Pequim’08 – Prata no vôlei de praia

Acabei de ver a final do vôlei de praia e os brasileiros Márcio e Fábio Luiz (é com ‘z’, antes eu só estava escrevendo com ’s’…) perderam a final para os norte-americanos Roger e Dallhauser por 2 sets a 1. Com isso, o Brasil fica com duas duplas no pódio olímpico da modalidade, porém sem o ouro.

Do jogo que eu vi, percebi duas coisas: (i) Márcio e Fábio Luiz chegaram longe dadas as suas limitações; (ii) os norte-americanos tinham razão quando louvaram o fato de Ricardo e Emanuel terem perdido a semi-final. Não que Márcio e Fábio Luiz sejam ruins não; o que lhes falta é esperteza pra saber mudar o jogo quando necessário. Senão vejamos.

No primeiro set, os brasileiros saíram vencendo por 5 pontos de diferença, 10 a 5 (uma baita diferença pro vôlei de praia). E o jogo do Brasil era o mesmo: saque no Rogers (o baixinho e habilidoso da dupla norte-americana) pra que ele depois atacasse; a estratégia era evitar que o ataque viesse do grandalhão Dallhauser. Deu certo durante um tempo, por isso o Brasil abriu 5 pontos; mas a partir de certo ponto, o Rogers começou a virar com muita habilidade todas as bolas e o Dallhauser começou a bloquear o Fábio Luiz (aliás, o jogo dos norte-americanos era sempre sacar nele).

Nisso os EUA tiraram os 5 pontos de vantagem, viraram a partida e finalizaram o set em 22 a 20. Ou seja, perdíamos ali um set praticamente ganho.

No segundo set, a estratégia de sacar no Rogers estava nitidamente miada. O cara não tinha altura pra atacar, mas mesmo assim virava todas as bolas na habilidade. Era hora de sacar no Dallhauser (até porque o cara tinha altura mas era desengonçado pra caramba). Mas o Brasil não fazia isso. Os EUA abriram 3 pontos de vantagem; quando Márcio foi sacar, resolveu mudar a estratégia. Resultado: o grandalhão começou a errar, o Brasil começou a virar as bolas e fechou o segundo set em 21 a 17.

Pensei: “agora o Brasil vai com muita moral pro tie-break”.

Mas que nada. Os norte-americanos fizeram 3 a 0 de cara em erros do Brasil. A partir daí, o que se viu foi uma falta de inteligência tática dos brasileiros absurda: os norte-americanos sacavam no Fábio Luiz e o mesmo tentava resolver na base da porrada quando ia atacar. O problema era que o grandalhão Dallhauser já tinha marcado o jogo do Fábio Luiz.

O que aconteceu depois? Bem, algo que eu nunca vi em set decisivo de final olímpica.

O Fábio Luiz ficou uma vez no bloqueio do Dallhauser. Deve ter falado pro Márcio algo como “deixa comigo que eu quebro esse gringo!!!” e aí ficou de novo no bloqueio do grandalhão. E de novo. E de novo. E de novo. Foram quatro bloqueios seguidos do Dallhauser em cima do Fábio! Até que o brasileiro pensou: “Pô, não tá dando certo, vou mudar a estratégia” e aí, numa largadinha, virou finalmente um ponto.

O problema é que, num set de 15 pontos como o tie-break, a vaca já tinha ido pro brejo pois o placar estava 9 a 1 pros norte-americanos. O Brasil não mudou a estratégia de saque (ele sempre ia pro habilidoso Rogers, apesar do fato de termos feito vários pontos seguidos no segundo set sacando no Dallhauser), errou bastante e o placar final do último set pareceu briga de peso pesado contra peso pena: 15 a 4 pros EUA.

Não temos o que reclamar. A dupla brasileira podia até ser habilidosa mas abusou do direito de não jogar inteligentemente a final olímpica. Méritos pros (aparentemente) limitados Rogers e Dallhauser. As duas medalhas de ouro do vôlei de praia vão pros EUA.

E que zica olímpica hein, galera? Tá difícil do Brasil ganhar ouro… Olha, minhas esperanças agora são só os vôleis de quadra. O feminino já tá na final contra os EUA (será que perderemos a terceira final seguida para eles?) e o masculino pega a Itália na semi-final de amanhã. Fica a nossa torcida por eles.

0 Respostas para “Pequim’08 – Prata no vôlei de praia”



  1. Sem comentários ainda

Deixe uma resposta




Categorias

Calendário

Agosto 2008
S T Q Q S S D
« Jul   Set »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Acessos

  • 78,281 hits

Licença