Arquivo para Dezembro, 2008

Fechado para balanço. Reabertura só em 2009.

É isso, pessoal. Vamos dar uma parada por aqui e retomaremos os posts agora só no próximo ano. Então, fica o recado para todos os 3 (ou 4) leitores dessa bagaça: um ótimo 2009 pra vocês, com muita paz e felicidade. Que a gente consiga enxergar as coisas boas da vida, esquecer das ruins, seguir adiante e fazer alguma coisa (qualquer que seja) pra melhorar o mundo.

Se alguém conseguir a fórmula pra fazer tudo isso, favor me passar. :)

Mas é isso aí. Até 2009. E um ótimo ano novo pra vocês!

Abraços e beijos,

André

2008: Dez filmaços descobertos

Mais uma lista, esta dos 10 melhores filmes que descobri em 2008. Como já comentei quase todos eles por aqui, se vocês quiserem saber o que acho deles, é só clicarem em cada um dos links. Sem mais delongas, segue a lista:

Tirando o 10º, todos os outros entram fácil na minha lista dos 100 melhores filmes. Ou vai dizer que não são filmaços os filmes do 1º ao 9º lugar?

2008: os melhores filmes do ano

Falei pra caramba de cinema durante o ano de 2008. Por isso, é óbvio que eu tinha que fazer um post dizendo quais são os 10 melhores filmes do ano. O critério básico é que o filme tenha sido lançado durante este ano no Brasil (existem filmes feitos em anos anteriores, porém só lançados aqui em 2008). Vou fazer comentários rápidos pra não ficar escrevendo muito, ok?

#10 – “LINHA DE PASSE”, Brasil, 2008, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas

Até tinha comentado por aqui que achei o filme meio cansativo. Mas, enfim, é um bom filme brasileiro no ano e creio que bem realista. Como 2008 revelou-se um ano sem tantas boas produções cinematográficas, “Linha de Passe” acaba entrando nos meus “10 Mais”.

#9 – “UM BEIJO ROUBADO” (“My Blueberry Nights”), Hong Kong/China/França/EUA, 2007, dirigido por Wong Kar-Wai

Kar-Wai é um diretor complicado, mas acho que ele acertou a mão nesse filme despretencioso. A história é basicamente sobre descoberta amorosa e o assunto não é tratado de forma trivial. Apesar de Norah Jones, como protagonista, ainda estar meio “travada” na interpretação, o filme tem uma boa história, boa direção e boas interpretações (ressalto aqui Natalie Portman como jogadora de pôquer “casca grossa”).

#8 – “ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA” (“Blindness”), Canadá/Brasil/Japão, 2008, dirigido por Fernando Meirelles

Meirelles resolveu pegar um livro complicado e adaptá-lo para o cinema. O resultado não ficou lá essas coisas mas o filme é razoável e com certeza está entre os 10 melhores do ano. No entanto, acho que livros como este do Saramago acabam sendo meio “inadaptáveis”. Meirelles ainda botou todo o seu talento no filme mas, mesmo assim, “Ensaio…” está abaixo dos outros dois filmes que vi dele (“Cidade de Deus” e “O Jardineiro Fiel”).

#7 – “DESEJO E REPARAÇÃO” (“Atonement”), Reino Unido/França, 2007, dirigido por Joe Wright

Taí uma adaptação literária que foi bem feita nas telas do cinema. Este livrão do Ian McEwan traz uma história espetacular e o filme conseguiu passar tudo que lá estava. A maneira de dirigir a história, “enganando” o espectador com McEwan faz no livro, é incrível. Este filme eu já acho muito bom (ao contrário dos outros três, os quais acho razoáveis).

#6 – “HOMEM DE FERRO” (“Iron Man”), EUA, 2008, dirigido por Jon Favreau

Com uma direção competente, “Homem de Ferro” é um baita filme. A história é bacana (adaptada para o contexto geopolítico atual) e a idéia de colocar Robert Downey Jr. como o canastrão que está por trás do herói – Tony Stark – foi fantástica (aliás, Downey captou exatamente o que é Stark, um quase anti-herói). Destaque também para Jeff Bridges como o vilão da história.

#5 – “O ESCAFANDRO E A BORBOLETA” (“Le scanphandre et le papillon”), EUA/França, 2007, dirigido por Julian Schnabel

Fiquei bem agoniado com esse filme. Imagine que durante um tempo razoável da obra você tenha a perspectiva de um homem que, de uma hora para outra, só consegue se comunicar com o mundo por apenas um olho (todo o resto do corpo está totalmente paralisado). Fora que a história é incrível: a gente vê, em linhas gerais, como o cara que sofreu este trauma (Jean-Dominique Bauby) conseguiu transmitir tudo que se passava na sua mente e até “escreveu” um livro (uma ajudante transcrevia as palavras “piscadas” por ele).

#4 – “WALL-E”, EUA, 2008, dirigido por Andrew Stanton

Eu não gosto muito desse tipo de filme, mas “Wall-E” é cativante. A história do robôzinho é muito engraçada e na primeira metade do filme eu simplesmente não conseguia parar de rir - essa parte é a que mostra ele aqui na Terra e depois seguindo a sua paixão, a robôzinha Eva. Quem pensa que o filme é infantil ou até bobo, vai se enganar redondamente quando vir a obra.

#3 – “ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ” (“No country for old men”), EUA, 2007, dirigido por Ethan e Joel Coen

Filmaço arrebatador dos irmãos Coen, grande merecedor do Oscar de melhor filme deste ano. Já falei dele por aqui e reitero a minha opinião:  não é um filme fácil, muito pelo contrário. Pertubador é a palavra que melhor o define. Um filme que tem um significado mais complicado do que o que aparece na história. Terceiro lugar pra ele.

#2 – “QUEIME DEPOIS DE LER” (“Burn after reading”), EUA/Reino Unido/França, 2008, dirigido por Ethan e Joel Coen

Essa comédia com toques de humor negro dos irmãos Coen conseguiu me fazer rir bastante. Filme fantástico, que encerrou o ano com chaves de ouro. Meu comentário sobre ele pode ser visto aqui.

#1 – “BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS” (“The Dark Knight”), EUA, 2008, dirigido por Christopher Nolan

E o primeiro lugar vai para o filme do Batman. A história é muito boa, os personagens são fantásticos e as atuações são espetaculares. E vou dizer mais: o Batman acaba ficando em segundo plano. O Coringa de Heath Ledger e o Duas-Caras do Aaron Eckhart é que realmente são a cereja do bolo deste filmaço. Não há como colocar outro filme na primeira posição: o melhor de 2008 é realmente “The Dark Knight”. E fim de papo (falei mais do filme aqui).

É isso aí. Gostou da lista? Discordou? Tem algum filme que eu esqueci ou que talvez eu não tenha visto? Bem, é só comentar então aê, pô!

2008: Dez descobertas musicais

No post anterior, eu coloquei as 10 músicas lançadas em 2008 que eu mais ouvi. Neste post, eu compartilho com vocês 10 descobertas musicais que fiz durante o ano. As 10 descobertas estão assim divididas: 5 cantores, cantoras ou bandas e 5 álbuns. Em todos os 10 casos, ou eu conhecia muito pouco sobre o artista em questão ou não tinha ouvido o álbum listado.

Então, vamos ver o que é que achei e ouvi pra caramba neste ano de 2008! É só clicar no link abaixo!

Dez descobertas musicais de 2008

Rádio “A Volta…” – As mais tocadas de 2008

Continuando a retrospectiva de 2008, coloco agora as músicas mais tocadas no meu mp3 player que tenham sido lançadas este ano aqui no Brasil. É importante ter isso em mente, pois tem muitas músicas de álbuns de anos anteriores mas o critério utilizado, dado que aqui só tem hit, é a data de lançamento da música no país.

Então, deixemos logo de firula e vejamos quais foram as 10 músicas deste ano que eu mais ouvi!

#10 – “PORK AND BEANS”, Weezer

Eu sempre gosto dos hits desses nerds do Weezer. Essa “Pork and Beans” é bobinha, mas tem um ritmo cativante. E o clipe então? Parece coisa feita pelos caras do “Big Bang Theory”

#9 – “NO ONE”, Alicia Keys

Com tanto R&B tocando por aí, alguma música nesse estilo tinha que aparecer por aqui. Mas essa da Alicia é uma música bem legal, eu só acho que ela enche o saco depois que você ouve, sei lá, umas 10 vezes. Eu, por exemplo, não aguento mais ouvir o “o,o,o,ohhhhhhhhhhhh” que tem no final. Mas ela foi bem tocada no player esse ano, então tá aí na 9ª posição.

#8 – “TURBINATION LOCOMOTROX”, Hudson Cadorini

Vocês se lembram quando eu falei por aqui do Hudson, o “sertanejo metaleiro”? Pois é, acabei gostando tanto da música de trabalho dele que ouvi até dizer chega a forte “Turbination Locomotrox”. Se você gosta 10% que seja de Satriani, Steve Vai ou Van Halen, ouça a música. Com certeza, você não irá se decepcionar.

#7 – “AMERICAN BOY”, Estelle com participação de Kanye West

Essa música entra na lista como uma daquelas que “tenho vergonha de dizer que ouço isso, mas a música não sai da minha cabeça!”. E pior é que é verdade! Eu não gosto desse estilo de música, cago e ando pro tal do Kanye West, mas essa música é impossível: toda vez que ela toca, eu paro pra ouvir. Foi até parar no player, sei lá como, hehehe… Mas a voz da britânica Estelle é boa. Pronto, é isso que me cativa na música: a voz da moça! :)

#6 – “ILUSIÓN”, Julieta Venegas e Marisa Monte

Conheci a mexicana Julieta Venegas através do acústico que o Lenine fez em 2006. Esse ano a moça fez um bom acústico e convidou a grande Marisa Monte pra fazerem um dueto nessa música, “Ilusión”. A canção é bem bela e as vozes das duas cantoras são arrebatadoras. É uma música triste, mas mesmo assim bem bonita.

#5 – “THE SHOCK OF THE LIGHTNING”, Oasis  

Não adianta, eu gosto do Oasis pra caramba e ouço sempre o que eles fazem. Este ano eles lançaram um álbum que aparentemente não fez muito sucesso e que não foi tão falado assim. Mas essa música, “The Shock…”, é incrível. Começa sem frescura e simplesmente bota pra quebrar, na melhor tradição do rock britânico. Oasis at its best. Fim de papo.

#4 – “THE DAY THAT NEVER COMES”, Metallica

Metallica voltando às origens é algo que merece todo o nosso respeito. E essa música é espetacular. Começa de maneira progressiva e vai se desenvolvendo até os 3 (e espetaculares) minutos de solo de guitarra do Kirk Hammitt. Ouvi muito esta música durante o ano, mas ela não entra no pódio – o que é uma pena pra mim. Mas eu não faço as regras, só as sigo: se disse que tenho que colocar as que eu mais ouvi no ano, então assim será. Teve outras três músicas que eu ouvi mais que essa do Metallica, então…

#3 – “A BEAUTIFUL LIE”, 30 Seconds to Mars

“Que é isso, André, tá xarope? Uma música emo na frente do Metallica? Ficou louco?” É, pois é. Mas a verdade é que eu ouvi “A Beautiful Lie” bem mais do que a música do Metallica. E isso tem três motivos: acho o clipe de “A Beautiful Lie” bem feito (os caras foram lá na Groenlândia) – e muita parte do que eu ouço aparece nos clipes que vejo na TV -, o 30 Seconds to Mars tá acima da média das bandinhas emos por aí e, finalmente, a música me cativou (sei lá porque… música é estado de espírito. Acho que eu tava meio triste quando essa música apareceu por aí.).

#2 – “CRUSHCRUSHCRUSH”, Paramore

Música bem “teenager”, mas que eu gosto pra caramba. Aliás, eu ouvi pra caramba Paramore esse ano. É outra bandinha meio emo que eu gosto. E isso porque acho que a vocalista tem uma ótima voz e eles não ficam com muita viadagem pra tocar não. O título desta música já mostra isto: o negócio é rápido mesmo, na velocidade de você dizer a palavra “crush” trêsvezesseguidascomoseestivessealucinado…

#1- “VIVA LA VIDA”, Coldplay

Essa foi a minha música do ano. Já até falei dela por aqui. Como disse antes: música é estado de espírito. Eu tava num lugar chato – Brasília – por várias semanas, afastado de tudo e casou de eu encontrar essa música meio épica justamente nesta época. Depois continuei ouvindo-a direto. Virou até toque de celular e tudo. Grande canção que coroa este 2008 musicalmente eclético. Pena que ela talvez tenha sido chupinhada do Satriani (veja a polêmica aqui). 

Pronto, essas foram as 10 músicas lançadas no ano que eu mais ouvi. Por ela, percebemos que: (i) temos apenas duas participações nacionais – Hudson e Marisa Monte; (ii) as mulheres estão com tudo na minha lista – temos Alicia Keys, Estelle, Julieta Venegas, Marisa Monte e a vocalista do Paramores, Hayley Willians; (iii) a lista está bem eclética, mas o rock e suas vertentes ainda dominam.

E aí, você também teve uma lista pra 2008? Ou, se não teve, odiou a que eu fiz? Comenta aí então, pô!

2008: Os melhores jogos do ano

Vamos começar a retrospectiva 2008 elegendo os 10 melhores jogos do ano (isto, é óbvio, na minha modesta opinião). Se estiver faltando algum jogo legal aí na lista, é só comentar.

Então, é isso: clica no link aí de baixo e veja as 10 partidas que arrasaram em 2008!

As 10 melhores partidas de 2008

Lula, o presidente mundialmente influente

Depois do recorde de popularidade, vejo hoje outra notícia positiva sobre o Lula. Do Estadão:

NEWSWEEK: LULA É A 18ª PESSOA MAIS INFLUENTE DO MUNDO

SÃO PAULO - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, figura como a 18ª pessoa mais influente do mundo numa lista elaborada pela revista americana Newsweek para delinear a nova estrutura de poder global. Na edição com data de 5 de janeiro de 2009, o periódico publica reportagem especial sobre a ascensão de Barack Obama ao posto de pessoa mais influente do mundo e aponta os 49 políticos, grupos e personalidades com mais potencial de destaque durante o mandato do próximo presidente americano.

Ao justificar a escolha de Lula como a 18ª pessoa mais influente do planeta, a Newsweek escreve que, “depois de pegar o Brasil à beira da ruína no início de 2003″, o atual presidente hoje governa um país com mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais e com o menor índice de inflação entre os países emergentes. Encabeçada por Barack Obama, a lista da Newsweek conta com o presidente da China, Hu Jintao, em segundo lugar, e o da França, Nicolas Sarkozy, em terceiro.

Os quarto, quinto e sexto lugares são ocupados, na ordem, pelos presidentes dos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa e do Japão – Ben Bernanke, Jean-Claude Trichet e Masaaki Shirakawa, respectivamente. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, aparece em sétimo lugar, seguido pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo chefe de governo da Rússia, Vladimir Putin. O décimo lugar é ocupado pelo rei Abdullah da Arábia Saudita.

Lula aparece à frente de figuras como o papa Bento XVI (37º), o milionário saudita no exílio Osama bin Laden (42º) e o Dalai-lama (46º). No texto de apresentação, a Newsweek admite que a elaboração da lista é “altamente subjetiva e arbitrária”, mas assegura que as escolhas foram cuidadosamente avaliadas e representam a tendência do novo equilíbrio de poder no mundo. As informações estão no site aberto da Newsweek.

Tudo bem, tudo bem, já até sei qual será o argumento da turma que não suporta o Lula: “reconhecemos a influência do Lula, porém ela é negativa! Demônio! Participante do eixo do mal latino-americano! Puxa-saco do Chávez! Filhote do Castro! Ignorante! Estúpido!”. E por aí vai (esse pessoal, quando começa a falar do Lula, baba que nem cão raivoso).

Mas que é interessante ver que a Newsweek reconhece a importância do Lula por ter transformado “um país à beira da ruína” num país de destaque entre os emergentes, ah, isso é. E isso só desfaz aquele argumento infantil e ridículo de que Lula foi um mero seguidor do FHC. Aliás, ainda bem que ele não foi isso. Se tivesse sido, quem sabe o Brasil, ao invés de estar discutindo hoje o tamanho do crescimento, estaria estimando o quão negativo viria o PIB do ano que vem?

Aprenda Keynes

O grande amigo NaPrática começou uma tarefa árdua: acompanhar e discutir o fichamento que o Tyler Cowen (do Marginal Revolution) está fazendo da “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, a grande obra do Keynes. Como o NaPrática é bastante dedicado, creio que fará um bom trabalho. Então vão lá e leiam, pra aprender o que Keynes escreveu de verdade.

Digo que a tarefa do NaPrática é árdua por dois motivos: (i) eu já fiz isso que ele está fazendo pra uma matéria do curso de economia da USP (Macroeconomia Pós-Keynesiana) e Keynes é bem complicado quando escreve – interpretá-lo, então, requer uma boa dose de paciência -; (ii) Keynes sempre elabora sua teoria baseado no que os clásssicos entendiam sobre economia. Conclusão: pra entender Keynes, tem que entender os clássicos.

Mesmo assim, vale a pena você acompanhar. O NaPrática já botou o fichamento do capítulo 1. Ele é bem pequenininho, tem só um parágrafo. Mas é por ele que vocês já vêem o quão figura é o Keynes. Diz ele:

(…) Argumentarei que os postulados da teoria clássica se aplicam apenas a um caso especial e não ao caso geral, pois a situação que ela supõe acha-se no limite das possíveis situações de equilíbrio. Ademais, as características desse caso especial não são as da sociedade econômica em que realmente vivemos, de modo que os ensinamentos daquela teoria seriam ilusórios e desastrosos se tentássemos aplicar as suas conclusões aos fatos da experiência”.

E, marrento que era, diz que ele considera como “economistas clássicos” não só os velhos Adam Smith, David Ricardo e James Mill mas também os “seguidores de Ricardo”, ou seja, J.S. Mill, Marshall e o Prof. Pigou (que tinha sido o mentor do Keynes). Diz aí: vai ser metido lá longe…

O resto do trabalho eu deixo pro NaPrática. Essa semana é pra ser light.

Protógenes no Roda Viva

Acabei de assistir ao Roda Viva com o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiróz. Não vou escrever muito sobre o programa inclusive porque o sono está batendo, mas acho que ele respondeu bem a tudo que lhe foi perguntado – creio que só ficou no ar uma pergunta do Fernando Rodrigues da Folha sobre ele ter utilizado um Land Rover da operação Satiagraha mesmo após o término das investigações. Mas aí nem dá pra culpar o Protógenes, pois ele foi tesourado no meio da resposta pela repórter da Cultura.

Aliás, tinha hora que os jornalistas pareciam cães atrás de carne. Mal o Protógenes respondia a um questionamento, já tinha outro na cola pra fazer a pergunta. Mas o Roda Viva realmente não foi feito pra alisar ninguém não; e, por isso, acho que a bancada de hoje foi razoável e perguntou para o delegado tudo aquilo que o público realmente gostaria de saber (a bancada era composta de Ricardo Noblat, Renato Lombardi – TV Cultura, Fernando Rodrigues – Folha de São Paulo e Fausto Macedo – Estado de São Paulo).

Vendo o programa de hoje é que nós percebemos quão nojenta foi a atitude do Roda Viva, ao selecionar uma bancada mui amiga para o presidente do STF, Gilmar Mendes, na semana passada. Se houvesse uma bancada minimamente crítica em relação a ele como houve hoje em relação ao Protógenes, o programa da última semana teria sido bem melhor. Mas a Cultura preferiu aliviar pra cima do supremo ministro.

Veja no Youtube a entrevista do Protógenes assim que colocarem por lá, vale a pena pra caramba.

P.S.: quando o delegado se referia à Daniel Dantas, o fazia através da palavra “bandido”. Isso aparentemente incomodou parte da bancada do programa, que acusou o delegado de querer ser juiz. O delegado respondeu que, do ponto de vista da polícia, DD era bandido sim senhor, com fartas provas mostrando tal fato ser verdadeiro. Agora, do ponto de vista da Justiça… quando todos pensaram que ele ia dizer, “do ponto de vista da Justiça, ele é investigado”, Protógenes saiu-se com essa: “do ponto de vista da Justiça, é pior ainda. Além de bandido, ele é condenado”. Impagável.

P.S.II: com relação ao suposto grampo ocorrido no STF, Protógenes diz que só acredita ouvindo o áudio. Noblat insistiu na história até não poder mais e o delegado meio que deixou no ar que aquilo ali cheirava a armação. O principal indício? A presença do repórter da Veja em local “suspeito” semanas antes…

P.S.III: Protógenes parece ter tanta informação que não pode ser passada por causa dos processos que correm na Justiça… pô, será que não teria uma “Contigo” das podreiras vistas nas investigações da PF? Já pensou, as maiores fofocas das investigações, tim-tim por tim-tim nas nossas mãos?

Edição Especial “O mundo em 2009″

theworldin2009Nos últimos 3 anos, sempre gostei de comprar a edição especial de fim de ano da The Economist, “The World in…”. É uma edição bacana, com várias perspectivas para o ano seguinte, com artigos sobre diversas áreas, reportagens sobre o mundo inteiro, previsões e principais acontecimentos para cada país, etc, etc. A edição de 2009 tá aí ao lado (e pra quem quiser e tiver paciência de ler online, o conteúdo está todinho aqui nesse link).

Eu gosto de ter a edição impressa, mas neste ano o preço tornou-se proibitivo: R$ 44,90. Mas eis que, na sexta-feira, eu descobri um negócio bem bacana.

A Carta Capital conseguiu a licença pra lançar a mesma edição no Brasil. É isso aí: “O mundo em 2009″ foi lançada dia 19, com as mesmas matérias traduzidas, com artigos adicionais acerca do Brasil e (grande diferencial na minha opinião) preço de R$ 12,90.

Já dei uma olhada na edição e ela parece bem bacana, com texto bem no estilo da “The Economist”. Enfim, se você gosta da edição especial, acho que vale a pena comprar a revista feita aqui pro Brasil. Creio que não se perca nada em questão de tradução e, mais importante, informação.

Tá dada a dica.

P.S.: uma revista tão importante como a Economist ter dado a licença de sua principal edição para a Carta Capital só atesta a qualidade desta. Na minha opinião, já há uns bons anos, revista semanal – quando leio – é a Carta. Acho que Época e Istoé estão a anos-luz da revista do Mino Carta. A Veja é desonesta e por isso eu nem chego perto dela.

Manchester campeão do mundo

manchesterA nossa torcida era pela LDU, mas não deu. O Manchester United sagrou-se bicampeão mundial de clubes hoje, ao vencer o time equatoriano por 1 a 0, gol de Wayne Rooney. Esse é o segundo título mundial do time inglês: o primeiro foi ganho em 1999, em cima do Palmeiras.

O resumo da partida é bem simples: a LDU veio pra se defender, o Manchester pra atacar. Mesmo assim, com 4 minutos de jogo, a LDU perdeu um gol incrível, com Campos (veja os melhores momentos do jogo aqui). Passado o susto, o Manchester foi pra cima com muito mais velocidade, agilidade e técnica. E criando chance atrás de chance.

Estava nítido que o gol do Manchester sairia a qualquer momento. Mas mesmo assim o 1º tempo acabou em 0 a 0.

O que parecia ser um jogo fácil pro time inglês tornou-se algo complicado logo no início do segundo tempo, com a expulsão do zagueiro Vidic. Com um jogador a menos, o técnico Alex Ferguson foi obrigado a sacar o seu terceiro atacante – Tévez – pra colocar um zagueiro no time. A LDU então se soltou e começou a ameaçar mais o Manchester: o argentino Manso deu inclusive um belo chute, defendido de maneira espetacular por Van der Sar.

Porém, aos 28, Cristiano Ronaldo dominou a bola com habilidade na entrada da grande área, enganou dois zagueiros e tocou para Rooney que, num belo chute, fez o gol do título do Manchester. Bola indefensável para o bom goleiro Cevallos, da LDU.

O time equatoriano foi com o que pôde ao ataque, mas esbarrou no bom sistema defensivo do time inglês. O último lance de perigo veio no final da partida: Manso (o melhor jogador da LDU) deu outro belo chute no ângulo, mas Van der Sar foi buscar de novo.

Título merecido para o Manchester. A LDU tentou, mas era muito pior taticamente falando. E parabéns também aos brasileiros Anderson (jogou muito) e Rafael, presentes no time inglês que jogou hoje.

Curiosidade: na última Copa do Mundo, o Equador foi eliminado nas oitavas-de-final pela Inglaterra, placar também de 1 a 0. O gol foi marcado por David Beckham, em cobrança de falta.

P.S.: esta semana terá um post com os 10 melhores jogos do ano, na minha opinião. Não percam!

Uma balada pra encerrar a semana

Kiss, com “Goin’ Blind”. A melhor música do histórico unplugged dos caras.

Vocês não perdem por esperar o “A Volta…” na próxima semana. Só retrospectivas do ano no cinema, música, TV, futebol…  Aguardem!

Estagdeflação

Calma, o título do post não é um xingamento a ninguém não. É que o Celso Ming – aliás, um baita jornalista econômico – escreveu um texto pro Estadão de segunda-feira com o título “Inimigo Novo”. Nesse texto ele trata do monstro que dá título a este post, a estagdeflação ou, em outras palavras, recessão econômica combinada com queda constante dos preços. O artigo é bom porque esclarece, de modo didático, algumas confusões que se faz na imprensa com relação à deflação.

Ming fala que uma série de economistas vêm alertando há algumas semanas pra ocorrência deste fenômeno nos países desenvolvidos, principalmente os EUA. Aí alguém pode pensar por aí: “pô, até entendo que recessão seja um baita problema. Mas queda de preços também é?”. Se ocorrer de maneira razoável, é sim. E Ming explica de modo prático o porquê:

(…) a estagdeflação empurra o sistema produtivo para graves distorções, tanto quanto as provocadas pela inflação. Confira algumas.

(1) Aumento das dívidas – Se os preços caem e os passivos permanecem como estão, a dívida real aumenta. Como, em geral, numa recessão, o desemprego cresce e os salários caem, um aumento da dívida tende a dificultar os pagamentos, o que leva a calotes e inadimplências.
(2) Baixa da arrecadação – A maioria dos impostos é calculada como certa porcentagem cobrada sobre os preços. Assim, se os preços caem, a arrecadação de impostos vai atrás.
Como o setor público (governos) trabalha com despesas relativamente fixas (salários, aposentadorias e contratos), a queda da arrecadação tende a aumentar o déficit público (despesa sem cobertura de receita).
Além disso, como ficou dito, a deflação aumenta os passivos e, quase sempre, o maior deles é o dos tesouros. Isso significa que a deflação tende a dificultar o pagamento das dívidas públicas.
(3) Redução das vendas – A partir do momento em que se forma a percepção de que começou um processo de deflação, o consumidor tende a adiar suas compras, porque vai achar que quanto mais esperar para fechar um negócio, mais barato vai pagar. Quando se generaliza, essa atitude leva ao aumento do encalhe de mercadorias que, no momento seguinte, obriga as empresas a torrarem os estoques de maneira a reduzir as perdas (stop loss).
Por aí se vê, também, que a deflação tende a reduzir as encomendas ao setor produtivo, a aumentar o desemprego, a achatar o salário real e a derrubar os lucros. Radicalizado o processo, os preços das ações tendem a afundar e, com elas, se desvaloriza o patrimônio dos fundos de pensão e das carteiras das famílias.
(4) Trava na política de juros – Outro grave risco é o de que os juros caiam tanto que cheguem às cercanias do zero. A partir daí, a política monetária (política de juros) perde a capacidade de tração. Ou seja, o banco central não pode mais derrubar os juros p’ara fazer a produção andar. E foi desse mal que a economia japonesa sofreu ao longo da década de 90.

Todos os motivos elencados acima são problemáticos. Do ponto de vista macroeconômico, acho que o pior é o (4). Isso porque a principal arma da política monetária torna-se inútil e o governo perde um instrumento de política de suma importância. É só ver que, na última semana, os EUA reduziram seus juros para algo entre 0 e 0,25%; o Japão, para 0,1%. Ou seja, não há mais espaço, nas duas principais economias do mundo, para políticas monetárias expansionistas. Algo grave com a recessão que acontece atualmente.

E pra mostrar que o risco de deflação é significativo, notemos que os preços nos EUA sazonalmente ajustados (todos os itens e não o core), variaram da seguinte maneira no período de junho a novembro de 2008 (sempre em relação ao mês anterior): 1,1%, 0,8%, -0,1%, 0%, -1% e -1,7%. Só para termos uma idéia do nível de redução dos preços por lá, nos 12 meses terminados em novembro (na série não sazonalmente ajustada) os preços subiram 1,1%; nos 12 meses terminados em julho, eles estavam no nível de 5,6%. No Japão nem é preciso dizer que a deflação já se tornou um “fantasma” que de tempos em tempos assombra os nipônicos.

Essa crise econômica tá demais mesmo. Quando a gente pensa que as más notícias já vieram todas, aparecem outras piores ainda.

LDU x Manchester: o último jogo importante do ano

A LDU venceu o Pachuca (México) por 2 a 0 ontem e garantiu sua vaga na final do Mundial Interclubes, o qual é disputado no Japão.

O Manchester United enfiou 5 a 3 no Gamba Osaka hoje e também está na final.

Mais uma vez, provou-se que o “Mundial” Interclubes resume-se, no final, a um duelo entre sul-americanos e europeus. Mas, enfim, deixem os Pachucas, Waitakeres, Gamba Osakas e Adelaides da vida serem felizes disputando um torneio “mundial” no Japão…

Quanto à final: muita gente desfez da LDU ter ganho a Libertadores. Depois que o Fluminense eliminou o Boca Juniors então, vixe, aí nem se fala. Só o dr. Pera (comentarista sempre presente por aqui) acreditou nos equatorianos. E eles ganharam com maestria a Libertadores. Antes de vencer o Fluminense na final, tinham eliminado Estudiantes, San Lorenzo e América (México).  De lá pra cá, a LDU perdeu o seu principal jogador (o volante Guerrón) mas é um time ainda bem habilidoso, com força e velocidade e, mais do que isso, perigoso justamente por ser menosprezado pelos adversários.

Já o Manchester é infinitamente mais conhecido e badalado. Ganhou uma Champions League nos pênaltis em cima do Chelsea. Mas tinha eliminado Lyon, Roma e Barcelona nas fases anteriores. Tem um ataque fortíssimo, alternando quatro jogadores: Nani, Tévez, Rooney e Cristiano Ronaldo, este talvez o melhor do mundo em 2008. Um time forte e favoritaço que tem a jogada aérea como principal arma.

A lógica diz que o Manchester ganhará.

A minha torcida, como ocorre todo ano, é sempre pro lado mais fraco, ou seja, o time sul-americano. Pode ser quem for, eu torço pros de cá. E se esse ano a LDU tá lá, é por ela que eu vou torcer.

E, sei não, tenho que impressão que o time equatoriano ganhará. O Manchester vai se desmanchar inteiro quando o Cristiano Ronaldo perder um pênalti no primeiro tempo. E aí a LDU, como quem não quer nada, vai fazer um golzinho e se sagrará campeã.

Imagine um time equatoriano campeão do mundo! Difícil, mas… ah, domingo a gente vê o que acontece.

Sandman – Prelúdios & Noturnos Volume 2

sandman21Acabei de ler o segundo (e último) volume do primeiro arco de histórias do Sandman, Prelúdios e Noturnos. Como já tinha falado por aqui, a Pixel Editora resolveu relançar em nova edição recolorida toda a saga do Senhor do Sonhar. Gostei bastante do volume 1 (que contém os Sandman de 01 a 04) e fui atrás do volume 2 assim que pude.

Achei bem bacana as histórias que fecham este primeiro arco do Sandman (no original, os Sandman 05 a 08). No volume I, a gente via como o cara tinha sido aprisionado por 80 anos, sua fuga e o início da busca por objetos seus que guardavam parte de seus poderes (com Constantine, ele recupera a bolsa de areia; indo ao inferno, recupera seu elmo).

No início do volume II, a gente vê o Sandman atrás do seu último objeto de poder roubado durante seu aprisionamento: seu rubi (ou pedra do sonhar), o qual contém boa parcela de seu poder. O mesmo está nas mãos do lunático Dr. Destino, um cara que foi aprisionado no Asilo Arkham (aquele mesmo de Gotham City) pela Liga da Justiça. O motivo? Ele usava o rubi pra transformar o pesadelo das pessoas em realidade.

Dr. Destino foge do Arkham e recupera o rubi antes de Sandman. E é aí que aparece a melhor história deste volume 2: no Sandman 06, Destino passa 24 horas numa lanchonete junto com várias pessoas comuns. O que parece inicialmente ser um dia tranquilo para estas pessoas se transforma numa história maluca e sanguinolenta, com Destino interferindo para que os personagens ali presentes façam as maiores maluquices possíveis. É nesta história que a gente vê que Sandman definitivamente não é feito pra crianças e nem pra adolescentes.

Sandman então encontra Destino. Resolve confrontá-lo no seu mundo, o Sonhar. Essa é a história do Sandman 07, bacana também mas não tão legal quanto a do Sandman 06.

Na última história do volume 2, Sandman encontra sua “irmãzinha” Morte. É isso mesmo: a Morte é caracterizada como uma jovem descolada, toda cheia das sacadas, bem consciente do seu dever. Ela dá uma baita lição de moral no Sandman e o bacana desta história é ver a tal da Morte em ação.

Não achei os extras desta edição tão bacanas quanto o que foi mostrado no primeiro volume. Mas mesmo assim temos algumas curiosidades interessantes (como a narrativa do primeiro editor do Sandman no Brasil sobre a tentativa de cancelamento da série após um cacife da editora Globo ter lido a sanguinolenta história do Sandman 06).

Mas é isso: se conseguir achar, compre. Vale bastante a pena. E quando sair a terceira edição (não sei qual será), eu aviso por aqui.

P.S.: a Pixel deve ter um esquema de distribuição meio complicado ou ainda não tem massa crítica suficiente pra atingir as bancas normais. Eles disseram que lançaram este volume 2 no final de novembro, mas eu não o achei em nenhuma banca da Paulista (um dos maiores mercados consumidores deste produto no país). Tive que encomendar lá pela Livraria Cultura e ainda noto que a revista não está em nenhuma banca, inclusive nas maiores. O pessoal lá da editora tem que começar a ver isso, senão eles não farão grana com a série…

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