Matéria de hoje da Folha de São Paulo [grifos meus]:
A recessão brasileira terminou em maio. Após dois trimestres seguidos de retração, que caracterizaram recessão técnica no país, a economia brasileira voltou a se expandir exatamente no centro do segundo trimestre, de acordo com diferentes estudos dos bancos Bradesco e Itaú Unibanco.
Segundo o Bradesco, com os dados até maio, o PIB do segundo trimestre já apontava um crescimento de 1,7% em relação aos primeiros três meses deste ano. Até abril, os resultados eram negativos.
Já os economistas do Itaú Unibanco detectaram em maio uma alta de 2,3% do PIB em relação a abril, o que também sugere a primeira expansão trimestral da economia após a crise. Os dados fazem parte de uma nova pesquisa, que segue a metodologia do IBGE, para estimar o PIB mensal, já livre de efeitos sazonais. Em abril, a pesquisa apurara retração de 0,7% em relação a março.
Para Octavio de Barros, diretor de pesquisas do Bradesco, os números mostram que o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a sair da crise. A recessão é caracterizada tecnicamente por economistas com dois trimestres seguidos de retração. De acordo com o IBGE, a economia encolheu 0,8% no primeiro trimestre e 3,6% no último trimestre de 2008.
Segundo Barros, a saída do Brasil da recessão é algo para ser comemorado, mas que era previsível dados os sinais de que o país e alguns emergentes sairiam antes da crise por conta de seus grandes mercados domésticos. “A ação do governo foi importante para a recuperação, principalmente a atuação dos bancos públicos”, disse ele.
Desde janeiro, o levantamento do PIB mensal do Itaú Unibanco mostra uma recuperação lenta da economia. A novidade em maio foi que o indicador do Itaú se expandiu de forma mais vigorosa. “Do jeito que as coisas estão caminhando, não só teremos crescimento, como um crescimento bem positivo [no segundo trimestre]. A gente captou uma coisa que não se via antes. Tínhamos vários indicadores mensais, como produção industrial e dados do varejo, mas que não davam o quadro completo”, afirmou Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco (…)
Pra quem não sabe, as equipes de economistas destes dois bancos são muito boas. A estimativa do fim da recessão no país no segundo trimestre feita pelos dois bancos pode, por assim dizer, ser considerada uma realidade. E esta realidade, como disse o Octávio de Barros, coloca o Brasil como um dos primeiros a sair da crise mundial.
Como economista, o que me chamou realmente a atenção foi o cálculo do PIB mensal desenvolvido pelo Itaú (e melhor de tudo, livre dos efeitos sazonais). Se estes dados de PIB mensal mostrarem-se próximos aos dados de PIB trimestral do IBGE, o indicador do Itaú vai ser algo fantástico pra entendermos num menor espaço de tempo como anda a nossa economia.
O dr. vtYojr (frequentador deste blog) já tinha discutido uma vez comigo tal assunto: estavámos em maio, falando da queda do PIB de dois meses antes (ou seja, do primeiro trimestre). Dizíamos que o país estava em recessão, mas tínhamos sinais do crescimento da economia do país no mês em questão. O PIB do segundo trimestre só seria (quer dizer, será) divulgado em agosto, ou seja, esperaríamos quase quatro meses para afirmar “puxa, o país não está mais em recessão”. Deste modo, precisamos de um indicador mais tempestivo, e este PIB mensal calculado pelo Itaú – mesmo que com 1,5 mês de atraso -, se for uma boa estimativa, nos dará algo neste sentido.
Estamos no aguardo.
P.S.: quando Guido Mantega disse que o Brasil estava em recessão técnica, o que ele quis descrever foi mais ou menos a situação acima. O país tinha tido dois trimestres seguidos de queda do PIB (o que caracteriza uma recessão), mas já mostrava sinais de que iria crescer no mês em questão (maio). Trocando em miúdos, os dados disponíveis mostravam um quadro de “recessão” (pela definição técnica do termo), mas na prática as coisas já tinham melhorado no país.

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