Toda a nossa solidariedade às vítimas do AF447. Um milagre até pode ter acontecido, mas a probabilidade é baixíssima. Enfim, pra alguém que tem muito medo de avião como eu, esse fato só deixa tristeza e consternação.
Não vou divagar sobre o acidente. Se quiserem ver o melhor texto sobre a queda do avião, vejam este post do Hermenauta. O cara conseguiu escrever e informar melhor que toda a imprensa escrita, falada e televisionada do país no dia de hoje. Depois de lerem o texto, digam se eu exagerei na afirmação anterior.
Eu quero falar mesmo é da afobação dos portais de internet com o acidente. Uma colega do meu trabalho conseguiu pegar isso aqui no Terra, por volta de 14h15:

Viram isso? Os caras já tinham preparado uma notícia sobre o encontro do avião no Oceano Atlântico. Ao clicar no respectivo link, nenhuma página abria. Notem que, entre parênteses, há uma mensagem clara: N PUBLICAR. Eu entendi como “não publicar”. Aposto que se encontrassem o avião, o Terra mandaria a notícia pra primeira página do portal, mesmo sem conteúdo algum.
Só pra comprovar a afobação, veja esta mesma página acima, acessada 2 minutos depois:

A minha colega deu sorte de pegar tal “barriga”. Mas o ponto pra mim é o seguinte: quando ocorre um evento como a queda do AF447, os portais de internet (alguns deles ligados a grandes grupos jornalísticos nacionais) criam uma histeria coletiva de informações. Qualquer coisa que aparece, eles colocam. É uma avalanche de informações sem apuração e muita, mas muita, especulação. Só hoje, li “n” explicações para o acidente: raio, turbulência, pane elétrica, bomba…
O que interessa pra eles é colocar qualquer coisa, contanto que dêem “furos”. Pra mim, ao fazerem isso, eles só prestam um grande desserviço à população. É por isso que o texto do Hermenauta bastou para que eu compreendesse o que estava ocorrendo.
Como relembrar é viver, o UOL já fez algo pior. Quando Mário Covas estava nas últimas, o portal já tinha colocado uma página ativa com a chamada da morte do ex-governador. A razão é óbvia: publicar, ao primeiro segundo da morte de Covas, uma chamada sobre o fato na página principal do portal.
Olha, eu não sei como estes caras que tocam UOL, iG, Terra, G1, Estadão, etc, etc., enxergam o negócio da informação na era da internet. Talvez eles achem que as coisas devam ser tão rápidas que a qualidade é um detalhe pequenino. Bem, pra mim não é. E é por isso que eu me recuso a ler qualquer coisa sobre o acidente do AF447 até que a histeria geral tenha passado.
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