Saiu no G1 uma notícia bem legal e interessante sobre uma pesquisa do Ibope Inteligência encomendada pelo Instituto Pró-Livro. Esta pesquisa teve como objetivo conhecer um pouco mais sobre os leitores brasileiros e quais os hábitos de leitura dos mesmos. Alguns dados interessantes foram trazidos pela matéria. Copio alguns trechos abaixo:
- 39% dos 95,6 milhões de leitores de livro no Brasil estão na faixa etária de 5 a 17 anos e outros 14% na faixa entre 18 e 24 anos;
- enquanto 90% dos adultos leitores com mais de 40 anos de idade preferem ler em locais silenciosos, muitos jovens com idade entre 14 e 17 anos dizem que gostam de ler ouvindo música. Já 14% das crianças com menos de 10 anos curtem os livros ao mesmo tempo em que assistem à TV;
- o tema é o fator mais importante na hora de escolher um livro para ler – 63% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que este é o fator que mais influencia a escolha de uma obra. Em seguida está o título do livro (opção de 46% dos entrevistados), seguido de dicas de outras pessoas, que engloba 42% do grupo ouvido;
- A maioria dos leitores (86%) lêem livros em casa; 36% na sala de aula e 12% na biblioteca. No caso de leitura de jornais, 53% dos leitores lêem em casa e 15% no trabalho;
- o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano. O estudo constatou que somente a leitura de livros indicados pela escola, o que inclui os didáticos, mas não só, chega a 3,4 livros per capita. A leitura feita por pessoas que não estão mais na escola ficou em 1,3 livro por ano. A pesquisa também confirma que as mulheres lêem mais que os homens – 5,3 contra 4,1 livros por ano;
Esta pesquisa, que tem o nome de “Retratos da Leitura do Brasil” também apresentou um ranking dos livros mais lidos pelos brasileiros – perguntou-se aos entrevistados qual o último livro lido ou então qual o livro que está sendo lido agora. O ranking dos “29 Mais” foi o seguinte:

Se pudermos classificar estes 29 livros em categorias, teríamos algo como: 2 espirituais (a Bíblia e “Bom dia Espírito Santo”), 5 de auto-ajuda/esotérico (“O segredo”, “Violetas na janela”, “O monge e o executivo”, “O Grande Conflito” e “Quem mexeu no meu queijo”), 3 romances internacionais (“Código da Vinci”, “O Caçador de pipas” e “Romeu e Julieta”), 6 romances nacionais (“Dom Casmurro”, “A Moreninha”, “Senhora”, “Iracema”, “O Cortiço” e “O Alquimista”), 10 livros infantis internacionais (“Harry Potter”, “Cinderela”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Branca de Neve”, “Os três porquinhos”, “A bela e a fera”, “Peter Pan”, “A pequena sereia”, “Pinóquio” e “Pequeno Príncipe”), 2 livros infantis nacionais (“O sítio do pica-pau amarelo” e “O menino maluquinho”) e uma biografia (a de Edir Macedo).
Ou seja, se levarmos em conta apenas os livros infantis (12) e somarmos os romances nacionais que sempre aparecem por aí nas listas de vestibulares (são 5, excluí “O Alquimista” da conta), temos 17 em 29 livros. Ou seja, 59% da lista é composta de livros cujo público-alvo são as crianças/adolescente/adultos novos. Isto só confirma o primeiro tópico que destaquei nos resultados apresentados pela pesquisa: o leitor brasileiro é jovem, grosso modo. Ou seja, o cara vai lendo basicamente para compor a sua formação: quando é criança/adolescente, lê os clássicos porque a escola pede ou por interesse próprio mesmo; na passagem da adolescência para a vida adulta, por obrigatoriedade do vestibular. Esta conclusão obviamente não é completa (nada impede que os livros infanto-juvenis sejam lidos por adultos ou que o livro do Edir Macedo seja lido por um adolescente), mas eu creio que o “ciclo de vida” do leitor brasileiro seja mais ou menos este. O hábito de ler vai diminuindo à medida em que vamos envelhecendo (conforme confirmado pelo último tópico que destaquei da pesquisa).
Coloco-me neste caso. Antes lia livros com a maior facilidade… agora, se passa de 100 páginas tenho que respirar fundo e juntar muita vontade para conseguir ler…
Mas muito interessante esta pesquisa. Gostei dos resultados. Vai ter gente que dirá que o brasileiro lê, na média, pouco. Pode até ser mas, aparentemente, as crianças estão ainda com ganas de ler bastante. E este é o primeiro passo para um otimista, como eu, acreditar que o futuro do país será cada vez melhor. Leitura é a pedra fundamental do conhecimento humano e eu creio que, independente do que seja lido, é melhor ler algo a não ler coisa alguma.
Outra coisa interessante: não sei qual a porcentagem de pessoas que disseram ler a Bíblia como livro atual, mas creio que seja altíssima. É um fato incrível o encanto que este livro desperta nas pessoas e fico realmente pensando no quão pouco li desta obra. Acho que seria uma boa para qualquer pessoa que deseja entender a cabeça do brasileiro ir a fundo no livro. Creio que ele seja a base de conduta e de ética de uma boa parte da população.
Ah, tem outra coisa: se você chegou ao fim deste post é porque você lê pra caramba, hein? Pô, nunca vi um texto tão grande aqui pelo blog…

SAbe que tenho lido cada vez menos por prazer e cada vez mais por obrigação? Chato isso…
Eu contrario o ritmo de leitura brasileiro!
Adoro ler , leio até mesmo manual de aparelhos!
O do meu celular ja li 5 vezes! rsss
Tenho 30 anos estudo Direito e além dos meus livros obrigatórios, leio bastante livros de psicologia (meu hobby)
Fico triste com a realidade brasileira!