Go home, Bush!

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“E nem pense em voltar pra Casa Branca!”

Ontem, George W. Bush fez o seu discurso de despedida da Casa Branca. E reafirmou sua doutrina. Vejam aí na cobertura do Estadão:

Ele reconheceu que algumas das decisões que tomou como resposta aos ataques de 11 de setembro foram controversas, mas as defendeu e reafirmou sua doutrina de ‘ou está conosco ou está contra nós’, que é amplamente criticada em todo o mundo.

“Há um debate legítimo sobre muitas dessas decisões. Mas pode haver pouco debate sobre seus resultados”, disse. “A América passou por mais de sete anos sem que houvesse um ataque terrorista em nosso solo.”

Talvez Bush desconheça o significado das palavras ‘globalização’ e ‘multilateralismo’. O mundo não é maniqueísta para “estar com os EUA” ou “estar contra os EUA”. Ser contra um ataque dos EUA ao Iraque não significa ser contra os EUA em todas as questões importantes que estão sendo discutidas no mundo. É esse maniqueísmo de Bush – exarcebado depois do 11 de setembro – que acabou trazendo anos difíceis para a diplomacia mundial. Não há mais espaço no mundo para uma big stick policy e o cowboy Jr. vai sair da presidência sem perceber isso.

Outro ponto: Bush reconhece a legitimidade do debate sobre muitas das decisões polêmicas que tomou mas diz haver pouca discussão sobre os resultados alcançados. Bem, se existe pouca discussão (coisa que eu discordo) é porque há uma concordância geral que os EUA tomaram sob Bush algumas das piores decisões econômicas e políticas da história contemporânea. Bush ainda traz como vantagem o fato de os EUA terem ficado 7 anos sem um ataque terrorista ao seu solo; ele que me diga então qual foi o ataque terrorista relevante sofrido pelos norte-americanos em seu solo antes de 2001.

Mas, enfim, a própria matéria do Estadão já expõe, em seguida, que Bush “deixa a Casa Branca com uma das taxas mais baixas de aprovação já registradas por um presidente nos tempos modernos. A aprovação dele está na casa dos 20 por cento”. Resumindo a história, quatro tópicos podem fazer um balanço da administração Bush Jr.:

  • será o primeiro presidente em 40 anos a passar o cargo com o país em guerra (DUAS, por sinal);
  • ele transformou um superávit orçamentário de US$ 236 bi em um déficit de US$ 455 bi – veja neste infográfico o caixa dos presidentes norte-americanos desde 1962;
  • o país sofreu o primeiro ataque terrorista relevante no próprio solo;
  • o país atravessa a pior crise econômica desde 1929 – ao assumir o mandato, Bush recebeu uma economia pujante e sem grandes desequilíbrios;

Vendo este quadro acima, eu não consigo classificar a administração Bush com outro adjetivo que não seja “desastrosa”. Vi um comentário lá no Hermenauta que dizia que a realidade mostrava que “Obama nao eh deus na terra e que o bush nao eh o demonio”. Concordo, realmente Bush não é um demônio. Mas deve ser um dos assistentes do capeta: uma administração tão desastrosa não pode só ser fruto de incompetência. O coisa-ruim deve ter mandado um dos seus à Terra pra dar uma avacalhada geral. E ele veio na forma de Bush Jr.

Por isso (e visando facilitar a compreensão por parte deste assistente do capeta), só podemos dizer todos, em uníssono: “GO HOME, BUSH!”

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