Alguém aí se lembra daquela infame música do Engenheiros do Hawaii, “O papa é pop”? Pois é, Bento XVI parece que quer chegar perto disso. O Vaticano acaba de lançar um canal de vídeos no Youtube cujo objetivo expresso é a cobertura de notícias sobre as principais atividades desenvolvidas pelo papa, além dos eventos mais relevantes que ocorrerão no minúsculo país.
De início, o canal estará disponível em alemão, espanhol, inglês e italiano. O idioma português, na minha opinião indispensável dado que o maior país católico do mundo é o Brasil, foi deixado de lado.
Interessante esse primeiro esforço da Igreja Católica de tentativa de aproximação dos jovens – apesar da internet não ser algo utilizado somente por estes, o Youtube é um mecanismo típico da internet 2.0 e os mais novos é que comandam a área neste ambiente. Há inclusive um vídeo denominado “internet is a new way to speak of God”, no qual Bento XVI elogia este meio de comunicação.
Esta aproximação, contudo, pode se dar de duas maneiras bem diferentes. A primeira seria utilizar o Youtube e outras ferramentas da internet 2.0 para reafirmar todos os dogmas da Igreja e não aceitar nenhuma discussão acerca de questões controversas como o aborto, o uso da pílula anticoncepcional, o uso da camisinha, o sexo antes do casamento e a pesquisa com células-tronco. Ou seja, indo por este caminho, Bento XVI apenas estaria utilizando um novo veículo de comunicação para aumentar a difusão das idéias defendidas pela Igreja.
O segundo caminho seria utilizar a internet 2.0 justamente para que a Igreja diminuísse o abismo que a separa dos jovens de hoje, conhecendo-os, ouvindo suas opiniões, e, ao fim do processo, entendendo que o mundo mudou bastante e que ninguém mais toma como verdade absoluta toda e qualquer afirmação feita pela Igreja. Se este segundo caminho fosse seguido, aí sim teríamos uma ou outra mudança nesta instituição milenar.
O problema é que Ratzinger é bem conservador, assim como os cardeais que o cercam. Dificilmente ele deixaria a Igreja enveredar por esta segunda opção – a qual cairia, inevitavelmente, numa espécie de Concílio Vaticano III. Porém, como o mundo não é pura e simplesmente binário, creio que a utilização do Youtube seja um primeiro passo rumo a aproximação com a juventude. Isto é inclusive necessário para a própria sobrevivência da instituição, que perde fiéis a rodo anualmente.
Enfim, eu considero que a internet é um meio bem democrático, onde qualquer um pode vir e expressar suas opiniões, visões de mundo e experiências pessoais. Também é um meio de troca de idéias e aprendizagem. A Igreja pode reunir estes dois conjuntos de características para trilhar um bom caminho. Dificilmente ocorrerá, mas como católico não-praticante (ao menos, nos últimos tempos), eu fico na torcida para que isso ocorra.

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