O grande amigo NaPrática começou uma tarefa árdua: acompanhar e discutir o fichamento que o Tyler Cowen (do Marginal Revolution) está fazendo da “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, a grande obra do Keynes. Como o NaPrática é bastante dedicado, creio que fará um bom trabalho. Então vão lá e leiam, pra aprender o que Keynes escreveu de verdade.
Digo que a tarefa do NaPrática é árdua por dois motivos: (i) eu já fiz isso que ele está fazendo pra uma matéria do curso de economia da USP (Macroeconomia Pós-Keynesiana) e Keynes é bem complicado quando escreve – interpretá-lo, então, requer uma boa dose de paciência -; (ii) Keynes sempre elabora sua teoria baseado no que os clásssicos entendiam sobre economia. Conclusão: pra entender Keynes, tem que entender os clássicos.
Mesmo assim, vale a pena você acompanhar. O NaPrática já botou o fichamento do capítulo 1. Ele é bem pequenininho, tem só um parágrafo. Mas é por ele que vocês já vêem o quão figura é o Keynes. Diz ele:
(…) Argumentarei que os postulados da teoria clássica se aplicam apenas a um caso especial e não ao caso geral, pois a situação que ela supõe acha-se no limite das possíveis situações de equilíbrio. Ademais, as características desse caso especial não são as da sociedade econômica em que realmente vivemos, de modo que os ensinamentos daquela teoria seriam ilusórios e desastrosos se tentássemos aplicar as suas conclusões aos fatos da experiência”.
E, marrento que era, diz que ele considera como “economistas clássicos” não só os velhos Adam Smith, David Ricardo e James Mill mas também os “seguidores de Ricardo”, ou seja, J.S. Mill, Marshall e o Prof. Pigou (que tinha sido o mentor do Keynes). Diz aí: vai ser metido lá longe…
O resto do trabalho eu deixo pro NaPrática. Essa semana é pra ser light.

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