USP, 75 anos

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Também no próximo domingo, a Universidade de São Paulo completa 75 anos de vida. Por ter tido o privilégio de me graduar lá, não posso deixar também de prestar uma sincera homenagem a esta grande instituição. Parabéns, USP!

Aliás, se tem uma coisa da qual me orgulho bastante é de ter estudado lá. Tentei por mais de uma vez passar e lembro-me que entrar lá tinha virado uma obsessão pra mim. Estar entre os melhores, este era o sinônimo de fazer um curso na USP. E este sinônimo virou realidade pra mim em 2002.

Mas não é por isso que vamos fechar os olhos para a realidade uspiana. Infelizmente a faculdade ainda é bastante elitizada e pessoas como eu, que estudaram em escola pública, ainda são minoria por lá (principalmente em cursos como Medicina, Direito, Engenharia, Economia, Administração, Jornalismo e Propaganda). Por isso creio que, seja de uma maneira ou de outra, a USP vai ter de encontrar uma maneira de trazer o aluno de escola pública para dentro de seus muros. Seja via cota ou com pontuação especial majorada (a universidade já dá uma pontuação diferenciada para os alunos que vêm do ensino público, mas acredito que esta pontuação deva ser aumentada pois ela não é suficiente para incluir estudantes com tais origens).

Outro desafio refere-se ao financiamento da universidade. A necessidade de expansão de vagas, de criação de novos campi, de contratação de professores qualificados e de manutenção da grande infra-estrutura existente não cabe, a longo prazo, na receita que a universidade recebe do governo de São Paulo (lembremos que quase 11% do ICMS do Estado é repassado para USP, Unicamp e Unesp). Creio que a discussão sobre como a universidade conseguirá se sustentar no futuro passará em algum momento pela discussão do papel das fundações, a receita que elas podem prover às unidades da USP e em qual ambiente regulatório elas estarão inseridas (a priori elas seriam parcerias público-privadas).

Enfim, estes são só dois dos enormes desafios enfrentados pela instituição. Nada que uma entre as 200 melhores universidades do mundo não dê conta de resolver. Encará-los de frente, eliminando um certo ar de elitismo lá existente, seria um primeiro passo interessante.

10 Respostas para “USP, 75 anos”


  1. 1 Miguel Sábado, 24 / Janeiro / 2009 às 9:23 am

    “Estar entre os melhores, este era o sinônimo de fazer um curso na USP. E este sinônimo virou realidade pra mim em 2002.”
    Estar entre os melhores, mas parar de selecionar os melhores. Ela deve passar a selecionar os “coitadinhos”.Não faz sentido.

  2. 2 André Domingo, 25 / Janeiro / 2009 às 10:02 am

    Miguel, não creio que os alunos que entrem no sistema de cotas sejam os “coitadinhos”. Primeiro: eles são os melhores do ensino público ou que têm menor renda. Só por este fato, já são vencedores (se um cara pobre, de escola pública, faz 70% dos pontos que um cara rico e que sempre estudou em escola de ponta, o primeiro, com certeza absoluta, é um vencedor). Esta é uma confusão que o pessoal sempre faz com o sistema de cotas: achar que o cara que entrou por aí é um “coitadinho” que não dará conta do recado. O que não é verdade. Ele está competindo em total desigualdade de condições. A cota ou a pontuação extra torna a competição mais igualitária.
    Segundo, a maioria das universidades que adotou cotas ou pontuação extra já provou que os estudantes que estão neste esquema têm notas melhores que os demais na faculdade. Ou seja, lá dentro dos muros os “coitadinhos” acabam não sendo tão “coitadinhos” assim.

  3. 3 O Pândego Endiabrado Domingo, 25 / Janeiro / 2009 às 12:27 pm

    Abraço a todos da USP, belho amigos de guerra!

  4. 4 Miguel Domingo, 25 / Janeiro / 2009 às 12:43 pm

    O cara pobre que faz 70% dos pontos de um cara rico pode ser um vencedor (“campeão moral”), mas não está em condições de frequentar uma boa faculdade. A não ser que o negócio seja formar médicos, advogados, engenheiros, etc. que são metade do que seus colegas são. Na vida real, ninguém vai se importar com os problemas e origens dos profissionais; as pessoas vão querer competência e têm direito a isso. É inaceitável querer transformar a USP em uma sucursal do Bolsa Família. A função de tornar a competição igualitária é do Ensino Fundamental via ações competentes do Governo; a função da Universidade é tornar a competição concorrida e formar profissionais capazes. Não conseguirá isso aceitando alunos que não têm base, tanto não têm que precisaram de um empurrãozinho do Governo. Universidade é lugar de gente capaz, não de demagogia eleitoreira.

  5. 5 André Domingo, 25 / Janeiro / 2009 às 7:14 pm

    Miguel, em primeiro lugar querer mensurar a capacidade de um ser pelo vestibular é uma temeridade. Achar que uma prova única e simplesmente determina quem são os bons é besteira. Se um cara com muito menos condições chega próximo de um cara que teve todas as condições, lhe digo o seguinte: o segundo é mais preparado.
    Segundo, o sistema de cotas não é uma sucursal do Bolsa Família. Você não está pegando os piores do ensino público (ou dos mais pobres), e sim os melhores. A cota ou a ajuda via pontos extras não coloca todo mundo do ensino público (ou dos mais pobres) na universidade pública, mas uma pequena parte daqueles, os mais preparados.
    Você diz “a função da Universidade é tornar a competição concorrida e formar profissionais capazes”. Bem, então veja as medições feitas pelas universidades que adotaram as cotas (ou a pontuação extra). Via de regra, o aluno cotista ou que teve ajuda de pontos extras tem desempenho superior aos demais. E pra mim o que vale é o desempenho lá dentro, não num dia só na prova do vestibular. Concordo com você em um ponto: “Universidade é lugar de gente capaz, não de demagogia eleitoreira”. O diabo é que, ao contrário do que você está dizendo, a galeria cotista ou ajudada por pontos extras está se revelando mais capaz do que os demais dentro dos muros da universidade.

  6. 6 Tati Segunda-feira, 9 / Fevereiro / 2009 às 9:27 pm

    Oi André
    O que houve, faz tempo que não posta…

  7. 7 André Sábado, 14 / Fevereiro / 2009 às 8:10 am

    Just a break… daqui a pouco volto à atividade.

  8. 8 Tati Segunda-feira, 23 / Fevereiro / 2009 às 7:25 pm

    Volta André!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Rumo aos 100.000 acessos…

  9. 9 André Sábado, 28 / Fevereiro / 2009 às 8:23 pm

    Tá faltando tempo pra escrever algo com um mínimo de decência por aqui. Creio que ficarei mais algum tempo afastado aqui do blog.

  10. 10 He will be Bach Segunda-feira, 27 / Abril / 2009 às 10:46 pm

    André,

    Como recém-formado pela USP, não posso deixar de opinar. Sinto um pouquinho do orgulho uspiano no peito (ok, ok, fanfarras, podem parar de soar! Chega!)
    Claro, alguns de meus colegas meio que tentam negar que a São Francisco pertença à USP; na verdade a SanFran é uma über instituição, superior a todas as outras faculdades da GALÁXIA, uma espécie de entidade ectoplasmática que paira por sobre a reles existência concreta do resto do universo. Mas tudo bem, deixa eles lá…

    Concordo com o seu ponto de vista sobre as cotas. Aliás, a princípio eu era contra; porém, vendo a VÁRZEA que é a São Francisco, na qual se passa de ano com uma facilidade idiota, eu seria muito hipócrita se dissesse que só o vestibular pode servir de critério para entrar lá. O fato de eu ter feito o colegial num manicômio “holístico”, no qual tive sociologia e filosofia ao longo dos 3 anos, me preparou muito mais para o direito do que qualquer das matérias cobradas no vestibular, exceto, óbvio, português.

    O vestibular é uma triagem: um critério para tentar selecionar os melhores para entrar na faculdade. Não é perfeito: talvez o vestibular específico, como se fazia nos anos 70, fosse melhor do que este que cobra todas as matérias. Sei lá. O fato é que tem funcionado bastante bem, e entendo que as cotas são uma ótima maneira de corrigir a distorção social que ele acaba gerando. Acrescentando um dado ao seu, na minha turma de 115 alunos só havia duas negras, e apenas uma delas era pobre mesmo – filha de empregada doméstica, e para fazer faculdade morou naquela assustadora república. E acho que só tinha mais um na outra turma – ou seja, 3 em 230.

    Ao longo dos anos lá, fui vendo que a base necessária para encarar um curso de direito era apenas uma boa capacidade de leitura, a qual, aliás, está em situação de escassez crítica Brasilzão afora. E esta capacidade poderia muito bem ser desenvolvida ao longo da faculdade mesmo – com tanto professor matando aula, tempo é o que não falta…

    Quanto às fundações, você me lembra do contraste entre Unicamp e UFRJ. A UFRJ vive se lamuriando que é uma das mais antigas do Brasil mas que está meio capenga, perde tempo tentando dizer que ela é mais antiga do que o IME, fica olhando feio para a “invasão do capital privado” e continua lá, agonizando miseravelmente. A UNICAMP mal tem 30 anos de idade e já está quase no ranking das 100 melhores do MUNDO, resultado de uma parceria bem feita com a iniciativa privada.

    Acredito ser este um bom caminho para a USP, ainda mais porque, se depender do Serra, ele é bem capaz de fechar a USP porque ela tem um número excessivo de funcionários públicos, e, logo, contribui para a ineficiência do Estado brasileiro como um todo.

    Abraços!


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