Arquivo para Agosto, 2008

Rádio “A Volta…” – Agosto/08

Fim de mês chegando, é hora da Rádio “A Volta…” entrar no ar com as 10 músicas que, aleatoriamente aparecerão no meu playlist agora. Simbora ver o que tá tocando por lá.

  1. “FLIGHT OF ICARUS”, Iron Maiden: boa música do razoável álbum “Piece of Mind”, de 1983. Tem um solo de guitarra legal mas a voz do Dickinson é meio estranha na música. Enfim, mantém o padrão Iron Maiden mas não é uma das canções “top 20″ da banda. 
  2. “CASA PRÉ-FABRICADA”, Los Hermanos: música do segundo álbum do grupo, “Bloco do Eu Sozinho”. Eu até que gosto deste disco, mas a música em questão eu só consigo ouvir uma vez: é que ela tem aquele clima meio triste das canções típicas do Los Hermanos… Enfim, não acho que é uma das melhores da banda não.
  3. “LISTEN UP”, Oasis (versão acústica): o pessoal esqueceu deste acústico do Oasis, até hoje não entendo por que (deve ser porque o Liam Gallagher, vocalista, deu o cano e o irmão dele, Noel, teve que assumir os vocais no show – diga-se de passagem, ele segurou a bronca). Mas esta música é uma das melhores do acústico, tem a energia do início do Oasis, uma bateria mais alta… Enfim, sinto-me bem quando ouço esta versão, é questão de gosto mesmo.
  4. “ABOVE GROUND”, Norah Jones: se você acha Norah triste, tem que ouvir essa música pra saber o que é tristeza de verdade… (Vale dizer que a bateria fica numa batida meio marcha fúnebre). Mas o que a gente espera ao ouvir a Norah? Músicas de romance tristes, não é verdade? Ah, que se dane… essa música é triste demais, vamos pra próxima senão terei que chamar uma ambulância… Cara, quanta tristeza!
  5. “DANÇA DA SOLIDÃO”, Marisa Monte: composição do Paulinho da Viola, até bem legal. A Marisa Monte fez uma versão legal, a que eu tô ouvindo vem do grandioso “Barulhinho Bom” (1996). Mais uma música triste de amor, mas essa pelo menos tem um ritmo bacana. “Desilusão, desilusão, danço eu, dança você, na dança da solidão…”. Bem bacana.
  6. “FILHA DA PUTA”, Ultraje a Rigor (versão acústica): “Morar nesse país é como ter a mãe na zona…”. Pronto, começando assim a música termina com um refrão do tipo “É tudo filho da… PUTA!”. Finalmente algo pra animar um pouco esta playlist e fora que a música pode ser utilizada pra descrever os nossos políticos: “É tudo filho da… PUTA!!!”. Detalhe: excelente bateria na música, prestem atenção.
  7. “EU SÓ PENSO EM VOCÊ”, Kid Abelha (versão acústica): Pode parecer sacanagem o que eu vou dizer, mas o acústico do Kid Abelha foi um dos melhores que eu já vi (deve ser porque é um acústico do Kid Abelha com uma puta banda de apoio que tocou bem pra caramba). A música em questão é típica da banda: cançãozinha de amor de alguém que está perdidamente apaixonado. A versão original é ruim, mas a versão acústica… bem, clica no link aí e você vai ver que a música é bem executada nesta versão.
  8. “LUKA”, Suzanne Vega: A música mais executada dos anos 80! É a típica balada pop bacana: bem feita, bom vocal, com uma letrinha toda melosa… Ah, nem preciso dizer mais nada: vocês devem estar carecas de saber que música é essa! Só de ver o nome vocês já devem ter começado a sussurrar, “My name is Luka…”.
  9. “MORNING GLORY”, Oasis: Excelente música do histórico “What´s the story (morning glory)?”! Ótimo conjunto com grande explosão vocal do Liam Gallagher. Acho esta música poderosa pra caramba, até pelos efeitos de guitarra que são dados nela (parece que os caras tão numa oficina mecânica limando alguma coisa). Esta música é o auge do Oasis, se você não gostar dela é porque você, definitivamente, não gosta da banda!
  10. “POLO”, Fresno: Tá certo, tá certo. É música de banda emo nacional mesmo, fazer o que? Os emos estão dominando o mundo, inclusive o meu player… Ah, mas que se foda! Vamos lá cantar a música emo: “Será que alguém já te fez chorar (Te fez chorar) / Mesmo sem ter proferido uma palavra? / E o que você fez? tentou lutar? (Tentou lutar) / Ou compôs uma canção indo pra casa”… “Eu devo desistir pra um dia ser feliz? Ou devo resistir? (Não, não eu não vou desistir assim!) / Ou devo insistir? (Não, não eu não vou desistir!)”… “Cantando e mais do que isso gritando / E às vezes até confessando que eu não sei amar / Pois sabendo, eu não estaria sofrendo /E ainda por cima escrevendo, ao invés de falar”… E o pior é que eu gosto mesmo da música… Tsc, tsc, tsc…

Olha que loucura foi a rádio “A Volta…” esse mês: começou com heavy metal, passou pelo pop rock, depois jazz, depois MPB, depois pop rock acústico de novo, voltou pro rock (desta vez inglês) e acabou com uma canção emo! Incrível, este mês o negócio foi bem eclético mesmo!

Quanto às músicas em si: gosto bastante mesmo só da 3, 5, 6 e 9; razoáveis são as 1, 7 e 8; e aquelas que ouço de vez em nunca são as que sobraram (2, 4 e 10 – e essa não é porque é emo não, é porque enjoa pra caramba!).

E você, tá ouvindo o que? Coloca o teu playlist aí na caixa de comentários ou então comenta a rádio “A Volta…” que rolou esse mês, ok?

Metallica, “The day that never comes” e “Cyanide”

A imagem ao lado é a capa do próximo álbum do Metallica, “Death Magnetic”, o qual será lançado mundialmente no dia 12 de setembro. No entanto, obviamente eu já fui atrás do que seria o primeiro hit deste álbum e descobri qual era a música: “The day that never comes”.

A banda parece que já finalizou o videoclipe da canção mas ainda não o lançou oficialmente. Enquanto isso, o Youtube está lotado de vídeos com a música e apenas uma imagem de fundo. Ou seja, é interessante só pra ouvir mesmo a nova música dos caras.

Eu fui lá e ouvi a canção (você pode ouvir indo neste link do Youtube). Minha impressão: se o disco inteiro for no nível de “The day that never comes”, o álbum vai ser uma porradaria só. Pra vocês terem uma idéia, a música tem 8 minutos, começa com um dedilhado que vai crescendo e do 5° minuto em diante a gente tem um solo de guitarra atrás do outro – acompanhado de uma bateria pauleira.

Pelo jeito progressivo da música, acho que os caras do Metallica falaram a verdade quando disseram que “Death Magnetic” iria resgatar o espírito de “Master of Puppets” (álbum de 86 apreciado pelos fãs “xiitas” do Metallica). Eu diria que, tendo por base este primeiro hit, as coisas estão parecidas com “Master…” e também com “…And Justice for All” (álbum de 1988).

Bem, é isso. Metallica voltando ao passado. Tava mais do que na cara que eles iriam fazer isso: de dois anos pra cá, os shows dos caras têm sido um revival eterno, com vários sucessos dos discos dos anos 80 e do “black album” (91). O que foi feito de lá pra cá, os caras praticamente esquecem nos shows.

UPDATE: e não é que fuçando no YouTube eu achei outra música deste novo álbum do Metallica? Trata-se de “Cyanide”, música que eles tocaram no Ozzfest deste ano. Caramba, o Lars Ulrich detona na bateria, o Kirk Hammitt faz uns solos meio doidos, o Trujillo toca muito bem o baixo, a música é meio longa (6 minutos e meio)… Gostei dessa tal de Cyanide! Segue abaixo o vídeo com a apresentação ao vivo dos caras!

No way, No how, No McCain.

Acabou. Agora a briga de Obama (com apoio explícito da Hillary) é única e exclusivamente com o McCain.

Vejam um pedaço do discurso feito pela senadora há pouco na convenção Democrata (“No way, no how, no McCain” foi a frase mais forte dita por Hillary, por isso o título deste post), o qual colocou um ponto (quase) final no racha interno do Partido Democrata.

Oasis, “The Shock of the Lightning”

Se alguém perguntar pra mim que banda exemplifica bem o tal do “rock inglês”, eu respondo na lata: Oasis! É que desde que eu me entendo por gente, a banda mais representatitva do rock (ou do pop rock, se assim preferirem) lá da terra da rainha é a banda dos irmãos Gallagher. Aliás, tal representatividade alcançou uma escala global com os álbuns “Definitely Maybe” e “What´s the story (morning glory)?” – este último um daqueles discos pra se botar na lista de “100 mais” do rock… ou vai dizer que um álbum que tem, ao mesmo tempo, as canções “Wonderwall”, “Don´t look back in anger” e “Champagne Supernova” não merece figurar entre os principais do rock?

Pois bem, do final dos anos 90 pra cá o sucesso do Oasis não vem sendo lá essas coisas. Tá certo que o “Don´t Believe the Truth” (álbum de 2005) trouxe os bons hits “Lyla” e “The Importance of Being Idle”; porém isto só confirma o fato de que desde “What´s the story…”, o Oasis vem sendo uma banda de uma ou outra música e não de álbuns.

Os caras vão tentar mudar a história com o novo disco que lançarão em outubro, “Dig out your soul”. Obviamente algumas faixas já caíram na internet e até o clipe do primeiro hit, “The Shock of the Lightning”, já aparece por aí. O hit deveria só ser lançado em setembro mas sei lá porque ele já foi disponibilizado na internet com razoável antecedência (o pessoal do “Ilustrada no Pop” já mostra o videoclipe desde 19/08).

Minha opinião sobre a música: bem bacana, lembra bastante a força e a rapidez dos hits do primeiro álbum do Oasis, “Definitely Maybe” (principalmente “Rock’n'roll Star”). Agora, fica a dúvida: será só mais um ótimo hit da banda ou será que o álbum “Dig out your soul” virá com tudo pra se tornar um dos melhores discos de 2008?

Bem, enquanto a dúvida fica no ar, curtam a bacana “The Shock of the Lightning”!

P.S.: o videoclipe da música também é muito bem feito, com várias colagens, sobreposições de imagens, efeitos visuais… vejam aí abaixo!

Batman – O Cavaleiro das Trevas

Aos poucos vamos voltando à vida normal aqui no blog. Neste último domingo assisti a “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (“The Dark Knight”, 2008, dirigido por Christopher Nolan). Tá certo que todo mundo já deve ter visto e o “efeito novidade” com certeza já passou… Mas se eu comento aqui no blog sobre filmes de 20 anos atrás, por que não comentar de filmes de 2 meses atrás?

Aliás, foi até bom ter demorado um pouco pra assistir. Na época em que o filme estreou, todo mundo brigava ou para dizer que o filme era fantástico ou para simplesmente dizer que era uma bobagem sem fim que se aproveitava da morte de Heath Ledger para se autopromover. Sem estas visões tão apaixonadas, eu fui lá ver a película buscando prestar atenção em todos os detalhes.

Depois de 2 horas e meia de filme, cheguei a seguinte conclusão: ”Batman - O Cavaleiro das Trevas” é muito bom. Veja bem, não disse que o filme é fantástico mas sim que ele é muito bom. E a verdade é a seguinte: pode ser que alguém não curta o filme por tal ou qual motivo; mas o motivo principal que levaria alguém a não curtir este filme do Batman, na minha opinião, só pode ser não gostar de histórias em quadrinhos. Aí realmente a pessoa vai achar o filme uma baboseira sem fim. Fora isso e levando em conta que o Batman é um herói – e não um anti-herói ou um justiceiro, como o Wolverine -, a construção de “The Dark Knight” foi muito bem feita.

Obviamente o filme tem alguns problemas, como, por exemplo, a longa duração, o sem-número de catástrofes e explosões, a atuação mais do que canastrona do Christian Bale como Batman (que voz de taquara rachada era aquela?)… Porém estes problemas sequer são comparáveis aos pontos positivos que enumerarei abaixo.

O primeiro deles: finalmente tivemos um filme do Batman. Pra quem lê (ou leu) o gibi do herói, era dose aguentar o Batman do Tim Burton (apesar de “Batman II – O Retorno” ter sido até bacana) ou o Batman “xarope” do Joel Schumacher. Estes quatro primeiros filmes não têm nada a ver com o personagem dos quadrinhos. Ponto final. O “Batman Begins” do Christopher Nolan (filme que antecedeu a “O Cavaleiro…”) até é um filme do Batman, só que bem fraquinho no que diz respeito ao vilão principal: o tal do Ra´s al Ghul é um dos inimigos menos conhecido e importante do morcegão.

E é justamente aí que reside um dos grandes méritos de “O Cavaleiro…”: o personagem Batman se constrói nas HQs, muitas vezes, em cima do contraponto em relação aos seus inimigos. E o principal deles é o Coringa. Como o diretor Nolan quis dar um clima sombrio ao Batman, ele colocou um Coringa mais sombrio e violento – bem próximo ao personagem criado em “A Piada Mortal” (veja neste post quão bom é esse gibi). E nisso de termos um “palhaço” bandido amoral e anárquico, o Heath Ledger matou a pau na interpretação. Os tiques, o jeito esquizofrênico, as rápidas alternâncias entre piadas e violência… Não há o que dizer: a expectativa que eu tinha sobre este ser o papel da vida de Heath se confirmou.

Parênteses: impossível fugir da discussão sobre a comparação entre as atuações de Ledger e de Jack Nicholson (o Coringa do primeiro filme do Tim Burton). Na real? Ambos mandaram muito bem e a comparação não tem lá o seu sentido. Dizer que o Coringa do Nicholson é inferior é meio sacanagem: dentro do “universo Burton”, o ator fez a interpretação requerida pelo diretor para o vilão. E fez muito bem feito. Se na época, Burton tivesse exigido um Coringa violento e anárquico como o que aparece em “O Cavaleiro…”, não tenho dúvida de que Nicholson igualmente mataria a pau na atuação – é só lembrar da atuação dele em “O Iluminado”.

Mas uma coisa que ninguém comentou muito (até porque o ator que interpretou o Coringa em “O Cavaleiro…” morreu) e que eu achei muito bacana no filme foi o “meio-termo” entre o Batman e o Coringa, representado pelo promotor Harvey Dent – que depois virará o Duas Caras. Este personagem, visto por Batman como um homem superior pois é um “herói sem máscara” e percebido pelo Coringa como um ser potencialmente mais violento caso algo de ruim aconteça em sua vida, é uma “balança” interessante que aparece no filme. Principalmente nos momentos em que deseja agir à margem da lei – o que, para o Batman, seria o fim do mundo, pois Harvey é o verdadeiro herói na opinião do morcegão. Esta dualidade apareceu muito bem na ótima interpretação do ator Aaron Eckhart – outro cara que mandou muito bem no filme.

Então, é isso. Tendo em vista que “Batman - O Cavaleiro das Trevas” é um filme baseado num personagem de histórias em quadrinhos mais tradicional, o filme explorou muito dos pontos possíveis em relação ao herói e aos seus principais contrapontos. Lógico que o filme poderia ter sido menos “espetaculoso”, ter uma duração menor, trazer um Batman mais atormentado e sombrio (aí sim chegaríamos perto do personagem central da HQ “O Cavaleiro das Trevas”, do Frank Miller – ver neste post)… mas aí seria cobrar demais de um filme que foi construído para ser um blockbuster de Hollywood.

Filme mais do que recomendado (isso se você for um dos poucos seres que ainda não viu a obra…).

P.S.: este foi mais um filme do Batman no qual os vilões tiveram uma interpretação superior ao herói. Nos dois primeiros filmes do Tim Burton, Jack Nicholson, Michelle Pfeiffer e Danny deVito foram infinitamente superiores ao insosso Michael Keaton; em “O Cavaleiro…”, Heath Ledger e Aaron Eckhart superam (em muito) a atuação apagada do Christian Bale. O Batman parece ter profundidade zero neste último filme…

P.S.II: “O Cavaleiro…” reuniu atores muito bons para fazer alguns papéis coadjuvantes. Maggie Gyllenhaal é a promotora Rachel Dawes; Michael Caine é o mordomo Alfred; Morgan Freeman é Lucius Fox; e, finalmente, Gary Oldman é o Comissário Gordon.

P.S.III: será que o desfecho dado a este filme finalmente permitirá que haja um filme do Batman com ele encarnando o espírito do morcegão da HQ “O Cavaleiro das Trevas”? Na minha opinião, o gancho para que isso ocorra já foi feito…

Pequim’08 – Highlights [9]

Últimos highlights só para complementar o que terminou em Pequim mas que eu não tinha colocado nos posts abaixo. Esse vai ser vapt-vupt mesmo!

Basquete Masculino. Uma final espetacular! Todo mundo sabia que os EUA venceriam, mas a Espanha não entregou os pontos e jogou muito, muito mesmo. O placar final foi 118 a 107 pros norte-americanos, uma diferença bem menor do que os quase 40 pontos do duelo da fase de classificação. Parabéns aos norte-americanos pois eles realmente jogaram muitos nestas Olimpíadas. E provaram que, para você realmente ser campeão, não basta a fama: tem que ter planejamento, comprometimento e, acima de tudo, jogar com tudo pra realmente comprovar sua superioridade. O placar da final de ontem comprovou isto. Ah, e a Argentina, mesmo sem o craque Ginóbili, ganhou o bronze em cima da Lituânia, 87 a 75. Parabéns a eles também pois é a segunda medalha seguida que conseguem (tinham conquistado o ouro em Atenas-04). E o Brasil sequer se classificou…

Basquete Feminino. Mais do mesmo: EUA tetracampeãs olímpicas, 92 a 65 contra a Austrália. Desde Atlanta-96, o ouro é das norte-americanas e desde Sidney-00, numa final em contra o time da Oceania. Já tá ficando chato e repetitivo…

Futebol Masculino. Não adiantou eu torcer contra: a Argentina levou o ouro do futebol masculino (pela segunda vez seguida). Desta vez, contra a Nigéria, 1 a 0, gol de Di Maria. Mesmo sob um calor escaldante, o time dos hermanos jogou melhor, confirmou seu favoritismo e levou mais um ouro pra casa. Detalhe: de Atlanta-96 pra cá, a Argentina chegou a três finais olímpicas: ganhou 2, perdeu uma (em cima da própria Nigéria). Ou seja, desempenho olímpico bem superior ao do Brasil no mesmo período…

Handebol. A França confirmou o favoritismo e levou o ouro no handebol masculino, batendo a Islândia na final. No feminino, ouro pra Noruega em cima da Rússia, com placar de 34 a 27.

É isso aí. Acabaram-se os highlights. Nos esportes coletivos, o destaque pra mim foi, sem dúvida, o desempenho dos EUA: eles ganharam ouro nos basquete masculino e feminino, vôlei masculino (com prata no feminino) e futebol feminino. Como são os esportes que eu mais acompanho, pra mim foi impressionante o quão bem eles mandaram.

Amanhã volto com a programação normal do blog. Acabou-se a cobertura olímpica!

Ufa, não aguentava mais… Estes dias foram corridos… Ficar atualizando todo santo dia este blog não foi tarefa fácil!

Pequim’08 – Momentos fantásticos

Eu não assisti a todos os eventos possíveis e imagináveis das Olimpíadas de Pequim. No entanto, vou enumerar abaixo aqueles que eu classifico como alguns dos momentos mais fantásticos destes Jogos Olímpicos. Obviamente estes momentos estarão recheados de episódios com brasileiros; o que não é tão óbvio assim é que a minha definição de fantástico também inclui aqueles momentos que não foram necessariamente positivos. Enfim, aos momentos fantásticos de Pequim-08!

Michael Phelps na final do revezamento 4×100m livre. Não tem nem o que dizer: era apenas o segundo ouro disputado pelo fenômeno, ele já tinha feito sua participação no revezamento e, mesmo assim, os EUA estavam na segunda colocação. Phelps dependia de Jason Lezak, seu companheiro de revezamento, para garantir o ouro. A parada era difícil: Lezak teria que tirar meio corpo de diferença para o até então recordista mundial dos 100m livre, o francês Alain Bernard. Ambos bateram juntos. Phelps então olhou no placar e, incrédulo, não acreditou no que viu! EUA ouro na prova! O cara vibrou tanto, mas tanto, que a imagem ficou marcada: era a alegria de alguém que, por ter tido a ajuda de outro, ainda poderia alcançar o tão sonhado recorde de 8 medalhas de ouro na mesma Olimpíada.

O choro sincero de Eduardo Santos. Esse é um daqueles caras que você pode chamar de “perdedor que venceu”. Eduardo Santos sequer era faixa preta há um ano atrás (o cara não tinha grana para tocar o processo de troca de faixa), sua experiência em eventos internacionais era apenas uma – um sul-americano juvenil disputado em Brasília – mas mesmo assim o cara teve uma participação muito boa em Pequim. Venceu duas lutas, perdeu uma, foi pra repescagem, venceu outra e chegou, então, à disputa da medalha de bronze. Perdeu por decisão dos árbitros (uma daquelas que ninguém consegue entender dado que o brasileiro, na minha humilde opinião, teve maior combatividade). O que esperaríamos de um cara desse? Que dissesse algo como “caralho, eu nem sei como é que eu cheguei aqui”. Mas não. Em sua declaração depois da perda do bronze, Eduardo pediu desculpa ao seus pais por não ter tido “competência suficiente pra derrubar” o seu adversário. Ou seja, ele assumiu a bronca e se desculpou àqueles que, provavelmente, foram os que mais sofreram durante a sua trajetória. Fantástico.

Cielo medalha de ouro nos 50m livre. Um dos momentos mais legais dos Jogos para nós brasileiros: a prova que deu ouro a César Cielo. Tudo foi incrível: o olhar concentrado antes da prova, o sinal da cruz, a largada… E 21 segundos depois, o primeiro ouro da natação brasileira. Ao ver o resultado, Cielo soca a água, esbraveja, comemora muito. Momento incrível da prova mais rápida da natação – só do cara nadar 50m sem respirar a uma velocidade fantástica, já vale o ingresso.

Usain Bolt ganha os 100m livre. E de uma maneira nunca antes vista: antes mesmo de ganhar, tamanha era a diferença para os adversários, Usain já comemora antecipadamente, durante a própria prova. Bate no peito, abre os braços… Isso numa prova que já foi decidida várias vezes por um tronco de diferença. Quebra de recorde mundial pro jamaicano e um momento histórico pros Jogos.

Diego Hypólito caiu no último salto. A foto que mostra a cara de perplexidade de Diego depois da queda no último salto diz tudo: o cara viu que ali, literalmente, seu mundo havia caído. No último salto, o mais fácil de todos, a queda de bunda tirava a medalha de ouro, de prata, de bronze… E deixava Diego acabado psicologicamente.

Phelps, incansável, ganha sétimo ouro por apenas 1 centésimo de segundo. Durante toda a prova dos 100m borboleta Phelps esteve atrás. Na virada dos 50m, estava em quarto lugar. Recuperou-se pouco a pouco: terceiro lugar, segundo lugar… No entanto, o primeiro lugar continuava sendo do sérvio Mirolad Cavic. “Ah, desta vez ele perde…”, logo pensei. Mas lá vem o Phelps, recuperando, recuperando, os dois batem juntos e… Phelps vence! Por um mísero centésimo de segundo, na batida! Essa foi por pouco, mas muito pouco mesmo. O nadador norte-americano nem comemora, tamanho era seu cansaço após 7 dias de disputas ininterruptas. Pela segunda vez, o recorde dos 8 ouros esteve ameaçado. Mas depois que ganhou este sétimo ouro, Phelps já sabia que nada lhe tiraria o oitavo. Se precisasse, até o centésimo de segundo estaria a seu favor.

Liu Xiang e a frustação chinesa. A China ganhou 100 medalhas nestas Olimpíadas, em tudo quanto foi esporte. Mas, mesmo assim, os caras conseguiram ficar frustados com um único atleta: Liu Xiang, ex-recordista mundial dos 110m com barreiras. Liu estava com uma tendinite no tendão de Aquiles mas, mesmo assim, foi pra pista pra competir. Visivelmente ele não tinha a mínima condição física – só de apoiar o pé para dar a largada, o cara urrava de dor. Para piorar ainda mais, um outro atleta queimou a largada da prova e Liu, que já tinha partido, não conseguiu voltar para uma nova largada. Choro pelo abandono, comoção no Ninho do Pássaro: centenas de chineses abandonam o estádio e o país fica triste por Liu não ter disputado o ouro.

Marta, a inconformada. A derrota do Brasil pros EUA na final do futebol feminino foi, para mim, a mais triste de todas: tínhamos um time melhor, que jogava mais bonito, que deu show na semi-final em cima das campeãs do mundo, etc, etc. A imagem que marcou esta derrota pra mim foi a da meio-campista Marta (considerada a melhor jogadora do mundo): no segundo tempo da prorrogação, 1 a 0 pros EUA, ela tenta de tudo pra fazer o gol. Faz jogada individual, cruza na área, bate falta venenosa… No entanto, é após um chute que passa perto do travessão que Marta, nitidamente, se mostra inconformada com a derrota: “O que é que eu fiz de errado?”, pergunta a jogadora aos céus, como se a derrota fosse um castigo divino que havia sido imposto a ela.

Cubano do taekwondo agride árbitro. Faltava 7 segundos pra luta do cubano Angel Valodia Matos acabar e ele pediu para ser atendido pois sentia uma contusão. O cubano vencia a luta na sua categoria e iria ganhar o bronze. Acontece que no taekwondo você tem um minuto pra ser atendido; se esse tempo passar, você é desclassificado. Porém, o juiz costuma avisar quando o tempo vai terminar. Não foi o que ocorreu: o juiz desclassificou Matos automaticamente e o cubano ficou inconformado. Nisso, fez algo incrível: acertou um chute na cara do árbitro! Como disse a medalhista brasileira Natália Falavigna, Matos tem que ser excluído do esporte por tal atitude: segundo ela, ele não deu um soco, uma cabeçada, nada disso, ele usou de uma das técnicas do taekwondo pra agredir uma pessoa que, a priori, não teria como se defender. Se cada um que ficar inconformado for usar a técnica da modalidade em disputa para agredir o árbitro, aí os juízes que se cuidem… Imagina só o caso do tiro, do arco e flecha, da esgrima…

Lutador sueco larga o bronze no chão e vai embora. Esta outra cena também foi inédita pra mim: o sueco Ara Abrahamian, praticante da luta greco-romana, ficou inconformado após a decisão dos árbitros que decretaram sua derrota na semifinal para um italiano. Ele lutou de novo, ganhou o bronze e aí, quando já estava no pódio com a medalha no peito, ele olhou pra ela, deu tchauzinho pros demais medalhistas, saiu do pódio e largou a medalha no chão. Rapaz, largar medalha assim no chão… taí mais uma que eu nunca tinha visto.

É isso aí. Se vocês lembrarem de mais algum momento fantástico de Pequim-08, digam aí na caixa de comentários.

Pequim’08 – Balanço da participação brasileira

Acabaram os Jogos Olímpicos de Pequim. Aqui no “A Volta…” fiz a melhor cobertura possível sobre o maior evento esportivo do mundo e pelo tanto que escrevi nestes dias vocês devem ter percebido o quanto eu aprecio os Jogos Olímpicos.

Encerrados os Jogos, é hora de fazermos um balanço da participação brasileira nestas Olimpíadas. E aí eu começo fazendo uma comparação entre quem eu achava que ganharia medalha (ver este post) e quem efetivamente voltou “medalhado” pra casa. Bem, sobre isso, nem tenho o que dizer. Minhas previsões foram vergonhosas… Previ 20 medalhas, sendo 9 de ouro. Ganhamos 15, 3 de ouro. Vejam abaixo um resumo das minhas apostas com os acertos, os erros e os ouros previstos:

  • Acertos: Maurren Higa Maggi, César Cielo (nos 100m livre), futebol masculino e feminino, vôlei masculino e feminino, Ricardo e Emanuel (vôlei de praia), Tiago Camilo, Natália Falavigna, Robert Scheidt e Bruno Prada.
  • Apostas Erradas: Fabiana Murer, Marílson Gomes dos Santos, Diego Hypólito, Jade Barbosa, Thiago Pereira (200m e 400m medley), Kaio Márcio (100m borboleta), João Derly, Mayra Aguiar, Bimba.
  • Acertos – Medalha de Ouro: Maurren Higa Maggi e Vôlei Feminino.
  • Erros – Medalha de Ouro: Diego Hypólito, Futebol Masculino (ganhou bronze), Vôlei Masculino (ganhou prata), Ricardo e Emanuel (ganharam bronze), Tiago Camilo (ganhou bronze), João Derly, Robert Scheidt/Bruno Prada (ganharam prata).
  • Quem ganhou medalha e eu não tinha previsto? César Cielo (ouro nos 50m livre), Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro (bronze no judô), Márcio e Fábio Luiz (prata no vôlei de praia), Fernanda Oliveira e Isabel Swan (bronze na vela).

Ou seja, errei bastante, principalmente no otimismo das medalhas de ouro. Mas, como tinha dito, várias e várias vezes antes, sou apenas um torcedor que fica dando palpites…

Enfim, o Brasil ganhou 15 medalhas no total: igualamos o desempenho de Atlanta-96, quando tivemos o recorde de medalhas. No entanto, ganhamos 2 ouros a menos do que Atenas-04 (nosso recorde) e pra desespero do pessoal lá do Bronze Brasil não atingimos a meta de 10 bronzes estabelecidos por eles. Na classificação geral (aquela que dá maior pontuação pro ouro e não pro total de medalhas, como queriam os EUA) ficamos em 23° lugar – atrás, portanto, do 16° de Atenas-04.

Pra mim, as maiores decepções foram o sexto lugar do Diego Hypólito na final do solo na ginástica, a eliminação precoce do João Derly no judô e o vareio que a seleção masculina de futebol levou da Argentina na semifinal (3 a 0). No entanto, tive algumas surpresas positivas também nestes Jogos: a Ketleyn Quadros, junto com a Fernanda Oliveira e Isabel Swan, as quais eu nem conhecia; a grande participação do César Cielo nos 50m livre, ganhando o ouro; e o vôlei feminino, que, apesar de eu ter apostado que ganharia ouro, sempre fiquei com um pé atrás (desta vez, elas foram lá e botaram pra quebrar!).

Esse foi o primeiro ciclo olímpico no qual tivemos o grande aporte de recursos federais através das leis de incentivo. Apesar disso, se formos trocar em miúdos a nossa participação em Pequim-08, chegamos num nível de premiação igual ao de 12 anos atrás e com menos ouros do que há quatro anos atrás. Ou seja, fomos razoáveis, com um desempenho que não supera os obtidos nos últimos três Jogos (em Sidney-00, apesar de não termos ganho nenhum ouro, saímos dos Jogos com 12 medalhas no total).

Por isso, não adianta o sr. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, vir com ufanismo e estatísticas mil dizendo que esta foi a melhor participação do Brasil na história. Nada disso. Seja pelo prisma que for, ficamos atrás de Atlanta-96 e de Atenas-04. “Ah, mas levamos um número recorde de atletas”, diria Nuzman. Isso sim é verdade, porém do que adianta a quantidade se não evoluímos na qualidade?

E ainda tem mais: nessa de aportarmos dinheiro em esportistas de alta performance, nós acabamos perdendo a base para a formação de atletas nos mais variados esportes. Sem uma base maior de esportistas, a probabilidade de termos mais atletas de alta performance em mais esportes diminui drasticamente. Nisso, chegamos à conclusão que chegou o Marcelo Barreto do Sportv: não temos atletismo, temos Maurren Higa Maggi; não temos natação, temos César Cielo; não temos taekwondo, temos a Natália Falavigna, e por aí vai…

No fim das contas, é nas Olimpíadas – ou seja, o fim de todo o processo descrito acima – que sentimos o quão mal planejado é o esporte nacional. É só ver nesta matéria do UOL Esporte: fora o fato do país não ter uma política de esportes, o Nuzman (nunca é demais lembrar, manda-chuva do Comitê Olímpico Brasileiro desde 96) fica numas de dizer que o investimento não é o valor x, mas sim o y (sempre menor que o x, ou seja, ele, no fim das contas, quer é mais grana mesmo), aí você vê atleta investindo grana do próprio bolso pra ir pras Olimpíadas (como foi o caso das meninas que ganharam o bronze na vela para o país), depois vê esporte praticamente inexistente (badminton) ganhando a mesma grana que um esporte que já tem participação expressiva no cenário internacional para o país (taekwondo)…

Não vou entrar no mérito desta discussão política (até porque, com muitos mais números e com maior conhecimento de causa, o Juca Kfouri já comprou esta briga) mas o fato para mim é um só: tirando o vôlei, o judô e a vela, o resto dos esportes no país ainda tem muito a evoluir (em diferentes gradações, obviamente). Estes três esportes, por diferentes razões, são os que conseguiram manter um desempenho mais ou menos estável nas últimas Olimpíadas.

No fim das contas, de Atenas-04 para Pequim-08, ficamos na mesma. Essa é a minha avaliação. Expectativas pra Londres-12? Eu não espero muitas mudanças não.

Aliás, uma coisa eu já garanto que não mudará: a minha torcida. Só que em 2012 eu espero que ela ocorra no local do evento e não à distância. Será que a grana vai dar? Sei não…

Pequim’08 – A última medalha foi de prata

Caros leitores, ontem mal consegui ficar de pé, tamanho era o estado sonolento no qual me encontrava. É que resolvi assistir, na madrugada de sábado pra domingo, à final do vôlei masculino de Pequim. Até então, eu só tinha assistido a eventos esportivos de madrugada duas vezes: quando o Senna corria e aí eu não podia perder as decisões dele contra Prost e Mansell; na Copa do Mundo de 2002, porque futebol é futebol e Copa do Mundo só ocorre de 4 em 4 anos.

No entanto, o vôlei do Brasil merecia a perda de sono que eu iria ter. E nisso fui ver a final entre Brasil e EUA: o jogo foi tão disputado que começou à 1h e acabou por volta de 3h30, mesmo que o tie-break não tenha ocorrido.

Como todos vocês já devem ter lido, o Brasil saiu vencendo bem o primeiro set, 25 a 20. Até dava a impressão de que levaríamos a decisão nas costas. Mas que nada! O segundo set começou “só” 8 a 1 pros EUA, tudo decorrente do demolidor saque de Stanley. O Brasil até deu uma recuperada, chegou a encostar no placar, mas os EUA fecharam em 25 a 22.

A partir daí, o jogo sempre ficava bem disputado porém os yankees melhoravam na fase decisiva do set (quando um time passa dos 20 pontos) e aí eles levaram o terceiro e o quarto sets (25 a 21 e 25 a 20). O quarto set foi o pior dos dois pra nós: o Brasil vencia por 20 a 17, mas aí o time não conseguiu virar mais nenhuma bola. E numa pancada do ótimo Stanley os EUA levaram, pela terceira vez, o ouro no vôlei masculino.

3 sets a 1 pros EUA e ouro com todos os méritos pra eles. Aliás, este foi o tipo de derrota o qual não se pode reclamar: os caras foram superiores, tiveram o melhor jogador (disparado) da partida – Stanley -, um levantador inspiradíssimo, um treinador que soube parar o jogo todas as vezes nas quais o Brasil ameaçava deslanchar no placar… Como admitiu hoje o levantador Ball, eles estudaram o Brasil por 4 anos. O time de Bernardinho era o time a ser batido e nisso eles anularam as principais armas do time. Nem sei se Giba e André Nascimento não estavam em dias muito inspirados mas a verdade é que eles conseguiram virar pouquíssimas bolas; teve uma hora que a bola só entrava ou com o Dante ou com o reserva Murilo.

O Brasil poderia ter jogado melhor? Sem dúvida. Erramos muitos saques (inclusive alguns fraquinhos) e nossa recepção estava meio ruim – aliás, ela era totalmente destroçada quando o grandalhão Stanley sacava. Mas eu acredito que, mesmo melhorando estes dois aspectos, o Brasil não conseguiria vencer o guerreiro time norte-americano.

Percebi que ficou um clima meio que de decepção com a derrota do time que considerávamos imbatível. A verdade é que o time de vôlei do Bernardinho conseguiu algo incrível: ficar no topo por um tempo razoável, servindo de alvo para todos os outros e mesmo assim vencendo (quase) tudo que tinha pelo caminho. Itália, Rússia, Bulgária, Polônia, os próprios EUA… todos eles foram adversários batidos em muitas decisões pelo Brasil. E isso por quase 8 anos – vale dizer que o Brasil ganhou 6 Ligas Mundiais neste período de Bernardinho como técnico.

Mas, enfim, nenhum time é imbatível. E, quer queira quer não, nós chegamos nestas Olimpíadas na fase descendente da curva de rendimento de um time. Alguns jogadores aposentando, outros já com uma idade mais avançada e com estilo de jogo bem conhecido… Esse time foi vidraça desde 2001 e aguentou bem o tranco até este ano. Mas aí surgiu uma equipe muito bem preparada – os EUA – e finalmente a vidraça quebrou. Pena que foi bem nos Jogos Olímpicos…

Quanto ao Ricardinho (levantador que saiu da seleção no ano passado, expulso do time pelo Bernardinho), só tenho a dizer o seguinte: o cara fez uma baita falta. Não que ele fosse insubstituível, mas ele era um jogador vital pro time brasileiro. Vale dizer que ele era considerado o melhor levantador do mundo e que no último torneio que havia disputado pela seleção – a Liga Mundial de 2007 – ele foi eleito o melhor jogador da competição (fato meio difícil de acontecer para um levantador, pelo menos até onde eu saiba). O Marcelinho é razoável, mas não é tão bom quanto o Ricardinho – vale dizer que o primeiro foi reserva absoluto do segundo por pouco mais que 6 anos.

No entanto, a conta que o Bernardinho fez quando expulsou o Ricardinho foi a seguinte: melhor perder uma peça chave do grupo do que perder o grupo inteiro. Nem sei se o levantador era tão “causador” assim, mas esta foi a imagem que o técnico passou dele pra imprensa. Como o time inteiro ficou do lado do Bernardinho – novamente: segundo o que a gente soube pela imprensa -, alguma coisa o Ricardinho deve ter aprontado.

O Brasil teria vencido se ele estivesse lá? Sinceramente, não sei. No mínimo, teria dado mais jogo. Apesar do Bernardinho dizer hoje que o Brasil já havia perdido com o Ricardinho em quadra (o que é verdade), o cara sabia variar bem as jogadas, sabia fazer um atacante ficar desmarcado depois do mesmo ter sido bloqueado (ou seja, dava moral pro cara) e, principal de tudo, sabia fazer uma bolas de “segunda” (quando o levantador, ao invés de levantar, engana a defesa adversária e faz o ponto direto) que desestabilizavam os oponentes.

Mas é isso: a derrota não tira em nada os méritos do time construído pelo Bernardinho e que se tornou um dos mais vitoriosos do mundo nestes anos 2000. O trabalho feito não pode ser apagado e nós temos que enxergar que um ouro e uma prata foram ganhas por este time, na sequência (não me recordo de alguém que tenha conseguido isto recentemente).

E com isso, o Brasil encerrava sua participação nos Jogos… Ah, que sono…

Pequim’08 – Fantástico ouro das meninas do vôlei!

Incrível! Espetacular! Sensacional! As meninas do vôlei do Brasil ganharam o ouro em cima das norte-americanas! Demais, tô até agora vibrando com a vitória delas! Só consigo falar em exclamações!!!

Uma campanha incrível: um set perdido em toda a competição, coisa que eu nunca tinha visto em Olimpíadas. Hoje vencemos os EUA por 3 sets a 1. Demos um show no primeiro, fechando por 25 a 15; elas jogaram melhor no segundo e os EUA ganharam por 25 a 18; fomos pro terceiro set jogando muito e vencemos por 25 a 13.

Faltava apenas um set pro ouro. E ele foi espetacular: o Brasil perdia por 15 a 13, virou, abriu 17 a 15, depois tomou uma revirada, 18 a 17 pros EUA. A partir daí, só deu Brasil: com bloqueios espetaculares e com Sheilla, Mari e Paula Pequeno voando em quadra, as norte-americanas não sabiam mais o que fazer. Resultado: 25 a 20 no último set e o Brasil campeão olímpico pela primeira vez no vôlei feminino!

E esta medalha tem muitos motivos pra ser considerada especial. O Brasil saiu arrasado das últimas Olimpíadas: vencia a Rússia por 2 sets a 1, tinha 24 a 19 no quarto set, mas mesmo assim perdeu seis match points e a chance de ir a final. O time ficou tão quebrado que sequer ganhou o bronze. Zé Roberto Guimarães teve que fazer um trabalho de reconstrução do time nestes quatro anos e passou por vários percalços (a derrota de virada para Cuba no Pan-Americano foi um deles), mas chegou nas Olimpíadas voando. Cresceu na hora certa: campanha impecável e grande medalha de ouro.

E fica a lição aí pra todos: numa derrota, crescer, planejar, botar a cabeça no lugar. Foi o que o Brasil fez no vôlei feminino. Mari, a jovem jogadora tão criticada por ter errado pontos críticos nas outras Olimpíadas, foi inicialmente poupada no trabalho de reconstrução. Quando voltou à seleção, já tínhamos muitas outras boas opções de jogo e a mais espetacular delas, na minha opinião, foi a jovem Sheilla. Joga muito e é uma pessoa de confiança nos momentos críticos. O trio ofensivo do Brasil funcionou muito nestes Jogos Olímpicos com Mari, Paula e Sheilla.

Fora isso, Juca Kfouri mostrou no seu blog ontem, através do artigo “Segredinhos do vôlei feminino”, que José Roberto Guimarães levou a gabaritada psicóloga Sâmia Figueiredo para Pequim. Segundo Juca, o vôlei feminino era “única equipe nacional com uma especialista em psicologia esportiva na delegação”. Valeu muito: não é uma psicóloga que vai ganhar os jogos pra nós, mas para uma equipe que já tinha sofrido várias derrotas traumáticas, o trabalho com a cabeça das meninas era mais do que necessário.

E valeu a pena pois o Brasil jogou muito, com tranquilidade, inclusive hoje depois de ter perdido seu primeiro set nestes Jogos. É um trabalho importante, que muita gente não vê, mas que o Zé Roberto viu como essencial. Deu no que deu, obviamente aliado a grande habilidade das moças do país. Podíamos perder até por sermos piores tecnicamente; mas com certeza não perderíamos por falta de tranquilidade como havíamos perdido em Atenas.

E parabéns também a Zé Roberto Guimarães, o primeiro treinador da história dos Jogos Olímpicos a ganhar ouro no vôlei masculino (Barcelona-92) e feminino!

Agora fica a nossa torcida pro vôlei masculino de hoje à noite. Independente do resultado, de longe (mas de longe mesmo), o vôlei tem sido o esporte mais vencedor do Brasil nestes anos 2000. Que isto leve a maior investimentos, maior número de praticantes e que o país continue na elite deste esporte.

É ouro pro Brasil! Parabéns a Carolina, Fabiana, Fabi, Fofão, Jaqueline (que ficou um tempo fora da seleção por ter sido pega no doping – depois ela foi absolvida), Mari, Paula Pequeno, Sheilla (jogou muito!), Thaísa, Sassá, Valeskinha, Walewska, Zé Roberto Guimarães e toda a comissão técnica! Brasil-sil-sil!!!

E agora eu vou ver o hino do Brasil tocando pela terceira vez nestes Jogos Olímpicos! Hoje à noite tem mais torcida: Marílson na maratona e o vôlei masculino!

Pequim’08 – Bronze no Taekwondo!

Esse bronze tem gosto de ouro pra mim. Ontem fui dormir quase meia-noite, depois da primeira vitória de Natália Falavigna na categoria acima de 67kg do taekwondo. A próxima luta dela seria lá pras 3, 4 da manhã. Fui dormir então.

Acordei hoje por volta das 6 e pouco da manhã e a luta da semi-final da Natália tava ocorrendo. Ela contra uma norueguesa. O combate terminou empatado e a decisão foi pra mão dos juízes: eles deram a vitória para a norueguesa. Natália ficou chateada. Eu também: eu não entendo bulhufas de taekwondo (nem de judô) e fico puto da vida quando a luta é decidida pelos juízes. Não sei se é torcida demais minha mas eu sempre acho essas decisões dos juízes injusta…

Enfim, vamos a disputa do bronze. Natália Falavigna contra a sueca Karolina Kedzierska. A lutadora brasileira entra concentrada e decidida: 2 a 0 logo de cara. A sueca contra-ataca, 2 a 1; Natália faz 3 a 1, mas é punida, voltamos ao 2 a 1. Segundo round: Natália acerta a sueca, a mesma contra-ataca: 3 a 2; Natália cozinha o galo e acerta mais um chute: 4 a 2! Terceiro round: de cara, Natália acerta mais um chute, 5 a 2. Agora é segurar até o fim pois a sueca parece estar com o pé direito dolorido.

A luta acaba! Natália Falavigna ganha a primeira medalha do taekwondo brasileiro! E em cima da atual campeã européia!

Alguém pode se perguntar o porquê da minha simpatia com a Natália. Simples: em Atenas-04, ela perdeu a disputa pela medalha de bronze, bateu na trave. Mas até aí, nada de mais. Ah, mas pra mim tem sim: Natália havia quebrado o pé direito antes dos Jogos; obviamente, depois de três lutas, ela sentiu a contusão e chegou com o pé “bichado” na disputa pelo terceiro lugar. Lembro-me que ela mal conseguia colocar o pé no chão, que ela subiu ao palco da luta pulando com uma perna só e mesmo assim ela fez o que pôde na luta. Não deu, mas a força dela – inclusive sem desistir em nenhum momento da medalha – me fez criar uma simpatia incrível com essa jovem (ela tem 24 anos agora, ou seja, em Atenas tinha apenas 20 aninhos).

Parabéns, Natália! Que sua vitória possa tornar o taekwondo mais famoso no Brasil!

Pequim’08 – Highlights [8]

Tá acabando! Depois de amanhã terminam os Jogos Olímpicos de Pequim-08 e eu já estou sentindo saudade desta cobertura olímpica que tenho feito… Mas, como diria um grande filósofo do mundo futebolístico, o jogo só acaba quando termina. Então, vamos a mais highlights olímpicos. Vapt-vupt!

Vôlei Feminino. As meninas do Brasil estão voando em Pequim! Não perderam um set sequer e chegam amanhã a uma decisão olímpica inédita. Só pra citar, o Brasil chegava nas semi-finais olímpicas desde Barcelona-92 no vôlei feminino, mas nunca ia pra final. Desta vez, chegamos com tudo pra levar o ouro mas teremos uma pedreira pela frente: as norte-americanas. Elas venceram as perigosas cubanas por 3 sets a 0 nas semifinais. Ou seja, promessa de jogaço amanhã pra quem gosta de vôlei. Taí: comece a torcer a partir das 9h pelo ouro das meninas do Brasil!

Vôlei Masculino. O time voltou a ficar com sangue nos olhos. Saiu perdendo hoje pra Itália e depois começou a virar tudo quanto era bola na raça. Giba estava impossível; Gustavo e Murilo, ensandecidos; Serginho ia atrás de todas as bolas. 3 sets a 1 e Brasil mais uma vez ganhando dos italianos em Jogos Olímpicos. O adversário da final? EUA, os quais ganharam da Rússia em emocionantes 3 sets a 2. É a chance do Brasil vingar a semi-final da Liga Mundial, onde perdemos pros norte-americanos por 3 sets a 0. Enfim, é a final do atual campeão olímpico contra o atual campeão da Liga Mundial. Promessa de jogaço e você terá que ficar acordado na madrugada de sábado pra domingo, a partir de 1h, pra torcer pra seleção brasileira. Rumo ao ouro!

Basquete Masculino. A Argentina bem que tentou, jogou tudo que pôde, mas não deu. Se já seria difícil ganhar dos norte-americanos com Manu Ginóbili em quadra, quando o cara saiu contundido depois do primeiro quarto, a missão tornou-se praticamente impossível. Mesmo assim, os hermanos (atuais campeões olímpicos) lutaram muito, diminuíram a diferença para seis pontos, mas não deu. EUA 101 x 81 Argentina. Grande atuação de Scola pros argentinos, grande atuação do time inteiro pros EUA. Na final, os yankees pegarão os espanhóis, atuais campeões mundiais. O recado a estes já foi dado: a seleção dos EUA venceu eles por quase 40 pontos de diferença na fase de classificação. Pra mim, é EUA na cabeça. E a Argentina que tome cuidado na disputa pelo bronze: se Ginóbili não voltar, será difícil ganhar da forte Lituânia (lembremos que ela ganhou da Argentina na fase de classificação).

Taekwondo. Natália Falavigna começa a lutar daqui a pouco. Esperança de medalha pro Brasil, sem sombra de dúvida. Vamos ver se ela consegue alguma coisa.

Atletismo. Jadel Gregório ficou em sexto lugar na final do salto triplo, muito longe de suas melhores marcas. Maurren, como dito no post abaixo, ganhou um inédito ouro pro Brasil no salto em distância. E os revezamentos 4×100m do Brasil quase conseguem medalha: ambos chegaram em quarto lugar, o feminino a uma diferença mínima do terceiro posto. Em ambas as provas, venceu a Jamaica e os EUA, talvez sentindo a pressão, sequer se classificou pra final. Nas duas provas, o time yankee deixou cair o bastão. Haja coincidência, hein? E Usain Bolt conseguiu algo incrível: ganhou três ouros (100, 200 e 4×100m), quebrando o recorde mundial nas três provas. Voou baixo o jamaicano! E tem mais esperança de medalha pro Brasil: Marílson dos Santos na maratona; amanhã, a partir das 20h30, fica a nossa torcida por ele.

Futebol Masculino. Daqui a pouco, 1h, é torcida total pra Nigéria contra os argentinos. Quero só ver a capa do Olé se eles perderem…

É isso aí. Rolando mais medalhas pro Brasil, a gente posta por aqui.

Pequim’08 – Ouro fantástico de Maurren!

Hoje ocorreu um daqueles momentos olímpicos que eu defino como fantásticos. Maurren Higa Maggi ganhou o ouro na prova do salto em distância com a marca de 7,04m. Mas não é pelo ouro e pelo dia de hoje em si que eu defino como fantástico o momento olímpico da Maurren; fantástico pra mim é o roteiro que a levou ao ouro de hoje. Um roteiro que parece coisa de cinema, praticamente um “Rocky” do salto em distância.

A primeira vez que eu vi a Maurren foi em 1999, no Pan-Americano de Winnipeg (Canadá). Fiquei impressionado com a espontaneidade e com a alegria da moça: ela barbarizava no salto em distância e nos 100m com barreiras e depois das provas mandava recados pro pai do tipo “Corri muito, viu?”. 

Com suas boas marcas, ela chegou como favorita pra ganhar uma medalha no salto em distância nos Jogos de Sidney-00 – ela estava no seleto grupo de saltadoras que tinha passado dos 7 metros (aliás, bem mais que isso, sua melhor marca era 7,26m; tal marca de Maggi obtida em 1999 só foi superada três vezes de lá pra cá). Mas ela se machucou nas eliminatórias da modalidade e não pôde fazer sua melhor apresentação. Resultado: ficou em 25° lugar no geral. E o ouro foi pra uma alemã que saltou 6,99m.

Mas Maurren se recuperou e voltou ao grupo de elite das saltadoras mundiais. O problema é que em 2003 ela levou uma paulada incrível: antes do Pan de Santo Domingo, um teste antidoping da moça tinha dado positivo pra uma substância chamada clostebol. Ela alegou que tal substância tinha aparecido no exame porque ela tinha usado um creme cicatrizante depois de uma sessão de depilação; ou seja, ela não tinha se dopado para obter melhores resultados. Não adiantou: sua punição foi a severa exclusão de competições pelo período de dois anos. Acabava-se o sonho de disputar os Jogos de Atenas-04.

(Só para pontuar: conforme bem apontou hoje o Juca Kfouri no seu blog, o diretor de redação do jornal “Diário de São Paulo”, Paulo Moreira Leite, fez uma matéria para provar que a versão de Maurren era factível. Na época da exclusão da atleta, ele pegou uma repórter do jornal, pediu que a mesma fizesse a sessão de depilação e que, posteriormente, usasse o mesmo creme que Maurren alegara ter usado. O teste antidoping da repórter deu positivo. Veja um post do Paulo contando a história aqui).

Fiquei muito nervoso na época: como é que não tinha ninguém da confederação de atletismo acompanhando dia-a-dia a Maurren? Como é que uma das nossas melhores atletas iria ser excluída do esporte por dois anos por causa de um maldito creme cicatrizante? Era muito amadorismo.

Com a exclusão de dois anos, Maurren desabou. Casou-se com o ex-piloto de Fórmula 1 Antônio Pizzonia e praticamente virou uma dona-de-casa. Abandonou completamente o esporte. Teve uma filha e começou a se dedicar bastante a ela. Sabe-se lá o que acontecia no casamento dela, mas uma coisa era fato: ela simplesmente virar uma “do lar” era um pecado com o esporte nacional.

A saltadora resolveu se separar e, depois de mais de dois anos parada, voltou a treinar no início de 2006, com 29 anos de idade. Ou seja, tinha passado pelo inferno, estava mais velha e teria que voltar ao caminho dos saltos gradualmente. E assim ela foi indo.

Saltou 6,95m no Mundial de 2007. Saltou 6,99m no troféu Brasil deste ano. Na final olímpica, sua melhor marca do ano: 7,04m, o suficiente pra ganhar o ouro.

E que ouro! O roteiro dramático da nossa Maurren Higa “Rocky” Maggi ainda teria mais lances de suspense: ela, de cara, botou 7,04m na final disputada hoje pela manhã. Queimou seus três saltos seguintes. Até a última rodada, primeiro lugar pra ela.

Vai pro salto então a perigosa russa Tatyana Lebedeva. Ela faz um ótimo salto. Aparentemente passa dos 7 metros. Expectativa pra saber quanto a mais ela passa da marca. Todos aguardam. Sai no placar: Lebedeva fez 7,03m. Um mísero centímetro a menos que Maurren! O ouro é da brasileira!

E adivinhem da onde veio esse um centímetro de diferença? Bem, vejam a foto abaixo:

Maurren (esquerda) foi no limite, quase queimou o seu salto. A russa deu a pisada um pouco antes da linha. Um centímetro que valeu ouro!

Aos 32 anos, Maurren Higa Maggi torna-se a primeira mulher a ganhar ouro em esporte individual para o Brasil. Mais que isso: quebra um jejum de 24 anos sem medalha de ouro no atletismo nacional (o último tinha sido o de Joaquim Cruz, nos 800m rasos de Los Angeles-84). Mais ainda que isso: foi uma das poucas atletas a dar a volta por cima depois de um caso de doping. Mas mais ainda que isso: ressurgiu das cinzas mesmo depois de ser suspensa pelo uso de uma substância que, acredito piamente eu, não lhe ajudou em nadica de nada a melhorar seu desempenho.

Pela competência, Maurren já mereceria uma medalha olímpica. Porém, por tudo que foi relatado acima e pela simpatia incrível da moça, ela merecia mais. Parabéns Maurren Higa Maggi pelo ouro olímpico! Você hoje foi uma espécie de Rocky da vida real: apanhou, apanhou, apanhou, mas no fim venceu! Fica aqui a minha homenagem a sua pessoa!

P.S.: muito engraçado a filhinha de três anos da Maurren falando com ela pelo telefone e dizendo que queria a prata pois achava que era a medalha mais bonitinha…

Pequim’08 – Pelo menos veio o bronze

Depois da piabada que levou da Argentina na semi-final, o time do Dunga jogou hoje contra a Bélgica em Xangai pela disputa do terceiro lugar. E o Brasil, com certa facilidade, venceu: 3 a 0, gols de Jô (2) e Diego.

Acho que a obrigação mínima deste time foi cumprida. Como disse no post que analisava a derrota do Brasil pra Argentina, acredito que o nosso país não seja invencível no futebol e que uma derrota pros hermanos é um resultado até normal, do jogo. O negócio é que a derrota, do jeito que veio, foi complicadíssima: levar um 3 a 0 deles numa semi-final olímpica, com direito a baile e tudo, ah, isso não é normal não.

Mas enfim, este bronze prova ao menos uma coisa: mesmo com uma várzea danada, sem preparação, sem treinamento, com um comandante inexperiente, o Brasil ainda ficou em terceiro lugar na competição. O que nos deixa ainda mais chateados pois se tivéssemos uma organização melhor das coisas, as nossas chances de ganhar o ouro aumentariam bastante. Não significa que ganharíamos, somente que nossa chance de ganhar aumentaria.

Só mais três coisas sobre essa seleção olímpica: (i) o bronze dá sobrevida a Dunga no comando da seleção; (ii) o treinador parece ser bem grato com quem joga e mostra vontade sob seu comando: esta seleção olímpica virará a base da seleção principal (inclusive já vimos isso hoje na convocação para os próximos dois jogos das Eliminatórias pra Copa do Mundo), com a exceção de Alexandre Pato, o qual, aparentemente, está bem em baixa com o Dunga; e (iii) pelo menos essa seleção de agora não vai fazer a palhaçada que a seleção do Zagallo fez em Atlanta-96. Naquela ocasião, o time marrento não quis ir ao pódio olímpico talvez temendo que a Argentina estivesse no topo; ganharam a partida do bronze sobre Portugal por 5 a 0 e ali mesmo receberam a medalha. Foi um dos poucos momentos olímpicos em que o pódio não estava completo. Segundo informações que vi na internet agora, a seleção do Dunga já está indo de Xangai pra Pequim e vai participar da cerimônia de premiação.

É o mínimo que a gente exige de um atleta que vai pros Jogos: espírito olímpico.

Pequim’08 – Prata no vôlei de praia

Acabei de ver a final do vôlei de praia e os brasileiros Márcio e Fábio Luiz (é com ‘z’, antes eu só estava escrevendo com ’s’…) perderam a final para os norte-americanos Roger e Dallhauser por 2 sets a 1. Com isso, o Brasil fica com duas duplas no pódio olímpico da modalidade, porém sem o ouro.

Do jogo que eu vi, percebi duas coisas: (i) Márcio e Fábio Luiz chegaram longe dadas as suas limitações; (ii) os norte-americanos tinham razão quando louvaram o fato de Ricardo e Emanuel terem perdido a semi-final. Não que Márcio e Fábio Luiz sejam ruins não; o que lhes falta é esperteza pra saber mudar o jogo quando necessário. Senão vejamos.

No primeiro set, os brasileiros saíram vencendo por 5 pontos de diferença, 10 a 5 (uma baita diferença pro vôlei de praia). E o jogo do Brasil era o mesmo: saque no Rogers (o baixinho e habilidoso da dupla norte-americana) pra que ele depois atacasse; a estratégia era evitar que o ataque viesse do grandalhão Dallhauser. Deu certo durante um tempo, por isso o Brasil abriu 5 pontos; mas a partir de certo ponto, o Rogers começou a virar com muita habilidade todas as bolas e o Dallhauser começou a bloquear o Fábio Luiz (aliás, o jogo dos norte-americanos era sempre sacar nele).

Nisso os EUA tiraram os 5 pontos de vantagem, viraram a partida e finalizaram o set em 22 a 20. Ou seja, perdíamos ali um set praticamente ganho.

No segundo set, a estratégia de sacar no Rogers estava nitidamente miada. O cara não tinha altura pra atacar, mas mesmo assim virava todas as bolas na habilidade. Era hora de sacar no Dallhauser (até porque o cara tinha altura mas era desengonçado pra caramba). Mas o Brasil não fazia isso. Os EUA abriram 3 pontos de vantagem; quando Márcio foi sacar, resolveu mudar a estratégia. Resultado: o grandalhão começou a errar, o Brasil começou a virar as bolas e fechou o segundo set em 21 a 17.

Pensei: “agora o Brasil vai com muita moral pro tie-break”.

Mas que nada. Os norte-americanos fizeram 3 a 0 de cara em erros do Brasil. A partir daí, o que se viu foi uma falta de inteligência tática dos brasileiros absurda: os norte-americanos sacavam no Fábio Luiz e o mesmo tentava resolver na base da porrada quando ia atacar. O problema era que o grandalhão Dallhauser já tinha marcado o jogo do Fábio Luiz.

O que aconteceu depois? Bem, algo que eu nunca vi em set decisivo de final olímpica.

O Fábio Luiz ficou uma vez no bloqueio do Dallhauser. Deve ter falado pro Márcio algo como “deixa comigo que eu quebro esse gringo!!!” e aí ficou de novo no bloqueio do grandalhão. E de novo. E de novo. E de novo. Foram quatro bloqueios seguidos do Dallhauser em cima do Fábio! Até que o brasileiro pensou: “Pô, não tá dando certo, vou mudar a estratégia” e aí, numa largadinha, virou finalmente um ponto.

O problema é que, num set de 15 pontos como o tie-break, a vaca já tinha ido pro brejo pois o placar estava 9 a 1 pros norte-americanos. O Brasil não mudou a estratégia de saque (ele sempre ia pro habilidoso Rogers, apesar do fato de termos feito vários pontos seguidos no segundo set sacando no Dallhauser), errou bastante e o placar final do último set pareceu briga de peso pesado contra peso pena: 15 a 4 pros EUA.

Não temos o que reclamar. A dupla brasileira podia até ser habilidosa mas abusou do direito de não jogar inteligentemente a final olímpica. Méritos pros (aparentemente) limitados Rogers e Dallhauser. As duas medalhas de ouro do vôlei de praia vão pros EUA.

E que zica olímpica hein, galera? Tá difícil do Brasil ganhar ouro… Olha, minhas esperanças agora são só os vôleis de quadra. O feminino já tá na final contra os EUA (será que perderemos a terceira final seguida para eles?) e o masculino pega a Itália na semi-final de amanhã. Fica a nossa torcida por eles.

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