No último domingo, fui ao cinema ver o mais novo filme do David Fincher, “O Curioso Caso de Benjamin Button” (“The Curious Case of Benjamin Button”, EUA, 2008). O trailer tinha me deixado bastante curioso sobre o filme e parecia que seria o tipo de obra que eu adoraria ver… Enfim, deixa eu falar da história antes pra depois comentar o filme.
No dia em que o furacão Katrina chega a Nova Orleans, uma senhora está internada e aparentemente morrerá logo. Esta mulher é Daisy Williams (Cate Blanchett). Ao seu lado, está a sua filha, Caroline (Julia Ormond). Daisy pede então que sua filha lhe leia uma espécie de diário que guardou – a senhora parece querer morrrer ouvindo as histórias que lá estão. Este é o diário de Benjamin Button (Brad Pitt), um homem que “nasceu sob circunstâncias bem estranhas”.
Ao longo do filme, a história de Benjamin vai então sendo contada por ele próprio, conforme os escritos do diário. Como todos vocês já devem ter visto no trailer, Benjamin nasce velho e é abandonado pelo pai na porta de uma casa de repouso. Apesar de estranho e bem doente, ele é adotado por Queenie, a mulher negra que toma conta da casa de repouso. Lá ele é criado como se fosse um idoso, mas sua idade mental é de uma criança.
Obviamente, ele não tem contato com nenhuma criança. A não ser com Daisy, neta de uma das senhoras da casa de repouso. Apesar de Benjamin aparentar ser um velho gagá, Daisy compreende a mente infantil dele e os dois se tornam amigos. Inicia-se assim uma história de amor que terá idas e vindas e que perpassará a vida dos dois (a de Daisy em cronologia normal e a de Benjamin em cronologia inversa, pois ele rejuvenesce com o passar dos anos).
Ou seja, “O Curioso Caso…” basicamente é uma história de amor com um pressuposto fantástico – um homem que nasce velho e rejuvenesce com o passar dos anos. Porém não é só isso. O filme busca passar uma mensagem sobre a vida e (posso ter viajado bastante na batatinha ao dizer isso) creio que a idéia é uma só: não adianta reclamar, não adianta chiar, a vida é uma só, com as alegrias, tristezas, infortúnios, problemas, etc, etc., que temos que encarar no dia a dia. Muitos gostariam de voltar no tempo pra recuperar os tempos áureos da infância, adolescência, etc.; Benjamin pode ter isso, já que sua cronologia é inversa. No entanto, igualmente complicada é a vida pra ela.
Não é um épico, não faz escândalo, apenas mostra um homem sob um pressuposto de realismo fantástico. É assim que é Benjamin Button. Se a mensagem passada ali é grandiosa, eu já não sei. Apenas sei que a mensagem é mais ou menos a que eu expus no parágrafo anterior. Creio ser essa a reflexão que o filme nos traz.
O diabo é que “O Curioso Caso…” é um filme difícil. Primeiro porque se cria uma expectativa de que algo espetacular acontecerá, mas não é assim que a obra trabalha. Segundo porque Benjamin narra tantos episódios da sua vida, que uma hora você chega a cansar. E terceiro (e pior de tudo): o filme tem 2h46min de duração. Isso é uma “vida” no cinema. Filmes tão longos quanto o de Benjamin cansam fácil, principalmente se não tiver nada para sacudir o espectador durante a exibição. Como “O Curioso Caso…” não dá essa sacudida, o filme dá sono. Juro que quase dormi no início do filme.
No fim das contas, classifico-o como razoável. Nada espetacular, tampouco merecedor de um Oscar de melhor filme na minha humilde opinião. Agora, se você for assisti-lo, te dou uma grande dica: vá num dia de ótimo humor, sem sono e com paciência no máximo. Só assim pra aproveitar o filme com tudo que ele pode oferecer.
P.S.: o Brad Pitt manda bem no filme, principalmente na parte em que interpreta o “velho” Benjamin. Cate Blanchett também está bem bacana na sua interpretação (aliás, ela consegue ficar bem bonita quando os caras a maquiam para ela parecer uma adolescente – vejam só esta foto pra provar o que eu disse).

Olá, encontrei seu blog justamente por causa desse filme. Assisti ontem a noite e adorei. Duas horas e pouco que não senti passar. Gosto de filmes que nos fazem pensar na vida, me envolvo demais com essas histórias.
Abraço
Eu vi o filme, e, apesar de não ter sentido sono em momento algum, não gostei do final.
********SPOILER!!!!********
Na verdade, achei que o final, a não ser por uma hipótese, é incoerente. Esta hipótese é que o personagem Benjamin é um bundão completo. Assim, o filme me passou a mensagem de que esta formidável propriedade cronológica abençoou um total panaca. Ele mesmo não faz nada, são as pessoas ao seu redor que fazem acontecer: Daisy deu o maior duro em dança, trabalhou em corpo de baile (o que é a maior dureza), ficou ligada na dança contemporânea… O “primeiro amor” dele, dez anos depois de conhecê-lo, foi lá e atravessou o Canal. O 2º marido da Daisy, mesmo sacando de quem se tratava, teve a imensa nobreza de espírito de deixá-los a sós para se entenderem sozinhos. Sua irmã, que mal o conhecia, reconheceu-o e acolheu-o quando ele já estava lelé.
E o pior foi ele abandonando a família. Quer dizer, o que ele queria era só farrear. É aquele tipo de homem que abandona a família no momento em que tem filhos – ou seja, uma criança crescida. A desculpa dele para deixá-las foi totalmente furada: era bem melhor ele ficar com elas, nem que fosse pelo interesse pessoal de ter quem no mínimo o conhecesse quando fosse necessário.
Assim, parece-me que o filme não tem nenhuma “mensagem”, a não ser a de que temos de aproveitar os nossos dons naturais, senão vamos só fazer presepada.
Observação: o conto de Fitzgerald tem um desenvolvimento inteiramente diferente. Benjamin nasce com *mente* de velho (tanto que, logo ao nascer, pede um charuto ao pai), e sua mentalidade vai rejuvenescendo junto com seu corpo.
É, tenho a impressão de que o conto de F. Scott Fitzgerald deva ser mais interessante mesmo do que o filme. Como disse no post, fiquei esperando algo a mais durante as 2h40 de filme e nada.
Enfim, é um filme bom porém não é espetacular não.
Olá amigo, tudo bem?
Discordo com todo o respeito em alguns termos ditos por voc~e, como:
“Muitos gostariam de voltar…Benjamin pode ter isso…”
-De maneira alguma Benjamin pode voltar, ele somente avança (só que no sentido inverso), ele nunca foi jovem antes, então quando passa a ser, ele não volta, mas apenas se torna; concorda ou sem corda?
Em momento algum senti sono no filme, inclusive admirei muito a história e a mensagem que nos passa.
E antes de você assistir, não sabia qual era o curioso caso? Até onde eu sei, todos sabiam que o curioso caso era este, inclusive você, eu não esperava por outro caso ou então o filme poderia ser chamado de “Os curiosos casos de Benjamin Button”;concorda ou sem corda?
De qualquer forma, foi legal você discutido isso, aliás, se quiser falar sobre mais filmes com outro alguém, I’m here ^^
Abraços, D’us te abençoe!
Giliarde, realmente é verdade: Button não volta, ele só avança em sentido inverso.
E todos sabíamos qual era o curioso caso antes de assistir. Quando foi que eu disse que antes de assistir eu não sabia qual era o curioso caso?
Abraço