Batman – O Cavaleiro das Trevas

Aos poucos vamos voltando à vida normal aqui no blog. Neste último domingo assisti a “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (”The Dark Knight”, 2008, dirigido por Christopher Nolan). Tá certo que todo mundo já deve ter visto e o “efeito novidade” com certeza já passou… Mas se eu comento aqui no blog sobre filmes de 20 anos atrás, por que não comentar de filmes de 2 meses atrás?

Aliás, foi até bom ter demorado um pouco pra assistir. Na época em que o filme estreou, todo mundo brigava ou para dizer que o filme era fantástico ou para simplesmente dizer que era uma bobagem sem fim que se aproveitava da morte de Heath Ledger para se autopromover. Sem estas visões tão apaixonadas, eu fui lá ver a película buscando prestar atenção em todos os detalhes.

Depois de 2 horas e meia de filme, cheguei a seguinte conclusão: ”Batman - O Cavaleiro das Trevas” é muito bom. Veja bem, não disse que o filme é fantástico mas sim que ele é muito bom. E a verdade é a seguinte: pode ser que alguém não curta o filme por tal ou qual motivo; mas o motivo principal que levaria alguém a não curtir este filme do Batman, na minha opinião, só pode ser não gostar de histórias em quadrinhos. Aí realmente a pessoa vai achar o filme uma baboseira sem fim. Fora isso e levando em conta que o Batman é um herói – e não um anti-herói ou um justiceiro, como o Wolverine -, a construção de “The Dark Knight” foi muito bem feita.

Obviamente o filme tem alguns problemas, como, por exemplo, a longa duração, o sem-número de catástrofes e explosões, a atuação mais do que canastrona do Christian Bale como Batman (que voz de taquara rachada era aquela?)… Porém estes problemas sequer são comparáveis aos pontos positivos que enumerarei abaixo.

O primeiro deles: finalmente tivemos um filme do Batman. Pra quem lê (ou leu) o gibi do herói, era dose aguentar o Batman do Tim Burton (apesar de “Batman II – O Retorno” ter sido até bacana) ou o Batman “xarope” do Joel Schumacher. Estes quatro primeiros filmes não têm nada a ver com o personagem dos quadrinhos. Ponto final. O “Batman Begins” do Christopher Nolan (filme que antecedeu a “O Cavaleiro…”) até é um filme do Batman, só que bem fraquinho no que diz respeito ao vilão principal: o tal do Ra´s al Ghul é um dos inimigos menos conhecido e importante do morcegão.

E é justamente aí que reside um dos grandes méritos de “O Cavaleiro…”: o personagem Batman se constrói nas HQs, muitas vezes, em cima do contraponto em relação aos seus inimigos. E o principal deles é o Coringa. Como o diretor Nolan quis dar um clima sombrio ao Batman, ele colocou um Coringa mais sombrio e violento – bem próximo ao personagem criado em “A Piada Mortal” (veja neste post quão bom é esse gibi). E nisso de termos um “palhaço” bandido amoral e anárquico, o Heath Ledger matou a pau na interpretação. Os tiques, o jeito esquizofrênico, as rápidas alternâncias entre piadas e violência… Não há o que dizer: a expectativa que eu tinha sobre este ser o papel da vida de Heath se confirmou.

Parênteses: impossível fugir da discussão sobre a comparação entre as atuações de Ledger e de Jack Nicholson (o Coringa do primeiro filme do Tim Burton). Na real? Ambos mandaram muito bem e a comparação não tem lá o seu sentido. Dizer que o Coringa do Nicholson é inferior é meio sacanagem: dentro do “universo Burton”, o ator fez a interpretação requerida pelo diretor para o vilão. E fez muito bem feito. Se na época, Burton tivesse exigido um Coringa violento e anárquico como o que aparece em “O Cavaleiro…”, não tenho dúvida de que Nicholson igualmente mataria a pau na atuação – é só lembrar da atuação dele em “O Iluminado”.

Mas uma coisa que ninguém comentou muito (até porque o ator que interpretou o Coringa em “O Cavaleiro…” morreu) e que eu achei muito bacana no filme foi o “meio-termo” entre o Batman e o Coringa, representado pelo promotor Harvey Dent – que depois virará o Duas Caras. Este personagem, visto por Batman como um homem superior pois é um “herói sem máscara” e percebido pelo Coringa como um ser potencialmente mais violento caso algo de ruim aconteça em sua vida, é uma “balança” interessante que aparece no filme. Principalmente nos momentos em que deseja agir à margem da lei – o que, para o Batman, seria o fim do mundo, pois Harvey é o verdadeiro herói na opinião do morcegão. Esta dualidade apareceu muito bem na ótima interpretação do ator Aaron Eckhart – outro cara que mandou muito bem no filme.

Então, é isso. Tendo em vista que “Batman - O Cavaleiro das Trevas” é um filme baseado num personagem de histórias em quadrinhos mais tradicional, o filme explorou muito dos pontos possíveis em relação ao herói e aos seus principais contrapontos. Lógico que o filme poderia ter sido menos “espetaculoso”, ter uma duração menor, trazer um Batman mais atormentado e sombrio (aí sim chegaríamos perto do personagem central da HQ “O Cavaleiro das Trevas”, do Frank Miller – ver neste post)… mas aí seria cobrar demais de um filme que foi construído para ser um blockbuster de Hollywood.

Filme mais do que recomendado (isso se você for um dos poucos seres que ainda não viu a obra…).

P.S.: este foi mais um filme do Batman no qual os vilões tiveram uma interpretação superior ao herói. Nos dois primeiros filmes do Tim Burton, Jack Nicholson, Michelle Pfeiffer e Danny deVito foram infinitamente superiores ao insosso Michael Keaton; em “O Cavaleiro…”, Heath Ledger e Aaron Eckhart superam (em muito) a atuação apagada do Christian Bale. O Batman parece ter profundidade zero neste último filme…

P.S.II: “O Cavaleiro…” reuniu atores muito bons para fazer alguns papéis coadjuvantes. Maggie Gyllenhaal é a promotora Rachel Dawes; Michael Caine é o mordomo Alfred; Morgan Freeman é Lucius Fox; e, finalmente, Gary Oldman é o Comissário Gordon.

P.S.III: será que o desfecho dado a este filme finalmente permitirá que haja um filme do Batman com ele encarnando o espírito do morcegão da HQ “O Cavaleiro das Trevas”? Na minha opinião, o gancho para que isso ocorra já foi feito…

2 Respostas para “Batman – O Cavaleiro das Trevas”


  1. 1 Pera Sexta-Feira, 29 / Agosto / 2008 às 2:31 pm

    Cara, muito bom o post! Só achei a Maggie Gyllenhaal muito fraca, e o Christian Bale até bacana. Comparando-se aos anteriores (teve Val Kilmer e George Clooney, lembra?), achei uma atuação excepcional.

  2. 2 André Sexta-Feira, 29 / Agosto / 2008 às 5:44 pm

    Realmente, pensando melhor a Maggie Gyllenhaal não tava tão legal não (mas melhor que esposa do Tom Cruise, que fez o papel da promotora no filme anterior, ela tava sim). E o Christian Bale sem dúvida é o melhor ator que já interpretou o Batman: Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney perdem de lavada pra ele.

    Abraços,


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