíram deste tipo de jogada) contra o sistema ofensivo do tricolor carioca (Conca, Thiago Neves, Washington, Dodô… não é à toa que o Flu é um dos melhores ataques do torneio). Não sei o que ocorrerá, mas se for apostar em alguém, este alguém seria o tricolor paulista, pois é um time mais copeiro, tá com um espírito maior de Libertadores… mas, sei lá, classificado com um empate e uma vitória magra, no máximo.
  • SAN LORENZO x LDU: a LDU tá comendo pelas beiradas e tão deixando eles chegarem de novo. Aposto neste time pois o San Lorenzo só vai pra frente na base da garra e da porrada. Uma hora um time mais habilidoso e com a cabeça no lugar ganha deles e este time pra mim será a LDU.
  • AMÉRICA (MÉXICO) x SANTOS: apesar do que o América fez com o Flamengo (muito mais por demérito deste do que por mérito daquele), aposto no Santos – eliminamos o time mexicano nas quartas ano passado e vamos fazer isso de novo. Isto não é nem palpite, é torcida mesmo!

Se meus palpites estiverem certos, teríamos de semi-finais os seguintes jogos: Santos x São Paulo (por causa do cruzamento forçado entre times do mesmo país) e Boca Jrs. x LDU. Olha, arrisco a dizer que, com toda a lambança que fizeram na primeira fase, colocaram o Boca na final do torneio sem querer. Senão, vejamos: pegou o Cruzeiro nas oitavas e, apesar da habilidade do time mineiro, o Boca é muito mais copeiro; agora pega o Atlas nas quartas, ou seja, um dos piores times que chegou nesta fase. Se o Santos se classificar, o Boca vai pegar ou LDU ou San Lorenzo, e pra mim ele ganha fácil dos dois. Aí só um brasileiro pra fazer frente pra eles na final. Quem será: SANTOS, SÃO PAULO OU FLUMINENSE? Bem, vocês já sabem pra quem eu tô torcendo, não? :)

Cúcuta 0 x 2 Santos (que venha o América!)

Foi tão fácil que comecei até a ficar esperançoso com o Santos nesta Libertadores. 2 a 0 no Cúcuta, fora de casa, na tranquilidade, com inúmeros gols perdidos, sem pressão do adversário. Melhor do que eu esperava. Aliás, só dois times venceram os dois jogos das oitavas: Boca Jrs. e Santos (Mentira! O Fluminense também venceu! Antes dos tricolores reclamarem, tá feita a correção). Lembrem-se que ambos se classificaram no sufoco na primeira fase. Mera coincidência?

Deixemos as especulações de lado. O jogo foi fácil porque o Santos fez o jogo ficar fácil. Não, não é prepotência. Eu já tinha dado a receita do bolo na semana passada: é jogar fechado e explorar os contra-ataques. Notem que isto é bem diferente de jogar recuado (o que, na Libertadores, é pedir pra perder). O Santos jogou certinho, desse jeito. O Leão armou o time no 4-4-2 (graças a Deus ele não veio com o famigerado 3-5-2) e o alvinegro praiano foi senhor do jogo, apoiando-se na vantagem que tinha construído em casa.

Logo aos 10 segundos de jogo, fulminante assim, o Santos já teve a primeira chance. Depois mais três (isto agonia o torcedor, pois já vem aquele ditado na cabeça: “quem não faz, toma…”). Mas aos 40 do primeiro tempo, após linda tabela de Molina, Kléber Pereira e Marcinho, este chutou pro gol; grande defesa do goleiro, mas no rebote Kléber Pereira pegou de primeira e abriu o placar. 1 a 0.

O time colombiano voltou do intervalo precisando fazer 4 gols pra se classificar. Aí o Santos acabou com a alegria deles aos 7 minutos: contra-ataque fulminante, Molina toca pra Kléber Pereira e este para Lima, que fuzila sem dó. 2 a 0 – agora o Cúcuta precisaria fazer 5 gols pra se classificar. Aí os caras entregaram os pontos. O Santos teve mais umas 7 chances de gols, mas o placar não se alterou.

Como disse o volante Marcinho Guerreiro ao site do Globo Esporte: “Tão deixando a zebra chegar…”. Pois é. O alvinegro poderia ter um duelo nacional contra o Flamengo mas o rubro-negro fez-me o favor (e a pataquada, convenhamos) de perder, EM CASA, por 3 a 0 para o América do México. Agora, por causa disso, o Santos vai ter que viajar até lá, pra depois decidir a vaga em casa… Ou seja, fazendo tudo direitinho, é um confronto ótimo pra chegar às semi-finais.

Semana que vem estaremos todos no México. Receita pro jogo: fazer a mesma coisa de ontem. Fechar espaços e aproveitar contra-ataques. Pode jogar com três volantes mesmo, que nem foi feito ontem. O trio Molina – Kléber Pereira – Lima se movimentou muito bem na frente mesmo assim. É trazer o empate (de preferência, com gols) ou até uma vitória magra pra casa e sacramentar a classificação no caldeirão da Vila. E jogar mais crise pro América que, segundo consta, está passando pelo pior momento da sua história…


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