Arquivo para Novembro, 2008

Férias

praia

Como bom filho de Deus que sou, hoje entro em merecidas férias de 15 dias. Enquanto isso, o blog vai ficar sem atualizações – é demais levar computador pra praia, né não?

Mas é isso aí. Dia 08 de dezembro estamos de volta com mais crise econômica, filmes legais, discos bacanas, sacanagem na política…

Abração a todos!

Chinese Democracy: o álbum perdido que foi achado

chinesedemocracyEu disse que só acreditava vendo. Bem, eu não vi mas agora acredito: fui na Amazon, no Submarino, na Americanas.com e o bichinho tava lá. Lançado ontem e batendo recordes de venda. Trata-se do “Chinese Democracy”, o mais novo álbum do Guns n’ Roses – ou seria novo álbum do Axl Rose + banda?

O álbum, que estava sendo “produzido” desde 1994 foi realmente lançado ontem. Não era só eu que não acreditava que o disco realmente seria lançado algum dia. Lembram-se do Dr. Pepper e sua promessa de dar uma lata do refri para todo cidadão norte-americano caso o disco fosse lançado em 2008 ainda? Pois é, com essa crise toda os caras devem estar ferrados com a tal promessa…

A crítica inicial não foi muito boa em relação ao álbum. Só pra pegar dois exemplos, o G1 fez uma matéria com a seguinte chamada: “Novo do Guns N’ Roses reflete esquizofrenia de sua história de gravação”. O UOL Música fez outra matéria cujo título já mostra a linha mestra da maioria das críticas feitas ao álbum: “Novo álbum do Guns N’ Roses decepciona com produção excessiva”.

Aí eu fui no MySpace da banda ouvir o hit do álbum – a música com o mesmo título do disco – e um pouco mais de um minuto de outras 5 faixas.

Minha opinião sincera: eu gostei do pouco que ouvi. Achei diferente e mais bem trabalhado do que a média das coisas que estão tocando por aí. Óbvio que o negócio demorou 14 anos pra sair, mas enfim…

Alguns poréns devem, contudo, ser feitos: (i) entre o peso do antigo Guns e a megalomania do Axl, essa prevaleceu. Logo, esqueça riffs e solos como aqueles que vemos em “Appetite for Destruction”; (ii) esse é um álbum do Axl e não do Guns – nem adianta comparar muito com os trabalhos anteriores, até porque Slash e Duff McKagan não estão mais na parada; (iii) o Guns fez um álbum espetacular na sua carreira – o “Appetite…” – e outros três muito bons - o “Lies” e os dois “Use your Illusion” – e, tendo isso em mente, seria muito difícil fazer coisas tão boas quanto as que foram feitas.

Levando em conta tudo isso, das 6 músicas que eu ouvi, gostei de “Chinese Democracy”, do comecinho de “Better” (achei bacana a sacada eletrônica envolvida) e de Shackler´s Revenge.

Agora, nada que seja minimamente comparável a “Sweet Child O´Mine” ou “Welcome to the Jungle” ou “You Could be Mine”. O Slash e seus riffs mortais fazem uma falta danada ao Guns. As composições e o estilo do Axl enquanto vocalista fazem uma falta danada pra Slash e os ex-Guns que estão lá no Velvet Revolver. Será que não daria pra unir ambos de novo pra termos uma das melhores bandas de rock que eu já ouvi? Bem, como acho que isso é quase impossível, ficamos aí com duas bandas mais ou menos nas paradas…

Bem, no mínimo, pra você que gostava do antigo Guns, eu recomendo o seguinte: entra no MySpace dos caras e ouve as músicas. Se gostar, compra e disco e comenta ele por aqui, beleza?

Um minicampeonato paulista?

Faltando uma rodada para o fim da série B, os quatro times que disputirão a série A do Campeonato Brasileiro do ano que vem foram definidos. Corinthians, Avaí e Santo André já estavam garantidos. Barueri classificou-se hoje, com uma vitória de 3 a 0 sobre o América de Natal.

Na série A, dois times paulistas ainda podem cair: a Portuguesa, com 37 pontos (empatou com o Goiás hoje) e o meu querido Santos, com 43 pontos (hoje serviu de saco de pancada do Coritiba, levou de 5 a 1, com 4 gols do Keirrison).

Apesar de eu achar que o Santos mereceria cair (um time sem vontade que joga burocraticamente e sem amor, merece o que? A segundona, ora pois!), ele deve permanecer na primeira divisão. Pelos meus cálculos, com 1 pontinho o Santos se salva. Apesar de pegar o Galo na próxima rodada no Mineirão (o Peixe com certeza deve perder para o Atlético-MG, time em franca ascenção no campeonato), na última rodada o Santos pega o Náutico, em casa. Se não conseguir sequer empatar, aí é melhor mesmo ir pra Segundona…

Já a Lusa, apesar de bastante guerreira (e bastante azarada também, pois não merecia ter perdido pro São Paulo no Canindé e nem ter empatado com o Goiás hoje, no mesmo estádio), deve cair. O último jogo da Lusinha será contra o Cruzeiro, no Mineirão, e o time da Toca da Raposa estará disputando uma vaga pra Libertadores. Uma vitória é quase impossível.

Dentro deste cenário, a série A do ano que vem teria Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Barueri e Santo André como representantes do estado de São Paulo. 6 times num grupo de 20: 30%. A última vez que o Brasileirão teve esta participação recorde de paulistas foi em 2006 (participaram naquele ano Santos, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Ponte Preta e São Caetano – os dois últimos rebaixados).

Ou seja, mesmo que, de cara, Barueri e Santo André sejam favoritaços ao descenso no ano que vem, o Estado de São Paulo terá mais uma participação alta de times no campeonato nacional. Isso, é óbvio, se o Santos não cair, fato com o qual estou contando.

No fim das contas, a conclusão é uma só: o Campeonato Paulista é o mais difícil torneio regional justamente por causa dos times médios. São eles que dificultam as coisas e que, invariavelmente, aparecem na elite do futebol nacional. Só para fazermos uma comparação, o Rio de Janeiro pode ter um time na série B do ano que vem (caso o Duque de Caxias consiga subir), Minas terá um time na mesma série (porque o Ipatinga irá cair) e o Rio Grande do Sul pode ter dois times (o Juventude permanece na série B e o Brasil de Pelotas ainda tem alguma chance de subir). São Paulo manteria 3 times (Bragantino, Ponte Preta e São Caetano) e poderia ter até mais dois times (caso o Marília não caia e o Guarani consiga subir).

Com tais cálculos em mente, é impossível não afirmar que teremos ano que vem dois minicampeonatos paulistas, um na série A e outro na B. Ou não?

Sandman: Prelúdios & Noturnos Volume 1

sandmanHoje acabei de ler a nova versão do famosa história em quadrinhos “Sandman”, escrita pelo Neil Gaiman no final dos anos 80. A história já foi lançada várias vezes no Brasil, por várias editoras e a bola da vez agora é a editora Pixel (a qual está lançando também várias histórias de outros personagens bacanas, como, por exemplo, a do “Constantine”).

Eu sempre via meus colegas falando pra eu ler as histórias do Sandman pois elas eram espetaculares. Porém achava muito cara aquelas edições de capa dura da Conrad (o preço é na faixa de R$ 65), além de não saber qual a ordem das histórias naquele troço.

Porém, como a Pixel resolveu lançar tudo do zero, aos poucos, eu me animei um pouco em começar a coleção. Maiores detalhes sobre como funcionará a publicação das edições e o que elas trazem de especial podem ser obtidos aqui.

Esta primeira edição – “Prelúdios & Noturnos Volume 1″ – traz os volumes de 1 a 4 do Sandman. Das 4 histórias, gostei bastante da primeira (que mostra os 70 anos de aprisionamento no século XX do “senhor dos sonhos”, como também é conhecido o Sandman) e da última (quando Sandman desce ao inferno para reaver seu elmo). A segunda e a terceira histórias (quando Sandman basicamente sabe do que ocorreu durante o seu aprisionamento e quando ele busca John Constantine para reaver sua bolsa de areia, respectivamente) me pareceram razoáveis.

O personagem é bem bacana: um ser antropormófico, que domina o reino dos sonhos, amargurado, que é rei mas está fraco após seu aprisionamento, que tem boas tiradas… Acho que o arcabouço criado sobre o personagem é espetacular. Uma coisa interessante é que a edição da Pixel traz notas que explicam algumas falas do Sandman e é através destas notas que a gente vê o nível de erudição do Neil Gaiman. O cara utiliza desde citações shakeasperianas até deuses da mitologia aborígene. Vai ter conhecimento de cultura assim lá longe!

E ponto também para a Pixel: eles fizeram uma edição num formato reduzido, mais maleável que a da Conrad, recolorida, com papel especial, com as citações que já falei antes e, melhor que tudo isso, com um especial bacana ao final. O dito cujo mostra o projeto de criação que Neil Gaiman apresentou do personagem Sandman para a DC Comics em 1987. Aparentemente, na história da DC, o personagem com o nome Sandman já tinha sido utilizado duas vezes: uma como herói mascarado e outra como um herói meio estranho.

Aí vem a parte bacana do projeto de Gaiman: ele resolve reconstruir todo o personagem, tornando-o muito mais interessante. Só que, para isso, ele não usa aquele truque barato de algumas histórias em quadrinhos: “vamos fingir que nada aconteceu e começar tudo de novo, do zero”. A idéia exposta por Gaiman à DC é mais ou menos a seguinte: esses tontos se passando por Sandman surgiram durante seus 70 anos de prisão. Agora, o verdadeiro “senhor dos sonhos” voltou e vai colocar os pingos nos is.

Mais do que isso: o verdadeiro Sandman volta e interage com os personagens da DC já existentes, levando em conta as histórias construídas pelos mesmos. Ou seja, se você só pensa que o Gaiman é um malucão que fez uma história do nada, tá muito enganado. O cara “arquitetou” um projeto pra relacionar o personagem ao universo da editora, tornando-o interessante ao público adulto. E ainda utilizando todo aquele arcabouço cultural que eu tinha dito antes.

É legal ver o esboço do projeto do cara: que personagens apareceriam, que poderes teriam, os primeiros traços do Sandman, as primeiras histórias… Parece até um projeto de negócios!

Parabéns, Pixel. Mandaram muito bem. Já estou no aguardo de “Prelúdios & Noturnos, Volume II”, o qual, segundo o sítio da editora, deve sair no fim de novembro.

“Idoneidade”

Caros amigos, esqueçam as manchetes e os primeiros cadernos dos principais jornais do país. Se vocês quiserem saber de coisas realmente relevantes, vão direto aos cadernos de Esportes. Na Folha de São Paulo de 19/11 (quarta-feira), numa pequenina nota de rodapé, a gente vê essa notícia perdida, quase como se fosse aquele resultado de loteria ou a classificação do campeonato do Uzbequistão:

STF ANULA PRISÃO DE KIA

A 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) anulou ontem por unanimidade decreto expedido pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal, Fausto de Sanctis, que determinava a prisão preventiva do iraniano Kia Joorabchian, representante da MSI, ex-parceira do Corinthians.
O Supremo também estendeu a decisão ao magnata russo Boris Berezovski, e a Nojan Bedroud, ex-diretor da MSI.
A decisão de ontem confirma liminar proferida pelo ministro Celso de Mello, em agosto deste ano. Ele argumentou falta de “idoneidade” nos fundamentos apresentados pelo juiz De Sanctis.
O processo na Justiça Federal em que Kia, Berezovski e Bedroud, além de Alberto Dualib, ex-presidente do Corinthians, são acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha ainda continua.”

Aí eu vou lá no sítio do STF, procuro por “Kiavash Joorabchian” e acho o tal habeas corpus 94404. Lá pelas tantas, o ilustre ministro Celso de Mello realmente argumenta sobre a tal falta de idoneidade. Vejam o trecho:

Também não se reveste de idoneidade jurídica, para efeito de justificação do ato excepcional de privação cautelar da liberdade individual, a alegação de que o paciente deveria ser mantido na prisão, em ordem a garantir a credibilidade da Justiça.
 
Esse entendimento já incidiu, por mais de uma vez, na censura do Supremo Tribunal Federal, que, acertadamente, tem destacado a absoluta inidoneidade dessa particular fundamentação do ato que decreta a prisão preventiva do réu (RTJ 180/262-264, Rel. Min. CELSO DE MELLO – HC 72.368/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE): 
 
“O clamor social e a credibilidade das instituições, por si sós, não autorizam a conclusão de que a garantia da ordem pública está ameaçada, a ponto de legitimar a manutenção da prisão cautelar do paciente enquanto aguarda novo julgamento pelo Tribunal do Júri.”
(RTJ 193/1050, Rel. Min. EROS GRAU – grifei)”

Aí eu vou no meu pequeno Aurélio para buscar o significado da palavra “idôneo”:

adj. 1. Próprio ou adequado para alguma coisa. 2. Que tem condições para desempenhar certos cargos ou realizar certas obras. § idoneidade sf.”

Realmente, agora tá explicado. Uma prisão preventiva não é “própria ou adequada” “em ordem a garantir a credibilidade da Justiça”. Principalmente nos casos de pessoas com reputação tão ilibada como o Kia Joorabchian ou Boris Berezovski.

Agora, querem saber do que mais? Idôneo mesmo foi aquele campeonato brasileiro de 2005 (é, com letras minúsculas mesmo). Ele foi “próprio ou adequado para” dar um título ao Corinthians da MSI; em outras palavras, “teve condições para realizar certa obra”: dar um título ao Corinthians da MSI.

P.S.: alguém sabia que o nome do Kia na verdade é Kiavash? Cultural geral e inútil!

Rádio “A Volta…” – Novembro/08

Vamos lá com o que está tocando no meu mp3 player neste mês de novembro. Porém, dessa vez, farei algo um pouco diferente. Como amanhã, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra (pelo menos aqui em São Paulo), eu só colocarei na rádio deste mês as 10 músicas que aparecerem com cantores / cantoras ou membros de banda negros. Sei que é meio difícil esse negócio de classificar em raças, mas vamos lá ver o que vai dar. Acho que terei que pular umas 400 músicas porque o meu gênero musical favorito é o rock, mas mesmo assim, vamos simbora!

  1. “PRIMAVERA (VAI CHUVA)”, Tim Maia: caramba, começamos bem! Grande música do saudoso Tim! Aliás, que letra tem essa música, né não rapaziada?
  2. “PÉROLA NEGRA / COMO 2 E 2″, Gal Costa e Luiz Melodia: direto do acústico da Gal, esse belo dueto traz à tona a melhor música do Melodia. Continuamos em alto nível aqui na rádio!
  3. “ESPERANDO NA JANELA”, Gilberto Gil: alguém por acaso já ouviu a trilha sonora do filme “Eu, Tu, Eles”, com músicas cantadas pelo Gil? Cara, esse disco é uma pérola! Tá certo que só tem cover do Luiz Gonzaga, mas as versões são muito bem feitas e ainda tem essa música “Esperando na Janela”, que é linda demais! “Por isso eu vou na casa dela, ai ai…”
  4. “BEWARE! CRIMINAL”, Incubus: pô, a banda tem dois elementos negros – o tecladista Chris Kilmore e o baixista Ben Kenney, então tá valendo! Grande música do excelente álbum “A Crow Left of the Murder…”, de 2005. Aliás, este é um dos melhores discos de rock alternativo dos últimos tempos. Se não ouviu ainda, você não sabe o que está perdendo…
  5. “NÃO É SÉRIO”, Charlie Brown Jr. e Negra Li: a música não é lá essas coisas, mas a Negra Li dá um toque de qualidade à canção. Aliás, dia dessas eu vi a moça no show do Skank e posso dizer: ela tem uma boa voz. Tá faltando encaixar um grande sucesso pra estourar nas paradas.
  6. “LESTER LEFT TOWN”, Art Blakey: sei pouquíssimo dele (é baterista e é uma grande figura do jazz). Mas daqueles CDzinhos da coleção da Folha de jazz, eu só gostei de dois: do dele e do Herbie Hancock. E essa música em específico é bem legalzinha.
  7. “JÁ SEI NAMORAR”, Tribalistas: com a ilustre presença de Carlinhos Brown, essa música foi um grande sucesso e digo mais, eu gostava muito dela na época! Agora não acho ela lá essas coisas, mas apareceu na rádio, eu tenho que colocar aqui.
  8. “DOO WOP (THAT THING)”, Lauryn Hill: pô, tá pensando que não tem hip hop aqui na rádio, mermão? Música muito legal da Lauryn Hill e o motivo é um só: ela usa duas vozes bem distintas (uma de “mana” e outra de “pati”). O clipe é espetacular (clica no link pra ver): qualquer dia eu comento ele por aqui.
  9. “STEAL MY KISSES”, Ben Harper: o artista até que é legal, mas a música… aliás, vou tirá-la do player na primeira chance que tiver!
  10. “LOVE REARS ITS UGLY HEAD”, Living Colour: pô, ia me matar se esses caras não aparecessem! O Living Colour é uma das bandas que mais músicas tem no meu player; os caras mandavam muito bem, principalmente o guitarrista Vernon Reid. Essa música é o maior “hit pop” deles, o que é uma pena pois eu gostaria que tivesse tocado alguma música mais pesada. Mas tá valendo, encerrou com chave de ouro!

Pessoal, pra escolher estas 10 músicas, eu tive que pular quase 90! E não é porque eu tenho poucas canções com músicos negros não: o que ocorria é que repetia muitas vezes, no meio do caminho, o mesmo artista. E a regra aqui da rádio é a seguinte: um artista / uma banda - uma música. Nada de ficar repetindo.

Olha, ficou uma rádio bem legal, principalmente pelas músicas nacionais. Eu diria o seguinte: gosto muito 1, 2, 3, 4 e 10. A única que eu não gosto é a 9. Quanto aos gêneros, a rádio conseguiu ser bem eclética, mesmo com a condição que eu coloquei lá no início: teve MPB (4 músicas), pop-rock (4 músicas), hip-hop e até jazz!

Manda sua rádio aí nos comentários. Não precisa ser só de músicos negros não, pode ser geral. O importante é que a música une todo mundo pra valer e isso é o que importa. Ou não?

Elementar, meu caro Watson

Notícia escondida lá no meio da Folha Online:

GRAVAÇÃO MOSTRA COMO PF AFASTOU PROTÓGENES

Leiam a matéria. Basicamente ela mostra o seguinte: a PF afastou Protógenes mesmo. Quem quiser, pode ouvir o diálogo – trechos mais importantes – neste link.

Que a Polícia Federal tinha afastado o cara das investigações até os elementos do mundo mineral sabiam. Que no discurso oficial a história teria que ser “ehr, bem, o Protógenes tem que fazer um curso logo agora, sabe como é…” até vá lá. Mas os caras tinham que editar quase três horas de diálogo em apenas três minutos, “provando”, assim, por a+b, que o Protógenes é que tinha ido embora por conta própria.

Aliás, grotesca aquela edição de 4 minutos.

Mas sabe o que é mais interessante do diálogo? Duas horas e 19 minutos de discussão acerca do vazamento! Quem dera pobre nesse país tivesse tanta importância quando esse direito lhe fosse violado! “Desculpe-nos, sr. Jeremias, nós sabemos que foi o capeta que botou pra você beber, mas você, infelizmente, terá que dar uma entrevista a um grande programa da TV brasileira – o ‘Sem Meias Palavras’”. Aí vem o delegado de plantão e diz: “Caro policial, nada de imprensa. Não, agora não pode ter mais vazamento. Essa prática horrorosa está sendo combatida a ferro e fogo no Brasil. A lei tem que ser seguida pra todos!” (pra quem não sabe da onde possa ter saído tal diálogo imaginário, é só ver esse vídeo e entender o porquê de eu ter falado do tal do Jeremias).

O legal é a “tucanada master” que Roberto Troncon, diretor de combate ao crime organizado da PF, dá pra dizer pra Protógenes que este estaria afastado das investigações:

Não, a gente tem que pensar. Eu concordo com o Leandro [Coimbra, superintendente da PF em São Paulo](…) A gente discutiu um pouco antes. A gente tem que sair desse foco da personificação. (…) Quem está no período da dedicação exclusiva ao curso, a freqüência das aulas. Por que vamos abrir para o Queiroz? (…)”, disse Troncon. Mais adiante, Troncon afirmou: “Se você conseguir relatar até sexta-feira, mas prosseguir numa situação… É dar lenha na fogueira. Certamente prosseguirá como fonte de consulta, como apoio. (…) Mas continuar tocando o inquérito…“.

P.S.: Fausto de Sanctis desistiu ontem da promoção para virar desembargador no TRF-3R. Prefere continuar como juiz da Sexta Vara Criminal de São Paulo. Perdeu, Dantas!

Quer pagar quanto?

mascote_casas_bahiaNa última sexta-feira 14, o repórter Jonathan Wheatley escreveu uma matéria para o Financial Times intitulada “Retailer at home in the favelas”. A reportagem é interessantíssima pois mostra como foi a inauguração da loja das Casas Bahia na favela de Paraisópolis, aqui de São Paulo, na semana passada.

Dois trechos seguem abaixo, com comentários e grifos meus.

QUE CRISE?

While no cheaper than many shops aimed at richer customers, it is hugely popular with the poor because it allows them to pay in small instalments – and at hefty rates of interest that average 4.5 per cent a month, or about 70 per cent a year. Customers receive a stack of payment slips and must go into a store to make payments. This keeps them coming back and usually keeps them shopping – unless they are among the 10 per cent who default.

Talk of economic crisis raises smiles among the shoppers who pour in when the doors open. Casas Bahia foresees no immediate downturn. It expects sales to rise from R$13bn ($5.6bn, €4.5bn, £3.8bn) last year to R$14bn this year. It spent R$2m to open its new store. Another 30 will follow next year, including others in favelas”.

Esse negócio da “parcela que cabe no bolso” e do carnê pra pagar na loja (o que gera novas vendas) a gente já sabia que tinha nas Casas Bahia. Mas o interessante é a tal da percepção do povo sobre a crise: por enquanto, ela só desperta sorrisos. E é mais ou menos isso aí que eu tô vendo por aí: um ou outro reclamando que não consegue mais financiar um novo carro mas, de resto, a vida está continuando. E com sorrisos, como o pessoal de Paraisópolis aparece na reportagem.

O PCC E A FAVELA

The store’s manager says 3,000 people applied for its 50 jobs, of which 40 – all except management – were filled locally.

That will be important for building good relationships. Most favelas are strict no-go areas for outsiders – often dominated by drug gangs and other criminals.

Paraisópolis is not much different. In recent years, it has gained piped water and sewerage in many areas. Houses change hands for between R$15,000 and R$400,000, putting many inhabitants well inside Brazil’s expanding middle class.

One young man in the crowd, who cheerfully admits to being “linked to the Parallel” (the PCC, a criminal organisation that briefly terrorised São Paulo with bombs and shootings in 2006), explains how the role of organised crime has changed in recent years.

“In the 1990s, anyone running a business here had to pay bribes,” he says. The favela used to be dominated by an extended family from Brazil’s north-east. They would extort about R$15,000 a year, for example, from anyone running a minibus service in and out of the favela .

At the turn of the decade, the PCC moved in. “They make their money only from drugs,” says the young man – although the PCC also robs banks and blew up a police station this week, stealing drugs and guns. The PCC keeps itself popular by distributing free food.

On national children’s day last month, it gave out 12,000 toys. “Extortion isn’t in their philosophy. If you want to set up a business, that’s fine,” says the man. They were less tolerant towards the area’s former gang lords. The few who survived the PCC’s arrival quickly fled.”

Primeiro: o cara dizer que está ligado ao “paralelo” é demais, né não? Tucanou o crime organizado! Mas, enfim, falando sério, o ponto desse trecho que eu escolhi é o seguinte: o PCC não está morto, como o governo do Estado de São Paulo quer fazer crer. Ele está cada vez mais forte e articulado e boa parte dessa força vem das comunidades mais excluídas, desassistidas pelo Estado, assistidas pelo PCC. Podem apostar o seguinte: quem mexer com as Casas Bahia lá em Paraisópolis, tá ferrado. Primeiro porque o PCC não vai deixar; segundo, porque tem gente da comunidade trabalhando por lá e a facção não vai deixar ninguém esculhambar esse pessoal.

Nada que qualquer pessoa bem informada não saiba. Mas vale o reforço: pra muita gente aqui em São Paulo, o PCC está muito longe de ser o “mal personificado”.

Agora quer saber o que é mais engraçado? Vai no Google e digita “inauguração das casas bahia paraisopolis”. Veja quantas matérias aparecem da imprensa brasileira sobre a abertura da loja. Tirando as do Globo, da BBC Brasil e do MSN – todas elas só fazem menção à reportagem do Financial Times – e um editorial do popularesco “Jornal da Tarde”, só uma reportagem foi feita pela imprensa local. Quem fez? A horrorosa “Veja São Paulo”, dando o “sugestivo” título de “Pedágio para vender em Paraisópolis”. (pedágio porque, pelo que se defere da matéria, o dono das Casas Bahia teve de dar uns produtos para a União de Moradores da favela para que a loja fosse ”aceita”).

É incrível, mas o espírito de porco dessa “grande imprensa” ainda consegue me espantar!

A entrevista de Obama e a ajuda que o Brasil pode lhe dar

60 MinutesBarack Obama deu sua primeira entrevista como presidente eleito dos EUA no dia de ontem, ao famoso programa “60 Minutes”. Duas de suas declarações foram bem firmes e incisivas e merecem destaque por aqui. Os pessimistas de plantão já devem estar falando: “ih, ele só saiu pela tangente na entrevista”. Ô galerinha, peralá vai! O cara nem assumiu e vocês já querem que ele dê a solução pra tudo no mundo? Pensa que é fácil consertar 8 anos de cagadas espetaculares do Bush e ainda pegar o país na pior crise econômica dos últimos 70 anos? Então peguem leve, né?

Feitas estas considerações, abaixo seguem as duas declarações incisivas do Obama. Pra quem quiser ver a cobertura completa da entrevista é só clicar aqui ou aqui.

BAÍA DE GUANTÁNAMO (do link do Estadão)

“Eu disse várias vezes que pretendo fechar Guantánamo. E vou fazer isso. Eu disse várias vezes que os EUA não torturam, e vou tomar medidas para garantir que não torturemos ninguém.”

CRISE NOS ESTADOS UNIDOS (do link da BBC Brasil)

Segundo ele, o consenso entre economistas, tanto na direita como na esquerda, é de que “nós vamos ter de gastar dinheiro agora” para reaquecer a economia.

“E que nós não devemos nos preocupar com o déficit no próximo ano ou mesmo no ano seguinte; que no curto prazo a coisa mais importante é evitarmos o agravamento da recessão.”

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Quanto à Guantánamo, finalmente alguém vai ter coragem suficiente de fechar aquilo. Não sei se muda muita coisa na forma prática dos EUA de lidarem com supostos terroristas. Mas o simbolismo envolvido no fechamento de Guantánamo seria bem grande, principalmente para mostrar ao mundo que os EUA não compactuam com a tortura enquanto Estado nacional. O Obama prometeu com todas as letras, vai ter que cumprir.

Em relação à crise, é isso aí mesmo. Não sei se os economistas liberais serão tão favoráveis assim a aumentos dos gastos de governo, mas é isso aí que o Obama vai ter que fazer. Ou ele faz isso ou os EUA vão pra uma crise miserável de vez e aí ele não será nunca mais eleito nem a síndico de prédio. E como político é político (e vice-versa) e Obama provou que bobo não é, essa cagada liberal ele não vai fazer não. Não foi à toa que ele já estabeleceu o “consenso dos economistas” na entrevista. Assim, pro cidadão médio, a mensagem dele é clara: “eu só vou fazer o óbvio”.

Agora, como eu sei que Obama é leitor deste blog e sempre presta atenção no que eu digo, vai uma dica de ouro pra ele: o segredo não é só gastar mais, é gastar com mais qualidade, nos lugares certos. Se ele só gastar mais, atirando pra tudo quanto é lado, aí a merda vai ser feia pois o déficit fiscal norte-americano só vai piorar e a crise ficará na mesma – além da desigualdade de renda crescer nos EUA, como aconteceu nos anos Bush.

Contudo, se ele precisar mesmo de ajuda na modelagem de programas que sejam focalizadores, distribuam renda e cumpram eficazmente o objetivo de fazer a grana chegar aos mais pobres, é só se dirigir à Esplanada dos Ministérios, Bloco ‘C’, 5º andar – Brasília. É lá que fica a sede do Ministério do Desenvolvimento Social.

Como a agenda dele tá muito cheia, sugiro que ele ligue no telefone do Ministério: (55) 0800-707-2003. Mas não vale levar a galera boa que a gente tem lá (e que formulam programas como o Bolsa Família) para os EUA. A gente precisa deles por aqui.

P.S.: a nossa homenagem póstuma a Rosani Cunha, secretária de Renda da Cidadania do MDS, falecida em 01/11/2008. É um tipo de pessoa que realmente fará falta ao país, principalmente pelo seu trabalho junto à gestão do Bolsa Família. (hat tip: Torre de Marfim).

De Sanctis mantido

Notícia divulgada hoje, pela tarde: o Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF3R) manteve o juiz Fausto de Sanctis à frente do processo contra Daniel Dantas. Por 2 votos a 1, a quinta turma do tribunal decidiu que o juiz deve continuar no processo oriundo da operação Satiagraha. Posicionaram-se a favor do juiz a desembargadora Ramza Tartuce e o desembargador André Nekatschalow; contrariamente, o desembargador Otávio Peixoto Júnior.

Lembrem-se que o pedido de afastamento do juiz tinha sido feito pelos advogados de Daniel Dantas. O argumento: o juiz não teria a “isenção” necessária para conduzir o caso com imparcialidade.

A decisão do TRF3R deve ser louvada não pelo ponto de vista jurídico mas sim pelo que absurdo que seria o afastamento de Sanctis do caso. Se todo mundo que for réu exigir um juiz mais “conveniente” para o seu caso, aí a coisa será feia demais. De Sanctis não prejulgou Dantas nem o incriminou antecipadamente; apenas está cumprindo com a lei, dadas as evidências que lhe foram apresentadas durante o curso da operação Satiagraha. Ele pegou duro com o ex-banqueiro mas tudo dentro da lei.

Vamos ver agora o que acontece com o Protógenes. Nosso apoio a ele é total.

Pancadaria geral… na escola

pancadaria

(foto: capa jornal Diário de São Paulo de hoje)

Não, esse blog ainda não virou a página eletrônica do Cidade Alerta ou do Aqui Agora. É que hoje ouvi uma notícia que me deixou bem chateado. Vejam abaixo (do Estadão):

Alunos brigam, trancam professores e quebram escola na zona leste de SP

“Porrada, porrada, porrada.” Foi em meio a esses gritos que os alunos da Escola Estadual Amadeu Amaral, no Belém, zona leste de São Paulo, começaram a depredar o colégio, por volta das 9h40 de ontem. Pedras e carteiras foram arremessadas nos vidros, portas arrombadas, tapas e socos fizeram os professores, acuados, se trancarem dentro de uma sala. A “rebelião” só terminou por volta das 12 horas com a entrada da Polícia Militar, acionada por vizinhos e funcionários da unidade. Em meio à correria, adolescentes de 5ª a 8ª séries choravam e gritavam e a diretora da escola desmaiou, segundo testemunhas. U., uma aluna de 15 anos que teria sido pivô da confusão, ficou levemente ferida.

Funcionários da escola apontam a existência de um grupo chamado Primeiro Comando do Amadeu Amaral (PCAA) como responsável pelo tumulto de ontem e de outros ocorridos este ano. André Pimentel, delegado titular do 81ºDP, afirma que a escola apresenta um histórico de brigas e depredações. Um inquérito foi instaurado, mas, segundo o delegado, não há gangues agindo na escola.

A pancadaria de ontem começou quando os alunos rivais descobriram que U., da 8ª série, havia dormido trancada em uma sala de aula desativada no 3º andar. A menina diz que ficou trancada desde as 15h30 de anteontem, com medo de apanhar de J., outra aluna, de 18 anos. “Elas começaram a falar que eu era do Brás, não era dali. J. começou a gritar comigo e aí começaram a falar ?porrada? e ela veio para cima de mim. Com medo, me tranquei e me escondi na sala. Só no dia seguinte, eles (alunos) arrombaram a porta”, contou U., ao mostrar os cortes no braço. A mãe da menina afirma que ela estuda há cerca de um mês na escola. “Só sei que ontem a minha filha brigou na escola, apanhou e a direção não avisou.”

J. disse que a briga ocorreu por causa do comportamento de U. Ela disse que tentou conversar com a “rival”outras vezes, mas não adiantou. J. a acusou de se “esfregar com os meninos da escola”. Segundo ela, o comportamento da colega estava fazendo outras estudantes serem ofendidas na rua. Ontem, disse, U. teria tirado o sutiã na escola para provocar os meninos. J. disse que ficou irritada e pediu que ela parasse com aquilo. A jovem afirmou ainda que U. dormiu na escola com três meninos. “Eu vi que ela não tava na escola e fui procurar na sala. Ela tava lá com mais três meninos da 5ª série. Conversei. Não deu certo, eu bati nela.”

Um professor, que pediu para não ser identificado, afirma que desde o início do ano os alunos têm quebrado janelas e até tentaram botar fogo na escola na segunda-feira passada. Só não conseguiram porque a Polícia Militar interveio. “Tem um grupo de 12 líderes. Quando começa a confusão, há vários focos. É difícil saber de onde vem. Já ouvi eles falando que vão colocar a escola no chão. Acho que o problema nem é com os professores, eles se revoltam pela escola ser em período integral.” O colégio, inaugurado em 1909, tem 16 salas, 277 alunos e 63 professores.

Aqui vocês podem ver a matéria do SPTV sobre o caso.

Que as hostilidades a professores de escola pública ocorrem, isso eu sei de longa data (pois estudei numa delas). Que as hostilidades estão virando agressões e ameaças de morte em algumas escolas públicas, isso eu também sei. Mas esse caso aí do Belém foi inédito. Não foi a turma do fundão nem aquele cara mais mal-intencionado; FOI A ESCOLA INTEIRA QUE SE REBELIOU. Os alunos quebraram a escola inteira, os professores (todos) se trancaram com medo, a Polícia Militar teve que intervir…

Aí você vê a história e analisa o seguinte: como assim, Primeiro Comando do Amadeu Amaral (PCAA)? Como assim, uma menina dormir de um dia pra outro na escola? Como assim, alunos tentando botar fogo na escola? Como assim, o conflito ter se iniciado por briga entre DUAS MENINAS?

Não, e o pior: a menina de 18 anos (uma das brigonas), ao invés de estar estudando pra entrar na USP, Unicamp, Unesp (o que considero seria o mundo ideal), tá é arranjando briga com uma outra e iniciando um motim na escola!

Agora, me diz aí: se você se preparasse mesmo pra ser professor, você daria aula numa escola pública sabendo duma dessas? Olha no espelho e responde com sinceridade. Se responder que sim, é melhor ir logo pro BOPE porque é lá que precisam de pessoas corajosas e meio loucas.

E que futuro vai ter o ensino público no país desse jeito? O estudante já não vem lá com uma bagagem muito boa de casa, aí vai pra escola e o professor já aparece mal remunerado, sem motivação e com baixa formação (é, porque os caras bons mesmo vão dar aula é em outro lugar), aí depois o estudante cresce em meio a isso tudo, as más influências aparecem, a coisa vai piorando, o ensino é em tempo parcial, ou seja, a pessoa fica na rua depois da aula…

Sinceramente, o que vamos fazer com todo esse problema? Sei não, mas não querendo ser piegas nem carola, acho que temos que trabalhar em cima da estrutura familiar pra valer. Talvez planejamento familiar? Uma boa, pois às vezes as pessoas não estão preparadas para ser pais em determinado momento e aí a educação da criança já está prejudicada desde o berço. Fazer um trabalho junto aos pais, tentando integrá-los o máximo possível à escola e mostrando que a educação é algo importante na formação dos filhos? Outra boa idéia, trabalhosa, mas muito boa.

O fato é: o problema é grave e nós não podemos perder mais uma geração pra delinquência. Alguém aí tem alguma opinião pra elevar o nível desse debate (que, obviamente, não será um debate sem ninguém comentar por aqui)?

Super Obama World

superobama

Clique aqui para jogar o simpático jogo. Pra quem teve a infância nos anos 90 e jogou o famoso “Super Mario World”, é impossível não se divertir com esse joguinho do Obama. Simplesmente fantástico! Ele enfrenta porcos de batom e lobistas… Vejam e se divirtam.

(hat tip: blog do Marcos Guterman)

Trabalhadores e rentistas no Brasil

O IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – divulgou hoje um estudo intitulado “Distribuição Funcional da Renda no Brasil: situação recente”. O trabalho apresenta como foi a dinâmica da distribuição de renda funcional (renda do trabalho e renda de propriedade são as duas categorias aí existentes) e da desigualdade de renda pessoal entre as categorias de renda funcional. Em outras palavras, é saber como a renda nacional se divide entre trabalhadores e rentistas, grosso modo. Isso aí de 90 até 2007, com dados da PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios.

Dois gráficos existentes no estudo me chamaram a atenção. Colocarei eles abaixo (para ver melhor, é só clicar que o gráfico aparecerá ampliado) e comentarei em seguida.

funcional01Este primeiro gráfico mostra o seguinte: apesar da contínua melhoria na distribuição de renda do país (de 94 pra cá, o índice de Gini vem caindo a cada ano), a parcela do rendimento do trabalho na renda nacional teve um comportamento errático: caiu bastante de 90 a 96, subiu entre 96 e 2001, caiu novamente entre 2001 e 2004 e subiu razoavelmente entre 2004 e 2007. Contudo, a participação da renda do trabalho no total da renda nacional (a última estimativa é de que seja de 41,7%) é inferior àquela existente em 90 (45,4%). Segundo o IPEA, observado o atual crescimento da renda do trabalho no conjunto da renda nacional, em 2011 teríamos o mesmo padrão de 1990.

Comentário do IPEA acerca do fenômeno descrito acima:

Resumidamente, ressalta-se que para haver melhora geral na distribuição da renda nacional torna-se necessário que o aumento do peso relativo da parcela do trabalho na renda nacional (repartição funcional) ocorra simultaneamente à redução da desigualdade na repartição pessoal da renda do trabalho. Nos últimos 17 anos, somente em seis houve redução plena da desigualdade de renda no Brasil (pessoal e funcional), uma vez que na maior parte do tempo (2/3 dos últimos 17 anos) ocorreu elevação parcial ou total no grau de desigualdade na renda nacional.”

Basicamente, o que o IPEA tá dizendo é o seguinte: não adianta só melhorar a distribuição de renda – pelo que eu entendi a mesma é medida para os rendimentos do trabalho – se a parcela da renda do trabalho cair em relação a renda nacional. Ou seja, você pode até melhorar a distribuição de renda entre os trabalhadores, mas se a fatia do bolo deles diminuir, esse ganho na desigualdade de renda pessoal no país não é pleno.

Minha dúvida é a seguinte: por que a desigualdade de renda só é medida na renda do trabalho? Se a gente comemora tanto a melhora na distribuição de renda do país mas deixamos de fora a galera que aufere renda de propriedade – e essa parcela é preponderante no bolo funcional, como o próprio IPEA diz -, então quer dizer que estamos celebrando meio que à toa? Bem, foi mais ou menos isso que eu auferi do que o IPEA disse antes.

Bem, o segundo gráfico (que eu não consegui importar aqui pro WordPress) está na página 10 do estudo e diz basicamente o seguinte: entre 2000 e 2007, a União gastou R$ 1,268 trilhões com pagamento de juros da dívida pública, R$ 310 bilhões com saúde, R$ 149,9 bilhões com educação e R$ 93,8 bilhões com investimentos. Segundo o IPEA,

Diante do destacado desempenho dos principais componentes da renda nacional, cabe breve referência sobre a qualidade do gasto público realizado. Se considerada a despesa acumulada pela União entre 2000 e 2007, nota-se, por exemplo, que o pagamento de juros com o endividamento público respondeu por próximo de 7% ao ano como média do total do PIB.

Ademais de poder ser considerado como um gasto improdutivo, pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores, termina fundamentalmente favorecendo a maior apropriação da renda nacional pelos detentores de renda da propriedade (títulos financeiros). Para o mesmo período de tempo, a somatória dos gastos da União com saúde, educação e investimento correspondeu a somente 43,8% do total das despesas com juros, equivalente a quase 54% da renda nacional de 2006 (2,370 trilhões de reais).”

É o IPEA centrando fogo contra a alta taxa de juros nacional.

Independente da explicação para o pagamento de tamanha soma em juros – e, acredito, ela existe e não é coisa de louco -, é de se espantar o gasto com o mesmo comparado com os gastos em educação e saúde. Tudo bem que os dois setores também são alvo de gastos por parte de governos estaduais e municipais mas, acredito eu, mesmo assim, se somarmos as três instâncias, o pagamento de juros ainda continuará ganhando em valor.

Sei lá como resolver essa parada. Mas há algo de errado quando pagamos mais em juros do que investimos em saúde e educação. É ou não é?

Spirit, um filme promissor para 2009

A Sony Pictures anunciou para o dia 16 de janeiro de 2009 a estréia do filme “The Spirit” no Brasil. Lá nos EUA o filme sairá no dia do Natal. Uma pena que teremos que esperar até a primeira quinzena do próximo ano pra ver o filme por aqui.

Estou bem ansioso para ver o filme apesar de não conhecer quase nada da história em quadrinhos do personagem – a reportagem do G1 que linkei acima diz que “a série de quadrinhos “The Spirit” conta a história de Denny Colt, um detetive mascarado que combate o crime na fictícia Central City. Considerado um dos clássicos das HQs, “The Spirit” mistura elementos de romance noir com toques de comédia e histórias de amor”. A tal história foi criada nos anos 40.

Mas, então, de onde vem minha ansiedade pra ver o filme? Simples. A obra é dirigida pelo Frank Miller (além de ser um baita autor de HQs, Miller co-dirigiu “300″ e “Sin City” e o resultado dos dois filmes foi fantástico), tem um visual animal (veja no trailer que coloco abaixo) e ainda reúne um elenco bacana – Scarlett Johansson e Eva Mendes aparecem como duas mulheres lindonas da história e o vilão é ninguém mais ninguém menos que Samuel L. Jackson. Fora tudo isso, o trailer ainda despertou a minha curiosidade sobre como a história se desenrola – basicamente, pelo que eu entendi, tem 4 mulheraças a fim do Spirit. Rapaz, vai ser garanhão assim lá longe!

O trailer tá logo aí abaixo. Aposto que você também ficará curioso pra ver o filme.

CQC no Congresso, 10/11

Vejam que engraçado a ida de Rafinha Bastos, do CQC, ao Congresso na semana passada. A reportagem foi exibida no programa de ontem, 10/11 e mostrou entre outras coisas:

  • a cara de pau de Anthony Garotinho;
  • a tirada de Rafinha em cima do “democrata” Ronaldo Caiado (repare que ele fala em “assepsia”, referindo-se a quem está no poder atualmente – quase um “vamos nos livrar dessa raça” do querido Jorge Borhaunsen);
  • o futuro vice-prefeito de São Bernardo do Campo, o cãozinho dos teclados Frank Aguiar, sem ao menos saber a diferença que existe entre 14 MILHÕES DE REAIS para 14 BILHÕES DE DÓLARES (OU ATÉ EUROS…);
  • e o mal humorado José Genoíno, que não quer falar com o CQC nem morto.

O vídeo embaixo mostra tudo isso aí. Por isso que eu peço: CQC, continua no Congresso. Só com as reportagens de vocês é que a gente consegue dar risada daquela galera perdida que tem lá.

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