O Gustavo Franco escreveu hoje um artigo no Valor com o título “Plano Real, 15 anos em perspectiva”. Li na edição impressa mas não consegui acessá-lo para colocar o link pra vocês (na página do jornal, está disponível somente para assinantes). O artigo é interessante porque conta um pouco da história envolvida na implantação da nova moeda. Duas coisas me chamaram a atenção no texto.
A primeira delas foi uma tabela – reproduzida abaixo – com os dados históricos de inflação dos padrões monetários que o Brasil teve desde nov/1942. Como história pra mim é algo vital, percebam que praticamente durante 52 anos (42-94) o país teve a inflação no seu DNA. Tudo bem que são outros tempos, outras prioridades, outro mundo, etc, etc., mas vejam que de 70 em diante a nossa moeda tava a caminho do que hoje ocorre no Zimbábue. O Plano Real ter acabado com isso não é um mérito que deve ser minimizado ou menosprezado.

A segunda coisa foi o parágrafo final do texto. Apesar de puxar a sardinha pra sua brasa ao mandar um “a genética pode ser mais relevante que o padrasto”, eu concordo em linhas gerais com o que Gustavo Franco expôs, principalmente com o trecho grifado. Vejam:
Aos 15 anos de idade, portanto, nossa moeda vai bem, e o país observa suas possibilidades futuras com mais otimismo do que em qualquer outro momento da nossa história. É ótimo que o Real seja percebido, cada vez mais claramente, como uma obra coletiva: no critério de tempo de serviço, estritamente falando, os 15 anos se dividem em 8 do PSDB, 1/2 para Itamar Franco e 6 1/2 para Lula. A rigor, a distribuição dos méritos não deveria ser bem esta, pois a genética pode ser mais relevante que o padrasto, ou não, mas pouco importa. O apreço pela coisa pública – e não há coisa mais pública que a moeda – começa com o desprendimento, ou com o sentimento de que ela não pertence a ninguém senão ao país.“
É isso aí mesmo: o país só vai pra frente quando certas melhorias são transformadas em políticas de Estado e não em políticas de governo. Do mesmo jeito que o Lula manteve o Real forte, através do controle da inflação, espera-se, por exemplo, que igualmente seu sucessor mantenha o Bolsa Família funcionando a pleno vapor. São com estes pequenos passos que avançamos para nos tornarmos o “país do futuro” algum dia (espero estar vivo para ver isto ainda).

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