O Leitor

thereaderQuando este filme passou nos cinemas, eu não consegui vê-lo. Até acho que ele ficou pouco tempo em cartaz. Mas na semana passada aluguei-o e minhas impressões positivas foram confirmadas. “O Leitor” (2008, 124 min., dirigido por Stephen Daldry) realmente é um filmaço. Antes de falar o porquê, vamos ao nosso costumeiro breve resumo.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, um adolescente da Alemanha Ocidental chamado Michael Berg (David Kross) fica doente no meio da rua e é socorrido por uma mulher chamada Hanna (Kate Winslet). O encontro dos dois gera uma paixão à primeira vista, apesar de Hanna ter, no mínimo, o dobro da idade de Michael. Este, após se curar da doença, começa a ir à casa de Hanna diariamente e os dois desenvolvem um romance tórrido. Mas antes do “rala e rola” propriamente dito, Hanna sempre pede que Michael leia-lhe algum livro. O muleque acha estranho, mas se esse é o preço a se pagar pra ficar com a mulher, ele aceita na maior.

Um dia, sem mais nem menos, após algumas brigas, Hanna some do mapa. Michael fica totalmente desolado.

Alguns anos depois, Michael é estudante de Direito. Empolgado com o curso, ele aceita assistir aos julgamentos de criminosos nazistas pra ver se melhora seus conhecimentos. Adivinhem então quem ele encontra como ré? É, isso mesmo. A sua paixão da adolescência, Hanna. E como todo criminoso nazista que se preze, a mulher é acusada de ser responsável pela morte de centenas de judeus.

A partir desse ponto o filme fica fantástico. Michael sabe de um segredo que pode ajudar Hanna, diminuindo sua pena. Porém, deve revelá-lo dado que a mulher é uma nazista fdp? Pô, mas mesmo sendo uma nazista fdp, ele foi apaixonado por ela e, vá lá, aceitaria novamente a companhia amorosa da nazi numa boa. Repararam o conflito que vive esse personagem e como é difícil lidar com ele?

Deve ter sido por isso que escolheram Ralph Fiennes para interpretar o Michael adulto. O ator consegue passar uma sensação de tristeza e de perturbação muito grande nos filmes em que atua. A escolha foi certeira, sem dúvida alguma.

Bem, e por que então o filme é muito bom? Primeiro, a história é incrível. Aliás, o livro que deu origem (escrito por Bernhard Schlink) deve ser espetacular, qualquer dia desses eu ainda leio e resenho ele por aqui. Segundo, o diretor soube conduzir maestraelmente o andamento desta história – só para lembrar, Stephen Daldry também foi diretor de “As Horas” (o qual já comentamos aqui). Terceiro: Kate Winslet manda muito bem como a nazista amante do muleque e posteriormente como a velhinha que está presa e será confrontada com os fantasmas do passado. Sua interpretação foi, sem dúvida alguma, merecedora do Oscar que recebeu. Quarto: a trilha sonora tem o estilo de suspense que vai deixando você nervoso, a la Philip Glass. Até parece que foi ele quem a fez, mas não foi não.

Bem, o filme está mais do que recomendado a vocês. Claro que sou suspeito para falar de “O Leitor”, dado que o filme encaixa no gênero cinematográfico que mais aprecio (drama) e  tem um fundo histórico que me chama bastante a atenção. Independente da suspeição, tenho a grande impressão de que vocês irão gostar. Aguardo os futuros comentários.

P.S.: num dos depoimentos que vi sobre 1968, um líder estudantil disse que um dos motivos da explosão daquele ano foi o fato da juventude viver em uma sociedade fechada, cujos pais não queriam falar do passado. E o motivo era justamente o de que relembrando o que ocorreu durante a Segunda Guerra, muitos seriam taxados de colaboracionistas e não engajados. Pior do que isso: alguns tinham sido, de fato, criminosos de guerra. Segundo o líder estudantil, tais cicatrizes ainda não tinham sido curadas no “ano que não acabou” (como 1968 ficou conhecido posteriormente).

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