A posse do presidente pop

O excelente Metrópolis da TV Cultura – aliás, relegado agora a um horário muito menos nobre na programação da emissora, 19h30 - mostrou na última sexta-feira uma matéria sobre a festa que será a posse de Barack Obama. Os shows começam amanhã e vão até terça. Haverá shows do U2, Stevie Wonder, Bruce Springsteen, Sheryl Crow, Bon Jovi, Beyoncé, Shakira, Jay-Z, Elvis Costello, Bestie Boys (esses aí participando de um evento chamado “Ei, os EUA ficaram legais de novo”) e muitos outros no Lincoln Memorial. A matéria do programa pode ser vista neste vídeo.

O interessante da matéria é que ela nos relembra como foi a posse de George W. Bush, 8 anos atrás, via “Farenheit 9/11″. Mas, como todos sabemos, Michael Moore é um tanto quanto exagerado. Fui então buscar nos arquivos da Folha de São Paulo alguma matéria que nos lembre o que foi a posse de Bush. Lendo a cobertura feita pelo jornal percebi que, ao menos nesse ponto, Moore não exagerou. Foi um dia amargo pros norte-americanos. Pela primeira vez, desde 1888, tomava posse um presidente que tinha menos votos que seu adversário.

Uma das matérias que sintetiza tudo isso chama-se “Bush toma posse prometendo nação unida” (só para assinantes UOL). O trecho que trata dos protestos existentes na posse é esse:

Protestos
Alguns manifestantes foram presos ao tentar bloquear a via por onde a comitiva de Bush passaria. Cerca de 300 manifestantes entraram em confronto com a polícia. Os confrontos, porém, não chegaram a atrapalhar a cerimônia de posse.
As manifestações foram promovidas por entidades ambientais, antiglobalização, contrárias à pena de morte e por grupos que acusam Bush de ter “roubado a Presidência” e que prometiam levar até 50 mil pessoas à capital norte-americana.
Pela primeira vez na história das posses presidenciais, pontos de controle policiais funcionaram ao longo da avenida Pensilvânia, no trecho entre o Congresso e a Casa Branca. Todos os espectadores tiveram de passar por detetores de metal e suas bolsas e malas foram revistadas.
A polícia havia se preparado para o maior número de manifestantes desde 1973, no início do segundo mandato do ex-presidente Richard Nixon, quando 60 mil pessoas pediram nas ruas o fim da Guerra do Vietnã.

Com Bush, ovos atirados no carro presidencial, protestos e um sentimento de que a disputa pela presidência foi “roubada”. Com Obama, festa popular de três dias e sentimento de que um cara competente foi eleito para lidar com a maior crise da história econômica mundial desde 1929. A diferença é notável.

Lógico que pode parecer um maluco do nada e resolver atirar contra Obama, ou coisas igualmente trágicas. Mas eu acho que isso não ocorrerá e a posse de Barack será um evento histórico, daqueles que falaremos nos livros de história do futuro. Uma festa de três dias para coroar a eleição daquele que já fez história mesmo antes de chegar à presidência dos EUA.

Mas é óbvio que sempre existirão aqueles “espíritos de porco” dizendo que Obama só decepcionará como presidente…

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