Marcos Matamoros, da “Torre de Marfim”, fez um bom post sobre a sofrível qualidade da novela “Caminho das Índias”. Eu até ia escrever um dia sobre a novela, mas estava com muita preguiça. O Marcos me quebrou um galho. Falou tudo que eu queria num texto simples, curto e grosso. Vão lá e leiam.
Pois bem, assim como quem não quer nada, a blogueira Nariz Gelado foi lá e escreveu o seguinte comentário:
Me parece que, com uma média de 40 pontos no Ibope, dá para dizer que a novela está em sintonia com o paladar cultural da nação. Um horror. Mais ou menos como a popularidade do Lula. Exceto que esta última define o destino do país – e que discutir o discernimento político das massas é ‘elitismo’. O cultural tá liberado.”
O comentarista João Paulo Rodrigues foi lá e respondeu o seguinte:
“Mais ou menos como a popularidade do Lula.”
Não. O do Lula é o dobro.“e que discutir o discernimento político das massas é ‘elitismo’.”
A simples conjugação do termo “massas” com “política” já começa a deslegitimar a aproximação de quem quer “discutir”. Geralmente é elitismo. Outras vezes, miopia. Na verdade, não se quer discutir nada, mas condenar com argumentos rasteiros e, se possível, encontrar um forma de dar um by pass nesta so called “massa”.
Enfim, apelando a Machado, é a filosofia da ponta do nariz.”
JPR, nem sei se você é leitor do “A Volta…”, mas concordo com tudo o que você disse, letra por letra, vírgula por vírgula, ponto por ponto.
Contudo, gostaria de acrescentar o seguinte: pra que discutir o discernimento político das “massas”, se a gente pode discutir o discernimento político das “elites”? É bem mais divertido.
Não acreditam? Bem, é só darem uma espiada nesta convocação para um abaixo-assinado de apoio ao senador Mão Santa. Não dêem risada, é sério. Tá bom, dêem risada escondido. Ah, tudo bem, caguem-se de rir. Uma piada dessas não aparece todo dia na nossa frente.
Abaixo-assinado pro Mão Santa? Isso você só vê nas “elite” do Brasil!
P.S.: escrevi errado mesmo. Prefiro ser parte da “massa” que vê “Caminho das Índias” a pertencer à elite que apóia o Mão Santa.

ABC,
Se você der um leve cutucão no JPR, ele é bem capaz de virar seu leitor assíduo. Afinal, se ele perde tempo lendo o blog do NPTO…
O JPR declarou-se um espião da 5ª Internacional fazendo mestrado (na verdade, infiltrado) no território inimigo (PUC-Rio).
Não consegui rir do abaixo-assinado em apoio ao Holy Hand. Depois do asqueroso paredão de defesa do Gilmar Mendes que os sicários da Globo e da Veja fizeram, eu acredito em tudo. É o tipo de safadeza que, gradual e tristemente, mina nossa capacidade de nos espantarmos com as coisas!
Eu gostaria, sim, que discutissem o discernimento político das massas e, principalmente, que o comparecem com o discernimento político das elites e com o discernimento que seria considerado “ideal”.
hewillbebach,
tenha mais senso de humor. Apoio ao “Holy Hand” é uma coisa que não se vê todos os dias, rapaz.
Mosca,
percebeu que eu coloquei os termos “massas” e “elite” no texto entre aspas (como fiz agora)? Acho uma bobeira ficar rotulando e colocando-se numa posição superior, tal como as “elites” nacionais fazem. Ou seja, o cara se define como “elite”, chama os outros de “massas” e ainda desce o sarrafo nestes. Quando as tais “massas” elegeram e reelegeram FHC, ninguém reclamou. Quando elegem e reelegem Lula, aí elas não têm discernimento político. Incrível é que nesta linha de raciocínio, as “massas” de São Paulo devem sofrer de transtorno bipolar: elegem Lula e Serra, um “apedeuta” e um “escolado”, respectivamente, ao mesmo tempo!
E no caso em específico que citei da Nariz Gelado, é incrível que alguém apóie o Mão Santa seja lá no que for. Se você assistir a 5 minutos da TV Senado, você com certeza verá ele discursando. Dali você já tira uma amostra da atuação do senador: fala muito, enche o saco, mas projeto que é bom, nada. Pelo menos é a percepção que eu tenho.
Talvez outros tenham uma percepção melhor, dado que o senador é chegado a citar Rui Barbosa, Montaigne, Rousseau…
Post bacana. HwbB, esse de quem você está falando é o Arthur. O JPR é um colega que fazia história na UNICAMP na época em que eu fazia sociais (e que diz umas coisas muito maneiras, mesmo, só é pena que é botafoguense).
Cara, pouco tempo depois do glorioso abaixo-assinado, eu falei disso com um colega e ele me disse que eu devia estar delirando. Fui lá procurar, por algum motivo não achei, fiquei meio em dúvida se não estava mesmo ficando doido. Até que o Nowosad, lá n’O Hermenauta, foi lá e achou. Valeu aí, galera, por a) mostrar que ainda não estou no ponto de imaginar coisas e b) descobrir um troço engraçado pra cacete.
Agora só falta eu encontrar o texto “Porque não falo mal de Severino”, que saiu na Primeira Leitura, e é outra coisa que ninguém acredita que exista, mas eu juro que li.
NPTO,
não sei se você está com a memória ruim ou não, mas creio que o artigo seja de 2005 e tenha o nome de “De bodes exultórios e bodes expiatórios”, escrito pelo Rui Nogueira. Achei o texto no blog “Arquivo de Artigos Etc”, cujo link é esse aqui: http://arquivoetc.blogspot.com/2005/03/primeira-leitura-de-bodes-exultrios-e.html
Em linhas gerais, o texto trabalha com a idéia de que Severino seria um bode expiatório para a mídia, cega aos desmandos do PT àquela época. Um dos parágrafos conclusivos meio que sintetiza o artigo: “Funciona, enfim, para não deixar ver o lado virtuoso de Severino, que, até o momento, suplanta, e muito, o populismo visceral em que ele nasceu e se criou como político e pode ser resumido na frase dita nesta terça, em discurso no plenário: “A autonomia da Câmara fará bem à democracia”.
Êpa! ôpa! Virei motivo de comentários!
Legal o blog. Passarei mais amiúde porrr aqui. E não é pelo apoio não. O layout, os temas, os convivas…
Bem, sobre “massas”, “política” e “elite”, é claro que eu simplifiquei. Mas é que a tal nariguete é de um nível rastaquera que só com referências meio tatibitati para “dialogar”, if you know what I mean…
Não se usa esse termo “massas” em trabalhos sérios de ciência política, sociologia, jornalismo ou história. Todavia, e isso obivamente passou desapercebido á nariguda, o termo não tem apenas uma conotação negativa, mais valorativa do que analítica. Pouco me importa se Nietzsche ou Gasset façam referência a elas – já que de pouca utilidade essa filosofia serve nestes assuntos. Mas notórios políticos de esquerda latino americanos, como Perón e Brizola, o usavam para frisar o poder do povo e sua superioridade numérica frente outros grupos (embora haja variações aí), notadamente as “oligarquias”, os “imperialistas” etc.
A tal nazo-blogueira, obviamente, desconhece isso e mais um pouco, de forma que o único que resta é realçar seu elitismo.
PS: no A Torre a napa-bloguista compara o baixo nível da novela de Glória Perez com o baixo nível cultural da população. Mas em novembro de 2007 acompanhava em êxtase o que ocorria na novela de Aguinaldo Silva, Duas Caras. Vejam lá: http://narizgelado.apostos.com/archives/2007/11/bravo_aguinaldo.html.
JPR,
suas visitas serão sempre bem-vindas à este blog. Principalmente depois de você ter descoberto que as “elite” sorrateiramente também assistem às novelas das 8. O problema da tal da internet é esse: um dia a pessoa assiste à novela das 8 e, emocionada, vai lá e faz um post elogioso; no dia seguinte, tem que encarar o ambiente sisudo das “elite” onde assistir a uma novela das “massas” é coisa feia. O diacho é que esquece de apagar o post do elogio anterior e aí ficamos com este registro eterno de uma elitista que assiste às mesmas coisas que as “massas”, porém desce o pau no discernimento político destas pois, convenhamos, assistir novela das 8 só pode ser coisa de um ser despolitizado!
Mas vamos dar o benefício da dúvida à moça: vai que a tal de “Duas Caras” trouxesse um discernimento político ao telespectador infinitamente superior à “Caminho das Índias”?
André,
Eu assisto quase todas as novelas das oito e vou justificar de forma calhorda. A culpa é da minha mulher! Antropólogo adora novela, e ela se formou em antropologia. Resultado, eu, cuja última novela que vira foi Roque Santeiro, lá em 86, voltei ao horário nobre da Vênus Platinada. Como dou aulas à noite, perdi o ânimo de chegar em casa e tentar argumentar para mudar de canal. Acabo sempre me acostumando com a novela de plantão, com as suas exceções.
Acho que você tocou no ponto: lembro do tiozinho da Veja tendo orgasmos múltiplos por causa de Duas Caras, já que mostrava estudantes de esquerda de araque, entre outras coisas que seriam anti-PT. Já “Caminho” não tem essas pataquadas, é só um folhetim como os demais. Daí os elogios dirigidos á primeira pela fila dos adoradores de RA, apesar de Duas Caras ter sido de uma ruindade só (qualquer coisa em que Suzana Vieira atue é uma porcaria).
Até!
JPR,
tá explicado: o alto discernimento político de quem assistia a “Duas Caras” era plenamente justificado pela presença de estudantes de esquerda de araque!
Esse negócio de “as elite” assistir às novelas “das massa” me lembra uma coisa muito curiosa: Se todo mundo que diz que não assiste ao Big Brother *efetivamente não assistisse*, teria 10% da audiência que tem.
Por outro lado, se todo mundo que *diz que assiste louca, apaixonada e assiduamente* à TV Cultura também assistisse mesmo, sua audiência seria o quíntuplo da que é!
HwbB
o pior de tudo é que é verdade mesmo. Eu inclusive faço um mea culpa aqui: juro que não assisto ao BBB, mas quanto a dizer que vejo a Cultura… Na prática, acho que o último programa que eu vi neste canal foi o Castelo Rá-Tim-Bum, quando tinha uns 11, 12 anos de idade
Já escreveram tudo.
O Aguinaldo Silva tb na época andou dando umas declarações, muito divulgadas, espinafrando o PT e o Lula. Por isto o fascínio dos anaeróbicos.
Eu ia elogiar o JPR por ter estômago por ler a NG mas eu de vêz em quando leio o Coturno Noturno, só pra saber se já começaram a defender a castração dos PPP. Qdo acontecer arrumo as malas e vou embora.