Neste último fim-de-semana, assisti ao filme “A Conquista da Honra” (“Flags of our fathers”, 2006, EUA). Já disse por aqui que não curto tanto assim filmes de guerra, mas a promessa desta obra era a de que teríamos uma visão que enfocasse mais as pessoas e não a guerra em si. Neste caso, o foco recairia sobre os envolvidos nos dois lados da famosa batalha de Iwo Jima (ilha japonesa do Pacífico): os soldados norte-americanos apareceram no “A Conquista da Honra”; os japoneses, no “Cartas de Iwo Jima”.
Ambos os filmes foram dirigidos por Clint Eastwood, com lançamento simultâneo. Por causa do maior frissom que causou na época (disputou inclusive mais categorias do Oscar), assisti à “Cartas…” em 2007. Achei um filme muito bom, principalmente porque mostrou o lado dos perdedores, daqueles que estavam lascados, sem eira nem beira, lutando sabe-se lá pelo quê. Apesar disso, creio que vocês devam dar uma olhada na crítica do dr. vtYojr (cinéfilo mais do que conhecido aqui no “A Volta…”) – cliquem aqui e leiam o texto “Filmes sobre Iwo Jima”.
Quando vi “A Conquista da Honra” neste fim-de-semana, foi impossível não compará-lo com “Cartas…”. Bem, quando fiz isto, cheguei à conclusão que “Cartas…” é bem melhor – “A Conquista…” é um filme, forçando a barra, razoável. Não, não é anti-americanismo não. Eu só acho que o Eastwood acertou mais a mão no filme sobre o lado japonês. Seja pela história, seja pela fotografia, seja pelos personagens (em “A Conquista…” não temos um personagem que chegue perto da imponência do general Kuribayashi ou do atrapalhado “padeiro soldado” Saigo).
Senão, vejamos. Basicamente em “A Conquista…” temos a história de 6 muleques que apareceram numa foto histórica – a do hasteamento da bandeira norte-americana na montanha de Iwo Jima. A foto mostra ao povo dos EUA que a guerra está tendo resultados e o governo norte-americano resolve usar os soldados da tal foto para arrecadar mais dinheiro para a guerra, pedindo à população que compre mais bônus de guerra. Dos 6 soldados, apenas 3 estão vivos: “Doc” Bradley (um enfermeiro), Rene Gagnon e Ira Hayes (um descendente de indígenas).
Os três começam a excursionar pelos EUA e são usados politicamente para conseguir mais dinheiro da população para o esforço de guerra. Obviamente os fantasmas do conflito (principalmente os colegas mortos) assombram os três e os colocam frente a um conflito moral e ético: é correto posar de herói, conseguindo assim mais dinheiro para a guerra, se nada do que foi feito ali é motivo de orgulho? Em outras palavras, é aceitável ser chamado de herói após ter participado de um conflito de guerra?
E aí o filme vai passando neste ritmo. Os três pivetes na turnê, relembrando fantasmas do passado, e os políticos/figurões explorando-os politicamente para conseguir mais grana. Nisto, acho que um aprofundamento nos três personagens principais poderia ter ocorrido, mas infelizmente Clint fica na superfície. E como a história é baseada nestes três caras, sem um aprofundamento deles a história fica rasa, cansativa. E é por isso que “A Conquista…” não é um grande filme.
Talvez para os amantes de filmes de guerra, “A Conquista…” seja um bom filme – as cenas de batalha são impressionantes, bacanas mesmo. No entanto, como isto não me impressiona muito, saí com a impressão de que este filme não é muito legal. Seu ponto alto, o qual talvez devesse ter sido melhor explorado, foi mostrar o que ocorreu com os três soldados depois da guerra. Isto foi genial e aí você fica pensando o que ocorre com toda a molecada que vai pruma batalha como a de Iwo Jima e depois tem que voltar a uma vida “normal” (o Exército não dá conta de ter empregos para todos). Uma das únicas coisas que o cara sabe fazer é matar e, fora isso, a pessoa deve ser bastante perturbada depois de tudo que viu na guerra – ou seja, um “ótimo” candidato pra qualquer vaga de emprego…
Então, fica o recado: se tiver que ver algum dos dois filmes do Eastwood sobre a Segunda Guerra Mundial, veja “Cartas de Iwo Jima”. Este sim é um filmaço, muito bom mesmo. Se sobrar tempo, veja “A Conquista da Honra”, mais por motivo de curiosidade. Com certeza, creio que você chegará à mesma conclusão que eu: o primeiro é muito, mas muito mesmo, melhor que o outro.

André, não concordo com vc qdo vc diz que o filme retrata a história de maneira rasa, cansativa. Acho ” A conquista da honra um” filmaço, embora, concordando com você, ache “Cartas de Iwo Jima” melhor, mais tocamante, mais original…
Parabéns pelo blog! Leio-o sempre, embora essa seja a primeira vez que comento.
Valeu Bruno pela visita. Talvez realmente tenha exagerado com relação à “Conquista da Honra”, mas não gostei muito mesmo do filme não. Ao menos concordamos que “Cartas…” é melhor, né
Brigado pelo elogio e comente mais vezes, rapaz!
Abraços,
André, meu post sobre “Um beijo roubado” faz uma análise parecida com a sua. Mas juro que só li o seu post através do link que vc mandou!!! Realmente, como vc disse no seu post e eu esqueci de dizer no meu, a trilha sonora é de primeira, como, aliás, é uma característica do Kar-Wai…O ” A volta..” está linkado a partir de agora,como já deveria estar há tempos…Com certeza comentarei mais vezes ( tenho percebido que nós temos muitas áreas de interesse comuns) Um abraço
Valeu pelo merchan no blog, Bruno hehehehe
Abraços,
Interessantemente, eu assisti “Cartas de Iwo Jima” pela primeira vez esse fim de semana – e já tinha visto “A conquista…” há tempos, nem lembro quando. Achei “Cartas” muito superior. Mas confesso q fiquei divagando sobre o que os coreanos e chineses acharam do filme…
Creio que não gostaram muito do fato de não terem retratado os japas como caras fascínoras e sanguinolentos…
Bj