A figura ao lado chama-se Roberto Mangabeira Unger (vulgo Mangaba) e é atualmente o ministro de Assuntos Estratégicos do governo Lula. A imprensa disse que a ex-ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva, teria deixado o cargo porque o Plano Amazônia Sustentável (PAS) foi colocado sob coordenação do nosso querido Mangaba. Fato ou boato, esta figura não se entendeu muito bem com Marina e os atritos entre ambos ficaram nítidos, inclusive quando da demissão dela.
Enfim, um plano tão importante quanto o PAS merece uma figura realmente imponente como o Mangaba. No entanto, hoje ele deu uma entrevista na Folha de São Paulo que me deixou um pouco preocupado. Foram pouquíssimas questões, mas as respostas foram, por assim dizer, bem evasivas e estranhas. Vejam abaixo (destaques por minha conta):
FOLHA – Qual é o problema da Amazônia?
MANGABEIRA UNGER - Acho que o debate está falsificando a situação real, que é mais interessante, mais grave, mais perturbadora e esperançosa do que o debate sugere. Um número pequeno de brasileiros acha que a Amazônia deve ser preservada como um parque. Um número igualmente pequeno de brasileiros aceita entregar a Amazônia às formas predatórias da atividade econômica. A grande maioria insiste no desenvolvimento sustentável, mas não sabe como conseguir. O problema não é a divisão entre ambientalistas e desenvolvimentistas, o problema é a confusão.
FOLHA – É possível conter o desmatamento sem frear o agronegócio?
MANGABEIRA - Não tem nada a ver com agronegócio. Nosso problema é que não temos feito nem de longe o suficiente nem em matéria de preservação nem em matéria de desenvolvimento. Por isso, estou discutindo intensivamente com os governadores da Amazônia Legal as medidas necessárias para dar conteúdo prático ao desenvolvimento sustentável.
FOLHA – O sr. assumiu o PAS, plano discutido desde 2003. Mas parece que está partindo da estaca zero.
MANGABEIRA - O PAS é um conjunto de diretrizes e compromissos, mas não é uma planilha tecnocrática. Não é um plano de medidas concretas. Há mais de 25 milhões de brasileiros lá. Se não tiverem oportunidades econômicas, serão levados a uma atividade econômica desordenada que provocará o desmatamento.
FOLHA – O sr. está em rota de colisão com Carlos Minc?
MANGABEIRA - Eu nem tive ainda a oportunidade de estar com ele. Eu o vejo como um grande colaborador meu no futuro.
FOLHA – Entre Blairo Maggi e Marina, a quem dá razão?
MANGABEIRA - É natural que haja tensões. Mas é um desserviço acalentar divisões no meio desta neblina. Não estou dizendo que há fórmula mágica. Não tem o menor sentido disputar uma espécie de império que não construímos. Nosso problema é avançar na construção, sem dogmas, sem preconceitos, sem prevenções, neste esforço de produzir reconciliação profunda e duradoura entre preservação e desenvolvimento. Minha tarefa é colocar a imaginação a serviço da eficácia. (comentário do “A Volta…”: ahn? como assim???)
FOLHA – O sr. se julga suficientemente informado?
MANGABEIRA - Eu me julgo um ignorante. O que eu sei fazer é construir uma tarefa com pessoas de idéias contrastantes. A premissa da discussão com o mundo a respeito da Amazônia é a reafirmação da nossa soberania. Mas não devemos cultivar uma atitude paranóica.
Ah, ainda bem que o Plano Amazônia Sustentável está na mão de uma pessoa que se julga ignorante em relação ao tema. Não que eu esperasse que ele tivesse uma opinião totalmente definida, mas também julgar-se ignorante em relação ao tema é um absurdo. Nessas de colocar pessoas de idéias contrastantes para discutir, ambos os lados podem apresentar argumentos aparentemente bacanas e, levado pela sua ignorância, Mangaba pode ficar indefinidamente sem posição marcada. Será que é isso que o nosso intelectual quer?
Sei não, mas não confio nesse cara. Já desconfio dele só por ele falar com um sotaque americano forte mesmo tendo vivido no Brasil por um bom tempo. Digo a vocês só o seguinte: odeio posar de pessimista mas, pra mim, esse PAS vai ser uma figura de retórica absurda. Ainda mais com um ministro perdido e “ignorante” em relação ao tema Amazônia. É, esse aí começou bem…

Essa do ignorante ficou feia, mesmo. Parece ser coisa de intelectual querendo brincar de auto-depreciação. Alguém tem que dizer pro cara, neném, político tem que calcular até o comprimento da vírgula da frase.