Arquivo para Julho, 2008

Refazenda…

A amiga Márcia alertou-me para um fato bem interessante: ao sair do Ministério da Cultura, Gilberto Gil disse que a melhor música que define seus cinco anos e meio de governo é “Refazenda”. Eu já fiz um post descendo a lenha na gestão do Gil como ministro da Cultura. Porém, acho que esta comparação que ele fez entre a gestão e a música pode ser considerado como uma resposta dele às minhas críticas.

Como este blog é bem democrático (e apreciador da música de Gilberto Gil), segue aí abaixo a belíssima versão acústica de “Refazenda” (sem sacanagem, acho que o acústico do Gil foi um dos melhores já feitos no Brasil).

Depois, tem a letra pra que você acompanhe. Ouça a música e leia a letra. Depois leia o resto do post.

REFAZENDA

Abacateiro acataremos teu ato
Nós também somos do mato como o pato e o leão
Aguardaremos brincaremos no regato
Até que nos tragam frutos teu amor, teu coração
Abacateiro teu recolhimento é justamente
O significado da palavra temporão
Enquanto o tempo não trouxer teu abacate
Amanhecerá tomate e anoitecerá mamão
Abacateiro sabes ao que estou me referindo
Porque todo tamarindo tem o seu agosto azedo
Cedo, antes que o janeiro doce manga venha ser também
Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba

Se a música acima é a resposta do Gil sobre a sua atuação como Ministro da Cultura, bem, ehr, ahn,… desculpem a burrice (sempre fui meio fraco nas aulas de interpretação de textos), mas que porra ele quis dizer quando comparou sua gestão como ministro à música acima? Como assim, acatar o ato do abacateiro? Como assim, enquanto o tempo não trouxer o abacate do abacateiro, ele amanhecerá tomate e anoitecerá mamão? Como assim, o abacateiro ensina o Gil a fazer renda e o Gil ensina o abacateiro a namorar? Peraí, ele tá falando do abacateiro ou se dirigindo ao próprio e dito cujo abacateiro na música?

Sugestões de interpretação serão bem-vindas. Sem palavrões, por favor.

Turma da Mônica e mangá

Já tinha falado num post há tempos atrás sobre um crossover entre os personagens da Turma da Mônica e os do filme “Star Wars”. E não que os responsáveis pelas histórias resolveram trazer mais uma novidade? Agora eles estão lançando o mangá da Turma da Mônica. Vejam os detalhes apresentados pela matéria do Estadão:

Magali continua comilona, mas agora tem mais cautela com o cardápio. Mônica não é mais gordinha, porém continua dentuça. Cascão ainda é o mesmo “sujinho” de sempre e Cebolinha melhorou, mais ainda sofre com a mudança do R pelo L na fala. Eles sofreram modificações, mas a maior delas é que todos cresceram, assim como muitos de seus leitores.

Com o formato de mangá (linguagem usada em publicações de desenhos japoneses), A Turma da Mônica Jovem, que deve ser lançada em agosto pela Editora Panini, irá tratar de assuntos ligados aos jovens. A idéia do criador dos personagens, Maurício de Souza, e da editora do quadrinho é sentir primeiro a receptividade do público, para depois abordar temas como namoros, sexo e até drogas com a famosa turminha.

“Nesse começo, como é natural, haverá um estudo do terreno em que estamos caminhando, mas minha idéia é usar a Turma da Mônica Jovem para ‘falar’ com os leitores sobre esses assuntos, sim. De uma maneira muito bem estudada”, afirma Maurício.”.

Pô, legal a sacada (os mangás realmente vêm fazendo um grande sucesso no Brasil). Agora o Maurício de Souza falou uma verdade: falar de sexo e de drogas neste novo tipo de gibi da Turma da Mônica realmente pode trazer um problema. Quer queira quer não, as histórias da Turma são bem infantis e não afetam ninguém – é impossível conhecer uma pessoa que ache aquilo ruim. Agora se eles começarem a falar de temas espinhosos nos gibis, vai ter muito pai por aí que vai torcer o nariz… O Brasil ainda é um país bem católico e conservador. Os assuntos ’sexo’ e ‘drogas’ ainda são verdadeiros tabus para muitas famílias da nossa sociedade.

(O próprio Reinaldo Azevedo, inimigo número 1 do Hermenauta e campeão de audiência no site da Veja, iria ser veementemente contra um gibi da Turma da Mônica mais “espinhoso”. Leiam os vários posts do Hermê sobre o Tio Rei e vocês vão entender o porquê).

Mas eu acho que a atitude do Maurício de Souza deve ser louvada. Criatividade e inovações são sempre bem-vindas no mundo dos quadrinhos. E que a turminha traga essa abordagem mais teenager da mesma maneira divertida de sempre.

A única coisa que eu me pergunto é como seria o meu personagem favorito – Chico Bento – nesse mundo dos mangás. Será que ele viraria um agroboy high-tech?

Como assim, “se dedicar à música”?

Manchete do G1: “GILBERTO GIL DEIXA O GOVERNO LULA PARA SE DEDICAR À MÚSICA”.

Comentário do cara-pálida que vos escreve: ué, ele já não vinha fazendo isso desde que assumiu o ministério da Cultura? Não era ele próprio que se definia como um “ministro-cantor”? Não foi ele quem exigiu, para assumir o ministério, a possibilidade de dar umas “escapadinhas” para não abandonar a carreira artística?

Ah, vocês vão me desculpar, mas o Gil há muito, muito tempo mesmo, já não é ministro coisa nenhuma. É um cantor que tem cargo de ministro.

Pô, não foi ele quem lançou há pouco o disco de inéditas (olha, gente, I-N-É-D-I-T-A-S) “Banda Larga Cordel”? Pô, pra fazer um disco assim, tem que compor, gravar em estúdio, ajudar na pós-produção, sair em turnê pra divulgar o álbum (coisa que ele está fazendo agora)… Como é que o cara vai ser ministro tendo todas estas atribuições “extra-cargo”?

Por isso Gil, não me venha com papinho furado. Você fez foi criar vergonha e pediu demissão. Não me venha dizer que saiu para “se dedicar à música”. Se você tava vendo que o cargo de ministro estava atrapalhando sua carreira artística e que essa era mais importante que o ministério, que você tomasse uma atitude simples antes: era só pedir demissão. Ninguém ia reclamar, você é um dos maiores compositores da MPB. Mas não, você resolveu fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Resultado: você, efetivamente, não vinha sendo ministro há um bom tempo. Falha sua e do seu chefe, o Luís Inácio.

Aí eu entrei na matéria do G1 para ver as principais realizações de Gil à frente do ministério da Cultura . Dêem só uma analisada do “balanço”:

De acordo com o Ministério da Cultura, entre as principais ações lançadas durante a gestão de Gil está o programa “Mais Cultura”, chamado PAC da Cultura, que prevê investimentos de R$ 4,7 bilhões até 2010 em todos os estados. O programa que coloca a cultura como política pública prioritária foi elaborado pela equipe de Gil.

Outras ações apontadas são as políticas na área de audiovisual, que possibilitou acesso a equipamentos multimídia por parte de projetos culturais.

Gil criou ainda um Plano Nacional de Cultura, que norteia as políticas públicas para o setor cultural, que está em análise no Congresso. O ministério também destaca a atuação na área indígena.

Segundo a pasta, na gestão do músico o ministério aumentou o uso de seleções públicas em ações da pasta e os investimentos em restauração de bens. Além disso, tornou patrimônio vários bens imateriais, como o samba e a capoeira.”

Vamos lá então: teve o PAC da Cultura, que prevê investimentos bilionários na área. Com fé em Deus, metade dessa grana realmente vai ser investida. Outra: colocou a cultura como política pública prioritária. Bem, isso só no papel, ou estou errado? Outra: acesso a equipamentos multimídia por parte de projetos culturais. Ah, tá, fantástico. Mais outra: o Plano Nacional de Cultura, que está no Congresso. Bem, esse aí vai continuar lá pra sempre (justamente porque cultura não é política pública prioritária).

Ou seja, de efetivo mesmo, preto no branco, nada. N-A-D-A. Nada! Porra, que gestão foi essa, Gil?

Tudo bem que o ministério tem orçamento exíguo, que as condições de trabalho são ruins, que o sucateamento da área tava bravo… mas que você trouxesse todo o seu prestígio, Gil, pra pressionar o governo e melhorar um pouco as condições da cultura nacional. Isso aí só se faz com pressão da opinião pública. Ninguém conhecia o Weffort (acho que é assim que se escreve), o ministro anterior da pasta. Você é uma estrela no país. Ah do Lula se ele ousasse mandar você ficar quieto…

E assim tivemos mais 6 anos de políticas culturais quase nulas. Esse é o balanço que faço do “ministro-cantor”.

P.S.: na Medida Provisória que prevê o aumento do salário de várias carreiras de Estado (Banco Central, Polícia Federal, Receita Federal, Agências Reguladoras, etc), provavelmente haverá um item reforçando a obrigatoriedade do servidor público trabalhar em regime de dedicação exclusiva. Aliás, tal obrigatoriedade já existe (exceto se ele for professor do ensino superior). Pergunto-me: tal obrigação não caberia também a ministros de Estado? Ou eles são “especiais” mesmo e ponto final?

Bacharéis, engenheiros, doutores, diplomatas…

Hoje entrei no portal G1 e vi lá no arquivo deles que, há exatos 14 anos, morria o humorista Mussum. Lembro-me que ainda era pivete nesta data. Porém na hora em que soube da notícia da morte dele, cheguei a uma conclusão bem madura: os Trapalhões definitivamente tinham acabado. Se a morte do Zacarias, 4 anos antes, já tinha deixado o negócio um pouco sem graça, a morte de Mussum era o último prego que faltava para lacrar o caixão dos Trapalhões. O Dedé era muito sem graça e o Didi perdia a graça rapidamente devido ao fato de ele sempre se dar bem nas piadas.

Relembrando aquela época, chego à conclusão de que o elemento que dava a liga nas piadas era mesmo o Mussum. O jeito atrapalhado, o cara todo torto, o malandro, o cachaceiro… Ele era tudo isso e não tinha vergonha. Era o “negão”, o “azulão”, e não tava nem aí. Ou seja, entre um bobão (Zacarias), um cara sem-sal (Dedé) e o espertão que sempre se dava bem (Didi), o Mussum realmente era o diferencial. Até o jeito dele de falar era diferenciado (quem não se lembra do “cacildis”?).

Nisso, cheguei a uma conclusão hoje (depois de ver o arquivo G1): Mussum foi responsável por umas boas risadas que dei durante a minha infância.

Em homenagem a isso, coloco abaixo um vídeo que considero ser um dos mais engraçados envolvendo o Mussum. Obviamente ele tinha que ser num boteco e obviamente também tinha que contar com a participação do impagável Tião Macalé. A piada final é até sem graça. Mas o “durante” é de rachar o bico. Primeiro, pelas qualificações que Didi dá a Mussum e Macalé: “doutores”, “engenheiros”, “bacharéis”, “diplomatas”… Segundo, pela cantoria do Tião Macalé (que música é aquela?); Terceiro: pelo nervosismo engraçado do Mussum e, Quarto: pela “pindureta” que ele tenta aplicar no Didi…

Fiquem com o vídeo e dêem boas risadas!

P.S.: tem pessoas no meio artístico que sofrem de um grave problema. Elas não sabem a hora de parar. Neste último domingo, vi 5 minutos do programa “A Turma do Didi”. Aquilo é patético, ridículo… Nem parece que o sr. Renato Aragão já fez um dos melhores programas de humor do Brasil em algum momento do passado… E o pior é que agora ele já quer colocar a filha na parada artística. É mole? Espero que “O Guerreiro Didi e a Ninja Lili” tenha sido um fracasso estrondoso de bilheteria!

China, potência olímpica…

E o “A Volta…” vai esquentando as baterias para o maior evento esportivo do mundo, as Olímpiadas de Pequim-08! Hoje vi mais uma coisa interessante na imprensa. No dia 06/07/2008, a Folha de São Paulo fez um caderno especial sobre o esporte na China. Não li quando comprei o jornal, mas hoje acompanhei o suplemento, que foi bem interessante. Lá, tem de tudo: a necessidade chinesa de se afirmar através do esporte, a expressão de sua força econômica na organização dos maiores Jogos Olímpicos de todos os tempos, a difícil relação entre marketing esportivo e um mercado baseado na falsificação e na instabilidade jurídica (descobri, por exemplo, que os atletas de elite dividem os ganhos que obtêm de patrocinadores com o governo) e a evolução em número de medalhas dos chineses desde Los Angeles-84 (estréia deles em Olímpiadas).

Mesmo com toda essa parafernalha, com toda essa evolução, com toda essa melhoria, com a força do povo empurrando os atletas, enfim, com tudo isso, a China não conseguirá superar os EUA no quadro de medalhas. Os yankees continuarão com sua hegemonia olímpica por, no mínimo, mais 4 anos.

Agora, o que me impressionou mesmo no caderno especial da Folha é a loucura do governo na preparação dos atletas. Primeiro que o negócio parece ser cercado de segredos; o pouco que se sabe é que eles pegam os pivetinhos com “potencial” e os mandam para centros de treinamento especiais. Vejam alguns trechos da matéria com a chamada “Preparação é cercada de segredos” (acesso restrito a assinantes Folha/UOL):

Sabe-se que crianças ainda pequenas, quando descobertas por seus professores de educação física, são enviadas para centros de treinamento em todo o país. As 3.000 escolas esportivas têm 250 mil alunos, a partir dos dez anos, e são administradas pelas faculdades de educação física na China.
“Os professores de educação física ficam de olho nas escolas, e os times municipais e de todas as Províncias da China fazem essa seleção”, disse Huang Yaling, chefe do programa de mestrados da Universidade dos Esportes de Pequim, a mais importante do país, à Folha.

(…) “Quando me convidaram para trabalhar na China, falaram-me que um ouro vale por mil pratas”, disse o técnico russo Grinko ao jornal americano “The New York Times”.
“Se não for ouro, estou demitido. É a mesma política da Alemanha Oriental nos anos 70″, recorda. Há 20 estrangeiros dirigindo algumas das principais seleções chinesas, e dezenas deles em times menores.
A China tem priorizado esportes individuais, que dão muitas medalhas, e deixado de lado os que rendem um ouro.

Segredo militar
O segredo que esconde a fábrica de medalhas chinesa só aumenta especulações. A reportagem da Folha foi à Universidade dos Esportes de Pequim falar com especialistas.
Ao sair do táxi, na entrada principal do campus, fui cercado por oito seguranças de uniforme militar que me perguntavam o que eu fazia ali. Fui impedido de entrar “por ser estrangeiro”. Liguei para a professora Huang, que me esperava, e ela disse que pediria autorização para minha entrada.
Mais de uma hora depois, ela disse que eu não poderia entrar. Do campus, só vi os murais de pedra na entrada, onde esportistas são retratados ao melhor estilo do realismo socialista.

Enfim, mas como uma imagem vale por mil palavras, o que me deixou mesmo impressionado foi a foto que coloco abaixo. Ela foi tirada por Nir Elias (Reuters) e mostra um bando de pivetes que deveriam ficar 5 minutos pendurados na barra como parte do treino na Universidade de Esportes de Xangai. Pô, dos 6 mulequinhos, 4 estão visivelmente insatisfeitos ali… Imagina tirar uma criança da vida de brincadeira e diversão pra colocar em treinamento pesado de ginástica olímpica?

Vejam a foto. Eu fiquei com dó dos pivetinhos…

“Se não ganhar ouro em 2016, vai ser reeducado!”

Pequim: um novo mundo

Incrível como a gente às vezes vê coisas boas em programas não tão bons assim na TV. Foi o que ocorreu hoje comigo ao assistir o “Jornal Nacional”. Eles fizeram quatro reportagens especiais sobre Pequim e a China e eu as achei bem bacanas. Levando em conta que as matérias apresentadas tinham que ser bem resumidas e de fácil compreensão, acho que, em pouco tempo, eles conseguiram trazer aspectos bem interessantes do que é a China cultural e socialmente e especificamente Pequim às vésperas dos Jogos Olímpicos.

Coloco as matérias nos links abaixo e comento aquilo que mais me chamou a atenção em cada uma delas.

COMÉRCIO DA PIRATARIA MOVIMENTA MILHÕES EM PEQUIM

Duas coisas: Stand Center (shopping onde eram vendidos muitos produtos piratas chineses localizado na Av. Paulista e que foi fechado ano passado) e o Law Kin Chong são fichinhas perto desta galera que está na China… Rapaz, os caras pirateam até os próprios produtos fabricados por eles! Incrível, é o feitiço virando contra o feiticeiro… Agora, fala a verdade: se você fosse pra lá, aposto que encheria a mala de muamba pra faturar em cima dos amiguinhos brazucas, né?

PEQUIM É ESVAZIADA E MAQUIADA PARA OS JOGOS OLÍMPICOS

Que loucura! O governo chinês expulsou os trabalhadores de Pequim, parou tudo por lá e sequer pagou alguns deles! Rapaz, que coisa feia… E a maquiagem que tão fazendo na cidade então? Pô, e o carinha que aparece no fim da reportagem e que nem na calçada pode ficar? Parecia até cachorrinho sendo enxotado… Impossível não lembrar daquela música do Zé Geraldo, “Cidadão”, que no começo diz o seguinte: “Tá vendo aquele edíficio, moço? / Ajudei a levantar / Foi um tempo de aflição / Eram quatro condução / Duas pra ir, duas pra voltar / Hoje depois dele pronto / Olho pra cima e fico tonto / Mas me chega um cidadão / E me diz desconfiado: Tú tá aí admirado? / Ou tá querendo roubar?”

MODERNIDADE AINDA ESTÁ LONGE DA CHINA RURAL

Se vocês não vissem as imagens, provavelmente achariam que a matéria havia sido tirada de um livro do García Márquez, não? Pô, é um realismo mágico absurdo esta China Rural mostrada! Eu só tenho questões na minha cabeça depois de ver a matéria… Como assim, as pessoas são classificadas como “rurais” e “não-rurais”? Como assim, cada aldeia tem uma cota de pessoas pra mandar pras cidades? Como assim, cidades que só têm crianças e velhos? Como assim, dar uma “forçada de barra” keynesiana e mandar as mulheres varrerem o chão da estrada de terra? Como assim, como assim???

CHINA TEM CARTILHA PARA EVITAR CONSTRANGIMENTOS

Hahaha… Viu Pri, se alguém perguntar pra você a sua idade, seu estado civil, quanto você ganha, seu endereço, onde você vive, denuncie sumariamente essa pessoa! Rapaz, os caras têm código de etiqueta que proíbe qualquer diálogo mínimo com um desconhecido… Ou será que alguma conversa minimamente racional pode ser estabelecida com um total estranho sem que violemos as 8 regrinhas mostradas no painel?

E assim conhecemos um pouco mais deste novo mundo… Diferenças culturais a parte, achei uma loucura a China que foi mostrada nas matérias acima. E olha que acredito na veracidade e na seriedade das matérias (apesar de serem da rede Globo, etc, etc).

Taí, veja as 4 reportagens do Jornal Nacional e diga o que você achou delas. Eu, da minha parte, só digo o seguinte: desço a lenha na rede Globo constantemente, mas estas matérias foram muito bem feitas. Parabéns aos repórteres e à equipe da TV que estão lá na China!

Ubirajara, um brasileiro que não desiste nunca

Saiu na imprensa há um tempo atrás algumas reportagens sobre o rapaz da foto acima, Ubirajara Gomes da Silva. O cara era morador de rua e, até agora ninguém sabe como direito, o rapaz passou no último concurso do Banco do Brasil. Cheguei a pensar que era exagero da imprensa, que deveria ter algum “porém” na história, mas ela é verdadeira mesmo. Esta semana uma reportagem sobre ele foi feita pela Carta Capital, na seção “Brasiliana”. Com o título “Ubirajara calcula”, ali o rapaz explica como fez para passar no concurso.

A matéria é autoexplicativa, por isso irei reproduzi-la no link abaixo (colocarei em negrito os pontos que mais me chamaram a atenção). Mas uma coisa é certa: Ubirajara está mais do que homenageado aqui no “A Volta…”. No meio de tanto picareta querendo mamar nas tetas do governo só na base da cumpadrinhagem, o rapaz mostrou um caminho de dedicação, honestidade e perseverança. Mais do que isso: por méritos próprios, foi lá e conseguiu um emprego que dificilmente conseguiria na iniciativa privada (que gerente de RH chamaria um morador de rua para uma entrevista?). Ou seja, a Ubirajara nada foi dado, ele foi lá e conseguiu por méritos próprios e numa situação muito desfavorável. Por isso, palmas pra ele e toda a sorte do mundo na nova empreitada no Banco do Brasil.

Ubirajara, este sim um brasileiro que não desistiu nunca.

Clique aqui para ler toda a matéria da Carta Capital

As Horas

Mais um filmaço na parada, pessoal. Acabei de assistir “As Horas” (“The Hours”, 2002, dirigido por Stephen Daldry), um drama daqueles de arrepiar. Baseado no livro homônimo escrito por Michael Cunningham – o qual, por sua vez, é guiado pelo romance “Mrs Halloway”, de Virginia Woolf -, o filme não deixa a desejar em nenhum aspecto: é bem dirigido, a história é muito bacana, as atrizes matam a pau nas atuações (Nicole Kidman inclusive ganhou o Oscar de melhor atriz em 2003 pela sua interpretação no filme), a trilha sonora é conduzida de maneira magistral pelo Philip Glass… ou seja, tudo ali é muito bem feito.

O filme mostra três histórias: para cada uma, uma mulher, um tempo. A primeira delas (anos 20) é a de Virgina Woolf (Nicole Kidman), a qual, através da luta contra a insanidade e o comportamento psicótico, começa a escrever seu primeiro grande romance, “Mrs Halloway”, num local campestre e calmo (no entanto, sabemos depois que ela gostava mesmo era da agitação londrina). A segunda história (anos 50) é a da dona de casa Laura Brown (Julianne Moore) que, por trás da aparência feliz de uma esposa exemplar do american way of life, esconde um sentimento de tristeza e de aprisionamento que a sufocam. Tal comportamento é agravado quando ela se vê representada na história de “Mrs Halloway”.

A terceira história (dias atuais) é a da editora Clarissa Vaughan (Meryl Streep), a qual vive um dia muito parecido com o da sra. Halloway do livro de Woolf (aliás, o nome da sra. Halloway é Clarissa, assim como a personagem de Streep). Durante este dia, ela tenta organizar uma festa em homenagem ao seu amigo poeta Richard Brown (Ed Harris), um homem que sofre bastante por alguma tormenta do passado e também porque é aidético e se encontra num estágio avançado da doença. Brown consegue deixar Clarissa transtornada neste dia pela conversa que ambos têm e posteriormente por uma atitude trágica que Brown tomará.

Estas três histórias vão sendo entrelaçadas e mostradas simultaneamente durante o filme. A escritora, a dona de casa leitora do livro e a própria “Mrs Halloway” (era assim que Clarissa era chamada por Brown). Em comum, a necessidade de libertação da “prisão” na qual vivem (o ambiente familiar e o constante fingimento de satisfação) e de conseguirem algum ponto de escape, seja na realidade, seja na autodestruição. Impossível não lembrar da personagem de Juliette Binoche em “A Liberdade é Azul”.

A música de Philip Glass vai dando um clima de suspense e inquietação no qual você percebe que alguma coisa dará errado. O negócio é que como as três histórias vão avançando juntas, você vai ficando louco pra entender como será o desfecho de tudo. Ou seja, um drama-suspense de primeira categoria. E é aí que você vê que o conjunto boa história-boa direção-boa trilha sonora te leva, sem sobressaltos, a um sentimento de impaciência que, diga-se de passagem, só é amenizado no final da história.

Para mim, é até difícil destacar mais alguma coisa no filme, mas mesmo assim eu vou deixar mais algumas impressões. Nicole Kidman e Julianne Moore: que interpretações! Aliás, Nicole sequer parece Nicole no filme (tiveram que “desconstruir” a atriz, pra ela ficar mais feia). Diálogos: espetaculares! Alguns deles são incríveis, como, por exemplo: quando Clarissa conversa com Richard, antes do mesmo tomar uma atitude drástica; quando Clarissa conversa com Laura Brown (essa já idosa) sobre a relação da mesma com Richard (descobre-se que ela é a mãe ele). Só vou ressaltar uma parte da explicação de Laura a Clarissa, para explicar uma atitude que tinha tomado no passado: “Viver aquilo era morte. Eu escolhi a vida”.

E assim temos um dia na vida de três pessoas bem diferentes, porém unidas umbilicalmente por um ponto comum. Fantástica história do Cunningham, excelente direção do Daldry. Mais um grande drama recomendado aqui no “A Volta…”. Se vocês já viram, ponham os comentários aí. Duvido que alguém vá falar mal desta incrível obra!

Vozes do Brasil – Mariana Aydar, “Onde está você?”

Mais uma série musical aqui no “A Volta…”! Depois de “A Arte do Videoclipe”, “Caixa Acústica” e “Rádio A Volta…”, agora temos “Vozes do Brasil”! Essa nova série vem compensar um pouco o grande viés internacional que venho tendo ao longo da história deste blog. Revendo os posts de música que fiz, vi que a maioria deles tratava de bandas/artistas do exterior, sendo que temos uma galera boa fazendo um trabalho bacana por aqui!

Pra começar esta nova série (que, prometo a vocês, não terá tanto texto explicativo quanto havia nas outras séries), de cara, já boto uma das novas vozes da MPB, a talentosa Mariana Aydar! Vi um show dessa moça durante a “Virada Cultural” de 2008 e adorei o trabalho dela! É uma voz calma e relaxante mas que explode com uma força incrível! Muito bacana.

Ela fez algum sucesso com as canções “Deixa o verão” e “Zé do Caroço”, mas eu gostei mesmo foi do xaxadinho “Onde está você?” (principalmente pela parte crescente que a música apresenta). No vídeo abaixo, a moça conta “só” com a participação de um dos maiores sanfoneiros do Brasil, o Dominguinhos! Demais, não? Então, ouçam aí e busquem mais coisas da Mariana aí pela internet. Essa moça tem talento!

O estômago embrulhou

“Não gostou do Tio Ronald, é?”

Sábado, hora do almoço. Tô andando na Rua Pamplona (São Paulo) e minha irmã me pergunta se podemos comer no McDonald´s. Como estava querendo mesmo experimentar a “mcoferta” do “menu China” (basicamente um sanduíche com alguns troços de yakissoba, 4 stakes de arroz + salada e um copo médio de Fanta China), aceitei o pedido dela e lá fomos.

Ao chegar lá, uma cena insólita. Um casal discutindo com o gerente da loja e com outros atendentes. “Vixe, o que será que aconteceu?”. Como sou bem curioso, já fiquei esperto no que seria a discussão entre ambos. Aí descobri que o casal na verdade eram os pais de um jovemzinho que trabalhava naquele McDonald´s. Aparentemente, o jovem era avacalhado todo dia no ambiente de trabalho pelos colegas e o gerente fingia que nada acontecia. A mãe do rapaz estava muito brava, o que é bastante compreensível numa situação como aquela – quem não ficaria fulo da vida ao ver seu filho ser humilhado?

Mas aí eu comecei a perceber outras coisas que estavam no ar. Primeiro, com relação aos colegas de trabalho que zoavam o rapaz. Os moleques não sabiam o que fazer. Rolava um clima meio que de “pô, esse emprego já é uma bosta, a gente já trabalha pra caralho e, pqp, ainda tem que aguentar isso? E se a gente for mandado embora?”. Ou seja, eles, num ambiente em que são excluídos (porque atendente do McDonald´s parece burro de carga: é só chicote no lombo! Toda hora é “A fila tá crescendo…”, “Vamo mais rápido aí gente” por parte dos gerentes; e nós, como clientes, contribuímos com coisas do tipo “Cadê meu lanche?”, “Ô, já pedi o lanche há dois minutos! Que demora é essa?” e impropérios os mais diversos), através da sacanagem com o rapazinho, acabavam achando uma maneira de virarem exclusores. Sei lá, fazer isso é um filhodaputismo absurdo? É. Mas levando em consideração que são todos um bando de adolescentes e que, ali, eles não podem falar um “a” pra ninguém (gerente, clientes, etc), eles resolveram se afirmar em cima de um igual. Não justifica, mas explica o ocorrido.

Outra coisa: o gerente. Sempre vi gerente do McDonald´s como a personificação do carrasco. É o cara que cobra o atendimento mais do que rápido (e não é por isso que a gente vai no McDonald´s?), não deixa o pessoal sair ali da linha de frente, sempre tá gritando, etc, etc… Hoje eu vi que o gerente é outro coitado nessa máquina de lanches. Não tenho a mínima idéia se ele ignorava a zoação que os moleques faziam com o rapazinho ou se ele simplesmente via e fingia que não via, mas, enfim, o cara suava frio hoje: os pais do rapaz fecharam um dos caixas (pois era lá que reclamavam, por isso todos os presentes viram o ocorrido) e, por isso, a fila nos demais aumentava, os clientes reclamavam, alguns iam embora; percebi que o gerente pensava algo como ”se alguém souber disso, eu serei mandado embora”. Nisso, ele tentava argumentar com os pais que já tinha sido atendente e que as coisas às vezes saíam um poucos dos eixos, etc, etc. Conclusão: no fim das contas, ele é o cara que tem fazer as coisas acontecerem, o lanche sair quentinho e rápido, o cliente satisfeito, o ambiente mais limpo, etc, etc, ou, do contrário, ele estará sumariamente demitido. Ou seja, se ele não for o carrasco, rua!

Aí, já sentado na mesa e comendo minha “mcoferta”, pensei o seguinte: “Caralho, são todos uns fudidos. O rapaz zoado, os outros atendentes, o gerente. Pô, os caras só se fodem. E nisso, ferram-se uns aos outros. Mas, peraí, quem é que ganha fodendo esse pessoal?”.

Fácil, o tio Ronald. Lucro líquido de US$ 2,395 bi no ano de 2007.

E ganha com a exploração daquela força de trabalho (não estou usando sentido marxista nem teoria nenhuma aqui não… é exploração de sacanagem mesmo). Aí eu me pergunto como é que uma dessas revistas de negócio, há uns anos atrás, escolheu o McDonald´s como o melhor lugar para trabalhar. Cara, aquilo ali é um inferno! É uma sacanagem com todo aquele pessoal, geralmente adolescentes que deveriam estar estudando pro vestibular na USP, mas, não, estão ali contratados a preço de banana, pra trabalhar pra caramba e ainda serem esculhambados todo santo dia…

“Pô, e quem é o louco que ainda sustenta esse esquema trash de exploração e sacanagem?”, pensei.

Não sei porque mas, na hora em que obtive a resposta, o lanche que eu estava comendo começou a embrulhar o meu estômago…

P.S.: não creio que as outras redes de fastfood façam diferente com seus funcionários. Apenas citei o caso do McDonald´s porque ele realmente ocorreu hoje e também porque a empresa representa o exemplo máximo deste tipo de trabalho.

Bombando!

Incrível! Hoje foi o dia em que o “A Volta…” conseguiu o maior número de visitas da sua história: 337! Aliás, foi o primeiro dia em que este blog ultrapassou a barreira das trezentas visitas (o recorde anterior tinha sido um pouco mais de 200 acessos).

Teria sido um milagre? Algo de diferente que escrevi? A volta dos fãs que, sem me verem escrever nada por 45 dias, resolveram fazer um acesso massificado ao blog?

Não, nada disso. Checando nas estatísticas do WordPress, verifiquei que tamanho número de visitas deveu-se ao post “Guarani e a falência do futebol nacional”, o qual foi publicado no dia 2 de abril.

E a origem das visitas? Torcedores do Guarani que estão vendo que a coisa tá feia por lá?

Não… Na verdade, duas comunidades do Orkut são as origens de tantas visitas aqui no blog. Uma delas é a “Esporte Clube Vitória” e a outra é “Esporte Clube Bahia”. Duas pessoas colocaram lá, nos fórums, mensagens falando sobre a decadência do Guarani. Na segunda comunidade, o pessoal tava com receio de que algo semelhante ocorresse com o Bahia.

Pô, incrível, as duas grandes torcidas da Bahia acessando em peso este humilde blog… que coisa, hein! Mas, enfim, ainda bem que essa joça serviu como fonte de informação pra alguém nesse mundo!

Pena que amanhã voltemos pras duas, três visitas diárias…

P.S.: mas quem está em franca decadência mesmo é o glorioso Santos. Acabou de apanhar de 4 a 2 do Palmeiras e está na penúltima posição do Brasileirão, com 11 pontos. Pior: está a 5 pontos de escapar da zona do rebaixamento. Ou seja, tem que vencer duas seguidas e ainda torcer pros outros perderem… Série B à vista!!!

Eleição pra que? Obama já é o presidente

Essa eu nunca tinha visto. Barack Obama, candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata, deu uma de presidente hoje. Ao invés de fazer campanha no seu país, buscando, assim, conseguir uma maior vantagem contra o outro candidato (John McCain), ele foi dar uma voltinha na Europa.

A primeira parada de Obama? Berlim, na Alemanha. Lá, ele discursou para 200 mil pessoas e pediu a união dos EUA com a comunidade européia para que, juntos, ambos consigam enfrentar graves problemas mundiais, como o terrorismo (citou Paquistão e Afeganistão) e o aquecimento global. Além disso, mandou um recado ao Irã: “abandonem suas ambições nucleares”.

Até encontro com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, o candidato teve na sua agenda. E foi recebido como se fosse chefe de Estado, numa tentativa clara de Merkel de criar laços com o maior país do mundo depois do estremecimento da relação entre EUA-Alemanha (em 2003, os alemães foram contra a guerra do Iraque).

Sobre a viagem do candidato democrata, John McCain falou o que, para mim, parece ser óbvio desde quando vi a notícia da visita de Obama ao continente europeu. O candidato republicano expressou o seu desejo de visitar a Europa no futuro, só que como presidente e não como candidato.

Pô, concordo com o McCain. Tá certo que o Obama está capitalizando para si o fato de ser um “fenômeno de audiência” e de, no mundo, ser muito mais querido do que o McCain. Mas, peralá, o processo eleitoral ainda está rolando e o cara o despreza na maior. Vai na Alemanha e só falta assinar um acordo com a chefe de Estado do outro país! E se o Obama perde a eleição, como ele vai ficar? E a dona Angela Merkel então, como vai negociar com o possível presidente McCain?

Aí alguém pode alegar que Obama está tentando melhorar a péssima imagem que Bush Jr. deixou dos EUA para o mundo. Concordo com o argumento. Porém Obama terá muito mais tempo como presidente para apagar a má impressão deixada por Bush e, adivinhem, através de ações práticas que mostrem o quão bom governante ele virá a ser. Quer queira quer não, Obama ainda é candidato e, como candidato, pode perder as eleições para McCain.

Enfim, eleicão pra que? Obama já é o presidente. Isso, na visão dele próprio.

P.S.: por que será que eu tenho a leve impressão de que, para os brasileiros, seria muito mais negócio ter McCain na presidência do que Obama?

Querem proibir os emos

Direto do G1:

Nova lei pode proibir emos na Rússia

Uma nova lei pode proibir emos na Rússia. As regras, que ainda estão sendo formuladas, podem banir sites dedicados ao gênero e até o modo de se vestir nas escolas e em prédios do governo. Aparentemente, essas medidas estão sendo tomadas por medo de que “modismos adolescentes perigosos” induzam à depressão e ao suicídio.

O projeto de lei foi apresentado no mês passado. Seus defensores alegam que a cultura emo é negativa, encoraja o comportamento anti-social e glamouriza o suicídio. Segundo o jornal inglês “The Guardian”, os emos foram descritos como “adolescentes que se vestem de preto, usam piercings e franjas que cobrem metade do rosto”.

Jovens russos fizeram diversos protestos neste fim de semana. Em Krasnoyarsk, na Sibéria, onde algumas leis já estão em vigor, manifestantes carregaram faixas com frases do tipo: “Um estado totalitário encoraja a estupidez”. Dmitry Gilevich, da banda emo MAIO, aproveitou a oportunidade para frisar que “expressar emoções não é proibido por lei.”

Uma onda de críticas ao gênero atinge os emos no Reino Unido desde o início do ano. Fãs da banda My Chemical Romance protestaram em frente aos escritórios do jornal “The Daily Mail” devido a uma reportagem que vinculava o suicídio de jovens à cultura emo.

Tudo bem que tem alguns emos que mais parecem músicos de enterro, tamanha a tristeza envolvida nas músicas (acho que o exemplo mais extremo é o “My Chemical Romance” – só pra vocês terem uma idéia, os caras fizeram um disco chamado “The Black Parade”). Tá certo que essa tristeza exagerada não seja lá um bom exemplo pros adolescentes: nesta fase, a molecada se questiona tanto sobre tudo que, numa dessas, pode entrar numa depressão ferrada sem que nada (repito: nada!) de ruim esteja de fato ocorrendo em suas vidas. Aí já viu né: juntou tristeza mais depressão em adolescente desmiolado…

Mas também proibir os emos, aí já seria demais. Até onde me consta, o emo é um estilo musical (de emotional hardcore). O que eu já vi nas músicas das bandinhas do estilo é uma tristeza muito grande e uma revolta contra os caretas da sociedade – via de regra, os pais -, os quais não entendem a “angústia adolescente”. Bem, essa temática acima já foi usada por vários cantores e bandas de sucesso. Talvez não com a tristeza dos emos. Mas, bem, a temática era similar. Ou vai dizer que “We´re not gonna take it”, do Twisted Sister, era uma música totosa em relação à sociedade e aos pais em particular?

Agora, vai ter tradição autoritária assim lá na… Ô país complicado essa Rússia, hein? Vai querer mexer com os emos porque a “cultura emo é negativa, encoraja o comportamento anti-social e glamouriza o suicídio”? Pô, será que os caras não têm mais nada de útil pra fazer?

Esse episódio me lembrou o “Tiros em Columbine”, do Michael Moore. Acho que foi neste filme que o documentarista entrevistou o Marilyn Manson – que, após o massacre de Columbine, foi apontado como a “influência negativa” que levou os moleques assassinos a saírem matando quem vissem pela frente, de maneira totalmente maluca. Quando perguntado sobre o que achava de ser considerado tal “influência negativa”, Marilyn disse que na verdade ele era o bode expiatório perfeito para a mídia e para o governo, por causa de suas canções, de seu estilo, etc. No entanto, como acusá-lo de ser esta influência se o dia da matança de Columbine foi também o dia no qual os EUA despejavam a maior quantidade de bombas desde o início da guerra do Kosovo?

(Olha que eu acho o Marilyn Manson um babaca, mas nesta opinião ele mandou bem.)

É isso, estão querendo usar os emos de bode expiatório lá na Rússia pra fazer passar alguma lei com viés mais ou menos autoritário. É ridículo proibir emo de se expressar através de uma lei. Se há algum problema com os adolescentes, que a sociedade os resolva (e aí o papel dos pais é muito mais do que importante), só que de maneira educativa.

E mais: tem até umas bandinhas emo que nem são tão tristes assim. Mais do que isso: até gosto de algumas músicas de algumas bandinhas do estilo… Vejam, por exemplo, o videoclipe abaixo do Fall Out Boy (The Takes Over The Breaks Over) e me digam lá se vocês vão pensar em suícidio depois de ouvirem a música…

Impeachment de Gilmar Mendes

Tudo bem, tudo bem, eu sei que isso dificilmente ocorrerá. É mais fácil o sertão virar mar e o mar virar sertão do que o Gilmar Mendes sofrer um impeachment. Essa é a minha vontade, é a sua também leitor (se você é contra o impeachment dele, retire-se imediatamente deste humilde blog), mas, conformemo-nos: dificilmente ela ocorrerá. O FHC colocou o cara lá, agora a gente tem que esperar até ele morrer.

Aí se eu viesse aqui defender o impeachment do Mendes, os leitores provavelmente não aceitariam meus argumentos. Eles seriam raivosos, meio que “eu quero que o Mendes saia de lá porque acho que ele é um sacana”. Nisso eu fui procurar uma opinião embasada para sustentar então uma opinião favorável ao impedimento do nosso Mendes.

Bem, nessa busca, achei um artigo de Wálter Fanganiello Maierovitch na Carta Capital. Pra quem não sabe, Maierovitch é “é juiz e desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo. Fundou e preside o Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, especializado em criminalidade organizada e terrorismo. Foi secretário Nacional Anti-drogas da presidência da República” (perfil obtido num debate do Observatório da Imprensa).

No artigo (chamado sugestivamente de “Sem confiança na Justiça”), Maierovitch dá inúmeros argumentos jurídicos para mostrar como Gilmar Mendes desconsiderou as leis e o sistema judiciário nacional ao dar dois habeas-corpus a Daniel Dantas, num pequeno intervalo de tempo. Diz o ex-juiz:

A decisão liberatória de Daniel Dantas, proferida no segundo habeas corpus e em sede liminar pelo ministro Mendes, está maculada com o vício da incompetência e é manifestamente nula. Como partiu da presidência do Supremo Tribunal Federal, acabou cumprida. 

(…) No STF, com as liminares de Gilmar, existem dois habeas corpus onde Dantas figura como paciente. Um versa sobre a ilegalidade da decisão do juiz da 6ª Vara Criminal, a respeito de prisão temporária, a fim de assegurar a coleta de provas. O outro, por fatos completamente diferentes do primeiro, sobre ilegalidade derivada de prisão preventiva, para garantia da ordem pública. 

Para Gilmar, os dois habeas corpus se confundem, sendo a segunda ilegalidade uma maneira, por via oblíqua, de se impor a prisão cautelar. Como os fatos eram diferentes, as modalidades de prisões cautelares diversas (temporária e preventiva) e as motivações das decisões distintas juridicamente, não se confundiam os pedidos. Quem se confundiu foi o ministro Gilmar, que, pasmem, apreciou, diretamente, decisão de juiz de primeiro grau. 

(…) Por outro lado, o ministro Gilmar prejulgou ao fazer críticas, fora dos autos e do momento apropriado, à Operação Satiagraha. Não bastasse, deu tratamento privilegiado a Dantas, com inusitado empenho para decidir rapidamente, a mostrar que nem todos são igualmente tratados pela Justiça. 

Todos os abusos e ilegalidades do ministro Gilmar, dada a sua condição e seus profundos conhecimentos jurídicos, não podem ser considerados simples erros judiciários. 

Mas, como não reconheceu publicamente as suas falhas, o caso só pode ser considerado como improbidade. O ímprobo está sujeito a responder a impeachment, ou seja, por crime de responsabilidade, da competência julgadora do Senado Federal. Implica perda do cargo e inabilitação para funções públicas por oito anos.”

Taí, a opinião acima não é a de um simples blogueiro, como eu. É a de um ex-juiz e desembargador, portanto, altamente embasada. Leiam todo o artigo de Maierovitch, é muito bom. Principalmente na parte em que escracha o Tarso Genro, o qual “continua a dar ao direito em vigor interpretações que, seguramente, não apreendeu na faculdade e o reprovariam num exame da Ordem dos Advogados do Brasil”.

Obviamente, outras opiniões tão embasadas quanto figuram por aí na internet (se não me engano, o Dalmo Dallari falou de algo a respeito). Mas, quer saber de uma coisa? Uma só pra mim basta. É, porque o impeachment do Mendes não ocorrerá nem a pau (tudo bem, tudo bem, já falei isso no primeiro parágrafo…). O desânimo bateu justamente agora, quando achei esta informação: pra ocorrer o impedimento de um juiz do Supremo, 2/3 dos senadores tem que votar a favor.

É, desanimou também, né?

Novos blogs adicionados

Galera, se vocês ainda não perceberam, adicionei alguns blogs aí do lado. Acho que vocês não se arrependerão de darem uma passadinha por eles pois o material é de qualidade. Tem a Pri que resolveu fazer um blog sobre a sua aventura olímpica (morram de inveja, pobres mortais, a moça vai pra Pequim! E você, vai pra onde? No máximo, pra Piracicaba! Morra de inveja heheeh).

Tem o Bruno, do Miúdo Recruzado, cujos temas são mais ou menos os mesmos daqui do “A Volta…”. Tem o Jampa, do Oxymore (que, como é dito no próprio blog, criou um “espaço para uma retórica de tensão”). Tem também o bem informado Samurai no Outono, o qual poderia estar lecionando, poderia estar pesquisando, mas está lá, fazendo um blog…

Tá feito o jabá!

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