A entrevista de Obama e a ajuda que o Brasil pode lhe dar

60 MinutesBarack Obama deu sua primeira entrevista como presidente eleito dos EUA no dia de ontem, ao famoso programa “60 Minutes”. Duas de suas declarações foram bem firmes e incisivas e merecem destaque por aqui. Os pessimistas de plantão já devem estar falando: “ih, ele só saiu pela tangente na entrevista”. Ô galerinha, peralá vai! O cara nem assumiu e vocês já querem que ele dê a solução pra tudo no mundo? Pensa que é fácil consertar 8 anos de cagadas espetaculares do Bush e ainda pegar o país na pior crise econômica dos últimos 70 anos? Então peguem leve, né?

Feitas estas considerações, abaixo seguem as duas declarações incisivas do Obama. Pra quem quiser ver a cobertura completa da entrevista é só clicar aqui ou aqui.

BAÍA DE GUANTÁNAMO (do link do Estadão)

“Eu disse várias vezes que pretendo fechar Guantánamo. E vou fazer isso. Eu disse várias vezes que os EUA não torturam, e vou tomar medidas para garantir que não torturemos ninguém.”

CRISE NOS ESTADOS UNIDOS (do link da BBC Brasil)

Segundo ele, o consenso entre economistas, tanto na direita como na esquerda, é de que “nós vamos ter de gastar dinheiro agora” para reaquecer a economia.

“E que nós não devemos nos preocupar com o déficit no próximo ano ou mesmo no ano seguinte; que no curto prazo a coisa mais importante é evitarmos o agravamento da recessão.”

———————-

Quanto à Guantánamo, finalmente alguém vai ter coragem suficiente de fechar aquilo. Não sei se muda muita coisa na forma prática dos EUA de lidarem com supostos terroristas. Mas o simbolismo envolvido no fechamento de Guantánamo seria bem grande, principalmente para mostrar ao mundo que os EUA não compactuam com a tortura enquanto Estado nacional. O Obama prometeu com todas as letras, vai ter que cumprir.

Em relação à crise, é isso aí mesmo. Não sei se os economistas liberais serão tão favoráveis assim a aumentos dos gastos de governo, mas é isso aí que o Obama vai ter que fazer. Ou ele faz isso ou os EUA vão pra uma crise miserável de vez e aí ele não será nunca mais eleito nem a síndico de prédio. E como político é político (e vice-versa) e Obama provou que bobo não é, essa cagada liberal ele não vai fazer não. Não foi à toa que ele já estabeleceu o “consenso dos economistas” na entrevista. Assim, pro cidadão médio, a mensagem dele é clara: “eu só vou fazer o óbvio”.

Agora, como eu sei que Obama é leitor deste blog e sempre presta atenção no que eu digo, vai uma dica de ouro pra ele: o segredo não é só gastar mais, é gastar com mais qualidade, nos lugares certos. Se ele só gastar mais, atirando pra tudo quanto é lado, aí a merda vai ser feia pois o déficit fiscal norte-americano só vai piorar e a crise ficará na mesma – além da desigualdade de renda crescer nos EUA, como aconteceu nos anos Bush.

Contudo, se ele precisar mesmo de ajuda na modelagem de programas que sejam focalizadores, distribuam renda e cumpram eficazmente o objetivo de fazer a grana chegar aos mais pobres, é só se dirigir à Esplanada dos Ministérios, Bloco ‘C’, 5º andar – Brasília. É lá que fica a sede do Ministério do Desenvolvimento Social.

Como a agenda dele tá muito cheia, sugiro que ele ligue no telefone do Ministério: (55) 0800-707-2003. Mas não vale levar a galera boa que a gente tem lá (e que formulam programas como o Bolsa Família) para os EUA. A gente precisa deles por aqui.

P.S.: a nossa homenagem póstuma a Rosani Cunha, secretária de Renda da Cidadania do MDS, falecida em 01/11/2008. É um tipo de pessoa que realmente fará falta ao país, principalmente pelo seu trabalho junto à gestão do Bolsa Família. (hat tip: Torre de Marfim).

1 Resposta para “A entrevista de Obama e a ajuda que o Brasil pode lhe dar”


  1. 1 Luisete Terça-feira, 18 / Novembro / 2008 às 2:03 pm

    E o cara ainda consegue ser elegante, refinado respondendo, na lata, a quem lhe indagou sobre a gravidez precoce da filha da Sarah Palin: “Quando eu nasci, minha mãe tinha 18 anos.” Um príncipe, se melhorar, estraga.


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