Arquivo para Janeiro, 2009



Rádio “A Volta…” – Janeiro/2009

Vamos lá pra primeira rádio de 2009. Como sempre, colocarei meu mp3 player na função aleatório e vamos ver no que dá. 10 músicas, uma pequena amostra da minha biblioteca musical. Simbora então!

#10 – “Mensagem de Amor”, Paralamas do Sucesso: eu gosto tanto da banda que tenho até as músicas que fizeram pouco sucesso. É o caso desta música. Uma canção legal, forçando a barra. Porém não chega nem perto dos grandes sucessos do grupo.

#9 – “Take me Out”, Franz Ferdinand: a melhor música da banda, sem a mínima sombra de dúvida. O clipe (linkado aí em cima) é espetacular. E “Take me Out” é o limão do Franz Ferdinand espremido até dizer chega: se você não gostar da música, provavelmente não gostará de nada que a banda faça.

#8 – “Sereníssima” (versão acústica), Legião Urbana: música do álbum “perdido” da Legião – o “V”, pra quem não sabe -, esta música, como várias de Renato Russo, tem uma letra muito bacana. E na versão acústica só prova uma coisa: Legião é melodicamente simples, mas esta simplicidade é fantástica.

#7 – “Lay your hands on me” (versão acústica), Bon Jovi: você já ouviu o tal do “This Left Feels Right”, o álbum unplugged do Bon Jovi? Se não, você não sabe o que está perdendo. Esta música, por exemplo: ela foi reconstruída (como as outras tocadas no álbum) e ficou bacana. A versão original é ordinária.

#6 – “Me deixa em paz”, Teresa Cristina e Seu Jorge: tanto um quanto o outro têm músicas bem melhores que essa aí. É só o que tenho a dizer.

#5 – “Don´t think on me”, Dido: Essa menina parecia ter um futuro promissor na música ao lançar seu primeiro álbum, o “No Angel”. Estourou com a música “Thank You”, ganhou prêmios, apareceu pra caramba e, sem mais nem menos, sumiu de tudo. Essa música que apareceu no player até que é legal (é a que tem a maior “pegada” no disco).

#4 – “Painkiller”, Angra: Calma, calma aí gente. É a música do Judas Priest, em ótimo cover feito pelo Angra (o André Matos conseguiu fazer uma voz tão poderosa quanto a do Rob Halford). Clássico do metal em ótima versão merece os nossos elogios. Esta playlist já tava me deixando sonolento…

#3 – “Break the night with colour”, Richard Ashcroft: um hino, é o que posso dizer. Como já falei no post com as descobertas musicais de 2008, o cara manda muito bem. E essa música é a melhor da carreira solo do vocalista do “The Verve”. Essa rádio tá começando a melhorar no final…

#2 – “Mapas do Acaso”, Engenheiros do Hawaii: talvez a melhor música do “Filmes de Guerra, Canções de Amor”, grande álbum meio acústico dos Engenheiros feito no início dos anos 90. A melodia desta música é muito boa e eu acho a letra fantástica. Junte as duas coisas e você vai inferir que eu simplesmente adoro “Mapas do Acaso”.

#1 – “Dreams”, The Corrs: música bem pop deste grupo que tem como grande destaque as três moças da família Corrs. Na minha opinião, “Dreams” é uma das melhores músicas do grupo: apesar de ser meio boba e também ficar com aquele incansável ”putz-putz”, ela tem uma flauta estilo chinês que é muito bacana de se ouvir.

Reconheço que apesar da melhora no final, essa rádio de janeiro foi meia-boca. Gosto muito somente das músicas #8, #3 e #2. As outras, ou são mais ou menos ou então são fracas mesmo. A #6, por exemplo, sairá do player assim que eu fizer a próxima “limpeza” nele.

Tem uma rádio no ar esse mês também? Então coloca ela aí nos comentários.

Vilões das HQs no cinema

O UOL Jovem está fazendo uma pesquisa para saber qual foi o melhor vilão de HQ já interpretado no cinema. O páreo é duro: tem o Jack Nicholson como Coringa (“Batman”), Danny deVito como Pinguim (“Batman, o retorno”), Ian McKellen como Magneto (“X-Men”), Benício del Toro como Jackie Boy (“Sin City”), Kevin Spacey como Lex Luthor (“Superman, o retorno”) e William Dafoe como Duende Verde (“Homem Aranha”).   

Confesso que estive bem tentado a votar no deVito ou no McKellen. Mas não havia como não escolher esse aí de baixo:

coringa

Aliás (talvez até contando com o voto da molecada), Ledger está disparado na liderança da pesquisa (67,5%). Só para se ter uma idéia, Jack Nicholson está em segundo lugar com 19,15%. O engraçado é haver dois Coringas na liderança.

P.S.: a não ser que apareça um Javier Bardem como protagonista-coadjuvante (pô, o cara ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante do ano passado mas na verdade ele era o protagonista!), o Oscar de melhor ator coadjuvante vai mesmo pro Heath Ledger. Se a academia fizer diferente, é pra querer dar uma de durona (mais ou menos como o Copom faz quando todo mundo quer redução de juros e os caras não fazem mudança alguma).

Marcos Valério é libertado pelo STF. Nenhuma novidade.

E olha que a imprensa nem repercutiu tal evento com o destaque que ele mereceria. Da FolhaOnline:

Presidente do STF manda soltar Marcos Valério e seu sócio

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, concedeu liberdade ao empresário Marcos Valério de Souza e para seu sócio, Rogério Tolentino. Valério foi preso em outubro de 2008 pela Polícia Federal sob suspeita de “encomendar” um inquérito policial falso para prejudicar dois fiscais da Fazenda paulista e beneficiar a cervejaria de um amigo seu.

Valério entrou com pedido de extensão da liminar concedida por Mendes anteontem em favor do advogado Ildeu da Cunha Pereira Sobrinho e dos policiais federais Antônio Vieira Silva Hadano e Fábio Tadeu dos Santos Gatto. Todos eles foram presos na mesma operação que deteve Valério.

O pedido de liberdade foi feito ontem após a Primeira Turma do TRF-3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região negar o habeas corpus solicitado por Valério.

O advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério, disse que precisava da decisão do TRF para recorrer ao STF. “Antes, não podíamos recorrer aos tribunais superiores porque não havia decisão do TRF.”

Segundo ele, a prisão é ilegal e injusta. “Ilegal porque foi determinada por juízo incompetente. Injusta porque se baseou em provas obtidas ilicitamente. Fizeram gravações de conversas entre cliente e advogado (…)”

Vamos por partes. Essa libertação concedida pelo Gilmar Mendes é tão polêmica quanto àquelas dadas à Daniel Dantas. Ora, se um juiz de primeira instância e se uma turma de desembargadores não concedem a liminar, razões fortes devem existir. O STF tem o direito de reformar tais decisões; mas sempre fica a semente da dúvida do porquê do nosso supremo tribunal ir contra o entendimento de duas instâncias inferiores.

Outro ponto interessante: o advogado de Valério diz que só pôde recorrer ao STF após a publicação do acórdão da turma do Tribunal Regional Federal. Correto, esse é o trâmite a ser seguido. Agora, fica a dúvida no ar: porque o mesmo procedimento não foi seguido no caso Daniel Dantas? Será que Dantas não merecia ser julgado pelo TRF? Não, deve ser implicância minha. Alguma coisa de especial devia haver no caso Dantas que não existe neste caso do Valério.

Última: advogado tem cada uma… Valério está sendo acusado (e foi preso por isso) de “encomendar” um inquérito policial falso para prejudicar dois fiscais da Fazenda paulista. O que você espera? Que o advogado alegue a inocência do cliente. Mas que nada! O que o advogado expõe é que a prisão foi “ilegal porque foi determinada por juízo incompetente. Injusta porque se baseou em provas obtidas ilicitamente. Fizeram gravações de conversas entre cliente e advogado”. Ah, bom. O problema era esse: o juízo ser incompetente e as provas serem obtidas de modo ilícito. O crime em si? Esquece, esquece…

Tratamento “crasse” A

jadebarbosaNotícia lá do Globo Esporte:

Sem apoio da CBG e do Flamengo, Jade Barbosa troca autógrafos por remédios

A falta de apoio financeiro para cuidar da grave lesão no punho direito tem levado Jade Barbosa a buscar a ajuda dos fãs para seguir com o tratamento. Além de receber ajuda de custo de um empresário paulista sensibilizado por um pedido da filha, que adora ginástica, a atleta conta com a solidariedade de farmacêuticos e até de seu médico.

(…) Apesar das dificuldades, Jade, que está com seis meses de salários atrasados no Flamengo, garante que não pretende parar com a ginástica.”

E tem mais: Jade disse que a CBG sabia da gravidade da sua lesão antes dos Jogos e que teria havia omissão por parte da confederação.

Vamos então analisar o caso. A gente não sabe o que aconteceu nas Olimpíadas. Existem três hipóteses plausíveis: (i) Jade sabia da gravidade da lesão, resolveu competir mesmo assim e agora tá com “choro” de perdedor; (ii) a CBG sabia da gravidade da lesão mas induziu Jade a competir mesmo com o grave problema – tudo na base dos antiinflamatórios; e (iii), menos plausível, a CBG não tratou a lesão adequadamente porque não teve competência suficiente para detectá-la. Cada um acredita numa história, mas eu fico com a hipótese (ii).

Mas, dando o benefício da dúvida à CBG, suponhamos que tenha ocorrido a hipótese (i). Ora, qualquer entidade minimamente séria viria à público apresentar os documentos mostrando que a lesão havia sido descoberta e que a atleta quis competir mesmo assim. O que fez a CBG? Ameaçou processar o pai da Jade Barbosa. A satisfação ao público? Bem, isso aí deixa pra lá (esqueceram de avisá-los que eles são bancados por nós, através de incentivos fiscais mui generosos).

Continuemos dando o benefício da dúvida à CBG: ocorreu a hipótese (i) e eles não vieram a público para não polemizar ainda mais. Tá, vamos acreditar por 1 segundo nesta configuração dos fatos. Aí vem a questão: que merda de notícia é essa que a Jade tá trocando autógrafos por remédios? Cadê o tratamento bancado pela CBG? A procura pelos melhores profissionais para cuidar da atleta? A preparação para o próximo ciclo olímpico? Cadê? Cadê?

Não, tem mais. Uma atleta olímpica de ponta com SEIS MESES DE SALÁRIO ATRASADO? Querem que ela viva de que? De luz, fazendo fotossíntese? Onde raios a CBG está enfiando a grana que eu e você pagamos de modo indireto pra ela gerir a ginástica nacional? E cadê o incompetente COB do seu Arthur Nuzman pra ver um negócio desses e ficar quieto? Não, tem mais: cadê o ministro dos Esportes, um fanfarrão que só passa a grana pro COB e não quer saber de fiscalizar esse saco sem fundo? Cadê? Cadê?

Gente, de boa. Essa menina tá perdendo um ano importante da carreira porque não está tendo o tratamento adequado. Pior que isso: está prejudicando desde já sua preparação para os próximos Jogos. Pior ainda: se não for tratada adequadamente, pode se aposentar precocemente. E ela é a nossa principal chance de medalhas para a ginástica olímpica, junto com Diego Hypólito (o qual também está com 6 meses de salários atrasados).

Por isso Jade, faço-lhe neste humilde blog uma mea-culpa. Não tenho como cobrar medalhas suas nem participações espetaculares em Olímpiadas como fiz em agosto. Com esse tratamento “crasse” A da CBG, do COB e, quiçá, do Ministério dos Esportes, se você chegar aos próximos Jogos, já será uma campeã. E tenho dito.

A Troca

atrocaComeçou a safra de bons filmes do ano. Ontem fui ao cinema e vi “A Troca” (“Changeling”, 2008, EUA), o mais novo filme de Clint Eastwood. E se é filme desse cara, eu vejo sem pestanejar. Ele tem mostrado que é competente na direção e tem feito bons filmes – incluo “A Troca” nesta classificação também.

A história envolvida no filme pode parecer tola, mas não é. Uma mãe solteira, Christine Collins (Angelina Jolie) sai um dia para trabalhar e, quando volta, não encontra mais seu filho Walter em casa. Ela então aciona a polícia para que a criança seja encontrada. O problema é que a tal polícia é nada mais nada menos que a LAPD ou, em outras palavras, o corrupto e carniceiro departamento de polícia de Los Angeles dos anos 20. Por causa destes problemas, o departamento policial é desacreditado pela população e é combatido diuturnamente por várias pessoas - entre elas, o Reverendo Briegleb (John Malkovich), o qual tem um programa de rádio voltado a denunciar as barbaridades cometidas por esta polícia.

Pois bem, o tempo passa e, 5 meses depois, a polícia comunica Christine que seu filho foi achado. Todo um escarcéu é montado pra mostrar o quão “eficiente” é o departamento de polícia mas, contudo, um “pequeno” problema aparece: o muleque que a polícia entrega à Christine não é o filho dela! A mulher esperneia, chora, briga, mas a polícia insiste em não reconhecer o erro. Diz que a mulher está traumatizada, que está inventando coisas.

Aí é que a cobra fuma. Christine inicia uma luta pessoal contra a LAPD que se transforma numa luta coletiva – e, nesta luta, ela conta com a ajuda do reverendo Briegleb. Como vocês já devem estar pensando, a polícia não gostaria de passar o ridículo de ter entregue uma criança errada à uma  mãe. Logo, Christine se torna uma pessoa inconveniente e perigosa para os interesses da polícia. E, obviamente, será combatida por ela.

Se a história acabasse aí, seria um filme razoável de drama. Porém a coisa fede mais do que a gente imagina, reviravoltas acontecem, outros pontos-de-vista aparecem e, quando você menos vê, está metido num filme de suspense que te cativa até o fim. Conseguirá Christine reaver seu filho? A polícia conseguirá calá-la?

E é aí que eu acho que entra a arte do Eastwood. O cara vira um contador de histórias muito diferentes que podem ocorrer no dia-a-dia (o caso de Christine ocorreu na vida real) e, sem muita pretensão, enfoca o drama das pessoas envolvidas mesmo que estas estejam fazendo parte de um contexto bem maior – apesar da luta de Christine se tornar coletiva, sua finalidade é uma só: encontrar o filho. O cinema é, por definição, meio espelhafatoso – sempre gostamos de personagens grandiosos – e Clint parece ir numa direção contrária. Ele apenas quer mostrar um drama individual e faz isso com maestria, criando um bom filme de drama individual combinado com suspense.

Não espere grandes atuações nem um filme espetacular. Mas se você for ao cinema esperando ver uma boa história, com grande direção, que contenha um razoável suspense e que tenha uma excelente representação de época, veja “A Troca”. Acho que você não se arrependerá.

2009 começa de verdade agora

Volto à atividade no blog a partir de hoje. Após uma semana de descanso viajando e outra voltando ao ritmo normal de Sampa, tá na hora de botar essa joça pra funcionar. Então, simbora!

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