Acabaram os Jogos Olímpicos de Pequim. Aqui no “A Volta…” fiz a melhor cobertura possível sobre o maior evento esportivo do mundo e pelo tanto que escrevi nestes dias vocês devem ter percebido o quanto eu aprecio os Jogos Olímpicos.
Encerrados os Jogos, é hora de fazermos um balanço da participação brasileira nestas Olimpíadas. E aí eu começo fazendo uma comparação entre quem eu achava que ganharia medalha (ver este post) e quem efetivamente voltou “medalhado” pra casa. Bem, sobre isso, nem tenho o que dizer. Minhas previsões foram vergonhosas… Previ 20 medalhas, sendo 9 de ouro. Ganhamos 15, 3 de ouro. Vejam abaixo um resumo das minhas apostas com os acertos, os erros e os ouros previstos:
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Acertos: Maurren Higa Maggi, César Cielo (nos 100m livre), futebol masculino e feminino, vôlei masculino e feminino, Ricardo e Emanuel (vôlei de praia), Tiago Camilo, Natália Falavigna, Robert Scheidt e Bruno Prada.
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Apostas Erradas: Fabiana Murer, Marílson Gomes dos Santos, Diego Hypólito, Jade Barbosa, Thiago Pereira (200m e 400m medley), Kaio Márcio (100m borboleta), João Derly, Mayra Aguiar, Bimba.
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Acertos – Medalha de Ouro: Maurren Higa Maggi e Vôlei Feminino.
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Erros – Medalha de Ouro: Diego Hypólito, Futebol Masculino (ganhou bronze), Vôlei Masculino (ganhou prata), Ricardo e Emanuel (ganharam bronze), Tiago Camilo (ganhou bronze), João Derly, Robert Scheidt/Bruno Prada (ganharam prata).
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Quem ganhou medalha e eu não tinha previsto? César Cielo (ouro nos 50m livre), Ketleyn Quadros e Leandro Guilheiro (bronze no judô), Márcio e Fábio Luiz (prata no vôlei de praia), Fernanda Oliveira e Isabel Swan (bronze na vela).
Ou seja, errei bastante, principalmente no otimismo das medalhas de ouro. Mas, como tinha dito, várias e várias vezes antes, sou apenas um torcedor que fica dando palpites…
Enfim, o Brasil ganhou 15 medalhas no total: igualamos o desempenho de Atlanta-96, quando tivemos o recorde de medalhas. No entanto, ganhamos 2 ouros a menos do que Atenas-04 (nosso recorde) e pra desespero do pessoal lá do Bronze Brasil não atingimos a meta de 10 bronzes estabelecidos por eles. Na classificação geral (aquela que dá maior pontuação pro ouro e não pro total de medalhas, como queriam os EUA) ficamos em 23° lugar – atrás, portanto, do 16° de Atenas-04.
Pra mim, as maiores decepções foram o sexto lugar do Diego Hypólito na final do solo na ginástica, a eliminação precoce do João Derly no judô e o vareio que a seleção masculina de futebol levou da Argentina na semifinal (3 a 0). No entanto, tive algumas surpresas positivas também nestes Jogos: a Ketleyn Quadros, junto com a Fernanda Oliveira e Isabel Swan, as quais eu nem conhecia; a grande participação do César Cielo nos 50m livre, ganhando o ouro; e o vôlei feminino, que, apesar de eu ter apostado que ganharia ouro, sempre fiquei com um pé atrás (desta vez, elas foram lá e botaram pra quebrar!).
Esse foi o primeiro ciclo olímpico no qual tivemos o grande aporte de recursos federais através das leis de incentivo. Apesar disso, se formos trocar em miúdos a nossa participação em Pequim-08, chegamos num nível de premiação igual ao de 12 anos atrás e com menos ouros do que há quatro anos atrás. Ou seja, fomos razoáveis, com um desempenho que não supera os obtidos nos últimos três Jogos (em Sidney-00, apesar de não termos ganho nenhum ouro, saímos dos Jogos com 12 medalhas no total).
Por isso, não adianta o sr. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, vir com ufanismo e estatísticas mil dizendo que esta foi a melhor participação do Brasil na história. Nada disso. Seja pelo prisma que for, ficamos atrás de Atlanta-96 e de Atenas-04. “Ah, mas levamos um número recorde de atletas”, diria Nuzman. Isso sim é verdade, porém do que adianta a quantidade se não evoluímos na qualidade?
E ainda tem mais: nessa de aportarmos dinheiro em esportistas de alta performance, nós acabamos perdendo a base para a formação de atletas nos mais variados esportes. Sem uma base maior de esportistas, a probabilidade de termos mais atletas de alta performance em mais esportes diminui drasticamente. Nisso, chegamos à conclusão que chegou o Marcelo Barreto do Sportv: não temos atletismo, temos Maurren Higa Maggi; não temos natação, temos César Cielo; não temos taekwondo, temos a Natália Falavigna, e por aí vai…
No fim das contas, é nas Olimpíadas – ou seja, o fim de todo o processo descrito acima – que sentimos o quão mal planejado é o esporte nacional. É só ver nesta matéria do UOL Esporte: fora o fato do país não ter uma política de esportes, o Nuzman (nunca é demais lembrar, manda-chuva do Comitê Olímpico Brasileiro desde 96) fica numas de dizer que o investimento não é o valor x, mas sim o y (sempre menor que o x, ou seja, ele, no fim das contas, quer é mais grana mesmo), aí você vê atleta investindo grana do próprio bolso pra ir pras Olimpíadas (como foi o caso das meninas que ganharam o bronze na vela para o país), depois vê esporte praticamente inexistente (badminton) ganhando a mesma grana que um esporte que já tem participação expressiva no cenário internacional para o país (taekwondo)…
Não vou entrar no mérito desta discussão política (até porque, com muitos mais números e com maior conhecimento de causa, o Juca Kfouri já comprou esta briga) mas o fato para mim é um só: tirando o vôlei, o judô e a vela, o resto dos esportes no país ainda tem muito a evoluir (em diferentes gradações, obviamente). Estes três esportes, por diferentes razões, são os que conseguiram manter um desempenho mais ou menos estável nas últimas Olimpíadas.
No fim das contas, de Atenas-04 para Pequim-08, ficamos na mesma. Essa é a minha avaliação. Expectativas pra Londres-12? Eu não espero muitas mudanças não.
Aliás, uma coisa eu já garanto que não mudará: a minha torcida. Só que em 2012 eu espero que ela ocorra no local do evento e não à distância. Será que a grana vai dar? Sei não…


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