Nascido para matar

Continuando com a série de filmes do Kubrick (os quais venho assistindo aos poucos), ontem vi “Nascido para matar” (“Full Metal Jacket”, 1987, EUA). Apesar de dizer que minha série de violência estava encerrada esta semana depois que vi “Mr. Vingança”, resolvi ver o filme do Kubrick para adicionar mais um dele na minha galeria.

Pô, ainda bem que fiz isso pois apesar de eu considerar que “Nascido para matar” não é brilhante nem prendeu tanto a minha atenção quanto “O Iluminado” ou “Laranja Mecânica”, o filme é bom. Não é o “melhor filme de guerra já feito” como anuncia o cartaz que coloquei ao lado – aliás, sei lá qual foi o melhor filme de guerra já feito, mas não apostaria em “Nascido…” -, mas é um filme acima da média. E bem dirigido (pô, “it´s Kubrick, stupid!”).

A história é mais ou menos a seguinte. O filme é sobre a guerra, mas metade dele (aproximadamente) se passa num campo de treinamento dos fuzileiros navais dos EUA. Esta parte do filme acompanha a chegada de um bando de pivetes imberbes que realmente se transformam no treinamento pesado que sofrem para posteriormente combaterem no Vietnã. Aliás, esta parte tem algo bem interessante: todos os diálogos não são conversas, mas sim berreiros. É, é verdade. A gente acompanha o sargento Hartman gritando a todo momento com os moleques e ouvindo de respostas mais gritos: “VOCÊ É UM MARICAS, SOLDADO?”, “SIM, EU SOU, SENHOR”… E assim os “diálogos” vão ocorrendo em “alto nível”…

Todos os muleques recebem apelidos – dados por Hartman – conforme suas personalidades. Um deles, chamado Hilário (no original, Joker), nos narra algumas coisas que acontecem e parece ser o cara mais sereno no meio daquela bagunça (ele até dá umas tiradas no sargento, taí a explicação para a origem do seu apelido). Outro deles a gente já percebe que vai fazer uma merda enorme em algum momento: trata-se de um gordinho apelidado “Gomer Pyle” que é toda vez achincalhado pelo sargento pois não consegue fazer nenhuma atividade. É tratado como um “bosta”, resumindo a história. Porém esse cara vai ficar bem pirado com esse papo e entrará numa neura de virar “máquina de guerra”, aí já viu né…

A segunda parte já mostra a pivetada no Vietnã. Hilário vira correspondente de guerra no front (correspondente oficial dos fuzileiros navais, diga-se de passagem) e continua achando aquilo tudo uma verdadeira piada – o cara tem no capacete a mensagem “Nascido para matar” e na jaqueta um broche com o símbolo da paz… dicotômico, não? Até que, de tanto encher o saco, ele é escalado pra cobrir a batalha de Hue, onde reencontra um amigo de treinamento – Cowboy – e uma trupe de soldados totalmente distintos (do psicótico “Animal” ao sossegado “Bola Oito”). Aí ocorre a única “batalha” pormenorizada do filme.

Ou seja, apesar de falar sobre a guerra, “Nascido para matar” não é um filme inteiro de guerra. Ele trata mais da mudança que ela ocasiona nos indíviduos treinados e que vão ao front para lutar. São caras normais na sua maioria mas que viram elementos “nascidos para matar” ao longo da caminhada que percorrem antes e durante a guerra. Isto é fantástico pois você fica esperando explosões, tiros, táticas, drama, etc, e tudo isto só ocorre num momento propriamente dito do filme.

Só creio que não achei o filme ótimo ou excelente por causa do meu gosto pessoal por filmes de guerra. Não gosto muito deste gênero; a guerra já é uma estupidez atroz, ficar revivendo-a no cinema não me soa tão bem. Mas mesmo assim reconheço quando um filme do gênero é bem feito. E “Nascido para matar” o é. Então, mais um filme recomendado aqui para vocês.

Tem mais: o Kubrick ainda botou “Paint it black” do Rolling Stones pra tocar no final… pô, excelente escolha, muito bem mandada (aliás, a parte musical dos filmes do Kubrick são espetaculares…).

Continuarei vendo a série de filmes deste diretor, mas agora darei um tempo bom até ver o próximo. Num intervalo de um ano, já vi 4 filmes do cara (incluindo os mais apreciados)… tá bom por enquanto, né? :)

1 Resposta para “Nascido para matar”


  1. 1 Triplays Sexta-Feira, 25 / Julho / 2008 às 9:10 pm

    gostei da maneira que você teceu seus comentários. acho que por ter uma visão muito parecida com a sua gostei da crítica feita. e cá entre nós, se o cubrick tivesse editado alguns vídeo clipes eles seriam obras de arte. abraço camarada, continue com a saga dos bons filmes do cubrick.


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