É, pois é. O América do México até o início da semana passada vivia a maior crise da sua história. Último colocado do campeonato mexicano, tinha perdido por 4 a 2 pro Flamengo em casa, tava quase eliminado da Libertadores… De repente, depois de fazer 3 a 0 no Flamengo em pleno Maracanã, o time mexicano se tornou a fênix, ressurgindo das cinzas. E hoje deu um grande passo para passar pras semifinais da Libertadores, ao vencer, em casa, o glorioso Santos, por 2 a 0 (veja os melhores momentos do jogo aqui).
Mas coloquemos os pingos nos ‘is’. O América não é esse time todo não. Basicamente ganhou do Flamengo e hoje do Santos por um simples motivo: salto alto. Depois que o Santos conseguiu a vaga pras quartas numa boa (vencendo duas vezes o Cúcuta), chegou no México se achando o rei da cocada preta. Aos 5 minutos de jogo já teve uma chance e aí se sentiu. Esqueceu-se que estava jogando a Libertadores e não o Campeonato Paulista.
Num escanteio despretensioso, a zaga errou toda a marcação e a bola surgiu livre pro gordinho Cabañas (ele de novo), matar no peito e fuzilar Fábio Costa. 1 a 0 pro América. Mas o Santos não acordou depois do gol. Ficou pensando assim: “esse 1 a 0 a gente reverte quando quiser”. Jogou muito mal o resto do primeiro tempo, os jogadores batendo cabeça, enfim, um horror…
No segundo tempo, a mesma atitude passiva. Toquinhos de lado e nada de objetividade. Até que, num lançamento do meio do campo, Cabañas (porra, de novo ele!) mata no peito livre e marca mais um gol. Aí o alvinegro praiano acordou. Foi pra cima, totalmente descoordenado, mas foi. Mas aí já era tarde demais. 15 minutos de pressão não podem mudar os outros 75 mal jogados…
Pra ajudar um pouco mais, aos 45 do segundo tempo, Kléber Pereira fez um lindo gol. Saiu comemorando e tudo. Mas aí o que ocorreu? O “caseiro” juiz Héctor Baldassi anulou o gol legítimo, marcando impedimento. Isso porque o Kléber estava quase meio metro atrás da linha da bola… Mas Libertadores é assim, e por isso é o torneio mais difícil do mundo.
Minha opinião geral sobre o time do América: tão deixando os caras chegar, eles estão chegando. O Santos foi absurdamente passivo hoje. Aceitou a marcação do time mexicano. Não criou lances de perigo. Não foi o time raçudo que tem que ser num torneio como a Libertadores. Ou seja, desfilou de salto alto no México e tomou naquele devido lugar.
Opinião geral do Cabañas: tá certo, vão falar bastante dele porque o cara marcou dois gols contra o Flamengo e hoje mais dois contra o Santos. Mas ele não me engana. É habilidoso e tudo, mas vejam bem, o cara tem 78kg e mede 1,73m (um pouco gordinho, não acham?). E porque ele faz um monte de gol? Fácil, pois dão espaço pra ele. Simples assim. Deixam ele matar a bola, pensar, escolher um canto, chutar… Se ele fosse pra Europa, duvido que durasse um mês em qualquer campeonato de lá. O Santos não marcou o cara e aí ele (digo novamente, livre de marcação) fez dois gols.
A coisa agora ficou feio pro Peixe. Primeiro porque não seguiu a regra de ouro da Libertadores: como os gols fora de casa valem mais do que os marcados em casa, deve-se sempre fazer gol fora de casa. 3 a 1 ou 4 a 2 teriam sido bem melhores que os 2 a 0. Agora, a situação está bem complicada pelo seguinte motivo: se o Santos fizer 2 a 0, teremos pênaltis; se fizer 3 a 0, se classifica direto; agora, se o América marcar um mísero gol, o Santos será obrigado a marcar 4!
Ou seja, semana que vem, o Santos vai ter que atacar muito (pra fazer 2 ou mais gols) e também defender muito (pra não levar nenhum gol). Impossível? Não. Mas vai ter que jogar muito e incorporar o espírito de raça da Libertadores, de preferência marcando a saída de bola do América implacavelmente. E marcando fortemente o Cabañas, obviamente.
Como diria um famoso filósofo de butequim, “o jogo só acaba quando termina”. Vamos torcer muito para que o Santos consiga reverter o resultado. E que o time jogue que nem homem, não que nem uns viadinhos que só ficam tocando de lado a bola, como fizeram hoje…



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