Arquivo para Janeiro, 2009

USP, 75 anos

cidadeuniversitaria

Também no próximo domingo, a Universidade de São Paulo completa 75 anos de vida. Por ter tido o privilégio de me graduar lá, não posso deixar também de prestar uma sincera homenagem a esta grande instituição. Parabéns, USP!

Aliás, se tem uma coisa da qual me orgulho bastante é de ter estudado lá. Tentei por mais de uma vez passar e lembro-me que entrar lá tinha virado uma obsessão pra mim. Estar entre os melhores, este era o sinônimo de fazer um curso na USP. E este sinônimo virou realidade pra mim em 2002.

Mas não é por isso que vamos fechar os olhos para a realidade uspiana. Infelizmente a faculdade ainda é bastante elitizada e pessoas como eu, que estudaram em escola pública, ainda são minoria por lá (principalmente em cursos como Medicina, Direito, Engenharia, Economia, Administração, Jornalismo e Propaganda). Por isso creio que, seja de uma maneira ou de outra, a USP vai ter de encontrar uma maneira de trazer o aluno de escola pública para dentro de seus muros. Seja via cota ou com pontuação especial majorada (a universidade já dá uma pontuação diferenciada para os alunos que vêm do ensino público, mas acredito que esta pontuação deva ser aumentada pois ela não é suficiente para incluir estudantes com tais origens).

Outro desafio refere-se ao financiamento da universidade. A necessidade de expansão de vagas, de criação de novos campi, de contratação de professores qualificados e de manutenção da grande infra-estrutura existente não cabe, a longo prazo, na receita que a universidade recebe do governo de São Paulo (lembremos que quase 11% do ICMS do Estado é repassado para USP, Unicamp e Unesp). Creio que a discussão sobre como a universidade conseguirá se sustentar no futuro passará em algum momento pela discussão do papel das fundações, a receita que elas podem prover às unidades da USP e em qual ambiente regulatório elas estarão inseridas (a priori elas seriam parcerias público-privadas).

Enfim, estes são só dois dos enormes desafios enfrentados pela instituição. Nada que uma entre as 200 melhores universidades do mundo não dê conta de resolver. Encará-los de frente, eliminando um certo ar de elitismo lá existente, seria um primeiro passo interessante.

São Paulo, 455 anos

avenidapaulista

São Paulo completa 455 anos neste próximo domingo, 25/01. Apesar dos diversos problemas que a cidade tem, devo lhe prestar a justa homenagem que merece nesta data tão importante. Por isso, parabéns São Paulo!

Acima, o local da cidade que eu mais gosto: a Avenida Paulista. Um lugar que é praticamente um microcosmo da cidade. Tem gente miserável, mas ao mesmo tempo tem banqueiro que lá chega de helicóptero; tem diversas manifestações culturais de todas as matizes, mas também consegue ter piquete de sindicato e quebra-pau de torcidas organizadas; tem a maior livraria do país, mas também tem alguns dos sebos mais sujos que já vi; tem ônibus, caminhão, metrô e carro (e como!), mas também muita gente a pé e de bicicleta; tem gente de toda parte do mundo, desde os chineses do Stand Center até os bolivianos que trabalham na construção; tem área verde, mas também tem fuligem até dizer chega.

Enfim, um lugar que não para nunca, como a cidade de São Paulo inteira.

O papa quer ser pop

bento-xviAlguém aí se lembra daquela infame música do Engenheiros do Hawaii, “O papa é pop”? Pois é, Bento XVI parece que quer chegar perto disso. O Vaticano acaba de lançar um canal de vídeos no Youtube cujo objetivo expresso é a cobertura de notícias sobre as principais atividades desenvolvidas pelo papa, além dos eventos mais relevantes que ocorrerão no minúsculo país.

De início, o canal estará disponível em alemão, espanhol, inglês e italiano. O idioma português, na minha opinião indispensável dado que o maior país católico do mundo é o Brasil, foi deixado de lado.

Interessante esse primeiro esforço da Igreja Católica de tentativa de aproximação dos jovens – apesar da internet não ser algo utilizado somente por estes, o Youtube é um mecanismo típico da internet 2.0 e os mais novos é que comandam a área neste ambiente. Há inclusive um vídeo denominado “internet is a new way to speak of God”, no qual Bento XVI elogia este meio de comunicação.

Esta aproximação, contudo, pode se dar de duas maneiras bem diferentes. A primeira seria utilizar o Youtube e outras ferramentas da internet 2.0 para reafirmar todos os dogmas da Igreja e não aceitar nenhuma discussão acerca de questões controversas como o aborto, o uso da pílula anticoncepcional, o uso da camisinha, o sexo antes do casamento e a pesquisa com células-tronco. Ou seja, indo por este caminho, Bento XVI apenas estaria utilizando um novo veículo de comunicação para aumentar a difusão das idéias defendidas pela Igreja.

O segundo caminho seria utilizar a internet 2.0 justamente para que a Igreja diminuísse o abismo que a separa dos jovens de hoje, conhecendo-os, ouvindo suas opiniões, e, ao fim do processo, entendendo que o mundo mudou bastante e que ninguém mais toma como verdade absoluta toda e qualquer afirmação feita pela Igreja. Se este segundo caminho fosse seguido, aí sim teríamos uma ou outra mudança nesta instituição milenar.

O problema é que Ratzinger é bem conservador, assim como os cardeais que o cercam. Dificilmente ele deixaria a Igreja enveredar por esta segunda opção – a qual cairia, inevitavelmente, numa espécie de Concílio Vaticano III. Porém, como o mundo não é pura e simplesmente binário, creio que a utilização do Youtube seja um primeiro passo rumo a aproximação com a  juventude. Isto é inclusive necessário para a própria sobrevivência da instituição, que perde fiéis a rodo anualmente.

Enfim, eu considero que a internet é um meio bem democrático, onde qualquer um pode vir e expressar suas opiniões, visões de mundo e experiências pessoais. Também é um meio de troca de idéias e aprendizagem. A Igreja pode reunir estes dois conjuntos de características para trilhar um bom caminho. Dificilmente ocorrerá, mas como católico não-praticante (ao menos, nos últimos tempos), eu fico na torcida para que isso ocorra.

Oscar: indicações e apostas

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Hoje saíram os indicados ao Oscar 2009. Você pode ver a lista completa aqui. O filme que recebeu mais indicações (13) foi “O Curioso Caso de Benjamin Button”, sobre o qual já falei antes de ontem. Abaixo seguem os indicados das principais categorias, com meu palpite sobre o possível vencedor.

Melhor filme

“O Curioso Caso de Benjamin Button”
“Frost/Nixon”
“Milk – A Voz da Igualdade”
“O Leitor”
“Quem Quer Ser um Milionário?”

“O Curioso Caso…” deve ganhar. Não consigo me recordar de um filme que tenha tido tantas indicações e que tenha perdido a cereja do bolo da festa do Oscar.

Melhor atriz

Anne Hathaway, por “O Casamento de Rachel”
Angelina Jolie, por “A Troca”
Melissa Leo, por “Rio Congelado”
Meryl Streep, por “Dúvida”
Kate Winslet, por “O Leitor”

Não tenho a mínima idéia sobre quem poderá vencer. Não sei se Jolie merece o Oscar por “A Troca” (meu comentário sobre o filme está aqui).

Melhor ator

Sean Penn, por “Milk – A Voz da Igualdade”
Mickey Rourke, por “O Lutador”
Richard Jenkins, “The Visitor” (o visitante, em tradução livre)
Frank Langella, “Frost Nixon”
Brad Pitt, “O Curioso Caso de Benjamin Button”

Sean Penn deve vencer nesta categoria, apesar de Brad Pitt ser um forte concorrente e de Mickey Rourke ter feito o papel da sua vida em “O Lutador” (inclusive ele venceu o Globo de Ouro por tal atuação).

Melhor ator coadjuvante

Josh Brolin, por “Milk – A Voz da Igualdade”
Robert Downey Jr, por “Trovão Tropical”
Philip Seymour Hoffman, por “Dúvida”
Heath Ledger, por “Batman – O Cavaleiro das Trevas
Michael Shannon, por “Foi Apenas um Sonho”

A opinião pública clama e, por isso, nessa categoria não tem pra ninguém: é Heath Ledger na cabeça! O Coringa definitivo bate qualquer um dos outros que está na lista.

 

Melhor atriz coadjuvante

Amy Adams, por “Dúvida”
Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona” (
veja trailer)
Taraji P. Henson, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”
Viola Davis, por “Dúvida”
Marisa Tomei, por “O Lutador”

Sei não, mas talvez esse Oscar sobre pra Penélope Cruz…

 

Melhor roteiro original

“Na Mira do Chefe”
“Rio Congelado”
“Simplesmente Feliz”
“Milk – A Voz da Igualdade”
“Wall-E”

Minha torcida e meu palpite vão para “Wall-E”. Mesmo que soe estranho um melhor roteiro original ir para uma animação.

 

Melhor roteiro adaptado

“Quem Quer Ser um Milionário?”
“O Curioso Caso de Benjamin Button”
“Dúvida”
“Frost/Nixon”
“O Leitor”

A disputa deve ficar entre os dois primeiros, mas ganha “O Curioso Caso…”. Geralmente o melhor filme também ganha o melhor roteiro (seja ele original ou adaptado).

Enfim, são apenas alguns palpites. Mas pra mim três coisas são claras neste ano: (i) o filme a fazer o “rapa” deverá ser “O Curioso Caso…” (até pelo número de indicações); (ii) “Wall-E” deve ganhar algum Oscar relevante – uma animação geralmente ganha o Oscar de… melhor animação! “Wall-E” tem capacidade pra ir mais longe; (iii) “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, além do Oscar de Ledger, deve levar mais uma ou duas estatuetas nas categorias técnicas (talvez melhor edição de som e melhores efeitos especiais).

Aguardemos então até o dia 22 de fevereiro pra ver se meus palpites foram certeiros ou não!

P.S.: apesar de eu ter dito que “O Curioso Caso…” não era digno de um Oscar de melhor filme, tenho de admitir que com tantas indicações fica até difícil ele não ganhar o principal prêmio. Também tem outra coisa que devemos levar em conta: os concorrentes. Talvez “Quem quer ser milionário?” tenha condições de batê-lo mas, pelo que vi no trailer deste, ele ainda não é páreo para um filme como “O Curioso Caso…”.

 

Um ponto percentual

Tá lá, direto do site do Bacen:

Brasília – Avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,75 p.b. Com isso, o Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação.

Vou aguardar a ata do Copom de semana que vem, mas não creio que virão reduções futuras do tamanho da que ocorreu hoje. O primeiro motivo é o que o placar foi apertado (5 a 3) e o segundo é o uso da expressão “realizando de imediato parte relevante” de baixa da taxa de juros. Este último ponto, no meu entender, disse o seguinte: olha, vamos continuar baixando os juros mas, mantida a atual situação, a paulada de redução já foi dada.

Ainda tem duas coisas a levar em conta: o Bacen tem meta de inflação e não de nível de produto ou de emprego. Se a inflação der um repique, eles diminuem o ritmo de redução dos juros ou sequer os reduzem. E outra: aparentemente Henrique Meirelles se dirigiu a Lula ontem dizendo que não adianta reduzir tanto a Selic, dado que o problema é o spread bancário (se Meirelles fez isso, apenas reforçou o que já tinha dito aos representantes dos bancos há duas semanas atrás).

Vamos ver o que acontecerá na próxima reunião (11 de março).

O Curioso Caso de Benjamin Button

benjaminbuttonNo último domingo, fui ao cinema ver o mais novo filme do David Fincher, “O Curioso Caso de Benjamin Button” (“The Curious Case of Benjamin Button”, EUA, 2008). O trailer tinha me deixado bastante curioso sobre o filme e parecia que seria o tipo de obra que eu adoraria ver… Enfim, deixa eu falar da história antes pra depois comentar o filme.

No dia em que o furacão Katrina chega a Nova Orleans, uma senhora está internada e aparentemente morrerá logo. Esta mulher é Daisy Williams (Cate Blanchett). Ao seu lado, está a sua filha, Caroline (Julia Ormond). Daisy pede então que sua filha lhe leia uma espécie de diário que guardou – a senhora parece querer morrrer ouvindo as histórias que lá estão. Este é o diário de Benjamin Button (Brad Pitt), um homem que “nasceu sob circunstâncias bem estranhas”.

Ao longo do filme, a história de Benjamin vai então sendo contada por ele próprio, conforme os escritos do diário. Como todos vocês já devem ter visto no trailer, Benjamin nasce velho e é abandonado pelo pai na porta de uma casa de repouso. Apesar de estranho e bem doente, ele é adotado por Queenie, a mulher negra que toma conta da casa de repouso. Lá ele é criado como se fosse um idoso, mas sua idade mental é de uma criança.

Obviamente, ele não tem contato com nenhuma criança. A não ser com Daisy, neta de uma das senhoras da casa de repouso. Apesar de Benjamin aparentar ser um velho gagá, Daisy compreende a mente infantil dele e os dois se tornam amigos. Inicia-se assim uma história de amor que terá idas e vindas e que perpassará a vida dos dois (a de Daisy em cronologia normal e a de Benjamin em cronologia inversa, pois ele rejuvenesce com o passar dos anos).

Ou seja, “O Curioso Caso…” basicamente é uma história de amor com um pressuposto fantástico – um homem que nasce velho e rejuvenesce com o passar dos anos. Porém não é só isso. O filme busca passar uma mensagem sobre a vida e (posso ter viajado bastante na batatinha ao dizer isso) creio que a idéia é uma só: não adianta reclamar, não adianta chiar, a vida é uma só, com as alegrias, tristezas, infortúnios, problemas, etc, etc., que temos que encarar no dia a dia. Muitos gostariam de voltar no tempo pra recuperar os tempos áureos da infância, adolescência, etc.; Benjamin pode ter isso, já que sua cronologia é inversa. No entanto, igualmente complicada é a vida pra ela.

Não é um épico, não faz escândalo, apenas mostra um homem sob um pressuposto de realismo fantástico. É assim que é Benjamin Button. Se a mensagem passada ali é grandiosa, eu já não sei. Apenas sei que a mensagem é mais ou menos a que eu expus no parágrafo anterior. Creio ser essa a reflexão que o filme nos traz.

O diabo é que “O Curioso Caso…” é um filme difícil. Primeiro porque se cria uma expectativa de que algo espetacular acontecerá, mas não é assim que a obra trabalha. Segundo porque Benjamin narra tantos episódios da sua vida, que uma hora você chega a cansar. E terceiro (e pior de tudo): o filme tem 2h46min de duração. Isso é uma “vida” no cinema. Filmes tão longos quanto o de Benjamin cansam fácil, principalmente se não tiver nada para sacudir o espectador durante a exibição. Como “O Curioso Caso…” não dá essa sacudida, o filme dá sono. Juro que quase dormi no início do filme.

No fim das contas, classifico-o como razoável. Nada espetacular, tampouco merecedor de um Oscar de melhor filme na minha humilde opinião. Agora, se você for assisti-lo, te dou uma grande dica: vá num dia de ótimo humor, sem sono e com paciência no máximo. Só assim pra aproveitar o filme com tudo que ele pode oferecer.

P.S.: o Brad Pitt manda bem no filme, principalmente na parte em que interpreta o “velho” Benjamin. Cate Blanchett também está bem bacana na sua interpretação (aliás, ela consegue ficar bem bonita quando os caras a maquiam para ela parecer uma adolescente – vejam só esta foto pra provar o que eu disse).

Programação normal de volta

Após vários chutes no cachorro morto Bush Jr. e posteriores posts sobre a posse do Obama, aviso que voltarei à programação normal do blog. Ou seja, nada de muito sério nos próximos dias. :)

Welcome to the White House, Obama! [3]

posse_obama

Mais de um milhão de pessoas foram à posse de Obama. E o negócio foi espetacular. Momento histórico pro mundo, independente do que venha pela frente.

O NaPrática linkou uma série de textos muito bons sobre o que representa a chegada de Obama ao poder. Passem lá pra dar uma olhada.

E a festa agora acabou. Trabalhar, trabalhar, trabalhar, Obama. Isso é o que você tem a fazer agora. Que você volte a colocar a economia dos EUA (e, por tabela, a do mundo) num caminho de desenvolvimento sustentável. Que você dialogue com o resto do mundo, reconheça o novo quadro de forças existentes e caminhe rumo a uma multipolaridade de lideranças. Como você bem disse hoje, o “mundo mudou e precisamos [os EUA] mudar com ele”.

Nós estaremos por aqui para “supervisioná-lo”. Mas com a maior boa vontade possível e imaginável pois sua tarefa não é lá das mais fáceis…

Welcome to the White House, Obama! [2]

U2 em incrível apresentação. Os caras tocaram “Pride (in the name of love)”, uma música em homenagem a Martin Luther King – o que, por ter sido no mesmo local onde o pastor fez seu histórico discurso “I have a dream”, já tornou a apresentação espetacular -, e “City of Blinding Lights”, uma das músicas que embalou a campanha de Obama à presidência. Dentre as performances que eu vi, essa do U2 foi a melhor. Bela maneira de saudar o novo presidente.

P.S.: deve estar bem frio lá em Washington, né não?

Welcome to the White House, Obama!

É o pessoal comemorando lá em Washington e eu celebrando aqui do Brasil. Essa figura aí embaixo é o gravatar (a figurinha que aparece quando comento aqui no WordPress) modificado pelo site Obamicon.Me. Neste endereço, você pode carregar qualquer foto e colocar no formato do cartaz da campanha do novo presidente norte-americano. Se o negócio agradar, posso até torná-lo meu gravatar definitivo (*).

gravatar2

(*) Obviamente, é mentira. Só falei isso pra ganhar a simpatia do Obama, leitor assíduo deste humilde blog.

Go home, Bush! [4]

Mais um vídeo do David Letterman, esse com os 10 melhores momentos do grande Bush Jr.

P.S.: Leiam esse ótimo texto do Pedro Dória, “George W. Bush: o pior presidente da história?”

P.S.II: O NaPrática também resolveu chutar o cachorro morto em vários posts. Vejam .

Go home, Bush! [3]

E o povo norte-americano se despede com enorme carinho do seu ex-presidente.

sapatos_bush

Crédito: Chico Mendez/G1

Go home, Bush! [2]

Só para lembrarmos dele, segue abaixo uma breve compilação dos “Great Moments in Presidential Speeches”, do “Tonight Show” de David Letterman.

Ao menos, a gente consegue dar umas boas risadas com estes “grandes” momentos do Bush.

Go home, Bush!

george_w_bush

“E nem pense em voltar pra Casa Branca!”

Ontem, George W. Bush fez o seu discurso de despedida da Casa Branca. E reafirmou sua doutrina. Vejam aí na cobertura do Estadão:

Ele reconheceu que algumas das decisões que tomou como resposta aos ataques de 11 de setembro foram controversas, mas as defendeu e reafirmou sua doutrina de ‘ou está conosco ou está contra nós’, que é amplamente criticada em todo o mundo.

“Há um debate legítimo sobre muitas dessas decisões. Mas pode haver pouco debate sobre seus resultados”, disse. “A América passou por mais de sete anos sem que houvesse um ataque terrorista em nosso solo.”

Talvez Bush desconheça o significado das palavras ‘globalização’ e ‘multilateralismo’. O mundo não é maniqueísta para “estar com os EUA” ou “estar contra os EUA”. Ser contra um ataque dos EUA ao Iraque não significa ser contra os EUA em todas as questões importantes que estão sendo discutidas no mundo. É esse maniqueísmo de Bush – exarcebado depois do 11 de setembro – que acabou trazendo anos difíceis para a diplomacia mundial. Não há mais espaço no mundo para uma big stick policy e o cowboy Jr. vai sair da presidência sem perceber isso.

Outro ponto: Bush reconhece a legitimidade do debate sobre muitas das decisões polêmicas que tomou mas diz haver pouca discussão sobre os resultados alcançados. Bem, se existe pouca discussão (coisa que eu discordo) é porque há uma concordância geral que os EUA tomaram sob Bush algumas das piores decisões econômicas e políticas da história contemporânea. Bush ainda traz como vantagem o fato de os EUA terem ficado 7 anos sem um ataque terrorista ao seu solo; ele que me diga então qual foi o ataque terrorista relevante sofrido pelos norte-americanos em seu solo antes de 2001.

Mas, enfim, a própria matéria do Estadão já expõe, em seguida, que Bush “deixa a Casa Branca com uma das taxas mais baixas de aprovação já registradas por um presidente nos tempos modernos. A aprovação dele está na casa dos 20 por cento”. Resumindo a história, quatro tópicos podem fazer um balanço da administração Bush Jr.:

  • será o primeiro presidente em 40 anos a passar o cargo com o país em guerra (DUAS, por sinal);
  • ele transformou um superávit orçamentário de US$ 236 bi em um déficit de US$ 455 bi – veja neste infográfico o caixa dos presidentes norte-americanos desde 1962;
  • o país sofreu o primeiro ataque terrorista relevante no próprio solo;
  • o país atravessa a pior crise econômica desde 1929 – ao assumir o mandato, Bush recebeu uma economia pujante e sem grandes desequilíbrios;

Vendo este quadro acima, eu não consigo classificar a administração Bush com outro adjetivo que não seja “desastrosa”. Vi um comentário lá no Hermenauta que dizia que a realidade mostrava que “Obama nao eh deus na terra e que o bush nao eh o demonio”. Concordo, realmente Bush não é um demônio. Mas deve ser um dos assistentes do capeta: uma administração tão desastrosa não pode só ser fruto de incompetência. O coisa-ruim deve ter mandado um dos seus à Terra pra dar uma avacalhada geral. E ele veio na forma de Bush Jr.

Por isso (e visando facilitar a compreensão por parte deste assistente do capeta), só podemos dizer todos, em uníssono: “GO HOME, BUSH!”

A posse do presidente pop

O excelente Metrópolis da TV Cultura – aliás, relegado agora a um horário muito menos nobre na programação da emissora, 19h30 - mostrou na última sexta-feira uma matéria sobre a festa que será a posse de Barack Obama. Os shows começam amanhã e vão até terça. Haverá shows do U2, Stevie Wonder, Bruce Springsteen, Sheryl Crow, Bon Jovi, Beyoncé, Shakira, Jay-Z, Elvis Costello, Bestie Boys (esses aí participando de um evento chamado “Ei, os EUA ficaram legais de novo”) e muitos outros no Lincoln Memorial. A matéria do programa pode ser vista neste vídeo.

O interessante da matéria é que ela nos relembra como foi a posse de George W. Bush, 8 anos atrás, via “Farenheit 9/11″. Mas, como todos sabemos, Michael Moore é um tanto quanto exagerado. Fui então buscar nos arquivos da Folha de São Paulo alguma matéria que nos lembre o que foi a posse de Bush. Lendo a cobertura feita pelo jornal percebi que, ao menos nesse ponto, Moore não exagerou. Foi um dia amargo pros norte-americanos. Pela primeira vez, desde 1888, tomava posse um presidente que tinha menos votos que seu adversário.

Uma das matérias que sintetiza tudo isso chama-se “Bush toma posse prometendo nação unida” (só para assinantes UOL). O trecho que trata dos protestos existentes na posse é esse:

Protestos
Alguns manifestantes foram presos ao tentar bloquear a via por onde a comitiva de Bush passaria. Cerca de 300 manifestantes entraram em confronto com a polícia. Os confrontos, porém, não chegaram a atrapalhar a cerimônia de posse.
As manifestações foram promovidas por entidades ambientais, antiglobalização, contrárias à pena de morte e por grupos que acusam Bush de ter “roubado a Presidência” e que prometiam levar até 50 mil pessoas à capital norte-americana.
Pela primeira vez na história das posses presidenciais, pontos de controle policiais funcionaram ao longo da avenida Pensilvânia, no trecho entre o Congresso e a Casa Branca. Todos os espectadores tiveram de passar por detetores de metal e suas bolsas e malas foram revistadas.
A polícia havia se preparado para o maior número de manifestantes desde 1973, no início do segundo mandato do ex-presidente Richard Nixon, quando 60 mil pessoas pediram nas ruas o fim da Guerra do Vietnã.

Com Bush, ovos atirados no carro presidencial, protestos e um sentimento de que a disputa pela presidência foi “roubada”. Com Obama, festa popular de três dias e sentimento de que um cara competente foi eleito para lidar com a maior crise da história econômica mundial desde 1929. A diferença é notável.

Lógico que pode parecer um maluco do nada e resolver atirar contra Obama, ou coisas igualmente trágicas. Mas eu acho que isso não ocorrerá e a posse de Barack será um evento histórico, daqueles que falaremos nos livros de história do futuro. Uma festa de três dias para coroar a eleição daquele que já fez história mesmo antes de chegar à presidência dos EUA.

Mas é óbvio que sempre existirão aqueles “espíritos de porco” dizendo que Obama só decepcionará como presidente…

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