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Vozes do Brasil – Mariana Aydar, “Onde está você?”

Mais uma série musical aqui no “A Volta…”! Depois de “A Arte do Videoclipe”, “Caixa Acústica” e “Rádio A Volta…”, agora temos “Vozes do Brasil”! Essa nova série vem compensar um pouco o grande viés internacional que venho tendo ao longo da história deste blog. Revendo os posts de música que fiz, vi que a maioria deles tratava de bandas/artistas do exterior, sendo que temos uma galera boa fazendo um trabalho bacana por aqui!

Pra começar esta nova série (que, prometo a vocês, não terá tanto texto explicativo quanto havia nas outras séries), de cara, já boto uma das novas vozes da MPB, a talentosa Mariana Aydar! Vi um show dessa moça durante a “Virada Cultural” de 2008 e adorei o trabalho dela! É uma voz calma e relaxante mas que explode com uma força incrível! Muito bacana.

Ela fez algum sucesso com as canções “Deixa o verão” e “Zé do Caroço”, mas eu gostei mesmo foi do xaxadinho “Onde está você?” (principalmente pela parte crescente que a música apresenta). No vídeo abaixo, a moça conta “só” com a participação de um dos maiores sanfoneiros do Brasil, o Dominguinhos! Demais, não? Então, ouçam aí e busquem mais coisas da Mariana aí pela internet. Essa moça tem talento!

Virada Cultural 2008! Eu fui! E você?

Conforme tinha prometido num post anterior, fui em alguns eventos da Virada Cultural paulistana e adorei! Foi sensacional o caldeirão de cultura que invadiu essa cidade por 24 horas. Demais mesmo. Nunca tinha ido no evento e não sabia o que havia perdido até então. Como eu gosto bastante de música, fui em vários shows. Veja abaixo:

Tudo começou no sábado 26, quando fui até a Av. Ipiranga para ver o show de Mariana Aydar num palco pequeno porém bastante agradável (o local é em frente ao famoso edifício Copan, uma obra de Niemeyer). E a moça fez um show muito bom! Com grandes interpretações de sucessos da MPB (“Vai Vadiar”, “Zé do Caroço”, “Menino das Laranjas”) e músicas próprias belas como “Deixa o verão”, ela alegrou a galera que via o show. Seu sanfoneiro (também tecladista) e seu guitarrista mandavam muito bem e o público até arriscou uns passinhos de forró e de samba. A “Virada” tinha sido aberta oficialmente! (ao lado, foto de Karina Rodrigues, cujo flick é este aqui).

Domingo de manhã, é hora de ir ao Largo do Arouche para o Baile! Por lá passaram Maria Alcina e Nelson Ned, mas eu aportei mesmo no local às 11h para ver o grupo The Jordans (quem não conhece a biografia do grupo [incluo-me neste grupo] pode ver algo aqui). Muito rock das antigas instrumental e um show legal. Os guitarristas mandavam muito bem, fazendo solinhos bem bacanas e divertidos. Pra encerrar o show, o grande sucesso do Dick Hale, “Punpkin and Honey Bunny Misirlou”, um primor da guitarra! (acho que é essa a música – pra quem não conhece, é aquela do Pulp Fiction que depois o Black Eyed Pies remixou para fazer “Pump it”).

Às 15h, fui ao Palco São João (o maior de todos) para ver a tão falada Orquestra Imperial (conheço muito pouco deles, apenas sei que no grupo tem o Rodrigo Amarante, o qual era um dos cabeças do Los Hermanos; a outra coisa que eu sabia era que eles tocavam samba das antigas, tipo Noel Rosa). Tava bem cheio o lugar, de modo que pouco pude ver da banda. Mas ouvi o som e gostei dos sambinhas que eles tocam, apesar de eu desconhecer quase todas as músicas (só sabia as que eles tocaram no bis: “Patrícia”, música do Caetano, e “Eu bebo sim”). Mas a muvuca existente era um indicativo claríssimo de que o show do Ben Jor (que seria depois), estaria lotadaço (ao lado, foto da Orquestra Imperial tirada por Ricardo Somera, cujo flickr é este).

O legal nesse show foi que eu fiquei tão longe do palco que acabei vendo uma performance artística bem interessante: na ponta de um guindaste, a uns 6 metros de altura, ficavam uns caras e umas minas dançando em pleno ar, em cima de um sofá aéreo! Muito louco! Era impossível não se perguntar como é que eles não tinham medo de cair e se espatifar no chão! O negócio era tão legal que na hora que o show da Orquestra esfriou, o pessoal prestou mais atenção foi na performance… (foto de Anderson Costa, cujo flickr é este).

Pra encerrar o dia, voltemos ao Baile do Arouche. Às 17h, show de Simoninha com participação do irmão Max de Castro. A apresentação foi uma homenagem ao pai dos dois, Wilson Simonal, através da execução do repertório do álbum “Alegria Alegria Vol. II ou Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga”, de 1968. Já tinha falado do Simonal por aqui e pouco conhecia dele (o que me motivou a ir na apresentação). MUITO BOM! O Simoninha eu já conhecia e sabia da qualidade que ele tem. Junte-se isto a um repertório bem montado e pronto: foi impossível ficar parado! Foi samba-rock, soul, forró, gafieira… enfim, uma alegria só. Fora isto, tinha o fato de que não havia uma grande multidão no Arouche, ou seja, havia mais espaço para ver o palco e para arrastar pé. E olha que eu conhecia algumas músicas cantadas pelo Simonal, mas não sabia que conhecia. Exemplos: as ótimas canções “Zazueira”, “Paraíba” (música do grande Luiz Gonzaga), “Meu limão meu limoeiro”, “País Tropical”, “Vesti Azul” e a impagável “Sá Marina” (regravada recentemente por Ivete Sangalo). A foto ao lado é de Flávia Durante, flickr aqui.

E meu dia se encerrou assim. Ia tentar ver o Jorge Ben Jor no palco São João, mas ao chegar perto do show três coisas me fizeram voltar pra casa: o cansaço, a muvuca master que havia por lá e o som que, da distância onde eu estava, não estava sendo muito bem escutado. Mas acho que foi um bom show e quem foi deve ter curtido.

Pô, bem legal. Dois dias, quatro shows na faixa. Aparentemente, 4 milhões de pessoas assistiram ao evento e nenhum incidente mais grave ocorreu (ainda bem!). Eventos bacanas como este têm de ser incentivados em todo o Brasil e São Paulo literalmente pulsou nestes dois dias (fora o fato de que o centro da cidade se encheu de vida à noite quando, justamente pela deterioração que sofre, nos dias comuns aquilo é um deserto; acreditem: o centro da cidade é muito bonito, falta revitalizá-lo de alguma maneira - falo isso pois passei à noite por lá, o que normalmente não faria pois o local é deserto, sem segurança, etc, etc…).

E você, foi em algum evento? Se sim, comenta por aqui colocando as fotos que você tirou, ou o endereço do seu blog com algum post sobre a Virada ou apenas escreva um singelo comentário. Façam a galera que lê o “A Volta…” acreditar que a Virada Cultural foi um sucesso! Eu já estou no aguardo da edição 2009!

P.S.: no próprio sítio da Virada havia a disponibilidade de acessar o Flickr com as fotos que as pessoas tinham feito do evento. Como gosto deste caráter de compartilhamento de informações / fotos / notícias entre internautas, coloquei fotos tiradas pelas próprias pessoas que foram no evento, dando-lhes os respectivos créditos. Se você tirou alguma das fotos que coloquei acima e não gostou disso, me avise (apesar de eu achar que ninguém fará isso, né?). Aliás, a foto do show do “The Jordans” fui eu mesmo que tirei e quem quiser pode usá-la numa boa, ok?

Virada Cultural

Começa neste sábado, 26/04, um dos eventos mais legais e democráticos da cidade de São Paulo: a Virada Cultural 2008. Já é o quarto ano que o evento ocorre aqui em Sampa e a coisa funciona de modo contínuo. Das 18h do dia 26 (sábado) às 18h do dia 27, ininterruptamente, a cidade será invadida por shows, apresentações, obras artísticas, enfim, por uma gama enorme de atividades artísticas que ocorrerão por toda a cidade (inclusive na periferia, onde os principais pólos de atrações serão os CEUs). O evento é inspirado nas noites brancas européias.

No total, 5 mil artistas vão se apresentar nestas 24 horas e quase todas estas performances serão gratuitas (por isso, o caráter democrático do evento). A programação completa pode ser vista neste link (arquivo em pdf). Destaco os seguintes acontecimentos que ocorrerão:

  • Teatro Municipal: muitos shows de artistas nacionais de qualidade, tocando álbuns importantes da história da MPB, faixa a faixa. Fiquem de olho no show de Luiz Melodia, com o álbum “Pérola Negra” (1973) às 18h do dia 26/04;
  • Palco São João: shows de muitos artistas da MPB, a saber Gal Costa e Zé Ramalho (às 21h e a 0h do dia 26, respectivamente), Mutantes, Marcelo D2, Orquestra Imperial e Jorge Ben Jor (às 3h, 12h, 15h e 18h do dia 27, respectivamente);
  • Vale do Anhangabaú – Boulevard São João: apresentação de grandes instrumentistas nacionais, como Osvaldinho do Acordeon (dia 26 às 22h15) e Renato Borghetti (mesmo dia às 23h30);
  • Samba de Mesa 24 Horas no Largo Santa Ifigênia: pra quem gosta do estilo, um prato cheio de alegria. Destaco a apresentação de Dona Ivone Lara e Nelson Sargento no dia 27, às 16h;
  • Baile do Arouche: nostalgia total neste evento, com destaque para a execução completa do disco “Alegria Alegria vol. 2″ de Wilson Simonal (o show será feito pelo filho dele, Simoninha, às 17h do dia 27);
  • Baile de Bambas na av. Rio Branco: grande mistura de ritmos neste palco. Destaque para as apresentações de Falamansa (arrasta-pé universitário, dia 27, às 05h) e Quinteto Violado (no mesmo dia, 11h);
  • Rock na Praça da República: pauleira total neste palco, que terá shows de Paul di Anno (isso mesmo, o primeiro vocalista do Maiden! ele promete tocar todas as músicas do álbum “Killers” [1981]. O show será à 1h do dia 27), Andreas Kisser e Brasil Metal Stars (03h, dia 27), Lobão (16h, dia 27), Ultraje a Rigor executando o clássico “Nós vamos invadir sua praia” (18h do dia 27);

Cara, tem tantas outras coisas mais que poderia ficar aqui o dia inteiro e ainda não daria conta do festival. Citei os principais eventos que ocorrerão em palcos no centro da cidade. Mas tem muitas outras coisas rolando: circo, teatro, cinema…

Veja a programação e confira o que pode te agradar! Ah, e se for em algum dos eventos, entra na caixa de comentários e diga como foi, blz?

P.S.: e que o lastimável ocorrido no show do Racionais do ano passado, quando o público entrou em confronto com a polícia, não ocorra este ano. A Virada Cultural é tão legal que um único problema isolado não pode estragá-la, né?


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